Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Mês: outubro 2018

Isabel I de Castilla: A Rainha que patrocinou a viagem de Colombo às Américas

O mês de outubro é marcado pela chegada do navegador genovês, Cristóvão Colombo, à América. A expedição, que desbravou rotas marítimas desconhecidas, foi financiada pela então rainha Isabel I de Castilla, relevante figura da história da Espanha.

“A primeira imagem de Isabel que surge através das páginas dos livros é a da soberana imponente, que unificou um país sob o peso do cetro e o fio da espada. Numa época na qual o governo feminino era bastante desacreditado, ela provou que seu sexo não era impedimento para o exercício do poder. Ela pode não ter sido a fundadora do que atualmente é designado como monarquia de gênero, mas com certeza, foi a primeira a ter grande destaque na Europa pós ascensão do cristianismo”, explica o historiador e autor do livro Rainhas Trágicas – Quinze Mulheres que Moldaram o Destino da Europa, Renato Drummond Neto.

Ainda de acordo com Renato, é preciso considerar outras facetas no estudo dessa figura. “Essa construção de soberana imponente, contudo, divide espaço com outros perfis, como o de mãe, esposa, empreendedora, política e até mesmo o de fanática religiosa, que perseguia judeus e muçulmanos com as chamas da inquisição”, destaca o historiador.

30 anos de regência

Isabel subiu ao trono de Castilla em 1474 e permaneceu até 1504, ano de sua morte. Não é preciso ser um profundo conhecedor do contexto em questão para imaginar os desafios enfrentados pela rainha para se manter no poder durante 30 anos e numa época em que as mulheres não tinham voz de destaque no cenário político.

Renato explica que a rainha era uma mulher ciente de suas limitações e se cercou de pessoas altamente capacitadas para ajudá-la no exercício do poder. A principal delas foi o marido Fernando II de Aragão.

“Não é possível falar do sucesso de seu reinado sem considerar o papel importante que Fernando exerceu no mesmo. Graças à ajuda do reino de Aragão, Isabel conseguiu impor seu direito ao trono de Castela e dominar a nobreza rebelde, que no governo de Henrique IV desprezava a Coroa. Uma vez no poder, ela brigou pelo trono contra sua sobrinha, Joana, cognominada a ‘Beltraneja’, que era apoiada por Portugal. Ao lado do marido, Isabel fortificou o poder da coroa, graças às importantes alianças dinásticas com outras casas reinantes da Europa”, explica Renato Drummond . 

Os Reis Católicos, Isabel e Fernando. (Imagem: National Geographic)

Já a jornalista e escritora espanhola Sandra Ferrer, autora do livro Breve Historia de Isabel la Católica, reforça que, embora Fernando tenha sido o companheiro de Isabel em Castilla, ela sempre reivindicou seu papel de rainha proprietária, não aceitando a posição de rainha consorte ou de soberana em segundo plano.

“É verdade que houve conflitos entre eles por questões de governo, mas ela, quase sempre, manteve-se firme”, afirma a jornalista.

Crueldade piedosa

A violência usada por Isabel para centralizar os poderes da Coroa e reverter o declínio do cristianismo, também é tema de estudos entre os investigadores.

“Tal faceta do reinado da rainha católica fez com que Maquiavel, defensor de tais atitudes na sua obra máxima, O Príncipe, reagisse com espanto à ‘crueldade piedosa’ praticada na Espanha”, destaca o Renato Drummond .

“É evidente que, assim como a maior parte dos governantes, nem todos os seus atos poderiam ser considerados corretos segundo o pensamento atual. No entanto, para analisar um personagem histórico é preciso situá-lo em seu contexto. Do contrário, não é possível entender seu papel em toda sua plenitude”, pontua Sandra Ferrer.

Novo Mundo

Como uma governante visionária, Isabel I de Castilla confiou no projeto de Colombo, mesmo com a oposição do marido, o rei Fernando de Aragón.

Cristóvão Colombo perante os reis católicos, Isabel e Fernando. (Representado por Emanuel Leutze)

E a história nos mostra que suas decisões impactaram até mesmo o Brasil, território posteriormente colonizado por Portugal.

“A história do reinado de Isabel se mistura com a chegada dos europeus à América, uma vez que foi graças ao seu incentivo financeiro que um continente até então desconhecido foi revelado. A primeira mulher que governou o Brasil durante o período colonial, a regente Dona Catarina da Áustria, era neta da rainha católica. Fato esse que reforça o argumento de que o legado de Isabel de Castela foi passado adiante por meio da linhagem feminina”, esclarece o historiador Renato Drummond.

Legado de Isabel I de Castilla

Sandra Ferrer destaca que são muitos os legados deixados por Isabel, como, por exemplo, o descobrimento da América, apontado pela jornalista como um dos mais importantes.

“Também é importante destacar seu papel no mundo da cultura e na defesa da educação feminina. Isabel deu a mesma educação ao filho Juan e a todas às suas filhas, além de fomentar a educação das damas que integravam a nobreza da corte”, detalha Sandra.

Ainda de acordo com a jornalista, assim como no caso de Leonor de Aquitania, uma das mulheres mais ricas e poderosas da Idade Média, a excepcionalidade de Isabel reside no fato de que ambas foram capazes de liderar um projeto político num tempo em que era vetado às mulheres o acesso às universidades e seu papel na vida era o de ser esposa e mãe ou, ainda, entrar para o convento.

Confira também:

Entrevista completa com o historiador e autor do livro ‘Rainhas Trágicas – Quinze Mulheres que Moldaram o Destino da Europa’, Renato Drummond Neto.

Y Además…

Entrevista completa con la periodista y escritora española Sandra Ferrer, autora del libro ‘Breve Historia de Isabel la Católica’

Además: Entrevista completa con la periodista Sandra Ferrer

Para ayudarnos a entender el papel desarrolado por la reina Isabel I de Castilla, Calle Hispánica entrevistó a la periodista Sandra Ferrer Valero, autora del libro ‘Breve Historia de Isabel la Católica’.

Sandra Ferrer Valero, periodista y escritora

1) Para empezarmos, me gustaría saber ¿en qué momento la figura de Isabel I de Castilla ha atrapado su curiosidad?

Mi interés por Isabel vino de la mano de su hija Juana la Loca. Juana es un personaje que siempre me ha apasionado. Fue a partir de ella, de leer biografías y ensayos acerca de su papel en la historia de España que me fui acercando a la vida de su madre.

2) Para los lectores que todavía no conocen a Isabel, cuéntenos cómo ella pasó de Infanta a Reina de Castilla.

Isabel llegó al trono después de atravesar un tortuoso camino de intrigas y traiciones. Tanto ella como su hermano pequeño Alfonso fueron arrancados de los brazos de su madre y puestos bajo custodia de su hermanastro Enrique. Cuando este falleció, Alfonso había muerto en extrañas circunstancias e Isabel, lejos de amilanarse, dio un golpe de efecto y antes de que nadie pudiera reaccionar, se autoproclamó reina de Castilla pasando por delante de Juana, hija de Enrique II, de la que muchos decían que era ilegítima.

3) Acá en Brasil, vemos que mientras más los historiadores investigan a los personajes que han marcado la historia del país, más se descubre que ellos eran, en verdad, muy distintos a las figuras que nos fueron presentadas en la escuela. Por eso, le pregunto a usted: ¿Cómo Isabel es presentada en las escuelas de España? 

Pues la verdad es que desconozco cómo se expone en la actualidad. Cuando yo era pequeña se nos explicaba el reinado de los Reyes Católicos. Ahora sé que en alguna ocasión ha habido alguna polémica acerca de su figura, poniendo el acento en los aspectos más oscuros de su biografía como la expulsión de los judíos o la instauración de la Santa Inquisición.

4) Existen muchas investigaciones para tratar de entender quién era Isabel de Castilla. Entonces, le pregunto:  ¿Qué Isabel ha descubierto usted en sus investigaciones? 

Creo que fue una mujer valiente porque en un tiempo en el que las mujeres tenían los derechos muy limitados y se creía que eran seres inferiores a los hombres, ella se supo ganar la confianza de muchos hombres y reinó en Castilla con gran responsabilidad. Es evidente que, como la gran mayoría de gobernantes, no todo lo que hizo estuvo bien o no estuvo bien según el pensamiento actual. Para analizar a un personaje histórico hay que situarlo en su contexto, sino, no entenderemos su papel en toda su plenitud.

 

Isabel I de Castilla (Imagen: Blog Mujeres en la Historia)

 

 

5) Investigando sobre la relación que existía entre los Reyes Católicos, vemos que Isabel mantuvo las decisiones de Castilla en sus manos. ¿Qué papel ejerció Fernando en el reino de Castilla?

Fernando fue su compañero en Castilla, ella reivindicó siempre su papel de reina propietaria, no de reina consorte o de soberana en un segundo plano. Es cierto que hubo algún que otro conflicto entre ellos por cuestiones de gobierno pero ella, casi siempre, se mantuvo firme.

6) En la introducción de su libro (Breve historia de Isabel la Católica), usted nos cuenta que en 13 de diciembre de 1474, momento en que Isabel subía al trono, ella “era la única mujer en toda Europa que ostentaba el título de reina titular”. 

Hoy día, mucha gente se pregunta cómo una mujer tuvo tanto poder en el siglo XV. Pero, en verdad, estudiando la historia, me viene una pregunta distinta: ¿Cómo una mujer logró mantener tanto poder en aquella época?

Creo que la suya es una historia excepcional en nuestro país y en Europa. Es cierto que antes que ella, durante la Edad Media, algunas mujeres tuvieron una relevancia igual de importante, recordemos por ejemplo a Leonor de Aquitania. Pero su excepcionalidad radica en el hecho de que fueron capaces de liderar un proyecto político en un tiempo en el que las mujeres tenían vetado el acceso a las universidades y su papel en la vida era el de ser esposa y madre o entrar en un convento.

Isabel mantuvo el poder porque fue una estratega brillante. Insisto, con sus aciertos y sus errores, pero supo gobernar con eficacia.

7) ¿Podríamos considerar el descubrimiento de América como siendo su mayor huella en la historia? Si no, ¿Qué considera usted como siendo su principal legado?

Son muchos los legados de Isabel. El descubrimiento de América fue uno de los más importantes, sin lugar a dudas, porque determinó la historia de América pero también de España en los siglos venideros. También es importante destacar su papel en el mundo de la cultura y en la defensa de la educación femenina, algo que no se conoce demasiado de su historia. Isabel dio la misma educación a su hijo Juan y a todas sus hijas y fomentó la educación de las damas nobles de la corte.

8) Con relación a la cultura ¿de qué forma cree usted que ha impactado la Reina Isabel en la cultura de España?

De su tiempo quedan muchas obras de arte y su legado como figura histórica creo que es incontestable. Aunque aún haya muchas personas que se empeñen en denostar su papel.

 

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Entrevista: Historiador Renato Drummond traça um perfil da rainha Isabel I de Castilla

O historiador Renato Drummond conversou com a Calle Hispánica sobre a Rainha Isabel I de Castilla, personagem que determinou os rumos da história da Espanha.

Confira a entrevista completa!

Renato Drummond Tapioca Neto é Graduado em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

1) Existem muitas pesquisas que buscam decifrar quem foi Isabel I de Castilla. Que Isabel você descobriu em suas pesquisas? 

A primeira imagem de Isabel que surge através das páginas dos livros é a da soberana imponente, que unificou um país sob o peso do cetro e o fio da espada. Numa época na qual o governo feminino era bastante desacreditado, ela provou que seu sexo não era impedimento para o exercício do poder. Ela pode não ter sido a fundadora do que atualmente é designado como monarquia de gênero, mas com certeza foi a primeira a ter grande destaque. Essa construção, contudo, divide espaço com outros perfis, tais como o de mãe, esposa, empreendedora, política e até mesma o de fanática religiosa, que perseguia judeus e mulçumanos com as chamas da inquisição. Há que se considerar todas essas facetas no estudo sobre a figura.

2) Qual aspecto da sua vida te parece mais curioso ou, ainda, fascinante? 

É muito interessante observar o relacionamento que a rainha tinha para com suas filhas. Apesar de ser uma mulher que governava a partir de um lugar pensado por e para os homens, a monarca recomendava às infantas Isabel, Joana, Maria e Catarina a serem esposas obedientes e compassivas, ou seja, tudo o que ela não era. Curiosamente, foi através dessas filhas que o legado de Isabel foi passado adiante.

3) Isabel era a terceira na linha de sucessão. Logo, ela não foi criada para ser uma rainha “reinante”, como normalmente acontece com um filho primogênito de uma casa real. Como, então, ela chegou ao trono tão preparada para governar?  

Isabel foi educada para ser uma rainha consorte e por muito tempo o casamento dinástico com um príncipe estrangeiro parecia ser o seu destino. Seu irmão, o rei Henrique IV, cogitava um matrimônio com Portugal ou Inglaterra, quando ela surpreendeu todos ao desposar secretamente seu primo, o herdeiro do trono de Aragão. Foi com a ajuda de Fernando que Isabel conseguiu dominar a nobreza de Castela e unificar os reinos da Espanha. Não foi uma tarefa fácil, principalmente por sua falta de preparo político, apesar do seu caráter decidido e obstinado. Consequentemente, Isabel não permitiria que a mesma falha educacional se repetisse em seus filhos e contratou professores e eruditos de vários lugares para educa-los.

4) Indo além do seu trajeto até o trono, como ela conseguiu manter tanto poder e durante tanto tempo, numa época em que as mulheres não tinham espaço nas decisões políticas?

Isabel era uma mulher ciente das suas limitações e se cercou de pessoas altamente capacitadas para ajudá-la no exercício do poder. A principal delas foi Fernando II de Aragão. Não é possível falar do sucesso de seu reinado sem considerar o papel importante que Fernando exerceu no mesmo. Graças à ajuda do reino de Aragão, Isabel conseguiu impor seu direito ao trono de Castela e dominar a nobreza rebelde, que no governo de Henrique IV desprezava a Coroa. Uma vez no poder, ela brigou pelo trono contra sua sobrinha, Joana, cognominada a “Beltraneja”, que era apoiada por Portugal. Ao lado do marido, Isabel fortificou o poder da coroa, graças às importantes alianças dinásticas com outras casas reinantes da Europa. Por outro lado, ela fez uso da violência para centralizar os poderes da Coroa e reverter o declínio do cristianismo, acreditando sentir a mão de Deus por trás de cada golpe seu. Tal faceta do reinado da rainha católica fez com que Maquiavel, defensor de tais atitudes na sua obra máxima, O Príncipe, reagisse com espanto à “crueldade piedosa” praticada na Espanha.

 

Isabel de Castela quando jovem. (Imagem: Blog Rainhas Trágicas)

5) De que forma Isabel impactou na transformação sócio-cultural da Espanha? 

Para além da unificação dos reinos da Espanha, foi no reinado de Isabel que o espírito do renascimento penetrou em Castela e transformou a vida cultural do país.

6) Na sua opinião, o que podemos considerar como sendo seu principal legado?

Isabel I de Castela era uma mulher visionária. Confiou no projeto de Colombo quando até mesmo Fernando se colocava contra essa empreitada marítima. Mas acredito que o seu principal legado foi ter aberto as portas para que outras mulheres, ao longo dos anos, pudessem assumir a coroa. Não é à toa que até hoje ela é reconhecida como a primeira grande rainha da Europa. Embora muitos possam discordar desse título, o fato é que, depois de Isabel, as monarquias europeias assistiram com maior frequência a uma sucessão de reinados prolíficos, cujas figuras de proa eram personalidades do calibre de Elizabeth I da Inglaterra e Catarina II da Rússia. A lenda de Isabel I de Castela atravessou os últimos cinco séculos da história da Europa e da América com uma força bastante singular. Seu trabalho, empreendido ao lado do rei Fernando II de Aragão, dentro de uma Espanha caótica e com características medievais, perdura até os dias de hoje

7) Podemos considerar que suas decisões impactaram até mesmo o Brasil ainda não descoberto, já que ela ajudou a financiar as viagens de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo? 

A história do reinado de Isabel se mistura com a chegada dos europeus à América, uma vez que foi graças ao seu incentivo financeiro que um continente até então desconhecido foi revelado. A primeira mulher que governou o Brasil durante o período colonial, a regente Dona Catarina da Áustria, era neta da rainha católica. Fato esse que reforça o argumento de que o legado de Isabel de Castela foi passado adiante por meio da linhagem feminina.

Para quem curte história e, mais ainda, a história de rainhas que, assim como Isabel I de Castilla, imprimiram sua marca no tempo, Renato Drummond escreve para o blog Rainhas Trágicas.

Fruto das pesquisas desenvolvidas por um jovem estudante de História, o portal Rainhas Trágicas destina-se a resgatar do campo de interpretações equivocadas e dotadas de forte carga preconceituosa, figuras femininas que marcaram época”.

Então, fica a dica! 😉

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