Três temporadas e 39 capítulos depois, eis que consegui terminar de assistir à série espanhola Isabel, inspirada na vida da rainha de Castilla. Comecei sem grandes expectativas e com o único objetivo de fixar melhor o desenrolar de um período essencial da história da Espanha.

No entanto, eu deveria ter imaginado que, alguém com lua e ascendente em peixes como yo, não passaria ilesa por uma narrativa tão densa, intensa e “real” como essa.

Com Michelle Jenner no papel principal, a série produzida pela Diagonal TV para a Televisión Española, apresenta, como num torneio de xadrez, as jogadas e movimentos da rainha de Castilla no tabuleiro do velho mundo.

A primeira temporada se desenrola do período da infância de Isabel até sua proclamação como rainha. 

Confira o primeiro episódio da série Isabel 🙂

Já a segunda temporada abarca feitos como a Conquista de Granada, a implantação da Santa Inquisição e a expulsão dos judeus. Por fim, a terceira temporada nos traz os conflitos enfrentados por Isabel e pelo marido e Rei, Fernando (Rodolfo Sancho), para definir a linha de sucessão e proteger o trono dos estrangeiros.

O movimento de cada peça

A jogada histórica que levou a coroa de Castilla até Isabel foi marcada por mortes que  desordenaram a linha de sucessão, como a de seu irmão mais velho, o então rei Enrique IV, e de seu irmão mais novo e herdeiro ao trono, Alfonso.

Joana de Trastâmara, filha de Henrique IV, viu ruir o seu direito a reinar em Castilla quando os opositores do rei levantaram a hipótese de uma falsa paternidade. E, na ausência de provas concretas, os boatos foram mais fortes que as leis de Castilla que, até então, reservam o trono à filha do rei.  

Esse argumento e as sucessivas mortes formaram a coluna aberta para a chegada de Isabel ao trono castellano. E os movimentos que marcaram essa trajetória ganharam ainda mais fôlego após uma jogada secreta realizada entre Castilla e Aragón,  selada pelo casamento entre Isabel e Fernando, que era o então herdeiro ao trono aragonés.  

Uma vez rainha e soberana de Castilla, Isabel se empenhou em garantir que todos os súditos caminhassem como buenos cristianos y bajo las leyes de la corona. Era tão justa (mas tão justa!) que em muitos momentos flertou com a falta de compaixão.

Ela com astúcia e senso de diplomacia, e ele com conhecimento de guerra para forçar a partida com estratégias que desarmaram os inimigos da Coroa. Foi assim que Isabel e Fernando, mais tarde agraciados pelo Papa com o título de Reyes Católicos, avançaram suas peças com o objetivo de garantir territórios para além de seus reinos e, até mesmo, para além do continente europeu.

Xeque-mate do destino

Nem suas 4 filhas escaparam dos movimentos desse torneio de xadrez. Cada uma delas foi movida em direção a matrimônios estratégicos que serviam para ampliar o raio de ação dos reis católicos na Europa.

Mas o que os soberanos não esperavam era ver suas peças derrubadas pelo curso da vida. Todos os possíveis herdeiros (dois filhos e dois netos) que garantiriam uma sucessão tranquila, morreram.

Cena em que Isabel se veste de luto para o funeral da filha mais velha

Dessa forma e, segundo as leis de Castilla, sua terceira filha, Juana, seria a herdeira da coroa. Até aí, temos uma jogada segura. O problema é que Juana ficou louca. E, para bagunçar ainda mais esse tabuleiro, a herdeira era casada com o nada confiável Filipe de Habsburgo (tremendo crush embuste!), que mantinha amizade com o rei da França, arqui-inimigo da Espanha.

Juana enfrenta os pais em defesa do marido (repito, crush embuste!), Filipe de Habsbusgo

Realmente, Caíssa, a deusa do xadrez, não abençoava os planos de Isabel e Fernando. E haja estratégia e jogada para que Juana  reinasse, mas não governasse.

Resumindo

Isabel é uma série com ritmo marcadamente forte e que não faz qualquer cerimônia ao mostrar os pecados e desvios de caráter dos personagens históricos, sejam eles da realeza, da nobreza ou da Igreja Católica.

A série termina e a gente segue refletindo a respeito dos vários “e se” que poderiam ter movimento as peças desse quebra cabeças do poder espanhol de outra forma, construindo uma realidade geopolítica totalmente diferente.

Em meio a toda essa trama que se desenrola como um novelo sem fim, vemos o desfile soberano de um espanhol rebuscado, coroado pelo seseo. Uma verdadeira preciosidade para quem gosta de conhecer as diferente possibilidades do idioma.

Avaliação da Calle: Re bueno 

 

Y además…

Te dejamos una entrevista con Michelle Jenner y Rodolfo Sancho 🙂

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, siga a Calle no Instagram! 😉