Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Categoria: Literatura (Página 1 de 2)

Desafio Literário: Resenha de “La Mentira”, de Caridad Bravo Adams

Oi, genteee! 😆

As férias foram lindas, mas eu PRECISO dizer que sim, eu estava morrendo de saudades de escrever pro blog ❤.

E antes de começar com as postagens sobre o meu amadíssimo México, vamos colocar em dia o nosso Desafio Lieterário da Calle, com a resenha do livro “La Mentira”, escrito pela Caridad Bravo Adams.

Lembrando que o tema de outubro era Um livro escrito na década de 1950.

Obs.: Essa é a segunda obra que leio da Caridad e estou curtindo demais sua narrativa! Tenho o firme propósito de seguir lendo seus livros 📚🙂.

Enredo

A história de “La Mentira”, escrita em 1952, se desenrola no nosso Brasil, brasileiro.

 “En el fin del mundo, en el corazón de la selva, en el rincón más apartado del Estado de Mato Groso; esto es, en el centro mismo de América, en las selvas de aquel Brasil inexplorado e inmenso, se alza en efecto Porto Nuevo”

Quem desembarca nesse cenário é Demétrio de San Telmo, que retorna ao Brasil para ajudar o irmão, Ricardo Silveira, que passava por um momento difícil após ser enganado e roubado por “una mala mujer”.

No entanto, Demétrio chega à fazenda de Ricardo tarde demais, pois seu irmão já havia cometido suicídio 😨.

– ¿Entonces mi Hermano se ha suicidado? ¡Mi Hermano ha muerto por una mujer! ¿Puedo saber su nombre, Reverendo? ¿Quiere decírmelo ahora mismo?

– Mi pobre amigo… su nombre, el nombre de ella no lo sé. Sospecho que solo Ricardo podría decirlo y se llevó su secreto a la tumba. Su hermano bebía espantosamente, tomaba luego medicinas y calmantes para aplacar sus nervios, píldoras, narcóticos… ¡qué se yo!

Diante dessa verdade, Demétrio jura encontrar essa mulher vingar a morte do irmão. E, partir desse ponto, começam as tretas. Isso porque, todo mundo sabia da existência da tal mulher, mas ninguém sabia o nome dela. A única pista até então, era que seu nome iniciava com a letra “V”.

“una mujer cuyo nombre empieza com ‘V’ (…) Dolo por dolor… miseria por miseria… Lágrima por lágrima tengo que cobrárselo”.

Sabendo que, antes de partir para o Mato Grosso, Ricardo (que era advogado) foi o braço direito da família Castelo Branco, uma das mais ricas e importantes do Rio de Janeiro, Demétrio decide iniciar sua busca justamente lá.   E como diz o ditado, “Quem procura, acha”, o muchacho achou, de cara, duas jovens primas (e sobrinhas de Teodoro Castelo Branco), Virgínia e Verônica (que se apaixona por ele já de cara).

Após algumas investigações e muitas intrigas, Demétrio chega à (equivocada) conclusão de que Verônica é a mulher que enganou seu irmão. E quem o “ajuda” a pensar dessa forma é ninguém menos que Virgínia, a verdadeira culpada.

E mesmo correspondendo ao amor de Verônica, ele decide seduzir a jovem, pedi-la em casamento e levá-la para o coração da selva brasileira, fazendo-a pagar o sofrimento do irmão.

Demétrio empenha-se para mostrar-se frio, indiferente e até grosseiro com ela, que sempre se perguntava a que se devia à mudança do rapaz. Daí até o desenlace dessa treta, a muchacha sofre, viu?!

Vale a leitura?

Gente, sou muito suspeita para falar sobre a narrativa da Caridad Bravo. No caso de La Mentira, descobri que a novela estrelada pelo Guy Ecker e pela diva Kate Del Castillo, é bem fiel ao livro. No entanto, o que achei mais interessante na obra original é a ambientação feita no Brasil. (Vou passar a visão pra vocês: Verônica é carioca, tal como yo! 😎 rsrs)

A história tem pontos altos de drama e intensidade, mas sem deixar de lado o nosso bom, rosa e velho romance. E, assim como na novela, minha parte favorita nessa história é, sem dúvidas, quando toda a verdade vem à tona!  É maravilhoso ver Verônica esfregar sua inocência na cara de Demétrio 😂.

Então, é isso, pessoal! Agora, vamos ao próximo tema que é “Uma biografia” 🙂. Já escolhi qual e conto pra vocês lá no Intagram da Calle. Vem comigo! 😉

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Desafio Literário: Resenha de Bodas de Odio, de Caridad Bravo Adams

Dando check-in no primeiro mês de desafio literário, concluí a leitura de Bodas de Odio, escrito em 196, pela escritora mexicana Caridad Bravo Adams ✅.

Lembrando que para esse mês de setembro, o tema foi “Um livro que tenha sido adaptado para a TV” 📺.

Bodas de Odio virou novela nada menos que TRÊS vezes. A primeira em 1983, adotando o mesmo nome do livro, depois em 2003, com Amor Real, e mais recente, em 2013, com Lo que la Vida me Robó.

Mas, vamos ao livro! 🤓📚

Enredo

A história se passa no final do século XIX, nos tempos da Rússia czarista.

Lisaveta Kerloff é uma jovem aristocrata, porém de família falida 👎💸. Apaixonada (e correspondida) pelo tenente Fedor Mikailovich, ela tenta conseguir do pai, o coronel Ivan Petrovich Kerloff, permissão para se casar com o amado.

E se dependesse só do pai, Lisa tava bem na história. Mas, o problema é que no meio do romance tinha uma mãe ambiciosa, uma mãe ambiciosa tinha no meio do romance. E essa é Paula Petrovna.

A megera (ela é uma megera, gente! rs), percebendo as intenções de Lisa para com o humilde tenente, consegue, com ajuda do filho mais velho, Dimitri, tecer uma teia de intrigas e conspirações para separar a filha e o jovem. E tudo isso porque Paula já tinha em vista, aquele que, de acordo com ela, seria la pereja ideal para su hija.

Alejandro Kareline: Solteiro, milionário e príncipe. Esse era o cara! E para sorte de Paula, ele se apaixona por Lisa já no primeiro encontro e, acreditando nas mentiras da megera, acredita ter chances com a jovem.

Para complicar o enredo, o pai de Lisa fica muito doente e sua mãe passa a utilizar o estudo de saúde do coronel para coagir a filha a aceitar se casar com o príncipe e garantir a boa reputação da família Kerloff.

—En efecto, es espantoso que los hijos no comprendan a veces cuál es su deber, Lisaveta! Él, muriéndose por ti, pensando en que quedarás arruinada, con el nombre manchado y que no habrá hombre que se acerque a ti… y tú, en cambio, no puedes darle ni el gusto de ser amable con Kareline. Tengo entendido que Iván te ha pedido más de una vez que seas gentil y cortés con él.

—Así lo haré, mamá —prometió con vehemencia la joven”.

Lisa se sentia muito incomodada com as gentilezas de Alejandro, afinal, ela amava Fedor. No entanto, as esperanças da jovem com relação ao amado se desvaneciam pouco a pouco.

Em meio a tantas intrigas e estratagemas, a verdade é que Fedor marca bobeira e, graças às armações de Paula e Dimitri, acaba perdendo terreno na vida de Lisaveta.

Resumindo, gente: A megera tanto faz que consegue enganar a filha e o príncipe, com o objetivo de casá-los, salvar a família Kerloff da ruína e, de quebra, garantir a sua boa vida. E como ela faz isso? “Prestenção”: Ela convence a filha de que Alejandro sabe toda a verdade sobre seus sentimentos, mas, ainda assim, deseja se casar com uma jovem da aristocracia apenas para melhorar sua reputação enquanto príncipe.

Por outro lado, Paula convence a Alejandro de que Lisa sim o ama, mas é uma jovem caprichosa, que ainda não sabe lidar com os sentimentos e expressá-los da forma adequada. (Falei pra vocês que ela era uma megera 😝 rsrs)

E casar, eles casam. Maaaaas, no dia de la fieta de matrimonio, todas as mentiras são descobertas, Alejandro descobre a existência de Fedor, Lisa fica sabendo que o príncipe estava crente que ela o amava… enfim. Foi babado, confusão e gritaria!

E a partir daí, a história começa uma nova etapa. Lisa odiando (ou achando que odiava) o marido. Alejandro querendo odiar (mas, na verdade, muitíssimo apaixonado) por lisa. ¡Ese es el drama que me gusta! Jejeje

Nessa fase, Paula Petrovna sai de cena, mas nem por isso a vida de Lisa fica mais tranquila e favorável. Isso porque chega Natacha Maslova, com sua paixão platônica por Alejandro. E aí temos mais intrigas, mais armações e mais tretas até os capítulos finais.

Vale a leitura? 🤔

Como boa amante de telenovelas mexicanas, sou suspeita para falar. Mas, aí vai meu parecer: Vale! 🙂

Caridad Bravo Adams é uma verdadeira mestra dos argumentos bem costurados e o resultado desse talento é que ficamos presos, atados e amarrados à história ATÉ-O-FIM. Especificamente no caso de Bodas de Odio, a história toma caminhos bem inesperados, dando aqueles sustinhos na gente durante o percurso da leitura (😮😰😧). E isso é ótimo porque deixa a narrativa mais viva e dinâmica.

No entanto, sem sobra de dúvida, o ponto forte da obra é a intensidade. A boa e velha intensidade mexicana que eu simplesmente AMO! ❤

Emoções à flor da pele e sentimentos bem definidos. Trata-se de um romance sim, mas não um romance água com açúcar e cor de rosa. Eu diria que é um romance sacudido e cheio de reviravoltas!

“— Lo que tengo que reprocharte es que no hayas sido franca… ¿Qué necesitabas para salvar a tu padre? ¿Un puñado de rublos? ¡Los hubiera dado con placer, sin necesidad de engaños y farsas!

– ¡Yo no los hubiera aceptado como una limosna! —replicó ella, desafiante también.

Corrió, escaleras arriba. Alex quedó inmóvil, con los puños apretados. Su ira se disolvió en dolor y pensó con angustia:

– ¡Odio, sólo odio puede haber entre nosotros dos!”

Então, meus amigxs, para quem curte esse estilo de narrativa regada à emoção, fica a dica! Caridad Bravo Adams é A MESTRA! rsrsrs

➡ Leitura: Desafio literário à la Calle Hispánica

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Leitura: Desafio literário à la Calle Hispánica 🙂

Já comentei aqui no blog que, desde o início da Calle, venho tentando ler mais obras produzidas por autores hispânicos. Mas, a grande verdade é que, no vai e vem da vida, esse “tentando” ainda está bem longe do objetivo que é ler 😓.

Prova disso é que, de fevereiro pra cá, foram apenas três livros 😦. Isso mesmo: 7 meses e SÓ 3 livros  (sim, plaquinha da vergonha pra mim 🙈).

¡El desafío! (para mí y para ustedes 😜)

Para resolver esse problema, decidi colocar a Calle Hispánica no famoso desafio literário. Isso aí! Pesquisei os que já estão rolando e selecionei alguns temas para montar o nosso 🙂.

Assim, vamos manter nossa leitura em dia e teremos mais conteúdo literário aqui no blog 💜.

Como já estamos em setembro, o desafio será bem modesto: serão 4 livros, sendo um para cada mês.

Mas esse desafio é à la Calle Hispánica!

Como sabemos que livros em espanhol e de autores hispânicos nem sempre são tão fáceis de encontrar aqui no Brasil, pensei na seguinte proposta, para não fugirmos ao objetivo do blog (que é “coloca mais espanhol na vida que tá pouco!” hahaha 😆): Sendo de autores hispânicos, os livros podem ser em espanhol ou em português e, sendo de autores naturais de outras línguas, pegaremos as obras em espanhol, ¿vale? 

Acho que assim fica mais prático para todxs! 🙂

Vamos aos temas e às respectivas sugestões de leitura:

📍Setembro – Um livro que tenha sido adaptado para a TV; (Pode ser uma história que tenha virado filme, novela, série…)

  • Don Quijote de La Mancha / Dom Quixote, de Miguel de Cervantes
  • La Casa de Los Espiritus / A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende
  • Memorias de Mis Putas Tristes / Memória De Minhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez
  • Bodas de Odio, de Caridad Bravo Adams
  • El Diario de Noa (Diário de Uma Paixão), de Nicholas Sparks

📍Outubro – Um livro escrito na década de 1950;

  • La Hojarasca / A Revoada, de Gabriel García Marquez (1955)
  • La Mentira, de Caridas Bravo Adams (1951)
  • Cien Sonetos de Amor / Cem Sonetos de Amor, de Pablo Neruda (1959)
  • Los Versos del Capitán / Os Versos do Capitão, de Pablo Neruda (1952)

📍Novembro – Uma biografia;

Boa oportunidade para lermos a história daquela personalidade hispânica que amamos ou, ainda, para conhecer melhor alguma figura importante desse universo 😉.

  • Por qué este mundo. Una biografia de Clarice Lispector, de Benjamin Moser e Cristina Sánchez-Andrade
  • Aún no estoy muerto: Autobiografía, de Phil Collins
  • Confieso que he Vivido / Confesso que Vivi, de Pablo Neruda
  • El diario de Ana Frank, de Anne Frank

📍Dezembro – Um presente de Natal.

Vi esse tema no blog Eu Astronauta e curti demais! Nada mais justo que, em dezembro, escolhermos um livro para chamar de “nuestro regalo de Navidad” (🎅), né non?! Então, neste mês, aproveite para pegar aquela obra que você sempre quis ler! 💙 ▶ (lembrando que, se o autor é hispânico, então pode ser em português ou em espanhol e, se se o autor é nativo de outro idioma, então vamos focar no espanhol 😉)

Para este mês de setembro, vou postar o livro escolhido lá no instagram da Calle. E quem entrar no desafio e quiser postar também, usem a hashtag #LeituraNaCalle. Assim, podemos encontrar mais sugestões de livro para engordamos nossa lista de leitura hispânica 😍.

Então, bora ler e, de quebra, colocar o espanhol pra jogo! 🤓

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Os Argentinos: 5 motivos pelos quais você deveria ler o livro de Ariel Palacios

Vamos falar sobre Os Argentinos? 🙂 Demorei, mas voltei para falar sobre o livro do jornalista Ariel Palacios. 👓📚

Como alguém que está acostumado (e ama!❤) um drama e um carrossel de emoções, meu primeiro pensamento antes de embarcar na obra foi: Ok, esta será uma leitura linear e estável 🙂. E já adianto que eu estava enganada! rsrs

O livro de Ariel Palácios faz uma abordagem bem bacana a diversos aspectos referentes à Argentina, mostrando ao leitor que a terra e a cultura de nuestros hermanos tem muito mais que futebol, alfajor e Casa Rosada.

Então, aí vão os 5 pontos que me chamaram a atenção:

Conta a história do país – Para começar, a história.

Ariel Palacios abre o livro falando sobre a formação da Argentina que inicialmente apresentava uma mistura de espanhóis, indígenas e africanos. De 1860 em diante, milhões de imigrantes europeus chegaram ao país, fazendo com que o lado criollo perdesse espaço.

As turbulências políticas e monetárias pelas quais a Argentina passou também são pontuadas. Domingo Perón, Evita, ditadura, os presidentes que assumiram após esse período, os dramas econômicos e o calote. Esses capítulos conturbados da história argentina quebram a tal estabilidade que eu, erroneamente, imaginei que a leitura apresentaria. (E que ótimo, né pessoal?! Porque a gente gosta mesmo é de um drama! 😜 rsrs).

Só no quesito “Moeda” já daria assunto para uma novela mexicana inteira!

“Durante quase três anos – de 2001 a 2003, no meio da pior crise financeira, social e econômica da Argentina –, o país teve 14 ‘moedas paralelas’, ou ‘pseudomoedas’, além do próprio peso, a moeda nacional (e, de quebra, o dólar, cujo intenso uso transformou a Argentina no país com maior número de dólares nas mãos da população depois dos EUA e da Rússia…). Isto é, um total de 16 moedas”.

De forma geral, as explicações voltadas para a história do país nos ajudam a compreender melhor o processo de construção da Argentina dentro do contexto global e também como a região adquiriu os ares europeus que vemos pairar por lá.

Explica a diferença entre espanhol e castelhano

Gente, quem nunca se perguntou a diferença entre espanhol e castelhano?🤔 Pois é! E o Ariel Palácios marcou um pontaço ao explicitar, sem rodeios, essa questão já no início do capítulo Que Língua Eles Falam?

“Quem estiver lendo este livro terá visto que em alguns países fala-se o ‘espanhol’ e em outros o ‘castelhano’. São idiomas diferentes? Não. São exatamente a mesma coisa. A nuance é puramente uma decisão sobre como chamar o idioma que surgiu na península ibérica há séculos e dali, por intermédio dos conquistadores enviados para o outro lado do Atlântico, expandiu-se no Novo Mundo”.

O futebol

Claro que o tema “Futebol” não poderia ficar de fora, né?! Os Argentinos conta a história do chamado superclásico argentino: Boca x River. De acordo com Ariel Palacios, o embate é o evento que mais concentra a atenção do jornalismo esportivo local e da torcida.

E é nessa parte do livro em que o jornalista aborda sobre o mítico Brasil x Argentina (🇧🇷 X 🇦🇷).

Sobre o tango

Todo mundo se rende aos encantos de um bom tango, não é mesmo?! Mas a verdade é que pouca gente conhece as origens desse ritmo. Eu, por exemplo, confesso que não conhecia.

E se você também não conhecia, posso te adiantar que o tango tem origem na comunidade negra portenha.

“O tango surgiu por volta de 1877, no bairro de Montserrat, situado entre a Casa Rosada e o atual Congresso Nacional. Na época, ali residiam os descendentes dos escravos negros que haviam sido libertos em 1813”.

Daí em diante, o autor reconstrói a história do ritmo, contando, por exemplo, como o tango tornou-se popular na Europa antes mesmo de ser reconhecido na Argentina.

A Verdadeira Rivalidade Argentina (que não é o Brasil)

Esse capítulo, na minha opinião, foi o mais revelador e interessante! Afinal, quando se fala em Argentina, (nós, brasileiros) pensamos logo na tal rivalidade, sempre tão comentada. Como eu disse, nós brasileiros. Mas e os argentinos? Será que eles também sentem essa mesma rivalidade?

Então… não vou contar “quem”, segundo o Palacios, seria o verdadeiro rival argentino. Mas, posso lhes adiantar o seguinte trecho do livro: Em termos futebolísticos, “apenas por duas décadas, dos anos 1960 até 1980, o Brasil ocupou posto de rival principal”. Ou seja, meus amigxs, hay alguien más en esta historia 😜 #FicaADica!

Dito tudo isso, a leitura de Os Argentinos vale bastante! Para quem curte história, para quem é apaixonado pelo país do Messi, para quem é amante da cultura e para quem sempre está no rastro da língua espanhola.  E por falar em espanhol, o livro também traz algumas expressões e gírias tipicamente argentinas, o que pode ser bastante interessante para quem planeja viajar pra lá 🙂.

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Leitura: Dica para quem quer ler mais livros em espanhol

Ler livros em espanhol é uma das formas infalíveis para melhorar o idioma. No entanto, eu sempre tive dificuldade para encontrar essas obras à venda aqui no Brasil. E quando encontrava alguma numa livraria, geralmente ela estava a um preço quase obsceno.

(Quem  nunca sofreu a dor de se apaixonar por um livro pelo qual não podia pagar? 📚😭)

E durante muito tempo foi essa sofrência na minha vida (😒).

Até que duas amigas me apresentaram aquele que viria a ser mi mejor amigo 🙂💜Estou falando do Kindle!

Obs.: Este post não é um publi, ok? (inclusive, a fatura do meu cartão comprova isso 😂). Sei que há outros E-readers no mercado, mas falo do Kindle por ser o dispositivo que tenho 🙂

Antes de conhecer o Kindle e descobrir suas funcionalidades, eu achava que esse era mais uma espécie de computador num formato compacto. E não é que eu estava totalmente enganada!? O Kindle, na verdade, simula perfeitamente uma página de livro. Sem aquela luz que cansa nossos olhos, sem dor de cabeça, super levinho, com capacidade de armazenar um mundo de livros e com uma bateria que chega a durar meses! (Sim, eu disse meses, pessoal! 😮 Especialmente se você ativar o modo avião #FicaAdica 😉).

E depois que adquiri essa belezura, pude, finalmente, dar mais atenção à leitura em espanhol. Isso porque é muito mais fácil encontrar, disponível na internet, a versão digital das obras. Um exemplo disso é o livro La Mujer Habitada, da nicaraguense Gioconda Belli. Consegui ter acesso a essa obra incrível graças a mi mejor amigo 🙂

Além de livros, o Kindle também permite que você envie da internet páginas de sites e artigos. Ou seja: sabe aquela reportagem do El País que você achou super interessante, mas não tem paciência para lê-la por completo na tela do computador? É só enviar para o Kindle e você poderá ler aquele conteúdo com mais conforto.

Então, essa é a dica de hoje! Se você ama ler, mas sente falta de ler en español pela dificuldade de encontrar livros físicos nesse idioma, o Kindle pode ser uma ótima ferramenta! É pesquisar, adquirir e ler! Simples assim ❤

E às amigas que me apresentaram a essa belezura (Paulinha e Polly): vocês brilham, muchachas 💛

Confira também: Resenha: A Mulher Habitada, de Gioconda Belli 

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Dica de leitura: Las Cosas Del Querer, de Flavia Álvarez

Enquanto pesquisava sobre o trabalho das humoristas gráficas do momento, descobri o livro Las Cosas Del Querer, da ilustradora espanhola Flavita Banana, nome artístico de Flavia Álvarez.

Literary Rambles / Repródução

Investiguei (sem qualquer tipo de esperança) se o livro estava à venda aqui no Brasil. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a Livraria da Cultura vende a versão digital da obra. (E o melhor, por 21,90!😍)

Como eu já havia sido fisgada pelo trabalho da Flavia (divulgado em suas redes sociais), não pensei duas vezes e comprei o livro!📖🤓

O que achei

Já estamos acostumados a pegar um livro e mergulhar naquela história, correto? Vamos velejando página após página e, quando chegamos ao fim, a sensação é a de quem volta à superfície do mar.

Com Las Cosas Del Querer não acontece assim. E isso, para mim, é o melhor desse livro! A mulher retratada nas ilustrações de Flávia Álvarez traz à tona questões tão nossas… conflitos, pensamentos, ideias que nem sempre são doces, mas que vez ou outra dão uma voltinha pelos corredores da nossa mente. De acordo com a própria ilustradora, a personagem pode ser definida como impulsiva e, ao mesmo, cheia de medos (quem não?!). Por isso, em cada página que a gente lê, rola uma risada divertida e, cinco segundos depois, nos surpreendemos ao nos encontrar ali, naquela mensagem gráfica (e confesso que várias vezes me peguei perguntando “mas como ela consegue fazer isso? 🤔 rs).

Butxaca / Reprodução

 

Então, amigxs, fica a dica de leitura. Las Cosas del Querer é o tipo de livro que a gente lê numa tarde! É divertido, é inteligente, mas sem abrir mão da reflexão (com pitadas de ironia) sobre diferentes tipos de ‘querer’.

Y Además…

Calle Hispánica entrevista a la ilustradora Flavia Álvarez 🙂

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Leitura da Vez: ‘Os Argentinos’, de Ariel Palacios

Depois de viajar pelas páginas de A Mulher Habitada, da nicaraguense Gioconda Belli, agora a Calle Hispánica embarca para la tierra de los hermanos 🎒🛫🌎

O livro da vez aqui na Calle é Os Argentinos, do jornalista Ariel Palácios.

Editora contexto / Reprodução

Por que este livro?

Ok, já sabemos que a pergunta “Pelé ou Maradona” provavelmente será tempero de conversas acaloradas entre brasileiros e argentinos por muitos e muitos anos.

Também sabemos do Tango, da Casa Rosada, dos alfajores… Mas a questão aqui é a seguinte: sabemos tudo isso desde o nosso ponto vista, enquanto brasileiros (que sabem perfeitamente bem que Deus não usaria Sua mão para colocar uma bola na rede ⚽🥅😒).

No entanto, Ariel Palacios nasceu na Argentina, foi criado no Brasil e, atualmente é correspondente Internacional da Globo News, em Buenos Aires. Ou seja; ele tem um ponto de vista diferente do nosso, uma vez que está na posição de quem é brasileiro e também argentino (gostei!).

Além disso, de acordo com o próprio Ariel, esse livro não é para quem está em busca dos clichês relacionados ao país, pois a proposta é mergulhar na sociedade argentina e contar suas nuances (gostei mais ainda!).

O que eu espero com essa leitura?

Espero encontrar em Os Argentinos aquilo que faz brilhar os olhos de todo jornalista: novidade! 😍

Espero conhecer novos aspectos da cultura argentino e também entender melhor as questões históricas e políticas do país da Evita.

Ariel Palacios conta um pouco mais sobre o livro Os Argentinos.

Por hora é isso! Terminada a leitura, volto com uma resenha 🤓📚📝

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Resenha: A Mulher Habitada, de Gioconda Belli

Como já comentei aqui no Blog, desde que a Calle Hispánica nasceu, me propus a conhecer melhor a literatura produzida nos países que falam espanhol. E para começar, escolhi o livro A Mulher Habitada, da nicaragüense Gioconda Belli.

Já posso adiantar que comecei com o pé direito! 🙂

Enredo

O desenrolar da história tem inicio a partir da índia Itzá, que morre lutando contra os invasores espanhóis. A partir do seu relato (e que relato, amigxs!), constrói-se uma ponte que nos leva do período da colonização até a década de 70, onde encontramos Lavínia, uma jovem arquiteta de 23 anos que, após concluir os estudos na Europa, volta à sua terra natal, a cidade fictícia de Faguas.

O que prendeu minha atenção já nas primeiras páginas, foi a forma bastante original e intrigante que a autora encontrou para contar a história dessas duas mulheres que, apesar de estarem situadas em duas épocas diferentes, são atravessadas e movidas pelos mesmos questionamentos: O que, de fato, significa ser mulher e como se impor num mundo governado por homens. (Não, eu não vou contar que forma foi essa 😜 rsrsrsrs)

Lavínia

Buscando tomar posse de sua independência, Lavínia deixa a casa dos pais e vai morar sozinha. Já em seu primeiro dia de trabalho num escritório de arquitetura, ela conhece Felipe, seu novo colega de trabalho. (Sim, tem romance nesse enredo!)

Apesar de a história se passar em Faguas, um lugar fictício, o paralelo que se estabelece com a Nicarágua é bem perceptível. A cidade do ‘faz de conta’ também passava, assim como a Nicarágua da década de 70, por um período de ditadura em que, adivinhem só: o rico cada vez ficava mais rico e o pobre cada vez ficava mais pobre (pois é, amigx! ‘Chibom bom bom’ é um canto globalizado!🌎).

À frente desse regime militar estava o ‘Grande General’. Do outro lado, lutando por transformações políticas, sociais e, principalmente em defesa da democracia, estava o Movimiento de Liberación Nacional, do qual Lavínia torna-se membro.

Ytzá 

Todos nós já lemos ou ouvimos algo sobre o período da colonização. No entanto, em A Mulher Habitada, Gioconda vai além de narrar fatos desse período. Nos trechos que em Ytzá aparece em cena, a história é narrada em primeira pessoa. Ou seja, a sensação que temos é a de estar cara a cara com ela (para falar a verdade, quase podemos ver, através das letras, a expressão em seu olhar! 👀).

Resumindo: A obra de Gioconda Belli traz duas mulheres que participam de forma ativa dos acontecimentos que transformam a realidade. Aliás, esse é mais um ponto forte da história: mulheres revolucionárias! Ytzá contra os invasores espanhóis e Lavínia contra a ditadura imposta pelo Grande General.

O livro, além de nos apresentar questões relacionadas à história, também nos leva a reflexões sobre a posição da mulher na sociedade.

Gioconda Belli pontua, ao longo da narrativa, dúvidas e questões internas com as quais a maioria de nós, mulheres, nos identificamos (que lugar queremos ocupar? Que lugar ocupamos atualmente? O quanto evoluímos desde os tempos de Ytzá até hoje? O que podemos fazer para garantir nossos direitos? – e por aí vai…).

Eu diria que só por ativar essa luz interna dos questionamentos (💡), já considero a leitura muito válida!

Sobre a Gioconda

A autora de A Mulher Habitada nasceu em Mánagua, Nicarágua. Gioconda viveu a ditadura de Somoza e fez parte da Frente Sandinista de Liberación Nacional.

Suas obras já foram traduzidas em mais de 14 idiomas e o livro A Mulher Habitada (1988), recebeu o Prêmio de la Fundación de Libreros, Bibliotecarios y Editores Alemanes e o Prêmio Anna Seghers, da Academia de Artes de Alemania.

Y Además…

Te dejo una parte del relato de Ytzá sobre la colonización:

“Los españoles decían haber descubierto un nuevo mundo. Pero ese mundo no era nuevo para nosotros. Muchas generaciones habían florecido en estas tierras desde que nuestros antepasados, adoradores de Tamagastad y Cippatoval, se asentaron. Éramos náhuatls, pero hablábamos también chorotega y lengua niquirana. Sabíamos medir el movimiento de los astros, escribir sobre tiras de cuero de venado. Cultivábamos la tierra, vivíamos en grandes asentamientos a la orilla de los lagos, cazábamos, hilábamos, teníamos escuelas y fiestas sagradas.
Nadie puede decir cuál habría sido nuestra historia si tanta tribu no hubiese sido aniquilada. Los españoles decían que debían civilizarnos, hacernos abandonar la barbarie. Pero ellos, con barbarie, nos dominaron, nos despoblaron. En pocos años hicieron más sacrificios humanos que nosotros en el tiempo largo que transcurrió desde las primeras festividades.
Este país era el más poblado. Y, sin embargo, en los veinticinco años que viví, se fue quedando sin hombres; los mandaron en grandes barcos a construir una lejana ciudad que llamaban Lima; los mataron, los perros los despedazaron, los colgaron de los árboles, les cortaron la cabeza, los fusilaron, los bautizaron, prostituyeron a nuestras mujeres.
Nos trajeron un dios extraño que no conocía nuestra historia, nuestros orígenes y quería que los adoráramos como nosotros no sabíamos hacerlo.
¿Y de todo eso, qué de bueno quedó? Me pregunto.
Los hombres siguen huyendo. Hay gobernantes sanguinarios. Las carnes no dejan de ser desgarradas, se continúa guerreando.
Nuestra herencia de tambores batientes ha de continuar latiendo en la sangre de estas generaciones.
Es lo único de nosotros, Yarince, que permaneció: La resistencia”.

Confira também: Dica de leitura: Las Cosas Del Querer, de Flavia Álvarez

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Acción Poética: Muros que poetizam a paisagem urbana

De acordo com a definição apresentada pelo dicionário, muro é qualquer coisa que sirva de divisa entre espaços.

Se partimos para a história, encontramos o de Berlim, o do México, o grandão que cerca a China e tantos outros que entraram para a história fazendo exatamente o que o dicionário diz. Dividir, separar, delimitar.

E aí você me pergunta: “Ok, Fernanda. E cadê a hispanidade nessa história toda?”. E eu te digo que a nossa amada hispanidade está justamente nos muros que vão além dessa aparente função. Estamos falando dos muros do Acción Poética, projeto que leva as letras da poesia e a beleza da arte à vida urbana.

Cultura Inquieta / Reprodução

Calle Hispánica conversou com Armando Alanís Pulido, poeta que iniciou o movimento em 1997, na cidade de Monterrey, no México. Diante da dificuldade para conquistar um espaço nas publicações que apresentam uma boa distribuição no país, Armando viu nos muros cinzentos uma oportunidade para compartilhar a poesia e ainda fazer com que essa arte esteja ao alcance de um maior número de pessoas.

Atualmente é possível topar com as palavras do Acción Poética pintadas em muros de quase 30 países da América e Europa.

“Há intervenções em línguas indígenas, em braile, em frances, italiano e todas têm o seu encanto”, afirma Armando.

Muhimu / Reprodução

O poeta explica que, independente do país, os artistas que integram o projeto seguem as seguintes regras: “fundo branco simulando uma página, letras pintadas na cor preta e versos de, no máximo, 10 palavras. Nada de política e nada de religião”, explica o criador do movimento.

Armando Alanís Pulido, que já esteve no Brasil, contou ao Calle Hispánica que adoraria poetizar com sua arte um muro brasileiro. “Eu gostaria de fazer uma intervenção em alguma favela e, certamente, faria uma homenagem ao poeta Ferreira Gullar”.

Ficamos na torcida por esse encontro entre a brasilidade dos nossos muros e a arte do Acción Poética!

Curtiu o projeto? E qual frase você gostaria de ver estampada num muro? Compartilha sua opinião com a gente! A minha favorita é essa:

Acción Poética Lima / Reprodução

Y además…

20 muros del proyecto Acción Poética

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Acciones de la Poesia

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