Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Mês: julho 2018

“Luis Miguel, la Serie” cumpriu o prometido. E agora, Mickey?

[SEM SPOILER, pode confiar 😉]

Eis que a primeira temporada de Luis Miguel, la serie chegou ao fim. A julgar pela repercussão na imprensa, pode-se considerar que o Sol do México, antes eclipsado, voltou a ocupar o seu já conhecido lugar de destaque.

E nem o período de eleições presidenciais no México pode reduzir o impacto da série no imaginário coletivo dos mexicanos.

Prometido e entregue

Os 13 capítulos da série, de fato, cumpriram o prometido à época do lançamento. Ou seja, jogar luz para além dos holofotes e compartilhar com o público os aspectos mais pessoais (sempre questionados, porém nunca respondidos) da vida do cantor.

Tudo indica que o único questionamento não respondido será, justamente, o gancho para a próxima temporada. Tod@s queremos acreditar nisso!

Eu já havia comentado aqui na Calle que a caracterização de Diego Boneta, ator escolhido para viver Luis Miguel, estava impecável. E esse fator já foi um ponto marcado a favor da série.

Afinal de contas, já que a proposta era contar a história do Sol do México, o primeiro quesito que deveria ser cumprido era encontrar alguém que, de fato, “vestisse” o cantor com verdade e comprometimento. Logo, esse prometido também foi entregue.

No entanto, o entregue que chegou sem prévio anúncio foi, sem dúvida, a atuação de Oscar Jaenada, intérprete de Luisito Rey, pai de Luis Miguel.

Ao longo dos episódios, o trabalho de Jaenada na construção de um personagem tão complexo é quase palpável. Suas expressões ganharam a internet, rendendo memes e marcando o domingo como dia internacional para odiar Luisito Rey! rs

Só eu gostaria de ter encontrado mais música na série?

Sim, a série teve muitos acertos. No entanto, as altas doses de carga dramática pesaram o clima na maior parte dos capítulos.

Sabemos que a proposta da produção era trazer à tona a verdade nua e crua sobre a vida do cantor. Mas, as músicas que ajudaram a construir o sucesso chamado Luis Miguel e que, por isso mereciam um papel de maior destaque em meio à trama, foram meras coadjuvantes.

Sem dúvidas, essa é a expectativa para o caso de uma segunda temporada da série (o que ainda não foi confirmado): um equilíbrio mais harmônico entre o drama e a música.

As próximas 48 horas serão decisivas

Conforme já mencionado, sim, a série cumpriu o prometido: reintroduziu o cantor no cenário musical, apresentando-o aos jovens e relembrando aos mais maduros os motivos pelos quais Luis Miguel é o artista com mais de CEM MILHÕES de discos vendidos EN EL MUNDO.

Mas, fazendo alusão a um médico que, após um longo procedimento cirúrgico, informa aos familiares que as próximas 48h do paciente serão decisivas, podemos considerar que Luis Miguel está atravessando exatamente esse período.

É fato que seu público seguiu fiel, mesmo após esse período de “eclipse” do Sol do México, em que ele retirou-se dos palcos e passou um longo tempo sem lançar novas músicas.

Prova dessa fidelidade é queem novembro de 2017 (ou seja, bem antes da série, que só teve início em abril de 2018), a música La Fiesta del Mariachi (do álbum ¡México por siempre!) alcançou logo de cara os primeiros lugares de venda no México, Estados Unidos, Espanha e América Latina.

➡ Ouça “¡México por Siempre!”, novo álbum de Luis Miguel

Dessa forma, as intervenções possíveis foram feitas e temos o seguinte cenário: álbum lançado, turnê em andamento e série concluída com sucesso.

No entanto, resta saber se as questões que vinham conturbando a vida pessoal e profissional do cantor foram superadas.

Então… e agora, Mickey?

Avaliação da Calle: Bueno

 

➡ 12 músicas do cantor Luis Miguel que não podem faltar na sua playlist

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5 materiais para você entender quem foi Simón Bolívar 🙂

Simón Bolívar ocupa um papel central no processo de independência das colônias hispano-americanas. Entretanto, a história desse personagem não é um tema abordado de forma recorrente aqui no Brasil.

Sua influência foi muito mais forte em países como Venezuela, Colômbia, Bolívia e Peru. Porém, isso não diminui a necessidade de uma análise do papel desempenhado por essa figura, na construção da América Latina.

Afinal de contar, não custa nada lembrar que nós, brasileiros, somos latinos.

Popularmente conhecida como “O Libertador“, Simón Bolívar nasceu na atual Caracas, capital da Venezuela, exatamente no dia 24 de julho de 2018 (o homi era de leão, minha gente 😄 rs).

Pegando carona na data, que marca o aniversário de 235 anos de Bolívar, a Calle listou 5 materiais, entre filmes, documentários e livros, que nos ajudam a compreender o que essa figura representou dentro do contexto da América Latina.

Confira! 🙂

Bolívar el Hombre de las Dificultades

Filme venezuelano de 2013 que aborda os desafios  enfrentados por Simón Bolívar durante os anos de 1815 e 1816.

Confira a Sinopsi en español (😜) desse longa-metragem.

“Venezuela está en guerra. El país se encuentra dividido. Hay familias enteras desgajadas en bandos opuestos. Corre el año de 1815 y la Segunda República cae estrepitosamente. El gran derrotado es Simón Bolívar, recién nombrado Libertador, quien sale fugitivo desde Cartagena. Bolívar llega a Jamaica en medio de las peores dificultades. Busca ayuda de otras naciones para liberar a América. Europa le cierra las puertas. El presidente de la rebelde Haití acepta recibirlo y escuchar sus propuestas. Bolívar zarpa de Haití como comandante de una pequeña pero valiente flota, dispuesta a dar la vida por sus ideales. Se inicia una nueva batalla de las muchas que librará el Hombre de las Dificultades por llevar la libertad a la América hispana”.

Conociendo a Bolivar 

Documentário produzido em 2010, que narra desde o nascimento de Bolívar, em em Caracas no ano de 1783, até sua morte na Colômbia, em 1830.

A produção aborda os êxitos e fracassos que marcaram a história desse personagem da América Latina.

Quién es Bolívar? 

Nesse documentário, a história de Bolívar é retomada de maneira mais superficial. Isso porque, o objetivo da produção é fazer uma reconstrução científica do rosto do Libertador.

Simón Bolívar (Alfonso Rumazo González)

Nessa obra, o escritor e historiador equatoriano Alfonso Rumazo González traça um perfil psicológico de Bolívar, abordando, ainda, suas motivações e sua secreta vida privada.

Obs.: A versão digital e en español do livro Simón Bolívar está disponível na Amazon, por um precinho super bacana! 💜

Ebook Simón Bolívar, de Alfonso Rumazo González

O General em Seu Labirinto (Gabriel García Márquez)

Já imaginou navegar pela história de Simón Bolívar através das letras de Gabriel García Márquez? 😍 Sim, é possível! rs

O livro O General em seu Labirinto, escrito pelo colombiano, refaz o percurso de Bolívar tanto no plano físico quanto no espiritual.

A obra estabelece um paralelo entre sua viagem até Cartagena das Índias, de onde ele partiria rumo ao exílio, e sua inevitável jornada à morte.

O Geral em Seu Labirinto, de Gabriel García Marquez

 

Confira também: Somos insistência, somos resistência, SOMOS latinos!

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Espetáculo “Carmen” coloca em cena a arte flamenca

Nessa sexta-feira (20/07) e sábado (21/07), o palco do teatro Raúl Belém Machado, em Belo Horizonte, se vestiu de Sevilla para apresentar ao público o espetáculo Carmen, uma adaptação para dança-teatro da ópera composta pelo francês Georges Bizet, em 1875.

Dirigida por Fátima Carretero e produzida por Thiago Oliveira, o espetáculo composto por 4 atos, contou com a participação de mais de 50 artistas que estiveram em cena para dar vida, cor e movimento à obra.

Com os ingressos esgotados e com um público composto por diferentes faixas etárias, o espetáculo teve como protagonista a intensidade da dança flamenca e a energia e vigor dos bailarinos.

Enredo

Uma cigana sedutora e que impunha sua vontade e autonomia ante a dita moral de uma sociedade que concedia liberdade de querer aos homens e deveres inescapáveis às mulheres. Sim, poderia ser sobre os dias atuais, mas esse é o contexto do início do século XIX, período em que se situa a história de Carmen.

E o enredo se desenrola trazendo à tona a conduta dessa cigana, considerada oposta ao que se tinha (e talvez ainda se tenha) como tradicional. Inclusive, esse paralelo com a atualidade é reforçado quando, durante a apresentação do espetáculo, é possível ouvir comentários do tipo “mas ela namora todo mundo”.

Crédito da imagem: Fernanda Rosa

Em cena, Carmen dança e celebra sua liberdade, vivendo suas vontades sem puderes, até que Don José, inconformado por ser abandonado pela cigana, a apunhala em meio a uma discussão.

Mais uma vez vemos a atualidade de nossos tempos ir ao encontro de um enredo de 1875. Um crime que, muitas vezes é romantizado pela própria imprensa, que o noticia como passional quando, na verdade, é um crime (e ponto).

Aproveitando essa discussão, este espetáculo se encerra com mensagens que, justamente, reforçam que amor não tem qualquer relação com violência, não sendo por isso, aceitável utilizá-lo como justificativa para o que hoje conhecemos como feminicídio.

Flamenco

O flamenco, tão intenso, flamante e pulsante como a nossa língua espanhola, foi sem dúvidas o brilho da força comunicativa dos artistas em cena. Seja nos momentos mais conflituosos ou nos momentos de festa e celebração, as batidas ao solo (que produzem uma musicalidade de encher os olhos!) coordenadas com movimentos de mãos e braços, ditaram o ritmo vigoroso do espetáculo.

O cuidado com os figurinos, especialmente das ciganas com suas saias longas e assessórios dourados, também reforçou a construção em cena dessa Sevilla do início do século XIX.

Crédito da imagem: Fernanda Rosa / Calle Hispánica

A adaptação da obra Carmen contou com a participação de artistas convidados, alunos do Centro de Cultura Flamenca e alunos do projeto Amigos da Cultura Espaço Cênico Yoshifumi Yagi /Teatro Raúl Belém Machado, das oficinas de dança flamenca, dança cigana, dança livre, cinema e TV, e de crianças com Síndrome de Down e Transtorno do Espectro Autista, que se integraram ao elenco.

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Vamos falar sobre o Espanhol da Anitta?

Comentei numa postagem lá no Instagram da Calle que gosto muito do Espanhol da Anitta.

Algumas pessoas concordaram e outras discordaram, cada uma usando diferentes argumentos.

Aproveitando o calor dos debates, pesquei esse gancho para falar sobre o ‘tal espanhol’ perfeito que paira em nosso imaginário.

De qual ponto de vista estamos analisando?

Particularmente, considero que há uma linha tênue entre as limitações naturais que encontramos ao aprender um novo idioma (no caso do inglês, por exemplo, não me peçam pra falar ‘menina’ e ‘mundo’ 🙊) e o desleixo com esse idioma.

Desleixo esse que, muitas vezes, vem daquela velha lenga lenga de “espanhol é igualzinho ao português.

Por esse caminho, a gente escuta coisas como ‘coraZÓn’ (com o som da nossa letra z) e Éu País (com o som do ‘E’ bem aberto e com o som do ‘L’ igual ao som da nossa letra ‘U’).

Aprender um idioma novo é uma construção

Quando um artista brasileiro se dispõe a cantar em espanhol, espera-se que ele cante TÃO bem (mas TÃO bem!), que até os gringos acreditem que ele seja nativo do espanhol. E eu fico me pergunto se existe essa mesma exigência quando é o inglês que está em jogo? 🤔

Enfim! Sabemos que esse processo de aprendizagem não se dá de um dia para outro, pois aprender um idioma novo é uma construção.

Trata-se de adquirir vocabulário, treinar as formas de pronúncia, assimilar estruturas novas e costurar sentidos a partir de uma base, até então desconhecida.

Para além disso tudo, ainda é preciso ensinar o cérebro a se sentir seguro por esse novo caminho.

Especialmente no caso da Anitta, não sinto esse desleixo. Inclusive, ela vem sendo elogiada pela imprensa hispânica por conta da desenvoltura na hora de hablar.

Ainda que existam questões a serem trabalhadas, acredito que, com o tempo e com o fortalecimento da sua inserção no mercado hispânico, essas questões serão superadas.

Por que negar as aparências e disfarçar as evidências?

Por melhor que falemos, por mais desenvolta que seja a nossa expressão oral num segundo idioma, a brasilidade da nossa língua portuguesa estará pairando em nosso modo de hablar.

Afinal de contas, né?! Somos o quê? Brasileiros! 🇧🇷

Eu sou carioca da gema e moro em BH há dois anos. No ínicio, sentia muita (MUITA!) vergonha de sair por aí falando meu “s” com som de “x” rsrs (e eu falo carioquexxx pa caraca! 😁) Vocês não tem noção do choque que dá, falar “mexxxxxxxxmo” no meio de tantos falando “meSmo”! Mas, com o tempo, eu entendi que esse bendito “X” é quem eu sou, é a minha cultura e a minha hixxxtória. E isso acabou me ajudando também no espanhol! Sabe aquela busca por uma pronúncia nível nativo? Balela, meu povo! Porque falar um espanhol maravilhoso é bom sim, mas melhor ainda é não precisar exxconder sua hixxxtória 😉 ➡ Obs.: Meu “S” só aparece como “S” quando falo Esssssspanhol! No Portuguêxxx ele é puro “X” mexxxxxxxxmo! 😜 #BeijoxxxHixxxpanicoxxx . . . . . #CalleHispánica #Espanhol #Sotaques #NossaMarca

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E, indo mais longe nessa análise, acredito que ainda vale considerarmos o seguinte: A Anitta, uma das artistas de maior destaque no atual cenário da música nacional (não adianta negar!☝), vem nos reconectando à cultura latina que a gente, vira e mexe, esquece que é nossa também (sim, somos latinos!💪).

➡ Somos insistência, somos resistência, SOMOS latinos!

Por isso tudo, eu deixo essa sementinha da reflexão para tod@s nós:

Será justo colocar na mesma balança diferentes questões como: “falar um idioma negligenciando de forma consciente suas bases e regras” X “estar em processo de aprendizagem de uma língua”? 🤔

Y Además… te dejo una entrevista en la que Anitta habla sobre cómo empezó a aprender español 🙂

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5 livros para explorar a literatura infantojuvenil argentina 🇦🇷

A literatura infantojuvenil tem a honrosa missão de despertar em crianças e adolescentes o gosto pela leitura.

Justamente por isso, os livros desse segmento são um convite irrecusável a esse universo de letros. Recheados de imagens, texturas e até cheiros essas obras fisgam a atenção dos futuros leitores.

E, pegando carona na temática infantojuvenil, a Calle Hispánica listou 6 livros de escritoras argentinas de destaque nesse segmento literário.

DICAS 

✔ As obras infantojuvenis são ótimas opções para quem está começando a aprender espanhol. Isso porque seu conteúdo apresenta um vocabulário mais acessível que, combinado a imagens, ampliam o entendimento.

✔ Os livros classificados como infantojuvenis são voltados para crianças e adolescentes. Entretanto, vale lembrar que essas obras podem (e devem) ser exploradas por todxs nós, pois estimulam a criatividade e abrem as portas da imaginação 🙂.

Agora sim, vamos à lista! 🙂

La Niña, el Corazón y la Casa ( María Teresa Andruetto)

Da premiada escritora María Teresa Andruetto, La Niña, el Corazón y la Casa aborda a história de uma menina que, abandonada pela mãe e pela avó, desenvolve um relação especial e comovedora com o irmão que tem síndrome de Down.

Caos: Nadie Puede Decirte Quién Sos (Magalí Tajes)

O livro combina textos de ficção e não ficção, variando entre contos e reflexões que fazem o leitor rir, mas que também comovem.

Nesta segunda obra da escritora Magali Tajes, o efeito lúdico solicita a participação do leitor, que pode orientar sua leitura no sentido tradicional ou, ainda, de trás para frente.

Una Caja Llena de y Otros Poemas (Laura Devetach)

Livro de poemas da escritora Laura Devetach. A obra é estruturada a partir de três textos: Una caja llena, Milongas tamaño alpiste e pozo redondo.

Dentro de Una Palabra (María Cristina Ramos)

Livro de poemas que traz uma seleção de textos de María Cristina Ramos.

Indo além da dança poética das palavras, a obra da escritora argentina traz, ainda, ilustrações de Claudia Degliuomini, que também conferem sentido estético e simbólica a todo o conjunto literário.

Vida de Perro (Beatriz Doumerc)

Um cachorro que, empenhado em relatar sua vida, acaba por nos apresentar um espelho onde vemos refletir com bastante clareza a vida dos seres humanos: Essa é a história apresentada por Beatriz Doumerc em Vida de Perro.

Curtiu a nossa seleção? Então, segura essa notícia boa: todos (eu disse TODOS) os livros listados estão à venda pela Amazon, na versão ebook e en español, por menos de R$ 20,00 cada! 😍

Agora é só se jogar no espanhol e na leitura! 😜

Confira também: 5 Mulheres hispânicas que você deveria conhecer 😉

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