Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Categoria: Entrevista (Página 1 de 2)

Isabel I de Castilla: A Rainha que patrocinou a viagem de Colombo às Américas

O mês de outubro é marcado pela chegada do navegador genovês, Cristóvão Colombo, à América. A expedição, que desbravou rotas marítimas desconhecidas, foi financiada pela então rainha Isabel I de Castilla, relevante figura da história da Espanha.

“A primeira imagem de Isabel que surge através das páginas dos livros é a da soberana imponente, que unificou um país sob o peso do cetro e o fio da espada. Numa época na qual o governo feminino era bastante desacreditado, ela provou que seu sexo não era impedimento para o exercício do poder. Ela pode não ter sido a fundadora do que atualmente é designado como monarquia de gênero, mas com certeza, foi a primeira a ter grande destaque na Europa pós ascensão do cristianismo”, explica o historiador e autor do livro Rainhas Trágicas – Quinze Mulheres que Moldaram o Destino da Europa, Renato Drummond Neto.

Ainda de acordo com Renato, é preciso considerar outras facetas no estudo dessa figura. “Essa construção de soberana imponente, contudo, divide espaço com outros perfis, como o de mãe, esposa, empreendedora, política e até mesmo o de fanática religiosa, que perseguia judeus e muçulmanos com as chamas da inquisição”, destaca o historiador.

30 anos de regência

Isabel subiu ao trono de Castilla em 1474 e permaneceu até 1504, ano de sua morte. Não é preciso ser um profundo conhecedor do contexto em questão para imaginar os desafios enfrentados pela rainha para se manter no poder durante 30 anos e numa época em que as mulheres não tinham voz de destaque no cenário político.

Renato explica que a rainha era uma mulher ciente de suas limitações e se cercou de pessoas altamente capacitadas para ajudá-la no exercício do poder. A principal delas foi o marido Fernando II de Aragão.

“Não é possível falar do sucesso de seu reinado sem considerar o papel importante que Fernando exerceu no mesmo. Graças à ajuda do reino de Aragão, Isabel conseguiu impor seu direito ao trono de Castela e dominar a nobreza rebelde, que no governo de Henrique IV desprezava a Coroa. Uma vez no poder, ela brigou pelo trono contra sua sobrinha, Joana, cognominada a ‘Beltraneja’, que era apoiada por Portugal. Ao lado do marido, Isabel fortificou o poder da coroa, graças às importantes alianças dinásticas com outras casas reinantes da Europa”, explica Renato Drummond . 

Os Reis Católicos, Isabel e Fernando. (Imagem: National Geographic)

Já a jornalista e escritora espanhola Sandra Ferrer, autora do livro Breve Historia de Isabel la Católica, reforça que, embora Fernando tenha sido o companheiro de Isabel em Castilla, ela sempre reivindicou seu papel de rainha proprietária, não aceitando a posição de rainha consorte ou de soberana em segundo plano.

“É verdade que houve conflitos entre eles por questões de governo, mas ela, quase sempre, manteve-se firme”, afirma a jornalista.

Crueldade piedosa

A violência usada por Isabel para centralizar os poderes da Coroa e reverter o declínio do cristianismo, também é tema de estudos entre os investigadores.

“Tal faceta do reinado da rainha católica fez com que Maquiavel, defensor de tais atitudes na sua obra máxima, O Príncipe, reagisse com espanto à ‘crueldade piedosa’ praticada na Espanha”, destaca o Renato Drummond .

“É evidente que, assim como a maior parte dos governantes, nem todos os seus atos poderiam ser considerados corretos segundo o pensamento atual. No entanto, para analisar um personagem histórico é preciso situá-lo em seu contexto. Do contrário, não é possível entender seu papel em toda sua plenitude”, pontua Sandra Ferrer.

Novo Mundo

Como uma governante visionária, Isabel I de Castilla confiou no projeto de Colombo, mesmo com a oposição do marido, o rei Fernando de Aragón.

Cristóvão Colombo perante os reis católicos, Isabel e Fernando. (Representado por Emanuel Leutze)

E a história nos mostra que suas decisões impactaram até mesmo o Brasil, território posteriormente colonizado por Portugal.

“A história do reinado de Isabel se mistura com a chegada dos europeus à América, uma vez que foi graças ao seu incentivo financeiro que um continente até então desconhecido foi revelado. A primeira mulher que governou o Brasil durante o período colonial, a regente Dona Catarina da Áustria, era neta da rainha católica. Fato esse que reforça o argumento de que o legado de Isabel de Castela foi passado adiante por meio da linhagem feminina”, esclarece o historiador Renato Drummond.

Legado de Isabel I de Castilla

Sandra Ferrer destaca que são muitos os legados deixados por Isabel, como, por exemplo, o descobrimento da América, apontado pela jornalista como um dos mais importantes.

“Também é importante destacar seu papel no mundo da cultura e na defesa da educação feminina. Isabel deu a mesma educação ao filho Juan e a todas às suas filhas, além de fomentar a educação das damas que integravam a nobreza da corte”, detalha Sandra.

Ainda de acordo com a jornalista, assim como no caso de Leonor de Aquitania, uma das mulheres mais ricas e poderosas da Idade Média, a excepcionalidade de Isabel reside no fato de que ambas foram capazes de liderar um projeto político num tempo em que era vetado às mulheres o acesso às universidades e seu papel na vida era o de ser esposa e mãe ou, ainda, entrar para o convento.

Confira também:

Entrevista completa com o historiador e autor do livro ‘Rainhas Trágicas – Quinze Mulheres que Moldaram o Destino da Europa’, Renato Drummond Neto.

Y Además…

Entrevista completa con la periodista y escritora española Sandra Ferrer, autora del libro ‘Breve Historia de Isabel la Católica’

Además: Entrevista completa con la periodista Sandra Ferrer

Para ayudarnos a entender el papel desarrolado por la reina Isabel I de Castilla, Calle Hispánica entrevistó a la periodista Sandra Ferrer Valero, autora del libro ‘Breve Historia de Isabel la Católica’.

Sandra Ferrer Valero, periodista y escritora

1) Para empezarmos, me gustaría saber ¿en qué momento la figura de Isabel I de Castilla ha atrapado su curiosidad?

Mi interés por Isabel vino de la mano de su hija Juana la Loca. Juana es un personaje que siempre me ha apasionado. Fue a partir de ella, de leer biografías y ensayos acerca de su papel en la historia de España que me fui acercando a la vida de su madre.

2) Para los lectores que todavía no conocen a Isabel, cuéntenos cómo ella pasó de Infanta a Reina de Castilla.

Isabel llegó al trono después de atravesar un tortuoso camino de intrigas y traiciones. Tanto ella como su hermano pequeño Alfonso fueron arrancados de los brazos de su madre y puestos bajo custodia de su hermanastro Enrique. Cuando este falleció, Alfonso había muerto en extrañas circunstancias e Isabel, lejos de amilanarse, dio un golpe de efecto y antes de que nadie pudiera reaccionar, se autoproclamó reina de Castilla pasando por delante de Juana, hija de Enrique II, de la que muchos decían que era ilegítima.

3) Acá en Brasil, vemos que mientras más los historiadores investigan a los personajes que han marcado la historia del país, más se descubre que ellos eran, en verdad, muy distintos a las figuras que nos fueron presentadas en la escuela. Por eso, le pregunto a usted: ¿Cómo Isabel es presentada en las escuelas de España? 

Pues la verdad es que desconozco cómo se expone en la actualidad. Cuando yo era pequeña se nos explicaba el reinado de los Reyes Católicos. Ahora sé que en alguna ocasión ha habido alguna polémica acerca de su figura, poniendo el acento en los aspectos más oscuros de su biografía como la expulsión de los judíos o la instauración de la Santa Inquisición.

4) Existen muchas investigaciones para tratar de entender quién era Isabel de Castilla. Entonces, le pregunto:  ¿Qué Isabel ha descubierto usted en sus investigaciones? 

Creo que fue una mujer valiente porque en un tiempo en el que las mujeres tenían los derechos muy limitados y se creía que eran seres inferiores a los hombres, ella se supo ganar la confianza de muchos hombres y reinó en Castilla con gran responsabilidad. Es evidente que, como la gran mayoría de gobernantes, no todo lo que hizo estuvo bien o no estuvo bien según el pensamiento actual. Para analizar a un personaje histórico hay que situarlo en su contexto, sino, no entenderemos su papel en toda su plenitud.

 

Isabel I de Castilla (Imagen: Blog Mujeres en la Historia)

 

 

5) Investigando sobre la relación que existía entre los Reyes Católicos, vemos que Isabel mantuvo las decisiones de Castilla en sus manos. ¿Qué papel ejerció Fernando en el reino de Castilla?

Fernando fue su compañero en Castilla, ella reivindicó siempre su papel de reina propietaria, no de reina consorte o de soberana en un segundo plano. Es cierto que hubo algún que otro conflicto entre ellos por cuestiones de gobierno pero ella, casi siempre, se mantuvo firme.

6) En la introducción de su libro (Breve historia de Isabel la Católica), usted nos cuenta que en 13 de diciembre de 1474, momento en que Isabel subía al trono, ella “era la única mujer en toda Europa que ostentaba el título de reina titular”. 

Hoy día, mucha gente se pregunta cómo una mujer tuvo tanto poder en el siglo XV. Pero, en verdad, estudiando la historia, me viene una pregunta distinta: ¿Cómo una mujer logró mantener tanto poder en aquella época?

Creo que la suya es una historia excepcional en nuestro país y en Europa. Es cierto que antes que ella, durante la Edad Media, algunas mujeres tuvieron una relevancia igual de importante, recordemos por ejemplo a Leonor de Aquitania. Pero su excepcionalidad radica en el hecho de que fueron capaces de liderar un proyecto político en un tiempo en el que las mujeres tenían vetado el acceso a las universidades y su papel en la vida era el de ser esposa y madre o entrar en un convento.

Isabel mantuvo el poder porque fue una estratega brillante. Insisto, con sus aciertos y sus errores, pero supo gobernar con eficacia.

7) ¿Podríamos considerar el descubrimiento de América como siendo su mayor huella en la historia? Si no, ¿Qué considera usted como siendo su principal legado?

Son muchos los legados de Isabel. El descubrimiento de América fue uno de los más importantes, sin lugar a dudas, porque determinó la historia de América pero también de España en los siglos venideros. También es importante destacar su papel en el mundo de la cultura y en la defensa de la educación femenina, algo que no se conoce demasiado de su historia. Isabel dio la misma educación a su hijo Juan y a todas sus hijas y fomentó la educación de las damas nobles de la corte.

8) Con relación a la cultura ¿de qué forma cree usted que ha impactado la Reina Isabel en la cultura de España?

De su tiempo quedan muchas obras de arte y su legado como figura histórica creo que es incontestable. Aunque aún haya muchas personas que se empeñen en denostar su papel.

 

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, siga a Calle no Instagram😉

Entrevista: Historiador Renato Drummond traça um perfil da rainha Isabel I de Castilla

O historiador Renato Drummond conversou com a Calle Hispánica sobre a Rainha Isabel I de Castilla, personagem que determinou os rumos da história da Espanha.

Confira a entrevista completa!

Renato Drummond Tapioca Neto é Graduado em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Mestre em Memória: Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

1) Existem muitas pesquisas que buscam decifrar quem foi Isabel I de Castilla. Que Isabel você descobriu em suas pesquisas? 

A primeira imagem de Isabel que surge através das páginas dos livros é a da soberana imponente, que unificou um país sob o peso do cetro e o fio da espada. Numa época na qual o governo feminino era bastante desacreditado, ela provou que seu sexo não era impedimento para o exercício do poder. Ela pode não ter sido a fundadora do que atualmente é designado como monarquia de gênero, mas com certeza foi a primeira a ter grande destaque. Essa construção, contudo, divide espaço com outros perfis, tais como o de mãe, esposa, empreendedora, política e até mesma o de fanática religiosa, que perseguia judeus e mulçumanos com as chamas da inquisição. Há que se considerar todas essas facetas no estudo sobre a figura.

2) Qual aspecto da sua vida te parece mais curioso ou, ainda, fascinante? 

É muito interessante observar o relacionamento que a rainha tinha para com suas filhas. Apesar de ser uma mulher que governava a partir de um lugar pensado por e para os homens, a monarca recomendava às infantas Isabel, Joana, Maria e Catarina a serem esposas obedientes e compassivas, ou seja, tudo o que ela não era. Curiosamente, foi através dessas filhas que o legado de Isabel foi passado adiante.

3) Isabel era a terceira na linha de sucessão. Logo, ela não foi criada para ser uma rainha “reinante”, como normalmente acontece com um filho primogênito de uma casa real. Como, então, ela chegou ao trono tão preparada para governar?  

Isabel foi educada para ser uma rainha consorte e por muito tempo o casamento dinástico com um príncipe estrangeiro parecia ser o seu destino. Seu irmão, o rei Henrique IV, cogitava um matrimônio com Portugal ou Inglaterra, quando ela surpreendeu todos ao desposar secretamente seu primo, o herdeiro do trono de Aragão. Foi com a ajuda de Fernando que Isabel conseguiu dominar a nobreza de Castela e unificar os reinos da Espanha. Não foi uma tarefa fácil, principalmente por sua falta de preparo político, apesar do seu caráter decidido e obstinado. Consequentemente, Isabel não permitiria que a mesma falha educacional se repetisse em seus filhos e contratou professores e eruditos de vários lugares para educa-los.

4) Indo além do seu trajeto até o trono, como ela conseguiu manter tanto poder e durante tanto tempo, numa época em que as mulheres não tinham espaço nas decisões políticas?

Isabel era uma mulher ciente das suas limitações e se cercou de pessoas altamente capacitadas para ajudá-la no exercício do poder. A principal delas foi Fernando II de Aragão. Não é possível falar do sucesso de seu reinado sem considerar o papel importante que Fernando exerceu no mesmo. Graças à ajuda do reino de Aragão, Isabel conseguiu impor seu direito ao trono de Castela e dominar a nobreza rebelde, que no governo de Henrique IV desprezava a Coroa. Uma vez no poder, ela brigou pelo trono contra sua sobrinha, Joana, cognominada a “Beltraneja”, que era apoiada por Portugal. Ao lado do marido, Isabel fortificou o poder da coroa, graças às importantes alianças dinásticas com outras casas reinantes da Europa. Por outro lado, ela fez uso da violência para centralizar os poderes da Coroa e reverter o declínio do cristianismo, acreditando sentir a mão de Deus por trás de cada golpe seu. Tal faceta do reinado da rainha católica fez com que Maquiavel, defensor de tais atitudes na sua obra máxima, O Príncipe, reagisse com espanto à “crueldade piedosa” praticada na Espanha.

 

Isabel de Castela quando jovem. (Imagem: Blog Rainhas Trágicas)

5) De que forma Isabel impactou na transformação sócio-cultural da Espanha? 

Para além da unificação dos reinos da Espanha, foi no reinado de Isabel que o espírito do renascimento penetrou em Castela e transformou a vida cultural do país.

6) Na sua opinião, o que podemos considerar como sendo seu principal legado?

Isabel I de Castela era uma mulher visionária. Confiou no projeto de Colombo quando até mesmo Fernando se colocava contra essa empreitada marítima. Mas acredito que o seu principal legado foi ter aberto as portas para que outras mulheres, ao longo dos anos, pudessem assumir a coroa. Não é à toa que até hoje ela é reconhecida como a primeira grande rainha da Europa. Embora muitos possam discordar desse título, o fato é que, depois de Isabel, as monarquias europeias assistiram com maior frequência a uma sucessão de reinados prolíficos, cujas figuras de proa eram personalidades do calibre de Elizabeth I da Inglaterra e Catarina II da Rússia. A lenda de Isabel I de Castela atravessou os últimos cinco séculos da história da Europa e da América com uma força bastante singular. Seu trabalho, empreendido ao lado do rei Fernando II de Aragão, dentro de uma Espanha caótica e com características medievais, perdura até os dias de hoje

7) Podemos considerar que suas decisões impactaram até mesmo o Brasil ainda não descoberto, já que ela ajudou a financiar as viagens de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo? 

A história do reinado de Isabel se mistura com a chegada dos europeus à América, uma vez que foi graças ao seu incentivo financeiro que um continente até então desconhecido foi revelado. A primeira mulher que governou o Brasil durante o período colonial, a regente Dona Catarina da Áustria, era neta da rainha católica. Fato esse que reforça o argumento de que o legado de Isabel de Castela foi passado adiante por meio da linhagem feminina.

Para quem curte história e, mais ainda, a história de rainhas que, assim como Isabel I de Castilla, imprimiram sua marca no tempo, Renato Drummond escreve para o blog Rainhas Trágicas.

Fruto das pesquisas desenvolvidas por um jovem estudante de História, o portal Rainhas Trágicas destina-se a resgatar do campo de interpretações equivocadas e dotadas de forte carga preconceituosa, figuras femininas que marcaram época”.

Então, fica a dica! 😉

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, siga a Calle no Instagram😉

Língua Espanhola: Uma ponte entre pessoas, países e culturas

A língua espanhola é uma combinação mágica para muito de nós, não é mesmo? Seja pela sonoridade, seja pela engenhosa articulação entre substantivos, verbos, pronomes e artigos ou, ainda, pelo sentimento que nos desperta quando hablamos. Como diria Tiago Iorc, o coração dispara, tropeça quase para! 😆

Desde mi más humilde punto de vista, esse é, sem dúvidas, um idioma que conquista ❤.

(Sim, como normalmente dizemos em português, é muito amor, é amor pra caramba! 😍)

Mas, e quanto à história da língua espanhola, pessoal? Será que conhecemos o contexto de surgimento e o papel desempenhado por esse idioma atualmente? 🤔

Justamente para nos ajudar a refletir sobre essas questões, entrevistei o doutor em Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo, que desenvolve uma pesquisa baseada fundamentalmente na história da língua espanhola na época moderna, tanto na Espanha quanto na América.

Origem

De acordo com José Luis, para analisarmos o nascimento da língua espanhola é preciso levar em conta um processo ainda mais amplo, que foi desaparecimento do latim, ou melhor, a transformação do latim nas diferentes línguas românicas, o que ocorre em algum momento entre os séculos V e IX, depois de Cristo.

“Nesse período produz-se uma transformação radical na cultura dos povos falantes de latim, que faz com que essas pessoas também comecem a perceber sua forma de falar como algo diferente do que antes existia, como algo afastado do latim”, explica José Luis.

O pesquisador também destaca que é preciso levar em conta que, com o passar do tempo, as diferenças entre os diversos dialetos do latim tornaram-se maiores, o que dificultava a comunicação entre os usuários dessa língua.

“Naturalmente, não é fácil saber em que momento os falantes tomam consciência de que estão falando outra língua e, por isso, é tão difícil dizer quando surge o espanhol. No entanto, há um indício que podemos levar em consideração, que é o momento em que aparecem textos em línguas romances. Tendo isso em mente, podemos estabelecer o século IX como o momento em que já existe tal consciência, algo que textualmente  se reflete, por exemplo, nos Juramentos de Estrasburdo (842) para o caso do francês e, um pouco mais tarde, para o espanhol, nas Glosas Emilianenses, do início do século XI”, explica o doutor em Filología Hispánica.

Espanhol ou Castellhano?

É muito comum encontrarmos os termos ‘espanhol’ e ‘castelhano” referindo-se ao mesmo idioma. Diante disso, paira no ar a seguinte questão: Afinal de contas, existe alguma diferença entre um e outro?

José Luis esclarece que partindo da ideia de que os dois conceitos se referem à mesma realidade (a língua compartilhada pela Espanha e pelos vários países da América), a verdade é que o uso de ‘espanhol’ ou ‘castelhano’ tem a ver com preferências nacionais ou, ainda, pessoais.

“Os filólogos, às vezes, utilizam esses termos de forma ligeiramente diferente: quando falamos da situação atual, normalmente empregamos a palavra espanhol para nos referir à língua compartilhada e suas variedades nacionais (espanhol da Argentina, espanhol da Colômbia). Por outro lado, usamos o termo castelhano, para nos referir à variedade dessa língua usada atualmente em Castilla, no centro-norte da Espanha. Ainda, quando falamos desde um ponto de vista histórico, preferimos castelhano, para fazermos referência à língua durante o período medieval”.

Língua espanhola hoje

Quanto ao papel desempenhado atualmente pela língua espanhola no mundo, José Luis destaca que o idioma é, sem dúvidas, a principal herança compartilhada pelos hispanohablantes.

“Isso deve servir para desenvolver certa solidariedade e favorecer a integração de todos os povos que a utilizam, sem que isso suponha desproteger ou atentar contra as línguas minoritárias que, junto ao espanhol, se utilizam em todo o mundo hispânico”, explica José Luis.

O Futuro da língua de Cervantes

Olhamos para o passado para entendermos as bases de surgimento do idioma, estabelecemos um paralelo até o presente, avaliando o papel desempenhado pela língua espanhola atualmente e, seguindo esse caminho, pensar sobre o futuro é inevitável.

Para o pesquisador, do ponto de vista de sua estrutura, o espanhol do futuro parecerá mais às variedades caribenhas que às variedades da Espanha.

“Acredito que o idioma terá uma importância influência do inglês, ainda que não definitiva, e que se verá como uma das línguas eminentemente americanas e, por tanto, cada vez menos europeia, algo parecido ao que acontece com a língua portuguesa. Já do ponto de vista demográfico, acredito que o idioma vai adquirir progressivamente maior transcendência em países como Estados Unidos. Quero pensar que será cada vez mais conhecido e necessário em zonas onde até então, é tido como segundo língua”.

E José Luis segue, destacando, agora, como ele gostaria que fosse o futura da língua de Cervantes. “Que o espanhol seja uma língua mais inclusiva, mais respeitosa com os outros idiomas com os quais convive e uma língua que sirva como ponte para conhecer outras realidades e outras culturas que também utilizam o espanhol como forma de expressão. Que seja, enfim, uma língua mais tolerante por ser o reflexo dos falantes que assim também são. Ainda que eu não saiba se isso está fora da linguística e, na verdade, tenha mais a ver com o que todos sempre esperam do mundo: que ele seja, pouco a pouco, um lugar um pouco melhor.

Y además…

Te dejamos un video en el que el doctor en Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo, habla sobre historia del español 🙂.

Curtiu as reflexões sobre a língua espanhola? Então, aproveite o embalo e confira a entrevista completa e en español, com o doutor em Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo.

A Espanha pelos olhos da brasileira Karina Wanderley

E vamos falar sobre a Espanha! 🇪🇦

Através do Instagram da Calle, conheci a Karina Wanderley, uma brasileira que anda se aventurando lá na terra do nosso amado Alejandro Sanz 😍.

Karina Wanderley / Crédito da imagem: Ezequiel Quirino

Eu conversei com a Karina para saber mais sobre essas experiência. Confira o resultado desse bate-papo 🙂

Há quanto tempo você está na Espanha?

Já morei aqui com meu filho e marido 2 vezes: em 2006, quando passamos 1 ano e meio em Castelldefels, província de Barcelona e, na segunda vez, em dezembro de 2014, quando fomos morar em Sant Boi de Llobregat, Barcelona, sem intenção de voltar.

Foram dois momentos bem diferentes: O primeiro de difícil adaptação, sem trabalho e a ideia era mais nos aventurar do que qualquer outra coisa. Já o segundo, bem mais tranquilos, com certa estabilidade financeira e com a ideia diferente: Não era mais uma aventura, era a vontade de estabelecer uma nova vida.

Em dezembro de 2017, com a crise política na Catalunya, decidimos sair de Barcelona e nos mudamos para a região da Galícia, na cidade de Vigo, província de Pontevedra.

Você já estudava espanhol? Conta pra gente um pouco da sua história com o idioma.

Não estudava o idioma. Acreditava que pelo fato de estar ali, podia aprender convivendo com os espanhóis.

A verdade é que se aprende praticando, convivendo, ouvindo as musicas, vendo o noticiário da TV, lendo… mas eu convivia mais com minha família. Além do marido e filho, minhas 3 irmãs e os sobrinhos que moram aqui, falando o dia todo o português, ouvia e lia português pela internet… isso não me ajudou muito nessa parte!

Me inscrevi em um curso gratuito na cidade de Viladecans, em Barcelona e fiz dois anos. Foi muito bom e valeu a pena.

Hoje, ainda que tenha que falar o português com a família, procuro interagir com gente daqui, ler, assistir TV local.

Por que você escolheu a Espanha?

Por 4 motivos: Pela minha família que morava aqui, pela segurança (um lugar onde meu filho pudesse ir e vir em paz), pela qualidade de vida e pelo idioma que, por se “parecer” com o nosso, acreditei que pudesse nos facilitar a vida.

Quais aspectos da cultura espanhola você mais gosta? 

Adoro esse país e, como eles dizem, me encanta a riqueza cultural de cada região.

O Flamenco de Andalucía, Los Castellets e La Sardana de Catalunya, os Gaiteiros da Galícia, los San Fermines de Pamplona, la Féria de Málaga, la Feria de Abril de Sevilla, el bocadillo de calamar de Madrid en la Plaza Mayor, as festas locais, a paella. Eu poderia escrever milhões de coisas, pois cada região tem a sua peculiaridade. Há festas diferentes cada mês, como a festa do “vino”, a festa do “Pulpo”, la ruta de tapas. A Espanha é riquíssima culturalmente e as pessoas são muito patriotas.

Você destacaria algo como sendo curioso ou, para nós brasileiros, considerado muito diferente? 

Em Catalunya e em Aragon existe a seguinte tradição natalina: no dia 24/12, uma criança “surra” um pedaço de tronco de madeira, pintado com uma cara de um bonequinho adorável e que leva um gorro vermelho e preto e, ao mesmo tempo, a criança canta uma canção que diz assim (traduzido para o português): “Caga tio, tio de natal, não cague sardinhas que são salgadas, cague torrone que são melhores! Caga tio, Amêndoas e Torrone, se não quiser cagar, vou te dar uma porrada com o pau”.

E o tronco, que está coberto por uma manta vermelha, “caga” presentes para a criança. Essa brincadeira é repetida varias vezes porque os pais compram muitos presentes, algo em torno de uns 10. Para mim é uma curiosidade bem estranha!

As novelas também são forte por aí? 

Não existem novelas, mas séries de TV que estão há muitas temporadas como: Aída, Lo que se Avecina. 

De quais artistas espanhóis você mais gosta? 

David Bisbal, Alejandro Sanz, Henrique Iglesias, Melendi, Fito y Fitipaldi, a atriz Penépole Cruz, o ator Antônio Banderas, os Tenores Josep Carreras, Monserrat Cabalet. O pintor Salvador Dali!

Para os brasileiros que estão planejando conhecer a Espanha, qual ou quais lugares você recomendaria? Por quê? 

Meu Deus, uma infinidade de lugares!! Posso falar da Catalunya onde vivi. Barcelona é uma cidade multicultural, cosmopolita, cheia de história e beleza. Indicaria passeios como a Sagrada Família e todas as outras obras de Gaudí, como “A Pedreira”, “Paque Guell”, “Casa Batlló”. “A Rambla das Flores”, “Mercado da Boqueria”, “Barceloneta”, “Anilla Olímpica”, “Palau de la Música”, “Parque da Ciudadela”, “Monjuic” e claro, conhecer o “Camp Nou”, que é o estádio do Barça! Esses são alguns dos lugares que eu conheci e que eu indicaria, mas a Espanha tem uma infinidade de lugares lindos e incríveis para conhecer.

Curtiu a história da Karina? Pois segura essa dica, então: Ela e as irmãs têm o canal As Kas, no Youtube. Lá, a família compartilha mais dessa experiência de morar fora. Confira! 🙂

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, siga a Calle no Instagram! 😉

Companhia “El Abrazo Tango” estreia novo espetáculo em Belo Horizonte

“O Tango é um ritmo de raízes populares, com influências de diversas origens, e que agregou elementos de tal refinamento que se aproxima ao erudito. Por isso é uma música tão rica. Já enquanto uma dança, o tango tem como sua maior característica o abraço. Acho que o Tango é a conjugação de tudo isso: a riqueza da música, a densidade própria da dança popular e a figura do abraço, ou seja, tudo o que torna esse ritmo tão apaixonante”.

É assim como Navir Salas Morales, da companhia El Abrazo Tango, define esse gênero tão envolvente.

E, justamente, tango é o que teremos nesta semana, em Belo Horizonte, com apresentações do novo espetáculo da companhia, o Batuca Tango 😍. Dirigido por Navir, as apresentações vão acontecer no Teatro Bradesco, nos dias 27, 28 de fevereiro e 01 de março.

Companhia El Abrazo Tango / Divulgação

O grupo El Abrazo Tango subiu aos palcos pela primeira vez em 2008 e, de lá pra cá, foram várias apresentações.

Navir contou para a Calle Hispánica que, desta vez, a inspiração do Batuca Tango está nos tambores do candombe (uma dança com atabaques, típica da América do Sul) e na pulsação do coração ❤.

“O espetáculo fala de emoção, de ritmo, de batida, de pulso. Queremos mostrar o tango que bate no tambor, no corpo, que brinca e que toca a alma. É isso que o público pode esperar”, afirma Navir Salas Morales.

As informações sobre os ingressos para o espetáculo Batuca Tango estão disponíveis no site do Teatro Bradesco.

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, siga a Calle no Instagram! 😉

Ciganos na Espanha: conquistas, reivindicações e cultura à flor da pele

No início do ano nós tivemos aqui no blog um post para celebrar o Día Internaccional Del Pueblo Gitano. A publicação trouxe 5 músicas pra gente curtir o ritmo pulsante dessa cultura.

No entanto, levando-se em consideração a forte presença dos ciganos na Espanha, esse encontro de duas culturas tão vivas (e lindas! ❤) merece mais espaço aqui na nossa Calle. Por isso e também para entendermos as questões culturais e a atual situação do povo cigano na Espanha, eu conversei com o presidente da Unión Romaní (organização não governamental dedicada à defesa da comunidade cigana) Juan de Dios Ramírez-Heredia.

[SPOILER: Vocês sabiam que o Brasil teve um presidente cigano? 🤔 Então, é só seguir aqui que já, já conto pra vocês o nome dele. Ou melhor, o Juan de Dios vai contar 😉]

Os ciganos estão espalhados por quase todas as regiões do mundo. No que se refere à sua origem, há um consenso entre os especialistas de que a Índia seria o local de surgimento desse povo.

De acordo com a Unión Romaní, embora não seja possível definir de forma precisa, estima-se que cerca de 750.000 ciganos vivam na Espanha e, desse total, quase a metade (cerca de 350 mil) encontra-se em Andaluzia.

“A cultura cigana está presente na Espanha desde o século XV e, na região de Andaluzia é possível vive-la e senti-la de forma mais intensa. Os costumes ciganos se transformaram em sinais de identidade de todo o povo andaluz. Está claro, e ninguém deveria colocar isso em questão, que Andaluzia não seria a mesma sem os ciganos. Por outro lado, nossa história e nossa cultura ainda são grandes desconhecidas e não gozam do reconhecimento merecido por parte das instituições. Por isso, as associações ciganas estão reivindicando que a história e a cultura do nosso povo sejam disciplinas que integrem o currículo escolar. Em algumas comunidades, com em Castilla e em León, isso já acontece”, explica Juan de Dios.

O presidente da Unión Romaní destaca que do Primeiro Congresso Mundial cigano, realizado em Londres, em 1971, surgiram acordos importantes que se mantêm até hoje. “Como exemplo, podemos citar a Bandeira Cigana (azul e verde, com a roda vermelha ao centro e o Hino Internacional Cigano (Gelem, Gelem). Decidiu-se também na ocasião exigir da Alemanha uma indenização pelas vítimas do Samudaripen (o Holocausto cigano), para que essa verba fosse investida na educação, formação e capacitação das comunidades ciganas que sofreram com esse extermínio. Também fruto desse Congresso, em 1978, a ONU reconheceu o Povo Cigano como uma Minoria Cultural Não Governamental”, pontua Juan de Dios.

Outro questão destacada por Juan é que para se conseguir políticas e ações mais efetivas no que se refere à educação, à inclusão no mercado de trabalho, ao melhor acesso à saúde e à moradia, é fundamental que a opinião dos ciganos seja levada em consideração.

Segundo o presidente da Unión Rumaní, o desejo de por fim aos preconceitos que a maior parte da sociedade tem em relação aos ciganos também faz parte das reivindicações atuais.

“Atualmente, nós ciganos somos cidadãos de pleno direito, assim como o resto dos cidadãos espanhóis. No entanto, grande parte dos ciganos ainda vive em situação de exclusão social. Os principais problemas concentram-se na educação, emprego e moradia. O abandono escolar por parte dos jovens ciganos chega aos 64%. Além disso, estamos lutando pelo direito de termos uma identidade cultural reconhecida. Por isso, falar de inclusão hoje em dia é uma falácia, pois a igualdade de oportunidades ainda não é real”, explica Juan de Dios.

Cultura cigana

E quando falamos em cultura cigana, de imediato nos vem à mente o vibrante flamenco.

“A música é um dos elementos fundamentais da cultura cigana e o flamenco é, sem dúvidas, uma das mais ricas contribuições da nossa cultura à cultura universal. Por isso, a Unesco o declarou Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2010”.

E quanto aos artistas ciganos que colaboraram para o reconhecimento dessa cultura, Juan destaca Camarón de la Isla, Django Reinhardt, Raimundo Amador, Carmen Amaya, Joaquín Cortés e Los Gipsy Kings.

“Aos já mencionados, devemos incluir também personagens como Juscelino Kubitschek, Soraya Post (membro do parlamento europeu), Rafael de Paula (toureiro) e Eric Cantona (jogador de futebol). Há, ainda, outros ciganos que seguem lutando por sua comunidade e pelo seu reconhecimento, como o jornalista  Joan Oleaque, a advogada Carmen Santiago, a professora  Ana Giménez e a estilista Juana Martín.

Para quem está planejando viajar à Espanha, Juan de Dios deixa a dica: “Não há um lugar específico e concreto na Espanha onde seja possível viver a cultura cigana em sentido amplo, pois cada família vive essa cultura de forma interna. No entanto, há muitos lugares onde é possível desfrutar de uma das expressões mais conhecidas da nossa cultura, o flamenco. Se me perguntam sobre um lugar, eu sugiriria Casa Patas, em Madrid”.

5 músicas para celebrar ‘el Día Internacional del Pueblo Gitano’

Y además…

Entrevista completa con el presidente de la Unión Romaní, Juan de Dios Ramírez-Heredia

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

Además: Estrevista completa con Juan de Dios Ramírez-Heredia

Para hablar un poco sobre la comunidad gitana en España y también sobre su cultura, Calle Hispánica entrevistó al presidente de la Unión Romaní, Juan de Dios Ramírez-Heredia.

Juan de Dios Ramírez-Heredia, presidente de la Unión Romaní

1) ¿Es posible definir cuántos gitanos viven en España? 

En España no hay datos certeros al respecto, porqué en los censos de población no se recoge la etnia de las personas. Sin embargo, calculamos que actualmente la población gitana española está formada por unas 750.000 personas, de las cuales casi la mitad se encuentran en Andalucía, donde viven cerca de 350.000 gitanos, lo que supone un 5% de la población total de esa zona.

2) ¿Cuáles fueron las principales conquistas de ese pueblo? 

El 8 de abril de 1971 se celebró el Primer Congreso Mundial Gitano, en Londres, al que acudieron rromà de 25 países diferentes. De allí salieron acuerdos importantes que se mantienen hasta el día de hoy: se creó la Bandera Gitana (azul y verde, con la rueda roja en el centro) y el Himno Internacional Gitano, Gelem, Gelem; se decidió estandarizar la lengua gitana, el rromanò; y exigir una indemnización a Alemania por las víctimas del Samudaripen (el Holocausot gitano) para invertirlas en formación, educación y capacitación para las comunidades gitanas que habían padecido el exterminio. También fruto de ese Congreso, en 1978, la ONU reconoció al Pueblo Gitano como una Minoría Cultural No Gubernamental.

3)  Actualmente, ¿Qué lugar ocupa la cultura gitana en España?

La cultura gitana está presente en España desde el siglo XV y ha aportado mucho a la cultura española, por ejemplo, hay más de 80 palabras que usamos en castellano que provienen de nuestra lengua, el romanò. En Andalucía, la cultura gitana se ha vivido como en ningún otro lugar de España, ya que las costumbres asociadas a los gitanos se han convertido en señas de identidad de todo el pueblo andaluz. Está claro, y nadie debería ponerlo en duda, que Andalucía no sería lo mismo sin los gitanos. Y por ende España tampoco.

Sin embargo, nuestra historia y nuestra cultura todavía son grandes desconocidas y no gozan del reconocimiento merecido por parte de las instituciones. Por eso, las asociaciones gitanas estamos reclamando que la historia y la cultura de nuestro pueblo se estudien en los colegios. En algunas comunidades, como en Castilla y León, ya se ha incorporado al currículum educativo y en muchas ciudades españolas ya se han aprobado mociones para instar a los gobiernos autonómicos a hacer lo mismo.

4) El flamenco es una expresión artística conocida mundialmente. Pero, ¿cuáles son las otras formas de arte gitano que, en su opinión, no tienen todavía su debido reconocimiento?

La música es uno de los elementos fundamentales de la cultura gitana y el flamenco es, sin duda, una de las más ricas aportaciones de nuestra cultura a la cultura universal.  Por eso la UNESCO lo declaró Patrimonio Inmaterial de la Humanidad en 2010. Aunque está es la expresión artística más representativa del Pueblo Gitano, también encontramos gitanos en otras muchas disciplinas. Por citar algunos, en el mundo del cine tenemos a Charles Chaplin, Helen Mirren o Michael Caine. También hay grandes pintores gitanos, como Lita Cabellut, la artista española viva más cotizada del mundo del arte, Ceija Stoika, Helios Gómez, Luis Heredia Amaya… Y en el campo de las letras, Wronislawa Wajs (Papusza), José Heredia Maya, Rajko Djuric, Bajram Haliti…

5) Y ¿cuáles son los artistas gitanos que tienen/tuvieron gran importancia en la difusión de la cultura de ese pueblo?

Hay muchos artistas gitanos que han ayudado a la visibilización y reconocimiento de nuestra cultura. A los anteriormente mencionados deberíamos añadir a grandes figuras de la música y el baile, como Camarón de la Isla, Django Reinhardt, Raimundo Amador, Carmen Amaya, Joaquín Cortés, Los Gipsy Kings…  Y un amplio etc. de personajes que han influido mucho en sus disciplinas y en sus sociedades: Juscelino Kubitschek (fue presidente de Brasil); Soraya Post (eurodiputada); Rafael de Paula (torero); Eric Cantona (futbolista)… Y después muchísimos gitanos de a pie que están luchando por su comunidad y su reconocimiento: el periodista Joan Oleaque; la abogada Carmen Santiago; la profesora de universidad Ana Giménez; la diseñadora de moda Juana Martín; el politólogo Pedro Aguilera; el experto en rromanò Nicolás Jiménez…

6)  En 1977, los gitanos españoles presentaban la siguiente reivindicación a los partidos políticos: Lo que buscan los gitanos es que, detente el Poder quien lo detente, se les considere a ellos y su cultura, como españoles a todos los efectos y se reconozca su derecho a tener un puesto en la sociedad”. ¿Cómo evalúa usted  la situación de los gitanos en España, hoy día?

Actualmente, los gitanos somos ciudadanos de pleno derecho, al igual que el resto de los ciudadanos españoles, por lo que, sobre el papel, disfrutamos exactamente de los mismos derechos. Sin embargo, gran parte de los gitanos siguen viviendo en situación de exclusión social. Los principales problemas se centran en la educación, el empleo y la vivienda. Por mencionar algunos ejemplos, el abandono escolar temprano de la juventud gitana se sitúa en el 64%, sufren una tasa de paro doble que la del resto de la población y siguen sin gozar de un acceso a la vivienda en condiciones. Además, los gitanos estamos luchando por nuestro derecho a ser reconocidos como identidad cultural. Por ello, hablar de inclusión hoy en día es una falacia, porqué la igualdad de oportunidades aún no es real.

¿Y cuáles son las reivindicaciones actuales? 

El Pueblo Gitano está reclamando ser artífice de su propia promoción social. Para conseguirlo, es necesaria una mayor implicación por parte de las administraciones, una financiación más ágil y más realista y que se tenga en cuenta nuestra opinión y manera de hacer para conseguir políticas y actuaciones exitosas, en ámbitos como la educación, la promoción social, la inclusión laboral, o el mejor acceso a la salud y a la vivienda, por ejemplo.

Otra reivindicación gitana que sigue latente hoy en día es enterrar los prejuicios que la sociedad mayoritaria tiene sobre nosotros y que se amplifican a través de los medios de comunicación. La ciudadanía debería formarse valoraciones de los gitanos a través de experiencias reales y no de lo que oye por ahí o de lo que ve en la televisión.

7) ¿Cómo considera la actuación de la prensa en lo que se refiere al reconocimiento del pueblo gitano?

Desde Unión Romaní elaboramos anualmente un estudio estadístico, ‘¿Periodistas contra el racismo? La prensa española ante el Pueblo Gitano’, en el que analizamos precisamente el trato que le da la prensa española a las noticias relacionadas con la comunidad gitana. En el estudio del 2016 constatamos una vez más que en los medios sigue habiendo racismo: un 19% de las noticias analizadas se trataron de forma negativa. Así la palabra “gitano” aparece en muchas informaciones de forma gratuita y contribuye, básicamente, a continuar estigmatizando a la comunidad. Además, pocas veces se da voz al Pueblo Gitano para contrastar la información. Lo peor es que esta manera de actuar se acentúa cuando se narra un hecho ya de por sí negativo –asesinatos, delincuencia, etc.–. Algo perverso, porque es justamente en esos casos cuando se debería ir con más cuidado y priorizar la rigurosidad y la imparcialidad.

Otro aspecto a destacar es que los temas están muy encorsetados. O se nos asocia con delincuencia y marginalidad o aparecemos ligados al folclore. Los estereotipos han conseguido dañar nuestra imagen porque han conseguido invisibilizar a buena parte de nuestra población, a los miles y miles de gitanos que viven en la “normalidad”. El prejuicio nos arrincona a ser marginales o bohemios artistas, y esa no es la realidad de nuestro pueblo.

8) A los brasileños que se van de viaje a España, ¿les sugiere algún sitio específico en donde se pueda vivir la cultura gitana

No hay un lugar concreto en España donde se pueda vivir la cultura gitana, en sentido amplio, porqué cada familia la vive de forma interna. Sí que hay muchos lugares donde puede disfrutar de una de las expresiones más conocidas de nuestra cultura, el flamenco. Si me pide uno, le sugeriría Casa Patas, en Madrid.

9) Y por fin, ¿Qué significa ser gitano?

Ser gitano es sentirse gitano, ser partícipe de un sistema de valores que impregna todo el cuerpo y que tamiza la percepción exterior en base a una cultura milenaria. Es tu forma de ver la vida, tus raíces, tus valores…

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

Frida Kahlo: Muito mais que sobrancelhas marcantes

Magdalena Carmen Frida Kahlo Calderón. Sim, pessoal, vamos falar sobre a Frida! 🙂 (E ela dispensa qualquer tipo de apresentação 💚)

Julho é a época em que devemos celebrar Frida Kahlo mais que nunca. Isso porque foi num mês como este que a pintora mexicana veio ao nosso mundão (em 06/07/1907) e, 47 anos depois (em 13/07/1954), despediu-se dele.

Atualmente, a figura de Frida segue viva e seu nome se faz cada vez mais forte e presente. A todo momento encontramos seu rosto estampado em camisas, bolsas, canecas, artigos de decoração e por aí vai!

Super Tela / Reprodução

Carão expressivo, olhar desafiador e sobrancelhas marcantes como SÓ-ELA-TINHA! Mas, sabemos que Frida Kahlo é muito mais que isso. Muito mais que uma estampa, muita mais que o último grito da moda.

Conhecida nos quatro cantos do mundo, a pintora mexicana é um dos maiores ícones da cultura latina. E para falar sobre ela, a Calle Hispánica conversou com Martha Zamora, autora de “El Pincel de La Angústia”, biografia considerada como uma das mais completas sobre Frida Kahlo.

Publicado pela primeira vez em 1987, o livro de 407 páginas já foi traduzido para 5 idiomas e continua sendo publicado em espanhol.

Porrúa / Reprodução

Sobre o início dessa relação com a figura da pintora, Martha nos conta: “Desde que a vi pela primeira vez, quando tinha 6 anos, passei toda a minha vida reunindo informações sobre Frida Kahlo. Sua presença colorida me deslumbrou (…). Estudar um ser tão extraordinário, tão cheio de facetas, me fez amadurecer para poder compreendê-la. Passei as fases jovem e adulta da minha vida num meio conservador e limitado. Não se falava em homossexualidade, nem em aborto. Frida me ensinou a VER, realmente ver, a beleza das pequenas coisas. Me impressionou sua bondade. Normalmente, a medida que envelhecemos e, talvez, por conta das desilusões ou más experiências, deixamos a bondade de lado. Ela lutou para conservá-la e isso, somado ao exemplo de que é possível florescer mesmo debaixo de uma grande árvore, será a lição de vida que buscarei ter em mente para o resto da minha vida”.

(Em 1929, Frida Kahlo casou-se com o já consagrado pintor mexicano, Diego Rivera. E eis o florescer, mesmo debaixo de uma grande árvore, mencionado por Martha Zamora.)

Num passeio rápido pela internet, encontramos diversas opções de biografias, reportagens e filmes sobre a pintora e muito se fala sobre quem era Frida Kahlo. Em meio a tantas informações e afirmações, nos perguntamos, então, o que Frida NÃO era 🤔.

De acordo com Martha, a pintora mexicana não era uma pessoa depressiva e sofredora. “Considero que apenas no último ano da sua vida, depois que sua perna direita foi amputada, é que essas características se aplicam a ela. Entrevistei muitas pessoas que conviveram com Frida, como amigos, familiares e amantes,  e todos chegaram até ela porque esbanjava vida, bom amor e uma impressionante qualidade de saber ouvir e tentar ajudar aos demais”, destaca a escritora.

Frida no mundo 

Frida é mexicana, mas podemos dizer sem equívoco que sua arte está no mundo e, consequentemente, sua figura, quase sempre sujeito e objeto de sua pintura, também.

Martha Zamora destaca os motivos que, na sua opinião, fazem de Frida Kahlo uma figura tão global. “Sua pintura é emotiva. São quadros pequenos em sua maior parte, que fazem com que nós nos aproximemos física e moralmente a eles. Se dirigem a medos como a morte, o abandono, a esterilidade. Além disso, possuem um ‘quê’ que não se pode captar pela câmera, algo que não é reproduzível”.

Frida Kahlo e a cultura mexicana

Segundo Mrtha Zamora, Frida é, simplesmente, o símbolo artístico mais importante do México. “É a artista (entre homens e mulheres) que avança e abre caminho no mercado para outras, como a brasileira Tarsila do Amaral e para a cubana Amelia Peláez, diante de um Diego Rivera, de um Tamayo, um Orozco, um Siqueiros, que são os gigantes do muralismo que dominavam o cenários em sua época. E ela jamais imaginaria algo assim!”, destaca a escritora.

Martha destaca, ainda, que “a ideia de que a lenda de seus amores, seus problemas físicos e sua forma peculiar de se vestir e se arrumar são os fatores que sustentam Frida Kahlo se esvai se pensamos que os principais museus do mundo aguardam com ansiedade para expor suas pinturas. Esses recintos não cedem seus espaços a lendas, mas sim  a grandes artistas”.

Frida em 2017

63 anos depois de sua morte, essa mulher que muitos conhecem e definem coma “a das sobrancelhas marcantes” é, na verdade, uma referência (e das mais importantes!) de arte, cultura latina, feminismo e força.

De herança para o mundo e para todxs nós que aqui estamos, Frida Kahlo deixou muito mais que suas telas. Deixou sua história, suas cores e sua verdade. Diante de tudo isso, só nos resta reverenciar a figura dessa mulher e tudo que ela representa, além de desejar, hoje e sempre, vida longa à Frida! 💙

Y además…

Te dejamos la entrevista completa con Martha Zamora, autora de la biografia sobre Frida Kahlo, “El Pincel de La Angustia”

Gostou da Calle Hispánica? Então, curta a Fan Page no Facebook e não perca nenhuma postagem! 😉

Además: Entrevista completa con la escritora Martha Zamora

Para esta publicación especial sobre Frida Kahlo, Calle Hispánica entrevistó a la autora Martha Zamora, quien escribió la biografia “Frida: El Pincel de La angustia”.

Foto: Antonio Nava

Usted lleva años recompilando informaciones sobre Frida Kahlo. Se puede decir que vive todo ese tiempo con su presencia, ¿Vale? Me gustaría saber ¿Qué le ha enseñado ella?

En efecto, toda mi vida he compilado información sobre Frida Kahlo, desde que la ví por primera vez cuando tenía yo seis años y me deslumbró con su colorida presencia; del kindergarten nos llevaron a ver pintar a Diego Rivera el mural Sueño de una Tarde Dominical, en la Alameda Central. Desde entonces, ella ha vivido conmigo. Mis hijos crecieron con la presencia de una mujer que había muerto más de veinticinco años antes…

Estudiar a un ser tan extraordinario, tan lleno de facetas, me llevó a madurar para comprenderla. Mi vida de joven y adulta reciente estaba enclavada en un entorno conservador y limitado. Ahí no se hablaba de homosexualidad ni de aborto. Si quieres conocer más de ese proceso, que me llevó a no juzgar sino comprender, puedes leer mi libro “En Busca de Frida” que narra mis aventuras conociendo a personajes como Aurora Reyes, Isamu Noguchi, Alejandro Gómez Arias y Emmy Lou Packard.

Frida misma me enseñó a VER, realmente ver, la belleza de las pequeñas cosas. Me impresionó su bondad. Esta es una cualidad que ha perdido vigencia. No admiramos a la gente bondadosa. Admiramos a la gente rica, exitosa, deslumbrante. Los buenos tienen ahora una cierta semejanza con los no muy inteligentes.

En general, a medida que avanzamos en edad, y quizá por desilusiones o malas experiencias, dejamos la bondad a un lado. Ella luchó por conservarla y eso, aunado al ejemplo de que se puede florecer bajo la sombra de un árbol grande, será una lección de vida que procuraré tener en mente por lo que me resta de vida.

Encontramos muchos relatos sobre quién era Frida Kahlo. En su opinión, ¿Qué Frida NO era?

En efecto, se publican una enorme cantidad de libros sobre Frida Kahlo. Desafortunadamente pocos, muy pocos, conllevan investigación. Usualmente toman partes de libros anteriores y cambian de posición las ilustraciones. Unos son de formatos grandes y caros, otros pequeños para bolsillos más reducidos, pero nada nuevo dentro.

Yo creo que NO ERA una persona depresiva y continuamente sufriente. Sólo el último año de su vida, después de la amputación de parte de su pierna derecha, considero que esos calificativos se aplican a ella.

Entrevisté a muchas personas que convivieron con Frida, como amigos, familiares o amantes y siempre llegaron junto a ella porque destilaba vida, buen humor, calidez y una impresionante cualidad como ser compasivo, que te oía, que trataba de ayudar.

Tanto ella como Diego Rivera fueron grandes coleccionistas de exvotos. Estas pequeñas pinturas se realizan para entregarlas en la iglesia en conmemoración de un accidente, una tragedia, un dolor. La obligación del creyente es dejarlas en la iglesia, ofrecer al santo o a la virgen ese dolor y… retirarse a vivir, a vivir plenamente. Eso creo que Frida hacía con su pintura, exsorcisar el dolor, dejarlo atrás. Por eso la Frida que todos recordaban era un ser lleno de alegría. Es sólo que el mensaje visual de su pintura es tan poderoso que borra lo demás. Difícil reconocer a un ser lleno de alegría, como sé que fue ella, viendo La Columna Rota.

Usted escribió el libro “El Pincel de la Angustia”, que nos trae la biografía de Frida. Para escribir sobre ella, ¿Cuál fue el mayor reto? ¿Y qué te ha regalado esa experiencia?

Tuve que superar varios retos para escribir “El Pincel de la Angustia”. En primer lugar, combinaba el trabajo de investigación con mi ocupación regular, realizando catálogos y folletos para la industria en México. No tenía prisa. Me llevó ocho años compilarlo, acariciarlo, sacarlo a la luz y quedarme asombrada con la velocidad de su venta y el alcance geográfico que tuvo.

Apenas unas 3 semanas después tenía sobre mi escritorio un contrato de la compañía editorial japonesa más grande de ese país. Se tradujo rápidamente al inglés, al francés, al alemán y tuve que dejar mis otras ocupaciones para empezar giras y conferencias.

En efecto, el libro me dio los 15 minutos de fama a que todos tenemos derecho (ja-ja). Empecé a viajar invitada por instituciones culturales de México, mi país. Tengo una lista inmensa de estos viajes y, cuando la miro de vez en cuando, me asombro del volumen de trabajo y de energía que consumió.

Me dio, además, la apertura de un mercado. Después de ese libro, fue mucho más sencillo que las librerías principales, las estaciones de televisión y de radio, me abrieran sus puertas para promocionar los libros que siguieron. A nivel personal, la admiración de mis hijos fue un regalo adicional. Para ellos sigo siendo la mamá, pero con sorna me llaman “la célebre escritora”; en mi posición de mujer, es fácil mantener los pies pegados a la tierra. Regresas de aplausos y encomios muy grandes y te vas al supermercado, a la tintorería y a tender la cama. Eso es muy sano. Aunque es indudable que el reconocimiento externo y el placer de constatar que hay personas, que como tú, han recibido algo de la emoción, del placer de escribir la biografía de Frida Kahlo, existen en el mundo y eventualmente se comunican conmigo.

En su opinión, ¿Qué es lo que hace con que la obra de Frida Kahlo sea tan global?

En mi opinión la obra de Frida Kahlo se adapta mejor a la realidad actual que a la etapa en que ella trabajó, de los años veinte al inicio de los cincuenta del siglo pasado.

Ahora abundan libros de autoconfesión de debilidades sexuales o de adicción, de defensa de los minusválidos o “personas con capacidades diferentes”, como ordena lo políticamente correcto. Su pintura es emotiva, son cuadros pequeños en su mayoría que hacen que te acerques física y moralmente a ellos, se dirigen a miedos atávicos como la muerte, el abandono, la esterilidad. Además, tienen “algo” que no puede captar la cámara, que no es reproducible.

Apoyo esto con una anécdota: Cuando se gestaba la película sobre Frida Kahlo, con Salma Hayek, contrataron a un pintor profesional para realizar copias de los cuadros que aparecerían en el filme. Este no sólo era una persona perfectamente capacitada, sino que disponía de cámaras claras y todo género de adelantos técnicos para copiar centímetro a centímetro las pinturas y los colores, el brochazo y las sombras. Estos cuadros resultaron fríos, eran pero no eran, algo faltaba en ellos. Con la cámara cinematográfica en movimiento quizá no fuera obvio. Para mí, parada frente a ellos, veía que algo faltaba.

Y ¿Cuál sería su marca o su principal característica?

La marca de Frida sería la emotividad, aquella cercana calidez de la que hablan quienes la conocieron que resulta transmisible en sus cuadros. Ella no siguió corrientes en boga como el muralismo, los grandes cuadros con narrativa revolucionaria o agrarista. Eso es lo que llamaba la atención en el momento artístico que ella vivió. Por el contrario, se dedicó a hacer una pequeña biografía de una mujer, habitante de un pueblito cercano a la capital de México, que vive y no vive con su esposo, que siente una muerte cercana, que ama a sus pericos, a sus monos araña, a las mariposas, a los pollitos que nacen en esa su casa, su clima y su refugio florido que pinta de azul estridente con pisos amarillos y decora con calacas colgantes vestidas con ropa de ella o de Diego Rivera. Se rodea de música, de amigos, de cigarros y de alcohol y pinta, lenta, esporádicamente.

En su opinión ¿Qué representa Frida Kahlo actualmente para la cultura mexicana?

Cuando se hizo la enorme exposición México-Esplendor de Treinta Siglos en Nueva York, simultáneamente hubo conferencias en varios museos e instituciones culturales. Recientemente una pintura chiquita de Frida, Diego y yo (1949), que mide menos que una hoja tamaño oficio y que ella había intercambiado con otra pintora emergente en su momento, superó el millón de dólares en subasta. Todos opinaron que la “burbuja Frida Kahlo explotaría y los precios bajarían estrepitosamente”. El concepto de que ella se sostiene por la leyenda de sus amores, de sus problemas físicos y su extraño arreglo personal se diluye si consideras que los museos principales del mundo la esperan con ansiedad y triunfan estrepitosamente cuando logran una exposición de su pintura. Esos recintos no se abren a leyendas, sino a grandes artistas.

Ella es hoy día el símbolo artístico más importante de México, la pintora mujer que alcanza las más altas cotizaciones y el artista latinoamericano (hombre o mujer) que avanza a la cabeza abriendo mercado para la brasileña Tarsila do Amaral, para la cubana Amelia Peláez, delante de un Diego Rivera, de un Tamayo, un Orozco, un Siqueiros, los titanes muralistas que acaparaban la atención en su época. ¡¡Nunca se lo hubiera imaginado ella!

Gostou da Calle Hispánica? Então, curta a Fan Page no Facebook e não perca nenhuma postagem! 😉

Página 1 de 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén