Conforme combinado no post anterior, vamos seguir o passeio pelo Peru, com a jornalista Ana Paula Brum 😉.

[SPOILER: Se liga porque é nessa parte que ela fala sobre Machu Picchu 😍]

“De Lima, seguimos para Arequipa, a chamada “Cidade Branca”, pelas casas construídas em silla, um tipo de pedra branca vulcânica porosa.

Biblioteca Mario Vargas Llosa, em Arequipa / Imagem: Rodrigo Silva

A cidade é linda e preserva muito bem os casarões da época colonial. Era maravilhoso entrar em prédios públicos, como bancos e bibliotecas, e ver a arquitetura do período da colonização espanhola tão imponente e bem preservada. De vários pontos da cidade era possível ver os vulcões (El Misti, Chachani e Picchu Picchu), com seus topos cobertos por neve.

Vulcão Misti, em Arequipa / Imagem: Rodrigo Silva

Mas é do alto dos prédios ao redor da Plaza de Armas que se tem a vista mais bonita da cidade, com a Catedral de Arequipa à frente e os vulcões ao fundo. Ah, vale também lembrar que a Plaza de Armas de Arequipa é considerada uma das mais bonitas do Peru! Como gostamos muito de caminhar pelas cidades, da Plaza de Armas fomos até o bairro de Yanahuara, localizado na parte alta da cidade. Fica um pouco distante, então quem não gosta muito de andar, sugiro pegar um taxi. Os taxis no Peru são bem baratos e ainda é possível barganhar um preço menor. Desse bairro, tem-se uma bela vista de Arequipa e, ao fundo, dos três vulcões. O mirante fica em frente a uma praça bem bonitinha também e, ao lado, fica a Igreja de San Juan de Yanahuara. Para complementar a vista, que já é linda, há um conjunto de arcos em que foram gravadas palavras de arequipenhos famosos.

Ana Paula em Arequipa / Imagem: Rodrigo Silva

Outro ponto turístico importante de Arequipa é o Mosteiro de Santa Catalina. Ele foi fundado em 1579 e, até 1970, não era aberto ao público. As freiras da região viviam em um sistema de clausura. Somente depois da visita do Papa, parte das dependências foram abertas à visitação. As cores do Mosteiro são uma atração à parte e, à medida que o sol muda de posição, o jogo entre sombra e luz torna o lugar mais especial. É em Arequipa também que fica a Juanita, uma múmia de uma menina do fim do século XV que foi sacrificada em um ritual aos deuses. A múmia é tida como a mais bem conservada entre todas encontradas em antigos territórios incas.

De Arequipa fomos para Cusco. O primeiro dia na cidade é mais para ambientar com a altitude. Então, nada de passeios longos e caminhadas exageradas. Por mais que tenhamos passado antes por Arequipa, cidade intermediária em termos de altitude entre Lima e Cusco, é bom não forçar e ir se adaptando aos poucos. Chá de coca e balas ajudam bastante! As principais atrações de Cusco ficam no centro histórico mesmo, nos arredores da Plaza de Armas.

Praça das Armas, em Cusco / Imagem: Rodrigo Silva

Além da Catedral, tem também o Convento Santo Domingo (Qoricancha) e o Mercado Central de San Pedro. Um bairro um pouquinho mais distante da Plaza de Armas, mas que dá para ir andando de boa, é o San Blas, que tem uma igreja com o mesmo nome. As ruas são muito bonitinhas (mais estreitas) e como o bairro fica em uma parte íngreme da cidade(tem que subir ladeira mesmo) a vista é bem bacana.

No dia seguinte, fizemos o passeio pelo Vale Sagrado dos Incas, que é o que tem de mais legal nos arredores de Cusco. Super recomendo fazer esse passeio, mas antes de conhecer Machu Picchu. Conheci pessoas que foram antes a Machu Picchu e não viram tanta graça no Vale Sagrado. O roteiro que fizemos foi de um dia, saindo de Cusco cedo e voltando no começo da noite.

Vale Sagrado dos Incas / Imagem: Rodrigo Silva

Passamos por Moray, Chinchero, Salinas de Maras, Ollantaytambo e Pisaq. Compramos o passeio em Cusco mesmo, em uma das muitas agências de turismo ao redor da Plaza de Armas. Foi também nessa mesma agência que compramos o passeio para Machu Picchu, o tão esperado de toda a viagem.

Machu Picchu merece um post à parte, mas para não me alongar muito vou resumir em uma palavra: sensacional!

Machu Picchu / Imagem: Rodrigo Silva

Sabe tudo aquilo que você já leu sobre o Pueblo? Pois então, é tudo isso e muito mais. Nossa chegada a Machu Picchu não foi tão aventureira como os que fazem as trilhas e dormem em barracas durante dias e não tão confortável como os que vão de trem. Nós pegamos uma van em Custo e seguimos até a hidrelétrica. Só o caminho feito pela van já era uma aventura a parte, pois ao lado da estrada de terra, cheia de curvas, havia um precipício bem alto! Depois que chegamos à hidrelétrica, seguimos caminhando pelos trilhos do trem até Aguas Calientes. Essa parte foi relativamente tranquila, apesar de ser um chãozinho bom até a cidade: 11 km. Para quem vai fazer esse caminho, recomendo levar uma mochila bem leve, somente com uma peça de roupa para dormir e outra para usar no dia seguinte. Há tendas vendendo água pelo caminho, então evite levar peso extra, de verdade! Dormimos em Aguas Calientese, no dia seguinte, seguimos cedo até Machu Picchu.

Muitas pessoas relatam que a energia do lugar é incrível e, sinceramente, eu não acreditava que era tudo isso. Mas depois de chegar lá, foi difícil segurar a emoção. Em vários momentos meus olhos se encheram de lágrimas e teve uma hora que a mistura de sentimentos como alegria, cansaço e realização tomaram conta de mim e chorei muito. Naquele momento, só queria agradecer pela oportunidade de estar ali, realizando um sonho. E a magia daquele lugar, cercado por montanhas e uma paisagem sem igual, fizeram daquele momento ainda mais especial. Os incas foram povos muito ligados à natureza e, durante o tempo em que estivemos no Peru, a imersão que fizemos em sua cultura nos permitiu sermos pessoas mais gratas às coisas simples da vida, como ao sol, à lua, à mãe terra e a tantos outros elementos essenciais à nossa sobrevivência.

De volta à Cusco, seguimos viagem para o Lago Titicaca, o maior lago em volume da América do Sul e o mais alto lago navegável do mundo, a 3.800 metros de altitude. Seguimos as dicas de alguns amigos e fomos para o lado boliviano do lago, que muitos dizem ser ainda mais bonito. A cidade escolhida foi Copacabana, na Bolívia, que tem esse nome por causa da Basílica de Copacabana, uma das igrejas mais importantes do país. Foi por causa da Virgem de Copacabana que o bairro no Rio de Janeiro tem esse nome. A cidade em si não tem muitos atrativos, mas o pôr do sol no lago já valeu todo o passeio.

É de Copacabana que seguem os passeios para a Isla del Sol e Isla de la Luna. A Isla del Sol é a maior ilha do Titicaca e com altitude ainda maior que a do lago, chegando a 4.100 metros no ponto mais alto. Haja fôlego e preparo físico para percorrer as trilhas pelos sítios arqueológicos da ilha. Ela se divide entre a parte sul e a parte norte, mas infelizmente quando fomos a parte norte não estava aberta para visitação. Houve uma briga entre os povoados e, como sansão, a parte norte foi bloqueada para turistas. Mesmo assim o passeio valeu muito! As paisagens são deslumbrantes e a sensação é que o lugar parou no tempo. A conexão com a natureza fala mais alto e você não pensa em celular, televisão ou qualquer outra tecnologia.

Isla del Sol, na Bolívia / Imagem: Rodrigo Silva

Uma dica que damos para quem quer fazer esse passeio é voltar por La Paz, que fica bem pertinho de Copacabana. Como nosso voo de volta para o Brasil era por Lima, fizemos todo o caminho de volta. O que não foi de todo mal, pois conseguimos visitar lugares que ficaram para trás na primeira parte da viagem. Ah, e uma última dica: viajar de ônibus pelo Peru é super barato e os ônibus são bem confortáveis. Para quem quer economizar, nós super recomendamos!

Daria para falar muito mais sobre o Peru, como sobre a gastronomia (pratos deliciosos como Lomo Saltado e carne de Alpaca com arroz e quinoa), arquitetura, artesanato, mas o que era para ser um simples relato já virou praticamente um diário de bordo. Então paro por aqui. A viagem foi incrível e conhecer um pouco da cultura desse povo tão simples e ao mesmo tempo tão rico foi uma experiência sem igual.

Rodrigo e Ana em Machu Picchu / Imagem: Rodrigo Silva

*Por Ana Paula Brum

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#Dica: Quem quiser conferir mais imagens dessa viagem MARA da Ana e do Rodrigo, é só seguir o perfil Terapia Fotográfica R, no Instagram 😉.

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