Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón. Sim, pessoal, vamos falar sobre a Frida! 🙂 (E ela dispensa qualquer tipo de apresentação 💚)

Julho é a época em que devemos celebrar Frida Kahlo mais que nunca. Isso porque foi num mês como este que a pintora mexicana veio ao nosso mundão (em 06/07/1907) e, 47 anos depois (em 13/07/1954), despediu-se dele.

Atualmente, a figura de Frida segue viva e seu nome se faz cada vez mais forte e presente. A todo momento encontramos seu rosto estampado em camisas, bolsas, canecas, artigos de decoração e por aí vai!

Super Tela / Reprodução

Carão expressivo, olhar desafiador e sobrancelhas marcantes como SÓ-ELA-TINHA! Mas, sabemos que Frida Kahlo é muito mais que isso. Muito mais que uma estampa, muita mais que o último grito da moda.

Conhecida nos quatro cantos do mundo, a pintora mexicana é um dos maiores ícones da cultura latina. E para falar sobre ela, a Calle Hispánica conversou com Martha Zamora, autora de “El Pincel de La Angústia”, biografia considerada como uma das mais completas sobre Frida Kahlo.

Publicado pela primeira vez em 1987, o livro de 407 páginas já foi traduzido para 5 idiomas e continua sendo publicado em espanhol.

Porrúa / Reprodução

Sobre o início dessa relação com a figura da pintora, Martha nos conta: “Desde que a vi pela primeira vez, quando tinha 6 anos, passei toda a minha vida reunindo informações sobre Frida Kahlo. Sua presença colorida me deslumbrou (…). Estudar um ser tão extraordinário, tão cheio de facetas, me fez amadurecer para poder compreendê-la. Passei as fases jovem e adulta da minha vida num meio conservador e limitado. Não se falava em homossexualidade, nem em aborto. Frida me ensinou a VER, realmente ver, a beleza das pequenas coisas. Me impressionou sua bondade. Normalmente, a medida que envelhecemos e, talvez, por conta das desilusões ou más experiências, deixamos a bondade de lado. Ela lutou para conservá-la e isso, somado ao exemplo de que é possível florescer mesmo debaixo de uma grande árvore, será a lição de vida que buscarei ter em mente para o resto da minha vida”.

(Em 1929, Frida Kahlo casou-se com o já consagrado pintor mexicano, Diego Rivera. E eis o florescer, mesmo debaixo de uma grande árvore, mencionado por Martha Zamora.)

Num passeio rápido pela internet, encontramos diversas opções de biografias, reportagens e filmes sobre a pintora e muito se fala sobre quem era Frida Kahlo. Em meio a tantas informações e afirmações, nos perguntamos, então, o que Frida NÃO era 🤔.

De acordo com Martha, a pintora mexicana não era uma pessoa depressiva e sofredora. “Considero que apenas no último ano da sua vida, depois que sua perna direita foi amputada, é que essas características se aplicam a ela. Entrevistei muitas pessoas que conviveram com Frida, como amigos, familiares e amantes,  e todos chegaram até ela porque esbanjava vida, bom amor e uma impressionante qualidade de saber ouvir e tentar ajudar aos demais”, destaca a escritora.

Frida no mundo 

Frida é mexicana, mas podemos dizer sem equívoco que sua arte está no mundo e, consequentemente, sua figura, quase sempre sujeito e objeto de sua pintura, também.

Martha Zamora destaca os motivos que, na sua opinião, fazem de Frida Kahlo uma figura tão global. “Sua pintura é emotiva. São quadros pequenos em sua maior parte, que fazem com que nós nos aproximemos física e moralmente a eles. Se dirigem a medos como a morte, o abandono, a esterilidade. Além disso, possuem um ‘quê’ que não se pode captar pela câmera, algo que não é reproduzível”.

Frida Kahlo e a cultura mexicana

Segundo Mrtha Zamora, Frida é, simplesmente, o símbolo artístico mais importante do México. “É a artista (entre homens e mulheres) que avança e abre caminho no mercado para outras, como a brasileira Tarsila do Amaral e para a cubana Amelia Peláez, diante de um Diego Rivera, de um Tamayo, um Orozco, um Siqueiros, que são os gigantes do muralismo que dominavam o cenários em sua época. E ela jamais imaginaria algo assim!”, destaca a escritora.

Martha destaca, ainda, que “a ideia de que a lenda de seus amores, seus problemas físicos e sua forma peculiar de se vestir e se arrumar são os fatores que sustentam Frida Kahlo se esvai se pensamos que os principais museus do mundo aguardam com ansiedade para expor suas pinturas. Esses recintos não cedem seus espaços a lendas, mas sim  a grandes artistas”.

Frida em 2017

63 anos depois de sua morte, essa mulher que muitos conhecem e definem coma “a das sobrancelhas marcantes” é, na verdade, uma referência (e das mais importantes!) de arte, cultura latina, feminismo e força.

De herança para o mundo e para todxs nós que aqui estamos, Frida Kahlo deixou muito mais que suas telas. Deixou sua história, suas cores e sua verdade. Diante de tudo isso, só nos resta reverenciar a figura dessa mulher e tudo que ela representa, além de desejar, hoje e sempre, vida longa à Frida! 💙

Y además…

Te dejamos la entrevista completa con Martha Zamora, autora de la biografia sobre Frida Kahlo, “El Pincel de La Angustia”

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