Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Mês: março 2017 (Página 1 de 3)

5 razões pelas quais você deveria assistir a Ingobernable

Antes de dizer qualquer coisa, dou minha palavra de honra de que NÃO HÁ SPOILERS neste post. Pode confiar 😉 Combinado? Então bora lá!

Precisamos falar sobre Ingobernable

Terminei de assistir à primeira temporada e devo dizer que essa série é daquelas que ficam rondando a nossa cabeça durante toda a semana. Começamos a acompanhar a história e logo nos pegamos, em diferentes momentos do dia, refletindo sobre o que vimos, na tentativa de encaixar as peças e matar as charadas. Sim, são várias charadas que encontramos ao longo do caminho! E, na maioria das vezes, uma resposta já traz embutida uma nova pergunta (E é nessa brincadeira que você assiste aos 15 episódios num piscar de olhos! rsrs)

Então se me perguntarem: Você recomenda essa série? Minha resposta será um belíssimo ¡desde luego que sí!. E para justificar minha resposta, aí vão 5 razões pelas quais você deveria (mas deveria mesmo!) assistir a Ingobernable:

É ambientado no México (🇲🇽). Ok, eu sei que outras 300 mil tramas também são ambientadas lá. No entanto, o ponto forte da série é justamente mostrar ao público um México real, que vai além dos estereótipos que estamos habituados a encontrar. O desenrolar da história se divide basicamente entre a residencia oficial do presidente (Los Pinos) e Tepito, que é considerado um dos bairros mais perigosos da Cidade do México. Ok que parte das gravações aconteceram em San Diego, nos Estados Unidos, mas a verdade é que Ingobernable transpira México por todos os poros (e eu AMO isso!❤). É o espanhol do cotidiano, com suas gírias e expressões, as músicas das ruas e a viver de uma cidade latino-americana estampados bem ali na nossa tela.

Mulher no poder (Ha!💪) . A série nos traz uma primeira dama que nem em sonho é recatada e do lar. Emília Urquiza, aliás, samba em qualquer estereótipo do tipo. Ela luta, encara, pega em armas, protege os seus e, como dizemos em espanhol, arriesga su pellejo por la justicia y por todo lo que cree. Resumindo: Quem é o presidente na fila do pão francês?

E a primeira dama não é a única mulher poderosa nessa história. Ao longo da trama, outras personagens vão lacrando e assumindo papéis decisivos ( o que eu acho lindo de viver!).

Um ponto forte da série relacionado a isso é justamente o fato de ter buscado inspiração na história real de Las 7 cabronas de Tepito, um grupo de mulheres com grande poder de ação, que se defendem das injustiças sociais dentro e fora do bairro.

Tem uma abertura IN-CRÍ-VEL. A música Me Verás, interpretada pelo grupo mexicano La Santa Cecília, foi escrita especialmente para a série e, cá pra nós, casa com a primeira dama muito melhor que o próprio presidente (Só acho!). A letra fala sobre as batalhas (bravamente) travadas por Emília Urquiza  para provar sua inocência.  

Confira a abertura de Ingobernable

“Me verás a la luz del dia Cuando el mundo este de rodillas Lucharé hasta el final De mi ultimo dia…” 🎶

No que se refere a tretas políticas, não perde em nada para House of Cards. Enquanto Emília Urquiza se vira nos 30 para provar sua inocência, diferentes casos de corrupção do alto escalão do governo mexicano vem à tona. (Aí é pura lama, né?!)

E falando em House Of Cards, olha aí o pessoal de lá se solidarizando pela morte do presidente Diego Nava:

Outros pontos também abordados por Ingobernable são as questões relacionadas a direitos humanos, homossexualidade e pirataria.

Somos nós, latinos, naquela tela! Sim, eu acompanho séries norte-americanas, como Scandal, e amo (mesmo a Shonda destruindo meu 💔 a cada capítulo!). Mas, ver a cultura latina em foco é, na minha humilde opinião, SEN-SA-CIO-NAL! Especialmente na atual conjuntura, em que questões como preconceito, intolerância e ‘muro’ estão em pauta! (e quem tá por aí falando mal dos latinos vai ter que engolir essa! 😝)

Então é isso! (Na verdade, é mais que isso, mas prometi não soltar spoiler e sou uma mulher de palavra! 🙂)

E aí? Preparado para embarcar nessa montanha russa chamada Ingobernable? Compartilhe sua opinião com a gente!

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América Latina: 5 dias no Chile, com Sílvia Amâncio

Planejando viajar para o Chile, mas ainda não fechou o roteiro? Então, anote aí as dicas da jornalista Sílvia Amâncio, que esteve por lá em novembro de 2016 🛫🌎

“Vale a pena passar 5 dias no Chile? Vale muito. Com um bom roteiro, disposição para andar e uma boa companhia sempre vale a pena. Em novembro do ano passado, eu e uma amiga embarcamos para Santiago. Nossa ideia é conhecer toda a América Latina e o Chile nos encantou desde a primeira pesquisa.

Cheguei de madrugada em Santiago do Chile, após um voo tranquilo, exceto a parte que sobrevoamos as Cordilheiras do Andes, devido à turbulência, meu ateísmo agnóstico me deixou na mão…

Me hospedei no bairro residencial de Providência e, de imediato, tive uma aula de cidadania. Os funcionários públicos do Chile estavam em greve (paro). Do lixeiro ao médico, do carteiro ao professor, todos nas ruas unidos em prol do coletivo. Nunca pensei que sairia do Brasil para acompanhar uma manifestação em outro país. Mas valeu cada momento, cada cartaz traduzido naquele portunhol safado…

No primeiro dia fomos ao Centro de Santiago, na Plaza de Armas, local da fundação da cidade por espanhóis que vieram do Peru (marco zero), com  muitos artistas de rua, artesanato, haitianos (eles estão por toda América Latina) e os ‘Carabineros de Chile’, os guardas municipais que chamam atenção por sempre andarem com seus escudeiros, cachorros resgatados das ruas, que fazem a festa de crianças e turistas. Não tem como passar por um ‘perro carabinero’ e não se encantar. Os chilenos amam os cachorros e por toda cidade há estátuas deles.

Carabineros y sus perros

Do Centro seguimos para o Mercado Central de Santiago, onde almoçamos a comida mais tradicional chilena: ‘lomo a lo pobre’, o prato feito deles, que consiste num amontoado de batatas fritas com carne cozida e muita cebola roxa.

Lomo a lo pobre

Por toda Santiago temos acesso a várias pontes sobre o Rio Mapocho, que nasce do degelo das Cordilheiras dos Andes e abastece parte das cidades chilenas.

Ainda em Santiago, muitos parques, obras de arte pelas ruas e muitas árvores, muita cobertura vegetal mesmo. A cidade é muito seca e muito poluída, por isso muito verde. Vale a visita ao Parque das Esculturas, Palácio de La Moneda (a residência oficial da presidente Michele Bachellet), o Museu dos Correios, o Museu Histórico Nacional, Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana, o Parque Quinta Norma, fundado em 1842 e aos Cerros Santa Lucia e San Cristóbal, que são morros no meio da cidade que eram fortificações na época colonial espanhola. A visão privilegiada da cidade é de arrepiar.

Outro detalhe de Santiago é que as ruas têm Plátanos do Oriente, uma árvore frondosa com folhas verdes estreladas e, para meu espanto, após um tropeço e queda na rua, me vi em cima de uma moita de Alfazema. Fiquei toda ralada, mas bem perfumada… Depois do tombo fui provar a bebida tradicional chilena, o Pisco Sour, uma mistura de suco de limão, aguardente e clara de ovo…bem doce!

Partimos da capital chilena e fomos para o Vale de Casablanca, onde encontramos as maiores e melhores vinícolas do mundo e simpáticas lhamas que cospem nos turistas que ousam importuná-las.

Vale de Casablanca

Nessa região, é recomendável fazer tour nos vinhedos e degustar sem medo de ser feliz os vinhos, todos eles, Merlot, Cabernet, Sauvignon Blanc… Mas a compra é melhor fazer nos supermercados, é sempre mais em conta. Ainda sobre bebidas, recomenda-se provar a cerveja Austral, produzida com água das Cordilheiras desde 1896. Que saudade!

Depois de um dia de várias taças, de manhã bem cedinho vale ir para a cidade portuária de Valparaíso, conhecida como a ‘Joia do Pacífico’ e patrimônio da humanidade. Por suas ruas, muito grafite, cortiços, feiras livres, trólebus, uma das famosas casas do poeta Pablo Neruda, ‘bastiana’, o Museu Marítimo que tem a cápsula que resgatou os mineiros de um grave acidente em uma mina de cobre (a grande riqueza do Chile), o Hotel Rainha Vitória e a Marinha Chilena, construções imponentes da Plaza Sottomayor. Também em Valparaíso está o Congresso Nacional Chileno, transferido da capital pelo ditador sanguinário Augusto Pinochet, durante a Ditadura Chilena, com a desculpa de “descentralizar o governo”.

Casa de Pablo Neruda, em Valparaíso

Os brasileiros dizem que Valparaíso é uma mistura de Rocinha com Pelourinho, eu achei riquíssima a comparação. Por lá, não deixe de experimentar ‘el completo italiano hot dog chileno’, que leva muito abacate no recheio. Aliás, no Chile, até o Big Mac tem avocado.

Ainda no litoral, visitamos Viña del Mar, cidade à beira do Oceano Pacífico fundada pela elite chilena para manter-se afastada dos pobres. A cidade era uma grande vinícola chamada ‘Hacienda Siete Hemanas’ e hoje é um refúgio dos ricos, com condomínios luxuosos, hotéis cinco estrelas e um casino público (sim, público). A dica é visitar o Museu Fonck que conta com um exemplar verdadeiro de moai de rocha vulcânica retirada da Ilha de Páscoa (que pertence ao Chile). Só três moais estão fora de casa, esse em Viña del Mar, um na França e outro na Inglaterra. Em Viña del Mar vale provar as empanadas e o helado de pistache. Nem pense em tentar dar um mergulho no mar, é gelado demais da conta.

Sílvia em Viña

Também na costa chilena, visitei a cidade de Isla Negra, onde fica mais uma casa do poeta Pablo Neruda. Essa, em forma de barco, abriga um museu e o túmulo do poeta, que era grande amigo de Jorge Amado e, dizem, foi envenenado pela Ditadura Chilena. A vista do Oceano Pacífico é inebriante. Em Isla Negra tive a coragem de provar a cerveja Krenbier com a famosa “Michelada”, que é a borda do copo com sal e pimenta. Sapequei a boca toda!

Da praia com um sol preguiçoso, partimos para o Vale Nevado, que em novembro tem apenas as neves permanentes no topo das montanhas, mas no inverno é a estação de ski mais famosa do Chile. A subida até o topo dura cerca de 40 minutos, com muitas curvas, mas compensa pela paisagem e companhia da trilha do Rio Mapocho. O visual é uma mistura de morros secos, neve e deserto, com um vento frio de 12 graus. O Vale Nevado fica ainda mais encantador com o silêncio das montanhas e o voo solitário do Condor, que de asa a asa chega a medir quase 2 metros de comprimento. Mas um capricho da natureza.

Cordilheira dos Andes

Notei algumas curiosidade por todas as ruas do Chile. Os postes de iluminação pública são sustentados por grossos cabos de aço perfurados no chão. Nós, turistas desavisados estranhamos, mas logo que avistamos as placas ‘Via de Evacuacion Tsunami y Terremoto’, entendemos o recado. O Chile tem tremores de terra todos os dias, alguns imperceptíveis, outros devastadores. Muita gente já morreu com esses tremores em todo o território chileno e vemos várias construções pelas cidades que foram parcialmente destruídas.

Os chilenos são muito educados e exercem de verdade a cidadania. Um dia me perdi pelas calles e pedi ajuda a uma moça. Na mesma hora ela tirou o celular, acessou o Google Maps e me mostrou direitinho onde eu deveria ir. Em outro dia, andando despreocupada por um parque escutei ‘Ladrón, ladrón’. Quando vi, três homens imobilizaram um outro homem, de forma firme, mas sem nenhuma violência, até a chegada dos Carabineiros.

Em Santiago do Chile, cada bairro tem um prefeito, uma espécie de síndico, eleito por voto popular, que integra a gestão pública participativa. O imposto territorial pago pelos cidadãos, o IPTU, é direcionado para os bairros que eles residem, atendendo às demandas próprias de cada região. No bairro que me hospedei, a prioridade do síndico foi contratar uma empresa para tirar diariamente o lixo das ruas durante a greve dos lixeiros.

Santiago tem uma influência inglesa muito forte, várias ruas com nomes britânicos e nas padarias muito tea e muffin. E muita cereja. Roliças e de um vermelho intenso, doce como mel. Eu passeava pela cidade com um saco de cerejas, que custa em torno de R$10,00 o quilo. Lá, a comida é cara. Uma refeição individual simples, ficava em torno de R$ 60,00. A sugestão é entrar em uma galeria e procurar uma lanchonete simples.

O metrô de Santiago tem 5 linhas que chegam até a região metropolitana, com um preço acessível e muito rápido. Em meu último dia de viagem, peguei o metrô na estação Pedro de Valdívia e desci na estação Quinta Normal. Fui conhecer o Museu da Memória e dos Direitos Humanos, inaugurado em 2010 pela presidente Michele Bachellet que destina-se a dar visibilidade às violações de direitos humanos cometidos pela Ditatura Chilena de 1973 a 1990 e também outras violações pelo mundo afora.

É um lugar de sofrimento, de angústia, de revolta, de luta para manter vivo o passado chileno e para que ele não se repita. Com relatos em fotos e vídeos da época, temos acesso às crueldades do regime militar no Chile. Em um canto, a bandeira do Brasil me chama a atenção e me joga na cara que fomos o último país do mundo, com regime militar, a instaurar uma Comissão da Verdade.

Para uma brasileira em tempos de golpe, de perda da democracia, de direitos humanos e de cidadania, se aventurar pelo Chile renovou minha certeza de que é na luta coletiva e na resistência que renovamos a esperança de dias melhores, de igualdade, de justiça social. ‘Chi-Chi-Chi-le-le-le-viva-Chile’!”

*Por Sílvia Amâncio

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Ah! Não se esqueça de informar seu nome, o crédito da imagem e onde ela foi feita.

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Resenha: A Mulher Habitada, de Gioconda Belli

Como já comentei aqui no Blog, desde que a Calle Hispánica nasceu, me propus a conhecer melhor a literatura produzida nos países que falam espanhol. E para começar, escolhi o livro A Mulher Habitada, da nicaragüense Gioconda Belli.

Já posso adiantar que comecei com o pé direito! 🙂

Enredo

O desenrolar da história tem inicio a partir da índia Itzá, que morre lutando contra os invasores espanhóis. A partir do seu relato (e que relato, amigxs!), constrói-se uma ponte que nos leva do período da colonização até a década de 70, onde encontramos Lavínia, uma jovem arquiteta de 23 anos que, após concluir os estudos na Europa, volta à sua terra natal, a cidade fictícia de Faguas.

O que prendeu minha atenção já nas primeiras páginas, foi a forma bastante original e intrigante que a autora encontrou para contar a história dessas duas mulheres que, apesar de estarem situadas em duas épocas diferentes, são atravessadas e movidas pelos mesmos questionamentos: O que, de fato, significa ser mulher e como se impor num mundo governado por homens. (Não, eu não vou contar que forma foi essa 😜 rsrsrsrs)

Lavínia

Buscando tomar posse de sua independência, Lavínia deixa a casa dos pais e vai morar sozinha. Já em seu primeiro dia de trabalho num escritório de arquitetura, ela conhece Felipe, seu novo colega de trabalho. (Sim, tem romance nesse enredo!)

Apesar de a história se passar em Faguas, um lugar fictício, o paralelo que se estabelece com a Nicarágua é bem perceptível. A cidade do ‘faz de conta’ também passava, assim como a Nicarágua da década de 70, por um período de ditadura em que, adivinhem só: o rico cada vez ficava mais rico e o pobre cada vez ficava mais pobre (pois é, amigx! ‘Chibom bom bom’ é um canto globalizado!🌎).

À frente desse regime militar estava o ‘Grande General’. Do outro lado, lutando por transformações políticas, sociais e, principalmente em defesa da democracia, estava o Movimiento de Liberación Nacional, do qual Lavínia torna-se membro.

Ytzá 

Todos nós já lemos ou ouvimos algo sobre o período da colonização. No entanto, em A Mulher Habitada, Gioconda vai além de narrar fatos desse período. Nos trechos que em Ytzá aparece em cena, a história é narrada em primeira pessoa. Ou seja, a sensação que temos é a de estar cara a cara com ela (para falar a verdade, quase podemos ver, através das letras, a expressão em seu olhar! 👀).

Resumindo: A obra de Gioconda Belli traz duas mulheres que participam de forma ativa dos acontecimentos que transformam a realidade. Aliás, esse é mais um ponto forte da história: mulheres revolucionárias! Ytzá contra os invasores espanhóis e Lavínia contra a ditadura imposta pelo Grande General.

O livro, além de nos apresentar questões relacionadas à história, também nos leva a reflexões sobre a posição da mulher na sociedade.

Gioconda Belli pontua, ao longo da narrativa, dúvidas e questões internas com as quais a maioria de nós, mulheres, nos identificamos (que lugar queremos ocupar? Que lugar ocupamos atualmente? O quanto evoluímos desde os tempos de Ytzá até hoje? O que podemos fazer para garantir nossos direitos? – e por aí vai…).

Eu diria que só por ativar essa luz interna dos questionamentos (💡), já considero a leitura muito válida!

Sobre a Gioconda

A autora de A Mulher Habitada nasceu em Mánagua, Nicarágua. Gioconda viveu a ditadura de Somoza e fez parte da Frente Sandinista de Liberación Nacional.

Suas obras já foram traduzidas em mais de 14 idiomas e o livro A Mulher Habitada (1988), recebeu o Prêmio de la Fundación de Libreros, Bibliotecarios y Editores Alemanes e o Prêmio Anna Seghers, da Academia de Artes de Alemania.

Y Además…

Te dejo una parte del relato de Ytzá sobre la colonización:

“Los españoles decían haber descubierto un nuevo mundo. Pero ese mundo no era nuevo para nosotros. Muchas generaciones habían florecido en estas tierras desde que nuestros antepasados, adoradores de Tamagastad y Cippatoval, se asentaron. Éramos náhuatls, pero hablábamos también chorotega y lengua niquirana. Sabíamos medir el movimiento de los astros, escribir sobre tiras de cuero de venado. Cultivábamos la tierra, vivíamos en grandes asentamientos a la orilla de los lagos, cazábamos, hilábamos, teníamos escuelas y fiestas sagradas.
Nadie puede decir cuál habría sido nuestra historia si tanta tribu no hubiese sido aniquilada. Los españoles decían que debían civilizarnos, hacernos abandonar la barbarie. Pero ellos, con barbarie, nos dominaron, nos despoblaron. En pocos años hicieron más sacrificios humanos que nosotros en el tiempo largo que transcurrió desde las primeras festividades.
Este país era el más poblado. Y, sin embargo, en los veinticinco años que viví, se fue quedando sin hombres; los mandaron en grandes barcos a construir una lejana ciudad que llamaban Lima; los mataron, los perros los despedazaron, los colgaron de los árboles, les cortaron la cabeza, los fusilaron, los bautizaron, prostituyeron a nuestras mujeres.
Nos trajeron un dios extraño que no conocía nuestra historia, nuestros orígenes y quería que los adoráramos como nosotros no sabíamos hacerlo.
¿Y de todo eso, qué de bueno quedó? Me pregunto.
Los hombres siguen huyendo. Hay gobernantes sanguinarios. Las carnes no dejan de ser desgarradas, se continúa guerreando.
Nuestra herencia de tambores batientes ha de continuar latiendo en la sangre de estas generaciones.
Es lo único de nosotros, Yarince, que permaneció: La resistencia”.

Confira também: Dica de leitura: Las Cosas Del Querer, de Flavia Álvarez

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India Martinez: a melhor dica para os apaixonados por música espanhola

Uma das coisas que mais gosto de fazer enquanto navego pela internet, é abrir o Youtube, dar play no vídeo de algum cantor que eu já conheça e ativar a reprodução automática. Amigx, confie em mim! Você vai se surpreender com as preciosidades que o Youtube seleciona.

E foi num desses passeios virtuais, que ouvi uma voz com muitíssimo de cultura espanhola estampada em cada nota vocal. Eu não conhecia a artista, mas pelo cantar, tive certeza de que era espanhola!

Estamos falando de India Martinez.  Nascida em Córdoba, a cantora tinha apenas 13 anos quando participou do concurso espanhol Veo, Veo, ficando entre os finalistas. De lá pra cá, India já tem sete álbuns em sua carreira: Azulejos de Lunares, Despertar, Trece Verdades, Otras verdades, Camino de la buena suerte, Dual e Te Cuento un Secreto.

Si te quedas, te cuento un secreto

LaHiguera / Reprodução

Atualmente, India Martinez está percorrendo diversas cidades espanholas (e LOTANDO as casas de show), com a tunê Secreto, que apresenta ao público as facetas de ‘Te cuento un Secreto’.

A proposta do álbum (que ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos, na Espanha, já na semana de lançamento) é revelar ao público um pouco mais sobre personalidade da cantora. As faixas fluem no ritmo da batida pop, mas o ponto forte, sem dúvida, é o flamenco  palpável (em timbre, cor e vitalidade) que existe na voz de India.

Então, se você curte o tempero cultural da Espanha (¡Olé!) e se você fica hipnotizado pela intensidade do baile flamenco, aí vai uma dica: apenas ouça India Martinez!

Y además…

Te dejamos una entrevista con la cantante española, India Martinez

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Deja Vu: Veja o novo clipe de Shakira e Prince Royce

Alerta: Lá vem ela! (e dessa vez, dançando bachata!)

Isso mesmo, pessoal! Foi lançado na tarde desta sexta-feira (24/03), o clipe de Deja Vu, dueto entre Shakira e Prince Royce.

A música (toda trabalhada na bachata!) faz parte do álbum do cantor, intitulado FIVE. Já o clipe foi gravado no mês de fevereiro, em Barcelona, e contou com a direção de Jaume de Laiguana.

Vem conferir o resultado dessa parceria:

Y además…

Te dejamos una entrevista con Prince Royce, en la que el cantante habla de su disco FIVE

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5 músicas em espanhol para cantar e dar a volta por cima

Até nas novelas mexicanas mais dramáticas (e quando falamos em drama, NINGUÉM ganha das mexicanas!), todo personagem que passa por um momento de coração maltratado ou ‘por unos malos ratos‘, sempre dá a volta por cima antes do último capítulo, certo? Certo! 🙂

Então, pra gente sacudir a poeira no melhor estilo protagonista do horário nobre, nada melhor que uma boa trilha sonora! 🎶

Partiu sacudir a poeira? 💪😉

Corazón en la maleta (Luis Fonsi) 

“…Que yo me voy, adiós, me fui y no me importa, nada me detiene aquí, la vida es corta…”

Viviendo de Prisa (Alejandro Sanz)

“…Ya me canse de vivir improvisando para ti, ya me canse de seguirte yo me quedo aqui…”

Taboo (Don Omar)

“Llorando se fue la que un día me hizó llorar…”

Pa ti no estoy (Rosana)

“…Me voy a vivir tranquila, sin pausa pero sin prisa, deseo que todo te vaya de lujo, no espero visita, así que no vayas, ¡Que pa´ti no estoy! “

Esto es lo que soy

“…Nunca es tarde para comenzar, no tengas miedo de volver a amar…”

Confira também: 5 músicas em espanhol que te farão desistir de desistir 😉

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Acción Poética: Muros que poetizam a paisagem urbana

De acordo com a definição apresentada pelo dicionário, muro é qualquer coisa que sirva de divisa entre espaços.

Se partimos para a história, encontramos o de Berlim, o do México, o grandão que cerca a China e tantos outros que entraram para a história fazendo exatamente o que o dicionário diz. Dividir, separar, delimitar.

E aí você me pergunta: “Ok, Fernanda. E cadê a hispanidade nessa história toda?”. E eu te digo que a nossa amada hispanidade está justamente nos muros que vão além dessa aparente função. Estamos falando dos muros do Acción Poética, projeto que leva as letras da poesia e a beleza da arte à vida urbana.

Cultura Inquieta / Reprodução

Calle Hispánica conversou com Armando Alanís Pulido, poeta que iniciou o movimento em 1997, na cidade de Monterrey, no México. Diante da dificuldade para conquistar um espaço nas publicações que apresentam uma boa distribuição no país, Armando viu nos muros cinzentos uma oportunidade para compartilhar a poesia e ainda fazer com que essa arte esteja ao alcance de um maior número de pessoas.

Atualmente é possível topar com as palavras do Acción Poética pintadas em muros de quase 30 países da América e Europa.

“Há intervenções em línguas indígenas, em braile, em frances, italiano e todas têm o seu encanto”, afirma Armando.

Muhimu / Reprodução

O poeta explica que, independente do país, os artistas que integram o projeto seguem as seguintes regras: “fundo branco simulando uma página, letras pintadas na cor preta e versos de, no máximo, 10 palavras. Nada de política e nada de religião”, explica o criador do movimento.

Armando Alanís Pulido, que já esteve no Brasil, contou ao Calle Hispánica que adoraria poetizar com sua arte um muro brasileiro. “Eu gostaria de fazer uma intervenção em alguma favela e, certamente, faria uma homenagem ao poeta Ferreira Gullar”.

Ficamos na torcida por esse encontro entre a brasilidade dos nossos muros e a arte do Acción Poética!

Curtiu o projeto? E qual frase você gostaria de ver estampada num muro? Compartilha sua opinião com a gente! A minha favorita é essa:

Acción Poética Lima / Reprodução

Y además…

20 muros del proyecto Acción Poética

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Acciones de la Poesia

Ouça ‘Me Soltaste’, atual música de trabalho da dupla Jesse y Joy

Sabe quando você simplesmente se sente hipnotizado por uma música? Você a escuta várias e várias vezes e, mesmo quando acaba, ela segue tocando na sua cabeça. Foi exatamente esse o efeito provocado por Me Soltaste, atual música de trabalho dos irmãos Jesse & Joy!

Conheci a dupla ao assistir Bela, a Feia (gracinha de novela!), readaptação brasileira da colombiana Yo Soy Betty, La Feia. Na trama apresentada pela Record, as músicas Eres Mi Sol e Dulce Melodía, eram os temas do casal Bela e Rodrigo, interpretados por Giselle Itié e Bruno Ferrari. Desde então acompanho o trabalho dos dois.

Atualmente, Jesse y Joy estão na trilha sonora de Malhação, com a versão em inglês da música Ecos de amor. (Nem preciso dizer que prefiro um milhão de vezes a versão original em espanhol, né?!).

Mas voltando a Me Soltaste, segura essa dica: coloque os fones de ouvido, solte o som e feche os olhos. Depois você repete a música para ver o clipe, que está lindíssimo! Podem confiar! Vocês verão como a música chega directo al corazón!

Aproveite que já está por aqui pela nossa Calle e ouça também Eres Mi Sol e Dulce Melodía 🙂

Obs.: Essas e outras músicas da dupla estão disponíveis no Spotify. #FicaADica! 😉

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Ingobernable: Nova série da Netflix estreia 24 de março

(A gente lê essas notícias de produções originais em espanhol na Netflix e já fica como? 😍)

Nesta sexta-feira (24/03), estréia Ingobernable, nova série da Netflix, que contará a história da família presidencial mexicana.

A série tem início com a morte do presidente Diego Nava, interpretado por Erik Hayser. A principal suspeita pelo assassinato é Emilia Urquiza, ninguém menos que a primeira dama do país, vivida por Kate Del Castillo (que só aparece em cena se for pra lacrar, não é meus caros?!).

E por que ela se torna a principal suspeita? Emilia havia pedido o divórcio ao marido que, por sua vez, não aceita. Ele, então, vai ao hotel onde ela está hospedada e, após uma discussão, cai da sacada do quarto. A primeira dama foge do local, jurando ser inocente. Daí em diante, suspeito que será pura adrenalina, pessoal!

Adoro Cinema / Reprodução

O quebra-cabeças da história de Ingovernable não virá montado para o público, que precisará, entre um episódio e outro, descobrir que relação tem com Emilia Urquiza, os novos personagens que aparecerão ao longo da trama.

De episódio em episódio, detalhes e ‘pedaços’ de informação estarão espalhados de forma aleatória, instigando a percepção e raciocínio do público (gostou, né?! Eu também!).

Resumindo

O trailer de Ingovernable nos passa a impressão de que esta será uma daquelas histórias em que a personagem vive a intensidade de 30 anos em um dia! Ou seja: queridos maratonista de plantão, prevejo episódios terminando em suspenso, o público sem respirar e noites viradas à base de ‘depois desse eu vou dormir’.

Confira o trailer oficial de Ingobernable

Y además…

Te presentamos la primera dama Emília Urquiza 😀

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