Laranja em espanhol? Naranja! Morango? Fresa! E maçã? Manzana!

Fácil traduzir, não é mesmo? Ainda mais hoje em dia, com o digníssimo Google tradutor, certo? Errado! ❌

Ainda que o dicionário defina traduzir como ‘fazer passar (uma obra) de uma língua para outra’, basta pesquisar um pouquinho mais sobre o assunto para perceber que essa atividade vai bem além de, simplesmente, substituir palavras.

E para dar conta dessa tarefa, para montar o quebra-cabeça da tradução, encaixando cada peça no contexto adequado, existem os tradutores. Esses profissionais são responsáveis por construir, num segundo idioma, a ponte que levará o público direto ao lugar onde o autor deu o Checkin. Nesse trajeto, o desafio do tradutor é não permitir que informações e significados se percam pelo caminho.

Sim, meu amigx, traduzir é uma arte! E para entender melhor sobre o assunto, bem como sobre alguns mitos e curiosidades do espanhol, a Calle Hispánica conversou com a tradutora, revisora e professora Damiana Rosa de Oliveira.

“Quando comecei ainda prevalecia fortemente a ideia de que espanhol era fácil de entender e que não precisava ser traduzido. Hoje, as coisas estão mudando e o mercado cresceu consideravelmente. Muitas multinacionais agora possuem uma comunicação única em espanhol com as suas filiais da América Latina, então há uma necessidade diária de tradução do espanhol ao português. Com o advento da Netflix, o mercado da legendagem também aqueceu: há muito conteúdo em espanhol hoje disponível já legendado e dublado para o português, e acredito que este seja só o começo. Além disso, cresceu muito a legendagem de cursos EAD e vídeos institucionais”, explica Damiana.

O papel do tradutor

Levando-se em consideração o mar de palavras que exite num idioma, surge a seguinte questão: seria possível dizer que tudo (T-U-D-O!) é traduzível?

Damiana destaca que o papel desse profissional é, justamente, tornar viável o acesso ao significado. “Isso não é fácil, pelo contrário, é árduo e faz sofrer o tradutor. Mas é o que torna a tradução uma arte. Uma vez me enviaram um slogan que perderia seu significado se eu realizasse uma tradução literal. Conversei na época com a equipe de publicitários que pensou a campanha, expliquei a dificuldade. Encaminhei para eles mais ou menos umas 10 opções diferentes de slogans em que o sentido original não se perdesse para que escolhessem o que se aplicaria à campanha em espanhol. Tornar tudo traduzível é a difícil arte do tradutor”.

Espanhol, Português e a tal semelhança

Especificamente no caso do espanhol, algumas pessoas negligenciam seu estudo por considerá-lo fácil, devido a uma aparente semelhança ao português. A essas situações, Damiana responde com a conhecida frase ‘nada é o que parece ser!’.

“Hoje este estigma está mudando até porque os brasileiros têm viajado mais e sentido na pele a falta que faz levar o espanhol a sério. As empresas também têm exigido no mínimo um espanhol intermediário, porque estão enxergando as potencialidades de comercialização com os países vizinhos”.

Pontos de atenção

Quanto às questões mais delicadas do espanhol, a tradutora afirma que a linguagem coloquial é sempre difícil e delicada e que “é preciso ter muita sensibilidade para garantir a mesma fluidez”, explica.

Para ser tradutor

Ao contrário do que muita gente acredita, para traduzir não basta dominar um segundo idioma. Para atuar nesta área, Damiana também considera fundamental  amar sua língua materna. “Amar sua ortografia, gramática, sonoridade. Amá-la por inteiro. O bom tradutor tem que ser desconfiado, não pode nunca se contentar com a primeira definição que encontrar no dicionário. Deve ter alma de pesquisador. Costumo brincar que tradutor é aquele que lê embalagem de margarina no café da manhã, que lê todos os manuais dos eletrodomésticos, livros bons e ruins. É importante ler de tudo um pouco, conhecer bem diferentes gêneros e formatos de texto. E manter-se sempre atualizado”, explica Damiana.

E para quem está pensando em começar a atuar na área da tradução, anota aí a dica da profissional: “mantenha-se atualizado. Nesta área você precisa mostrar a sua capacidade: estude, faça cursos, participe de congressos e encontros da área. Esteja por dentro das novidades tecnológicas e converse com colegas tradutores”, orienta Damiana.

Anotou? 🙂

Ótimo! Mas essa conversa não termina por aqui, não! 👇

Confira a entrevista completa com a tradutora, revisora e professora Damiana Rosa de Oliveira

Gostou da Calle Hispánica? Então, curta a Fan Page no Facebook e não perca nenhuma postagem! 😉