Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Autor: Fernanda Rosa (Página 1 de 14)

Isabel: Série retrata os movimentos da rainha de Castilla no tabuleiro geopolítico europeu

Três temporadas e 39 capítulos depois, eis que consegui terminar de assistir à série espanhola Isabel, inspirada na vida da rainha de Castilla. Comecei sem grandes expectativas e com o único objetivo de fixar melhor o desenrolar de um período essencial da história da Espanha. No entanto, eu deveria ter imaginado que, alguém com lua e ascendente em peixes como yo, não passaria ilesa por uma narrativa tão densa, intensa e “real” como essa.

Com Michelle Jenner no papel principal, a série Produzida pela Diagonal TV para a Televisión Española, apresenta, como num torneio de xadrez, as jogadas e movimentos da rainha de Castilla no tabuleiro do velho mundo.

A primeira temporada se desenrola do período da infância de Isabel até sua proclamação como rainha. 

Confira o primeiro episódio da série Isabel 🙂

Já a segunda temporada abarca feitos como a Conquista de Granada, a implantação da Santa Inquisição e a expulsão dos judeus. Por fim, a terceira temporada nos traz os conflitos enfrentados por Isabel e pelo marido e Rei, Fernando (Rodolfo Sancho), para definir a linha de sucessão e proteger o trono dos estrangeiros.

O movimento de cada peça

A jogada histórica que levou a coroa de Castilla até Isabel foi marcada por mortes que  desordenaram a linha de sucessão, como a de seu irmão mais velho, o então rei Enrique IV, e de seu irmão mais novo e herdeiro ao trono, Alfonso.

Joana de Trastâmara, filha de Henrique IV, viu ruir o seu direito a reinar em Castilla quando os opositores do rei levantaram a hipótese de uma falsa paternidade. E na ausência de provas concretas, os boatos foram mais fortes que as leis de Castilla que, até então, reservam o trono à filha do rei.  

Esse argumento e as sucessivas mortes formaram a coluna aberta para a chegada de Isabel ao trono castellano. E os movimentos que marcaram essa trajetória ganharam ainda mais fôlego após uma jogada secreta realizada entre Castilla e Aragón,  selada pelo casamento entre Isabel e Fernando, que era o então herdeiro ao trono aragonés.  

Uma vez rainha e soberana de Castilla, Isabel se empenhou em garantir que todos os súditos caminhassem como buenos cristianos y bajo las leyes de la corona. Era tão justa (mas tão justa!) que em muitos momentos flertou com a falta de compaixão.

Ela com astúcia e senso de diplomacia, e ele com conhecimento de guerra para forçar a partida com estratégias que desarmaram os inimigos da Coroa. Foi assim que Isabel e Fernando, mais tarde agraciados pelo Papa com o título de Reyes Católicos, avançaram suas peças com o objetivo de garantir territórios para além de seus reinos e, até mesmo, para além do continente europeu.

Xeque-mate do destino

Nem suas 4 filhas escaparam dos movimentos desse torneio de xadrez. Cada uma delas foi movida em direção a matrimônios estratégicos que serviam para ampliar o raio de ação dos reis católicos na Europa.

Mas o que os soberanos não esperavam era ver suas peças derrubadas pelo curso da vida. Todos os possíveis herdeiros (dois filhos e dois netos) que garantiriam uma sucessão tranquila, morreram.

Cena em que Isabel se veste de luto para o funeral da filha mais velha

Dessa forma e, segundo as leis de Castilla, sua terceira filha, Juana, seria a herdeira da coroa. Até aí, temos uma jogada segura. O problema é que Juana ficou louca. E, para bagunçar ainda mais esse tabuleiro, a herdeira era casada com o nada confiável Filipe de Habsburgo (tremendo crush embuste!), que mantinha amizade com o rei da França, arqui-inimigo da Espanha.

Juana enfrenta os pais em defesa do marido (repito, crush embuste!), Filipe de Habsbusgo

Realmente, Caíssa, a deusa do xadrez, não abençoava os planos de Isabel e Fernando. E haja estratégia e jogada para que Juana  reinasse, mas não governasse.

Resumindo

Isabel é uma série com ritmo marcadamente forte e que não faz qualquer cerimônia ao mostrar os pecados e desvios de caráter dos personagens históricos, sejam eles da realeza, da nobreza ou da Igreja Católica.

A série termina e a gente segue refletindo a respeito dos vários “e se” que poderiam ter movimento as peças desse quebra cabeças do poder espanhol de outra forma, construindo uma realidade geopolítica totalmente diferente.

Em meio a toda essa trama que se desenrola como um novelo sem fim, vemos o desfile soberano de um espanhol rebuscado, coroado pelo seseo. Uma verdadeira preciosidade para quem gosta de conhecer as diferente possibilidades do idioma.

Avaliação da Calle: Re bueno 

 

Y además…

Te dejamos una entrevista con Michelle Jenner y Rodolfo Sancho 🙂

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“Luis Miguel, la Serie” cumpriu o prometido. E agora, Mickey?

[SEM SPOILER, pode confiar 😉]

Eis que a primeira temporada de Luis Miguel, la serie chegou ao fim. A julgar pela repercussão na imprensa, pode-se considerar que o Sol do México, que andava um tanto quanto eclipsado, voltou a ocupar o seu já conhecido lugar de destaque.

E nem mesmo o período de eleições presidenciais no México foi capaz de reduzir o impacto da série no imaginário coletivo dos mexicanos.

Prometido e entregue

Os 13 capítulos da série, de fato, cumpriram o prometido à época do lançamento. Ou seja, jogar luz onde os holofotes, até então, não alcançavam e compartilhar com o público os aspectos mais pessoais (sempre questionados, porém nunca respondidos) da vida do cantor.

Eu já havia comentado aqui na Calle que a caracterização de Diego Boneta, ator escolhido para viver Luis Miguel, estava impecável, e acredito que esse fator já foi um ponto marcado a favor da série. Afinal de contas, já que a proposta era contar a história do Sol do México, o primeiro quesito que deveria ser cumprido era encontrar alguém que, de fato, “vestisse” o cantor com verdade e comprometimento. Logo, esse prometido também foi entregue.

No entanto, o entregue que chegou sem prévio anúncio foi, sem dúvida, a atuação de Oscar Jaenada, intérprete de Luisito Rey, o pai de Luis Miguel.

Ao longo dos episódios, o trabalho de Jaenada na construção de um personagem tão complexo é quase palpável. Suas expressões ganharam a internet, rendendo vários e vários memes e marcando o domingo como dia internacional para simplesmente odiar Luisito Rey! rs

Só eu gostaria de ter encontrado mais música na série?

Sim, a série teve muitos acertos. No entanto, as altas doses de carga dramática pesaram o clima na maior parte dos capítulos.

Sabemos que a proposta da produção era trazer à tona a verdade nua e crua sobre a vida do cantor e, se houve uma sobredose de drama ou não, nunca saberemos. Mas, as músicas que ajudaram a construir o sucesso chamado Luis Miguel e que, por isso mereciam um papel de maior destaque em meio à trama, foram meras coadjuvantes.

Sem dúvidas, essa é a expectativa para o caso de uma segunda temporada da série (o que ainda não foi confirmado): um equilíbrio mais harmônico entre o drama e a música.

As próximas 48 horas serão decisivas

Conforme já mencionado, sim, a série cumpriu o prometido e reintroduziu o cantor no cenário musical, apresentando-o aos jovens e relembrando aos mais maduros os motivos pelos quais Luis Miguel é o artista com mais de CEM MILHÕES de discos vendidos EN EL MUNDO.

Mas, fazendo alusão a um médico que, após um longo procedimento cirúrgico, informa aos familiares que as próximas 48h do paciente serão decisivas, podemos considerar que Luis Miguel está atravessando exatamente esse período.

É fato que seu público seguiu fiel, mesmo após esse período de “eclipse” do Sol do México, em que ele retirou-se dos palcos e passou um longo tempo sem lançar novas músicas. Prova dessa fidelidade é queem novembro de 2017 (ou seja, bem antes da série, que só teve início em abril de 2018), a música La Fiesta del Mariachi (do álbum ¡México por siempre!) alcançou logo de cara os primeiros lugares de venda no México, Estados Unidos, Espanha e América Latina.

➡ Ouça “¡México por Siempre!”, novo álbum de Luis Miguel

Dessa forma, as intervenções possíveis foram feitas e temos o seguinte cenário: álbum lançado, turnê em andamento e série concluída com sucesso. No entanto, resta saber se as questões que vinham conturbando a vida pessoal e profissional do cantor foram superadas.

Então… e agora, Mickey?

Avaliação da Calle: Bueno

 

➡ 12 músicas do cantor Luis Miguel que não podem faltar na sua playlist

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5 materiais para você entender quem foi Simón Bolívar 🙂

Apesar de ocupar um papel central no processo de independência das colônias hispano-americanas, a história de Simón Bolívar não é um tema abordado de forma recorrente aqui no Brasil.

Ainda que sua influência tenha sido muito mais forte em países como Venezuela, Colômbia, Bolívia e Peru, isso não diminui a necessidade e relevância de uma análise do papel desempenhado por essa figura,q ue ficou pupolarmente conhecida como “O Libertador”, na construção da América Latina. E, não custa nada lembrar que nós, brasileiros, somos latinos.

Simón Bolívar nasceu na atual Caracas, capital da Venezuela, exatamente no dia 24 de julho de 2018 (o homi era de leão, minha gente 😄 rs). E, pegando carona na data, que marca o aniversário de 235 anos de Bolívar, a Calle listou 5 materiais, entre filmes, documentários e livros, que podem nos ajudar a compreender o essa figura representou dentro do contexto da América Latina.

Confira! 🙂

Bolívar el Hombre de las Dificultades

Filme venezuelano de 2013 que aborda os desafios  enfrentados por Simón Bolívar durante os anos de 1815 e 1816.

Confira a Sinopsi en español (😜) desse longa-metragem.

“Venezuela está en guerra. El país se encuentra dividido. Hay familias enteras desgajadas en bandos opuestos. Corre el año de 1815 y la Segunda República cae estrepitosamente. El gran derrotado es Simón Bolívar, recién nombrado Libertador, quien sale fugitivo desde Cartagena. Bolívar llega a Jamaica en medio de las peores dificultades. Busca ayuda de otras naciones para liberar a América. Europa le cierra las puertas. El presidente de la rebelde Haití acepta recibirlo y escuchar sus propuestas. Bolívar zarpa de Haití como comandante de una pequeña pero valiente flota, dispuesta a dar la vida por sus ideales. Se inicia una nueva batalla de las muchas que librará el Hombre de las Dificultades por llevar la libertad a la América hispana”.

Conociendo a Bolivar 

Documentário produzido em 2010, que narra desde o nascimento de Bolívar, em em Caracas no ano de 1783, até sua morte na Colômbia, em 1830.

A produção aborda a vida familiar de Simón Bolívar, sua formação política e militar, bem como os êxitos e fracassos que marcaram não só a história desse personagem, mas também a história da América Latina.

Quién es Bolívar? 

Nesse documentário, a história de Bolívar é retomada de maneira mais superficial, já que o objetivo da produção é fazer uma reconstrução científica do rosto do Libertador.

Simón Bolívar (Alfonso Rumazo González)

Nessa obra, o escritor e historiador equatoriano Alfonso Rumazo González traça um perfil psicológico de Bolívar, abordando, ainda, suas motivações e sua secreta vida privada.

Obs.: A versão digital e en español do livro Simón Bolívar está disponível na Amazon, por um precinho super bacana! 💜

Ebook Simón Bolívar, de Alfonso Rumazo González

O General em Seu Labirinto (Gabriel García Márquez)

Já imaginou navegar pela história de simón Bolívar através das letras de Gabriel García Márquez? 😍 Sim, é possível! rs O livro O General em seu Labirinto, foi escrito pelo colombiano, que refez o percurso de Bolívar tanto no plano físico quanto no espiritual, estabelecendo um paralelo entre sua viagem até Cartagena das Índias, de onde ele partiria rumo ao exílio, e sua jornada inevitável à morte.

O Geral em Seu Labirinto, de Gabriel García Marquez

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Espetáculo “Carmen” coloca em cena a arte flamenca

Nessa sexta-feira (20/07) e sábado (21/07), o palco do teatro Raúl Belém Machado, em Belo Horizonte, se vestiu de Sevilla para apresentar ao público o espetáculo Carmen, uma adaptação para dança-teatro da ópera composta pelo francês Georges Bizet, em 1875.

Dirigida por Fátima Carretero e produzida por Thiago Oliveira, o espetáculo composto por 4 atos, contou com a participação de mais de 50 artistas que estiveram em cena para dar vida, cor e movimento à obra.

Com os ingressos esgotados e com um público composto por diferentes faixas etárias, o espetáculo teve como protagonista a intensidade da dança flamenca e a energia e vigor dos bailarinos.

Enredo

Uma cigana sedutora e que impunha sua vontade e autonomia ante a dita moral de uma sociedade que concedia liberdade de querer aos homens e deveres inescapáveis às mulheres. Sim, poderia ser sobre os dias atuais, mas esse é o contexto do início do século XIX, período em que se situa a história de Carmen.

E o enredo se desenrola trazendo à tona a conduta dessa cigana, considerada oposta ao que se tinha (e talvez ainda se tenha) como tradicional. Inclusive, esse paralelo com a atualidade é reforçado quando, durante a apresentação do espetáculo, é possível ouvir comentários do tipo “mas ela namora todo mundo”.

Crédito da imagem: Fernanda Rosa

Em cena, Carmen dança e celebra sua liberdade, vivendo suas vontades sem puderes, até que Don José, inconformado por ser abandonado pela cigana, a apunhala em meio a uma discussão.

Mais uma vez vemos a atualidade de nossos tempos ir ao encontro de um enredo de 1875. Um crime que, muitas vezes é romantizado pela própria imprensa, que o noticia como passional quando, na verdade, é um crime (e ponto).

Aproveitando essa discussão, este espetáculo se encerra com mensagens que, justamente, reforçam que amor não tem qualquer relação com violência, não sendo por isso, aceitável utilizá-lo como justificativa para o que hoje conhecemos como feminicídio.

Flamenco

O flamenco, tão intenso, flamante e pulsante como a nossa língua espanhola, foi sem dúvidas o brilho da força comunicativa dos artistas em cena. Seja nos momentos mais conflituosos ou nos momentos de festa e celebração, as batidas ao solo (que produzem uma musicalidade de encher os olhos!) coordenadas com movimentos de mãos e braços, ditaram o ritmo vigoroso do espetáculo.

O cuidado com os figurinos, especialmente das ciganas com suas saias longas e assessórios dourados, também reforçou a construção em cena dessa Sevilla do início do século XIX.

Crédito da imagem: Fernanda Rosa / Calle Hispánica

A adaptação da obra Carmen contou com a participação de artistas convidados, alunos do Centro de Cultura Flamenca e alunos do projeto Amigos da Cultura Espaço Cênico Yoshifumi Yagi /Teatro Raúl Belém Machado, das oficinas de dança flamenca, dança cigana, dança livre, cinema e TV, e de crianças com Síndrome de Down e Transtorno do Espectro Autista, que se integraram ao elenco.

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Vamos falar sobre o Espanhol da Anitta?

Comentei numa postagem lá no Instagram da Calle que gosto muito do Espanhol da Anitta, porque sinto que ela vem se dedicando para melhorar sua expressão oral. Algumas pessoas concordaram, outras discordaram e eu aproveitei esse gancho para falar sobre o ‘tal espanhol’ perfeito que, muitas vezes, paira em nosso imaginário.

De qual ponto de vista estamos analisando?

Particularmente, considero que existe uma linha tênue entre as limitações naturais que encontramos ao aprender um novo idioma (no caso do inglês, por exemplo, não me peçam pra falar ‘menina’ e ‘mundo’ 🙊) e o desleixo com esse idioma.

Desleixo esse que, muitas vezes, é oriundo daquela velha lenga lenga do “espanhol é igualzinho ao português. E, por esse caminho, a gente escuta coisas como ‘coraZÓn’ (com o som da nossa letra z) e Éu País (com o som do ‘E’ bem aberto e com o som do ‘L’ igual ao som da nossa letra ‘U’).

Aprender um idioma novo é uma construção

Quando um artista brasileiro se dispõe a cantar em espanhol, muitas vezes espera-se que ele cante TÃO bem, mas TÃO bem, que os gringos até acreditem que ele seja nativo do espanhol. E, então, eu me pergunto: Existe essa mesma exigência quando é o inglês que está em jogo? 🤔

Enfim! Nós sabemos que esse processo de aprendizagem não se dá de um dia para outro, já que prender um idioma novo é uma construção. Trata-se de adquirir vocabulário, treinar as formas de pronúncia, assimilar estruturas novas, costurar sentidos a partir de uma base até então desconhecida e, mais que tudo, ensinar o seu cérebro a se sentir seguro naquele novo caminho.

Especialmente no caso da Anitta, não sinto esse desleixo. Inclusive, ela vem sendo elogiada pela imprensa hispânica por conta da desenvoltura na hora de hablar.

Ainda que existam questões a serem trabalhadas, acredito que, com o tempo e com o fortalecimento da sua inserção no mercado hispânico, essas questões serão superadas.

Por que negar as aparências e disfarçar as evidências?

Por melhor que falemos, por mais desenvolta que seja a nossa expressão oral num segundo idioma, a brasilidade da nossa língua portuguesa estará pairando em nosso modo de hablar. Afinal de contas, né?! Somos o quê? Brasileiros! 🇧🇷

Eu sou carioca da gema e moro em BH há dois anos. No ínicio, sentia muita (MUITA!) vergonha de sair por aí falando meu “s” com som de “x” rsrs (e eu falo carioquexxx pa caraca! 😁) Vocês não tem noção do choque que dá, falar “mexxxxxxxxmo” no meio de tantos falando “meSmo”! Mas, com o tempo, eu entendi que esse bendito “X” é quem eu sou, é a minha cultura e a minha hixxxtória. E isso acabou me ajudando também no espanhol! Sabe aquela busca por uma pronúncia nível nativo? Balela, meu povo! Porque falar um espanhol maravilhoso é bom sim, mas melhor ainda é não precisar exxconder sua hixxxtória 😉 ➡ Obs.: Meu “S” só aparece como “S” quando falo Esssssspanhol! No Portuguêxxx ele é puro “X” mexxxxxxxxmo! 😜 #BeijoxxxHixxxpanicoxxx . . . . . #CalleHispánica #Espanhol #Sotaques #NossaMarca

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E, indo mais longe nessa análise, acredito que ainda vale considerarmos o seguinte: A Anitta, uma das artistas de maior destaque no atual cenário da música nacional (não adianta negar!☝), vem nos reconectando à cultura latina que a gente, vira e mexe, esquece que é nossa também (sim, somos latinos!💪).

➡ Somos insistência, somos resistência, SOMOS latinos!

Por isso tudo, eu deixo essa sementinha da reflexão para tod@s nós: Será justo colocar na mesma balança diferentes questões como “falar um idioma negligenciando de forma consciente suas bases e regras” e “estar em processo de aprendizagem de uma língua”? 🤔

Y Además… te dejo una entrevista en la que Anitta habla sobre cómo empezó a aprender español 🙂

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5 livros para explorar a literatura infantojuvenil argentina 🇦🇷

Até o dia 29 de julho acontece a tradicional Feria Del Libro Infantil y Juvenil, em Buenos Aires. Organizada pela fundação El libro, a proposta da feira é estimular a criatividade do público, indo más allá do já esperado encontro entre jovens leitores e livros.

E, pegando carona na temática infantojuvenil, a Calle Hispánica listou 6 livros de escritoras argentinas de destaque nesse segmento literário.

DICAS 

✔ As obras infantojuvenis são ótimas opções para quem está começando a aprender espanhol, já que seu conteúdo apresenta um vocabulário mais acessível que, combinado a imagens, ampliam o entendimento.

✔ Ainda que os livros classificados como infantojuvenis sejam voltados para crianças e adolescentes, vale lembrar que essas obras podem (e devem) ser exploradas por todxs nós, já que estimulam a criatividade e abrem as portas da imaginação 🙂.

Agora sim, vamos à lista! 🙂

La Niña, el Corazón y la Casa ( María Teresa Andruetto)

Da premiada escritora María Teresa Andruetto, La Niña, el Corazón y la Casa aborda a história de uma menina que, abandonada pela mãe e pela avó, desenvolve um relação especial e comovedora com o irmão que tem síndrome de Down.

Caos: Nadie Puede Decirte Quién Sos (Magalí Tajes)

O livro combina textos de ficção e não ficção, variando entre contos e reflexões que fazem o leitor rir, mas que também comovem. Nesta segunda obra da escritora Magali Tajes, o efeito lúdico solicita a participação do leitor, que pode orientar sua leitura no sentido tradicional ou, ainda, de trás para frente.

Una Caja Llena de y Otros Poemas (Laura Devetach)

Livro de poemas da escritora Laura Devetach. A obra é estruturada a partir de três textos: Una caja llena, Milongas tamaño alpiste e pozo redondo.

Dentro de Una Palabra (María Cristina Ramos)

Livro de poemas que traz uma seleção de textos de María Cristina Ramos. Indo além da dança poética das palavras, a obra da escritora argentina traz, ainda, ilustrações de Claudia Degliuomini, que também conferem sentido estético e simbólica a todo o conjunto literário.

Vida de Perro (Beatriz Doumerc)

Um cachorro que, empenhado em relatar sua vida, acaba por nos apresentar um espelho onde vemos refletir com bastante clareza a vida dos seres humanos: Essa é a história apresentada por Beatriz Doumerc em Vida de Perro.

 

Curtiu a nossa seleção? Então, segura essa notícia boa: todos (eu disse TODOS) os livros listados estão à venda pela Amazon, na versão ebook e en español, por menos de R$ 20,00 cada! 😍

Agora é só se jogar no espanhol e na leitura! 😜

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Copa 2018: Brasil, México e a cultura latina em campo 💚

Nesta segunda-feira (02/07), veremos Brasil e México jogarem pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2018. Apenas um vai seguir na disputa e nosso coração fica como?! 😞

Obs.: Sim, vou torcer pelo Brasil, porque, né?! Sou brasileira rs Maaas, fica aquele desconforto no coração 💔.

Enfim! Deixando o clima de disputa para la cancha, a Calle listou algumas ocasiões em que a parceria entre Brasil e México contribuiu para fortalecer, não só as culturas nacionais, mas a cultura latina! 🇧🇷 💚 🇲🇽

🎬 Começando pela Sétima Arte

De acordo com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), Brasil e México coproduziram 4 filmes entre os anos 2006 e 2016.

As produções colocam em campo o talento de artistas como Diego Luna, Alice Braga, Paulo Betti, Gael García Bernal, Leona Cavalli, Jair Rodrigues e Chico Diaz.

➡ Confira o trailer de O Ardor, filme protagonizado pela brasileira Alice Braga e pelo mexicano Gael García Bernal.

🎤 ¡A cantar!

Além do cinema, México e Brasil também batem um bolão na música (e a gente ADORA! 💚).

Dentre os artistas mexicanos que mais gravam com os nossos cantores brasileiros, Julieta Venegas é a que mais aparece na nossa lista.

Saudade – Julieta Venegas e Otto

Ilusión – Julieta Venegas  e Marisa Monte

Miedo – Julieta Venegas e Lenine 

Estou Apaixonado – Thalia e Daniel

📺 Televisão 

E quando se trata de Brasil e México, acho que a parceria entre SBT e Televisa é a mais simbólica para nós, brasileiros. Afinal, quem nunca sentou para assistir a um episódio de Chaves que atire o primeiro sanduíche de presento! 😆

A primeira novela mexicana a ser transmitida pela emissora do tio Sílvio, foi Os Ricos Também Choram, em 1982. De lá pra cá, 90 produções mexicanas foram ao ar aqui no Brasil, através do SBT, com um destaque especial para a trilogia das Marias (Maria Mercedes, Marimas e Maria do Bairro).

A parceria entre a emissora brasileira e a mexicana segue vigente até 2019, quando termina o contrato que, esperamos,  seja renovado! Afinal de contas, quem consegue imaginar a programação do SBT sem as telenovelas mexicanas?! 💛

Conclusão deste post

Independente do resultado da partida desta segunda-feira, torcemos para que a parceria entre Brasil e México se fortaleça cada vez mais e que a nossa cultura latina brilhe seu valor para mundo!✨

Confira também:

➡ Somos insistência, somos resistência, SOMOS latinos!

➡ #Copa2018: Brasil enfrenta o México e reascende a troca cultural entre os países

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Tretas da história da Espanha que todo mundo deveria saber

Eis que, finalmente “terminei” de estudar a história da Espanha. E digo “terminei” porque, sinceramente, não sei se há como um ser humano, de fato, terminar de estudar a história de um país. Concordam? 😄 rs

E, vamos combinar, a Espanha faz parte do dito “velho mundo”, correto? Agora, pensem no tanto de história que esse país tem, minha gente! rsrs

Bom, história vai, história vem, destaquei 5 tretas espanholas que todo mundo deveria saber!

✏ Mas passou foi gente por lá!

Já no início dos estudos, fiquei chocada ao descobrir os mais variados povos que passaram pela região que, atualmente, conhecemos como Espanha. Falando por alto, temos os celtas, cartagineses, romanos, visigodos e muçulmanos. (Claro que foram declaradas várias guerras para expulsar essa galera do território espanhol).

A partir disso, já começamos a pensar nas influências culturais deixadas por cada um na cultura espanhola.

✏ Disputa em família

Pra quem acha que tem uma família treteira, aí vai uma dica: Coloca uma coroa e um trono na história, meu amig@. Aí sim, você vai ver o que é treta das grandes!

Para ilustrar essa situação, peguemos o caso de Isabel (rainha de Castilla e Aragón) e a sobrinha, Juana, la Beltraneja (depois explico o ‘Beltraneja’).

Resumindo a história: Enrique IV era o rei de Castilla e esteve à frente do poder de 1454 a 1457. Casado com Joana de Portugal, o casal teve uma filha, Joana de Trastamara (a Beltraneja que eu falei rs). Logo, Joana seria a herdeira do trono, correto? Errado! Rs

Começou a circular um chisme de que Joana não era filha do rei, e sim de um fidalgo da corte espanhola, Don Beltrán de La Cueva (por isso o “Beltraneja”).

Diante dessa suspeita, a galera poderosa começou a questionar a legitimidade de Joana como herdeira do trono.

Primeiro Alfonso (irmão de Isabel e meio irmão de Enrique) brigou pela coroa. Mas o rapaz morreu bem jovem e de forma bastante suspeita. Inclusive, essa morte é investigada até hoje e há quem diga que foi por envenenamento!

Candidato a rei morto, candidato a rei posto. Sem Alfonso, foi a vez de Isabel rodar a baiana e reivindicar o trono.

E para sacramentar a mudança do fluxo dessa linhagem real, rolou muita guerra! Isabel e Joana disputaram a regência, muita gente foi para o campo de batalha e a Igreja Católica ficou no meio desse tiroteio, esperando para ver qual das duas sairia ganhando e, mais ainda, qual das duas poderia oferecer mais vantagens ao Vaticano.

Enfim! Isabel levou o trono, virou rainha e governou em Castilla e Aragón de 1474 a 1516, ao lado do rei Fernando II.

E a Beltraneja? Casou com o tio, Afonso V de Portugal (sim, vocês leram corretamente! Ela casou AOS 13 ANOS, com o irmão da mãe!). O casamento foi para fortalecer a posição de Joana na disputa pela coroa de Castilla, já que ela poderia contar com a força militar e política do tio. No entanto, após algum tempo de casamento, entrou um novo Papa que revogou a dispensa de parentesco que havia sido concedida pelo Papa anterior.

Ou seja, Joana ficou sem a coroa (de Castilla e de Portugal) e, após a anulação do casamento com o tio, entrou para um convento onde ficou até o fim de sua vida. Dizem que ela nunca aceitou o fato de não ter reinado em Castilla e, assinava todos os documentos como yo, la Reina.

América de Castilla, não de Aragón

Isabel I de Castilla se casou com Fernando II de Aragón em 1469. Embora alguns historiadores afirmem que os dois eram apaixonados, é pacífico entre eles que, mais uma vez, o casamento foi utilizado como estratégia para unificar e fortalecer as duas coroas contra as intenções expansionistas da França.

Isabel e Fernando assinavam juntos como reis de Castilla e Aragón, mas com relação às terras do Novo mundo, a situação foi diferente.

A América (denominada Índias em Castilla) era propriedade exclusiva de Castilla, já que Cristóvão Colombo recebeu a tarefa apenas de Isabel. Dessa forma, Aragón estava fora do Novo Mundo e, tanto a língua quanto à administração introduzida na região foram castellanas.

 O custo do domínio

Lá por volta de 1600, a coroa de Castilla e Aragón fazia a verdadeira dança do estica e puxa para conciliar os direitos dos diferentes reinos com os seus interesses próprios, garantir a integridade de todos esses reinos, manter sua reputação e prestígio internacional, defender a religião católica e ainda manter o monopólio comercial da América. Ufa! 😓 Haja estratégia, recursos financeiros, recursos humanos, armamento e energia para tanto!

Claro que não foi possível sustentar essa situação para sempre.

Como não havia recurso suficiente para defender seus domínios, as colônias espanholas foram conquistando sua independência (e a Espanha foi perdendo ainda mais recursos 🙊) .

Enfim! Essas são só algumas das mil e uma tretas que me deixaram CHOCADA! 😮

Agora que “concluí” esta etapa histórica, é hora de mergulhar na literatura espanhola 💜 Bora lá?! 🙂

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Língua Espanhola: Uma ponte entre pessoas, países e culturas

A língua espanhola é uma combinação mágica para muito de nós, não é mesmo? Seja pela sonoridade, seja pela engenhosa articulação entre substantivos, verbos, pronomes e artigos ou, ainda, pelo sentimento que nos desperta quando hablamos. Como diria Tiago Iorc, o coração dispara, tropeça quase para! 😆

Desde mi más humilde punto de vista, esse é, sem dúvidas, um idioma que conquista ❤.

(Sim, como normalmente dizemos em português, é muito amor, é amor pra caramba! 😍)

Mas, e quanto à história da língua espanhola, pessoal? Será que conhecemos o contexto de surgimento e o papel desempenhado por esse idioma atualmente? 🤔

Justamente para nos ajudar a refletir sobre essas questões, entrevistei o doutor em Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo, que desenvolve uma pesquisa baseada fundamentalmente na história da língua espanhola na época moderna, tanto na Espanha quanto na América.

Origem

De acordo com José Luis, para analisarmos o nascimento da língua espanhola é preciso levar em conta um processo ainda mais amplo, que foi desaparecimento do latim, ou melhor, a transformação do latim nas diferentes línguas românicas, o que ocorre em algum momento entre os séculos V e IX, depois de Cristo.

“Nesse período produz-se uma transformação radical na cultura dos povos falantes de latim, que faz com que essas pessoas também comecem a perceber sua forma de falar como algo diferente do que antes existia, como algo afastado do latim”, explica José Luis.

O pesquisador também destaca que é preciso levar em conta que, com o passar do tempo, as diferenças entre os diversos dialetos do latim tornaram-se maiores, o que dificultava a comunicação entre os usuários dessa língua.

“Naturalmente, não é fácil saber em que momento os falantes tomam consciência de que estão falando outra língua e, por isso, é tão difícil dizer quando surge o espanhol. No entanto, há um indício que podemos levar em consideração, que é o momento em que aparecem textos em línguas romances. Tendo isso em mente, podemos estabelecer o século IX como o momento em que já existe tal consciência, algo que textualmente  se reflete, por exemplo, nos Juramentos de Estrasburdo (842) para o caso do francês e, um pouco mais tarde, para o espanhol, nas Glosas Emilianenses, do início do século XI”, explica o doutor em Filología Hispánica.

Espanhol ou Castellhano?

É muito comum encontrarmos os termos ‘espanhol’ e ‘castelhano” referindo-se ao mesmo idioma. Diante disso, paira no ar a seguinte questão: Afinal de contas, existe alguma diferença entre um e outro?

José Luis esclarece que partindo da ideia de que os dois conceitos se referem à mesma realidade (a língua compartilhada pela Espanha e pelos vários países da América), a verdade é que o uso de ‘espanhol’ ou ‘castelhano’ tem a ver com preferências nacionais ou, ainda, pessoais.

“Os filólogos, às vezes, utilizam esses termos de forma ligeiramente diferente: quando falamos da situação atual, normalmente empregamos a palavra espanhol para nos referir à língua compartilhada e suas variedades nacionais (espanhol da Argentina, espanhol da Colômbia). Por outro lado, usamos o termo castelhano, para nos referir à variedade dessa língua usada atualmente em Castilla, no centro-norte da Espanha. Ainda, quando falamos desde um ponto de vista histórico, preferimos castelhano, para fazermos referência à língua durante o período medieval”.

Língua espanhola hoje

Quanto ao papel desempenhado atualmente pela língua espanhola no mundo, José Luis destaca que o idioma é, sem dúvidas, a principal herança compartilhada pelos hispanohablantes.

“Isso deve servir para desenvolver certa solidariedade e favorecer a integração de todos os povos que a utilizam, sem que isso suponha desproteger ou atentar contra as línguas minoritárias que, junto ao espanhol, se utilizam em todo o mundo hispânico”, explica José Luis.

O Futuro da língua de Cervantes

Olhamos para o passado para entendermos as bases de surgimento do idioma, estabelecemos um paralelo até o presente, avaliando o papel desempenhado pela língua espanhola atualmente e, seguindo esse caminho, pensar sobre o futuro é inevitável.

Para o pesquisador, do ponto de vista de sua estrutura, o espanhol do futuro parecerá mais às variedades caribenhas que às variedades da Espanha.

“Acredito que o idioma terá uma importância influência do inglês, ainda que não definitiva, e que se verá como uma das línguas eminentemente americanas e, por tanto, cada vez menos europeia, algo parecido ao que acontece com a língua portuguesa. Já do ponto de vista demográfico, acredito que o idioma vai adquirir progressivamente maior transcendência em países como Estados Unidos. Quero pensar que será cada vez mais conhecido e necessário em zonas onde até então, é tido como segundo língua”.

E José Luis segue, destacando, agora, como ele gostaria que fosse o futura da língua de Cervantes. “Que o espanhol seja uma língua mais inclusiva, mais respeitosa com os outros idiomas com os quais convive e uma língua que sirva como ponte para conhecer outras realidades e outras culturas que também utilizam o espanhol como forma de expressão. Que seja, enfim, uma língua mais tolerante por ser o reflexo dos falantes que assim também são. Ainda que eu não saiba se isso está fora da linguística e, na verdade, tenha mais a ver com o que todos sempre esperam do mundo: que ele seja, pouco a pouco, um lugar um pouco melhor.

Y además…

Te dejamos un video en el que el doctor en Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo, habla sobre historia del español 🙂.

Curtiu as reflexões sobre a língua espanhola? Então, aproveite o embalo e confira a entrevista completa e en español, com o doutor em Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo.

En Español: Entrevista completa con José Luis Ramírez Luengo, doctor en Filología Hispánica

Para ayudarnos a reflexionar sobre sobre el origen de la lengua española y sobre su papel en el mundo, Calle Hispánica entrevistó al doctor en Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo.

1) ¿Cuál ha sido el contexto del surgimiento de la lengua española?

El proceso de nacimiento del español se enmarca en un proceso más general: la desaparición del latín, o mejor, la conversión del latín en las diferentes lenguas románicas, que se produce en algún momento entre los siglos V y IX después de Cristo, un periodo muy largo porque la fecha depende de la teoría que se acepte para explicar estos orígenes y de los autores que se uno siga. En esos momentos históricos se produce un fenómeno que se denomina transculturización, es decir, una transformación radical en la cultura de los pueblos hablantes de latín (cambia, por ejemplo, la forma de gobierno al caer el Imperio Romano y la religión por la generalización del cristianismo, desciende el nivel cultural, se produce un aislamiento entre las partes del antiguo Imperio, etc.) que hace que estas personas también comiencen a percibir su forma de hablar como algo diferente de lo que existía antes, como algo alejado del latín; hay que tener en cuenta, además, que con el paso del tiempo las diferencias existentes entre los diversos dialectos del latín se habían hecho mayores y eso dificultaba la comunicación entre los usuarios de esta lengua, todo lo cual va a producir que en un momento –y por motivos históricos muy complejos- los hablantes tomen conciencia de que su forma de hablar es diferente, es ya otra cosa que no es latín y que podemos llamar lenguasromances, tanto el español como el resto de ellas, también el portugués, por supuesto.

Naturalmente, no es fácil saber en qué momento los hablantes toman conciencia de que están hablando otra lengua que no es el latín –y por eso es difícil decir cuándo surge el español–, pero hay un indicio que se puede tener en cuenta: el momento en que aparecen textos en lenguas romances, que implican que los hablantes ya tienen la conciencia que se ha mencionado y que, por tanto, han aparecido tales lenguas. Teniendo esto en mente, podemos establecer la fecha del siglo IX como el momento en que ya existe tal conciencia, algo que textualmente se refleja, por ejemplo, en los Juramentos de Estrasburgo (842) para el caso del francés y un poco más tarde para el del español, en concreto en las Glosas Emilianenses de principios del siglo XI.

2) ¿Hay alguna división más o menos estructurada en la que podemos ordenar la historia de la lengua española?

En realidad, la cuestión de la periodización en la historia de la lengua es un tema también muy discutido, pues son varios los criterios que se han empleado para establecer las divisiones en periodos y, por tanto, no existe un esquema que se acepte de forma general; ahora bien, si tenemos que establecer diferentes etapas indiscutibles, probablemente podamos tener en cuenta tres grandes momentos que, a su vez, podrían subdividirse: a) época medieval (siglos XI-XV); b) español clásico (siglos XVI-XVII); c) español moderno (siglo XVIII-actualidad). Todas ellas guardan relación más o menos precisa con hechos históricos de importancia y con grandes fenómenos de cambio del sistema lingüístico del español, de manera que es probable que esta periodización sea la más útil y, sobre todo, la que se suele aceptar de forma más general por los estudiosos.

3) En investigaciones, libros y reportajes, se suele utilizar tanto el término español como el término castellano. Incluso, algunos países tienen el español como lengua oficial, mientras otros tienen el castellano. Aunque los dos términos equivalgan al mismo idioma, ¿hay, actualmente, alguna diferencia entre esas dos palabras?

Partiendo de que ambos conceptos se refieren a la misma realidad –la lengua que comparten España y numerosos países de América, en la que yo estoy hablando hoy–, lo cierto es que el empleo de español o castellano tiene que ver con preferencias nacionales (en Bolivia se suele utilizar castellano; en México, español) o inclusopersonales (a manera de ejemplo, yo siempre digo español, mientras que mi madre suele utilizar castellano). Dicho esto, los filólogos a veces utilizamos los conceptos español y castellano de forma ligeramente diferente o, si se quiere, especializada: cuando hablamos de la situación actual, solemos emplear español para hablar de la lengua compartida y de sus variedades nacionales (español de Argentina, español de Colombia) y castellano para referirnos a la variedad de esta lengua que se emplea actualmente en Castilla, en el centro-norte de España; cuando hablamos desde un punto de vista histórico, preferimos castellano para referirnos a la lengua durante el periodo medieval ya mencionado y español para hablar de la lengua a partir del siglo XVI, es decir, utilizamos ambos términos con un criterio cronológico que opone el castellanomedieval al españolclásicoymoderno.

4) En el contexto global, ¿qué papel crees detener la lengua española actualmente?

No cabe duda de que actualmente el español es una de las grandes lenguas de cultura del mundo, algo que se ve en su carácter de lengua oficial en múltiples países, en el estatus que presenta en instituciones internacionales como la ONU, en el peso de la cultura que se genera y se expresa por medio de ella y en el sentimiento de comunidad que produce entre todos sus hablantes. En este sentido, no cabe duda de que se trata de la herencia compartida más importante que tenemos los hispanohabantes, y que debe servir para desarrollar cierta solidaridad y favorecer la integración de todos los pueblos que la emplean, sin que eso suponga, por supuesto, desproteger o atentar contra las lenguas minoritarias que, junto al español, se utilizana lo largo de todo el mundo hispánico.

5) En tu opinión, ¿cuáles fueron los principales retos enfrentados por la lengua española para que se estableciera como la conocemos hoy?

No es una pregunta fácil de responder, porque la situación actual es el resultado de la interacción de múltiples procesos que tuvieron lugar en el pasado; en este sentido, es probable que algunas de las cuestiones fundamentales para entender la situación actual hayan sido dos:por un lado, la enorme expansión geográfica que experimenta en el mundo, especialmente en América, y sobre todo a partir de las Independencias de los países hispanoamericanos; por otro, los procesos de estandarización y creación de una variedad culta que se desarrollanmuy lentamente a partir del siglo XIII. Son estas dos ideas, por tanto, las que hacen que podamos entender la situación que presenta el español a día de hoy, y que se puede definirpor presentar una forma de hablar/escribir que, con sus variantes, se acepta como culta y que se suele definir como de variación dentro de la unidad, así como por ser la lengua materna y cotidiana de casi 500 millones de personas repartidas por cuatro continentes que se pueden entender y comunicar entre sí con poco esfuerzo y mínimas dificultades.

6)  ¿Qué nombres o personajes podemos resaltar como siendo fundamentales en ese proceso?

A mí no me gusta hablar de nombres específicos porque creo que la historia de un idioma es el resultado de las decisiones que toman todos sus hablantes, y que en este sentido todos son igual de importantes; es decir, me parece que se trata de una cuestión social y no individual, y por eso es necesario destacar las aportaciones de la sociedad como un todo. Ahora bien, si tenemos que señalar algunos nombres que se relacionen con los procesos y retos que te señalé en la pregunta anterior, creo que sería fundamental mencionar, por un lado, al rey de Castilla Alfonso X el sabio (1252-1284), pues es él el que, con sus políticas, fomenta el empleo del castellano escrito y comienza a desarrollar la estandarización de la que he hablado más arriba; por otro, y en relación con la expansión del idioma, no cabe duda de que hay que resaltar a las élites del siglo XIX que toman el poder tras las Independencias americanas, pues son ellas las que, con sus decisiones, van a hacer que el español deje de ser la lengua minoritaria que era en el continente durante la época colonial y se transforme con el paso del tiempo en la lengua de uso general que es hoy en la región.

7) Sabemos que los hispanohablantes, aunque sean de diferentes países, pueden entenderse entre sí. ¿Es posible decir si la tendencia es que se mantenga ese entendimiento, a pesar de las variantes que existen? ¿O, al contrario, percibes que hay una transformación del español hablado en Latinoamérica que lo estaría alejando del español de España?

Bueno, la ruptura del idioma es un tema que se lleva discutiendo al menos desde el siglo XIX, cuando el español Valera y el colombiano Cuervo se cruzan una serie de cartas y de reflexiones sobre este asunto realmente fascinantes. Desde el punto de vista del cambio lingüístico, te puedo decir que la tendencia digamos natural (con muchas comillas) de las lenguas es la transformación y, por tanto, tienden hacia la separación, muy especialmente si se habla en zonas muy alejadas entre sí (como ocurre en el caso del español), de manera que se podría decir que el futuro que le espera a esta lengua sería, en principio, parecido a lo que le ocurrió al latín, y podríamos pensar que en algunos siglos el español se habrá transformado en diferentes idiomas. Ahora bien, también hay que tener en cuenta que en nuestra sociedad existen fenómenos que no existían en la época latina, tales como los medios de comunicación masiva, la cultura compartida, las frecuentes migraciones o la posibilidad de viajar, que hacen que actualmente cualquier hispanohablante esté acostumbrado a escuchar otras formas de hablar español, conozca sus características y las comprenda más o menos bien; pues bien, este conocimiento y reconocimiento de los otros españoles, más allá del propio de uno, es un importante factor de cohesión que hace que las tendencias centrífugas, hacia la ruptura, se detengan o, al menos, se ralenticen, así que no hay que preocuparse mucho por este asunto: es probable que en un futuro lejano el español se divida en varias lenguas, es cierto, pero por el momento esa situación no está ni siquiera cerca, así que los hispanohablantes podremos seguir entendiéndonos relativamente sin dificultades al menos algunos cuantos siglos más.

8) Por todo lo que has estudiado e investigado hasta hoy sobre la historia de la lengua española, ¿cómo ves (o imaginas) el español en el futuro?

Creo que esta pregunta se puede responder desde muchos puntos de vista, así que te explico primero lo que creo y luego lo que me gustaría: desde el punto de vista de su estructura, creo que el español del futuro se parecerá más a las variedades caribeñas que a las de España, que tendrá una influencia del inglés importante aunque no definitoria, y que se verá como una lenguas eminentemente americana y, por tanto, cada vez menos europea, algo parecido a lo que le sucede al portugués; desde el punto de vista demográfico, creo que esun idiomaque progresivamente va a adquirir mayor trascendencia en países como Estados Unidos, quiero pensar que cada vez será más conocido y necesario en zonas donde se lo tiene como segunda lengua, y en ese sentido me parece que el Brasil de hoy representa un ejemplo evidente de lo que existirá en muchos lugares del planeta dentro de un tiempo.

Lo que me gustaría es que poco a poco el español sea una lengua más inclusiva, una lengua más respetuosa con los otros idiomas con los que convive y una lengua que sirva como puente para conocer otras realidades y otras culturas que lo utilizan como medio de expresión; que sea, en fin, una lengua más tolerante porque sea el reflejo de unos hablantes que también lo son, aunque no sé si esto está ya fuera de la lingüística y tiene que ver con que uno siempre espera que el mundo sea, poco a poco, un lugar un poco mejor…

Sobre el entrevistado

José Luis Ramírez Luengo es doctor en Filología Hispánica por la Universidad de Deusto (España), y actualmente desarrolla su labor docente e investigadora en la Universidad Autónoma de Querétaro (México). Ha investigado e impartido docencia, además, en la Universidad de Jaén y en la Universidad de Alcalá (España), así como invitado en diferentes instituciones de enseñanza superior de Europa e Iberoamérica.

Su ámbito de investigación fundamental lo constituye la historia de la lengua española en la época moderna, tanto en España como en América, así como el contacto lingüístico del español con el portugués desde un punto de vista histórico y la configuración de la ortografía moderna; sobre tales temas ha publicado más de un centenar de trabajos y reseñas en revistas científicas, entre los que destacan su Breve Historia del Español de América (Madrid: Arco Libros, 2007), La lengua que hablaban los próceres. El español de América en la época de las Independencias (Buenos Aires: Voces del Sur, 2011), Una descripción del español de mediados del siglo XVIII. Edición y estudio de las cartas de M. Martierena del Barranco (1757-1763) (Lugo: Axac, 2013) o Textos para la historia del español, XI. Honduras y El Salvador (Alcalá de Henares: Universidad de Alcalá, 2017).

➡ Língua Espanhola: Uma ponte entre pessoas, países e culturas

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