Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Categoria: Literatura (Página 2 de 2)

Leitura da Vez: ‘Os Argentinos’, de Ariel Palacios

Depois de viajar pelas páginas de A Mulher Habitada, da nicaraguense Gioconda Belli, agora a Calle Hispánica embarca para la tierra de los hermanos 🎒🛫🌎

O livro da vez aqui na Calle é Os Argentinos, do jornalista Ariel Palácios.

Editora contexto / Reprodução

Por que este livro?

Ok, já sabemos que a pergunta “Pelé ou Maradona” provavelmente será tempero de conversas acaloradas entre brasileiros e argentinos por muitos e muitos anos.

Também sabemos do Tango, da Casa Rosada, dos alfajores… Mas a questão aqui é a seguinte: sabemos tudo isso desde o nosso ponto vista, enquanto brasileiros (que sabem perfeitamente bem que Deus não usaria Sua mão para colocar uma bola na rede ⚽🥅😒).

No entanto, Ariel Palacios nasceu na Argentina, foi criado no Brasil e, atualmente é correspondente Internacional da Globo News, em Buenos Aires. Ou seja; ele tem um ponto de vista diferente do nosso, uma vez que está na posição de quem é brasileiro e também argentino (gostei!).

Além disso, de acordo com o próprio Ariel, esse livro não é para quem está em busca dos clichês relacionados ao país, pois a proposta é mergulhar na sociedade argentina e contar suas nuances (gostei mais ainda!).

O que eu espero com essa leitura?

Espero encontrar em Os Argentinos aquilo que faz brilhar os olhos de todo jornalista: novidade! 😍

Espero conhecer novos aspectos da cultura argentino e também entender melhor as questões históricas e políticas do país da Evita.

Ariel Palacios conta um pouco mais sobre o livro Os Argentinos.

Por hora é isso! Terminada a leitura, volto com uma resenha 🤓📚📝

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Resenha: A Mulher Habitada, de Gioconda Belli

Como já comentei aqui no Blog, desde que a Calle Hispánica nasceu, me propus a conhecer melhor a literatura produzida nos países que falam espanhol. E para começar, escolhi o livro A Mulher Habitada, da nicaragüense Gioconda Belli.

Já posso adiantar que comecei com o pé direito! 🙂

Enredo

O desenrolar da história tem inicio a partir da índia Itzá, que morre lutando contra os invasores espanhóis. A partir do seu relato (e que relato, amigxs!), constrói-se uma ponte que nos leva do período da colonização até a década de 70, onde encontramos Lavínia, uma jovem arquiteta de 23 anos que, após concluir os estudos na Europa, volta à sua terra natal, a cidade fictícia de Faguas.

O que prendeu minha atenção já nas primeiras páginas, foi a forma bastante original e intrigante que a autora encontrou para contar a história dessas duas mulheres que, apesar de estarem situadas em duas épocas diferentes, são atravessadas e movidas pelos mesmos questionamentos: O que, de fato, significa ser mulher e como se impor num mundo governado por homens. (Não, eu não vou contar que forma foi essa 😜 rsrsrsrs)

Lavínia

Buscando tomar posse de sua independência, Lavínia deixa a casa dos pais e vai morar sozinha. Já em seu primeiro dia de trabalho num escritório de arquitetura, ela conhece Felipe, seu novo colega de trabalho. (Sim, tem romance nesse enredo!)

Apesar de a história se passar em Faguas, um lugar fictício, o paralelo que se estabelece com a Nicarágua é bem perceptível. A cidade do ‘faz de conta’ também passava, assim como a Nicarágua da década de 70, por um período de ditadura em que, adivinhem só: o rico cada vez ficava mais rico e o pobre cada vez ficava mais pobre (pois é, amigx! ‘Chibom bom bom’ é um canto globalizado!🌎).

À frente desse regime militar estava o ‘Grande General’. Do outro lado, lutando por transformações políticas, sociais e, principalmente em defesa da democracia, estava o Movimiento de Liberación Nacional, do qual Lavínia torna-se membro.

Ytzá 

Todos nós já lemos ou ouvimos algo sobre o período da colonização. No entanto, em A Mulher Habitada, Gioconda vai além de narrar fatos desse período. Nos trechos que em Ytzá aparece em cena, a história é narrada em primeira pessoa. Ou seja, a sensação que temos é a de estar cara a cara com ela (para falar a verdade, quase podemos ver, através das letras, a expressão em seu olhar! 👀).

Resumindo: A obra de Gioconda Belli traz duas mulheres que participam de forma ativa dos acontecimentos que transformam a realidade. Aliás, esse é mais um ponto forte da história: mulheres revolucionárias! Ytzá contra os invasores espanhóis e Lavínia contra a ditadura imposta pelo Grande General.

O livro, além de nos apresentar questões relacionadas à história, também nos leva a reflexões sobre a posição da mulher na sociedade.

Gioconda Belli pontua, ao longo da narrativa, dúvidas e questões internas com as quais a maioria de nós, mulheres, nos identificamos (que lugar queremos ocupar? Que lugar ocupamos atualmente? O quanto evoluímos desde os tempos de Ytzá até hoje? O que podemos fazer para garantir nossos direitos? – e por aí vai…).

Eu diria que só por ativar essa luz interna dos questionamentos (💡), já considero a leitura muito válida!

Sobre a Gioconda

A autora de A Mulher Habitada nasceu em Mánagua, Nicarágua. Gioconda viveu a ditadura de Somoza e fez parte da Frente Sandinista de Liberación Nacional.

Suas obras já foram traduzidas em mais de 14 idiomas e o livro A Mulher Habitada (1988), recebeu o Prêmio de la Fundación de Libreros, Bibliotecarios y Editores Alemanes e o Prêmio Anna Seghers, da Academia de Artes de Alemania.

Y Además…

Te dejo una parte del relato de Ytzá sobre la colonización:

“Los españoles decían haber descubierto un nuevo mundo. Pero ese mundo no era nuevo para nosotros. Muchas generaciones habían florecido en estas tierras desde que nuestros antepasados, adoradores de Tamagastad y Cippatoval, se asentaron. Éramos náhuatls, pero hablábamos también chorotega y lengua niquirana. Sabíamos medir el movimiento de los astros, escribir sobre tiras de cuero de venado. Cultivábamos la tierra, vivíamos en grandes asentamientos a la orilla de los lagos, cazábamos, hilábamos, teníamos escuelas y fiestas sagradas.
Nadie puede decir cuál habría sido nuestra historia si tanta tribu no hubiese sido aniquilada. Los españoles decían que debían civilizarnos, hacernos abandonar la barbarie. Pero ellos, con barbarie, nos dominaron, nos despoblaron. En pocos años hicieron más sacrificios humanos que nosotros en el tiempo largo que transcurrió desde las primeras festividades.
Este país era el más poblado. Y, sin embargo, en los veinticinco años que viví, se fue quedando sin hombres; los mandaron en grandes barcos a construir una lejana ciudad que llamaban Lima; los mataron, los perros los despedazaron, los colgaron de los árboles, les cortaron la cabeza, los fusilaron, los bautizaron, prostituyeron a nuestras mujeres.
Nos trajeron un dios extraño que no conocía nuestra historia, nuestros orígenes y quería que los adoráramos como nosotros no sabíamos hacerlo.
¿Y de todo eso, qué de bueno quedó? Me pregunto.
Los hombres siguen huyendo. Hay gobernantes sanguinarios. Las carnes no dejan de ser desgarradas, se continúa guerreando.
Nuestra herencia de tambores batientes ha de continuar latiendo en la sangre de estas generaciones.
Es lo único de nosotros, Yarince, que permaneció: La resistencia”.

Confira também: Dica de leitura: Las Cosas Del Querer, de Flavia Álvarez

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Acción Poética: Muros que poetizam a paisagem urbana

De acordo com a definição apresentada pelo dicionário, muro é qualquer coisa que sirva de divisa entre espaços.

Se partimos para a história, encontramos o de Berlim, o do México, o grandão que cerca a China e tantos outros que entraram para a história fazendo exatamente o que o dicionário diz. Dividir, separar, delimitar.

E aí você me pergunta: “Ok, Fernanda. E cadê a hispanidade nessa história toda?”. E eu te digo que a nossa amada hispanidade está justamente nos muros que vão além dessa aparente função. Estamos falando dos muros do Acción Poética, projeto que leva as letras da poesia e a beleza da arte à vida urbana.

Cultura Inquieta / Reprodução

Calle Hispánica conversou com Armando Alanís Pulido, poeta que iniciou o movimento em 1997, na cidade de Monterrey, no México. Diante da dificuldade para conquistar um espaço nas publicações que apresentam uma boa distribuição no país, Armando viu nos muros cinzentos uma oportunidade para compartilhar a poesia e ainda fazer com que essa arte esteja ao alcance de um maior número de pessoas.

Atualmente é possível topar com as palavras do Acción Poética pintadas em muros de quase 30 países da América e Europa.

“Há intervenções em línguas indígenas, em braile, em frances, italiano e todas têm o seu encanto”, afirma Armando.

Muhimu / Reprodução

O poeta explica que, independente do país, os artistas que integram o projeto seguem as seguintes regras: “fundo branco simulando uma página, letras pintadas na cor preta e versos de, no máximo, 10 palavras. Nada de política e nada de religião”, explica o criador do movimento.

Armando Alanís Pulido, que já esteve no Brasil, contou ao Calle Hispánica que adoraria poetizar com sua arte um muro brasileiro. “Eu gostaria de fazer uma intervenção em alguma favela e, certamente, faria uma homenagem ao poeta Ferreira Gullar”.

Ficamos na torcida por esse encontro entre a brasilidade dos nossos muros e a arte do Acción Poética!

Curtiu o projeto? E qual frase você gostaria de ver estampada num muro? Compartilha sua opinião com a gente! A minha favorita é essa:

Acción Poética Lima / Reprodução

Y además…

20 muros del proyecto Acción Poética

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Acciones de la Poesia

Leitura do mês: A Mulher Habitada, de Gioconda Belli

De Miguel de Cervantes até hoje, sabemos que há uma variedade incrível de escritores que compõem e diversificam a literatura produzida nos países que falam espanhol.

Com o nascimento do Calle Hispánica, me propus a dedicar mais tempo para conhecer melhor as letras que florescem em páginas argentinas, chilenas, espanholas, cubanas… e por aí vai!

E para começar essa viagem literária, aterrissamos na Nicarágua, terra da escritora Gioconda Belli (já premiada com um dos mais importantes prêmios literários latino-americanos, o Casa de Las Americas).

Em sua obra A Mulher Habitada, escrita em 1988, Gioconda narra o romance entre Lavínia e Felipe, fazendo, ao mesmo tempo, um contraponto com o período histórico da chegada dos colonizadores espanhol.

Imagem: Amazon / Reprodução

O que eu espero dessa leitura? Fazer uma viagem pela Nicarágua, conhecendo alguns aspectos históricos, sociais e culturais desse país.

Então por hora é isso. Terminada a leitura, volto para contar minhas impressões sobre A Mulher Habitada.

¡Hasta luego!

Netflix traz ao Brasil série mexicana ‘Juana Inés’

Imagem: Ciudad Ocio / Reprodução

A Netflix adicionou ao seu catálogo a série mexicana Juana Inés (muchísimas gracias, Netflix!), produzida pelo canal de tv Once e escrita por Patricia Arriaga, Monika Revilla e Javier Peñaloza.

A produção traz a história da freira, filósofa e escritora Juana Inés de Asbaje (mais conhecida como Sor Juana Inés de la Cruz), figura considerada referência do início da literatura mexicana na língua espanhola.

“Qué es más importante ¿Llenar la cabeza de la gente con conocimientos o salvar su alma?”

O contexto dessa frase é a segunda metade do século XVII. Nesta época, a Espanha tinha como reino a região chamada de Nova Espanha, que ia dos estados de Arizona, Califórnia, Colorado, Novo México e Utah, nos Estados Unidos, até a Costa Rica, na América Central.

Em meio a esse cenário, em 12 de novembro de 1648, nasceu Juana Inés, que na série é interpretada por Arantza Ruiz (em sua fase mais jovem) e por Arcelia Ramírez (na segunda fase).

Interessada pelo universo das letras desde muito cedo, Juana aprendeu a ler e escrever aos três anos. Já entre os seis e sete anos, pedia à mãe que a vestisse de menino para que pudesse frequentar a universidade.

Aos 13 esteve na corte e conquistou a confiança e admiração da Vice-Rainha e Marquesa de Mancera, Leonor Carreto.

Vale destacar que durante a época colonial do México, conhecimento e estudo eram privilégios apenas dos homens, pois as mulheres eram qualificadas como (ok, a frase que vem a seguir é incomoda até mesmo para escrever, mas vamos lá!) ‘pouco ou nada inteligentes’. E vemos a representação desse pensamento já no primeiro capítulo da série, quando Juana é informada que não é permita a entrada de mulheres na biblioteca real (proibição que, obviamente, ela conseguiu driblar. Há!).

!Se queman todos!

Labaredas da Inquisição a todo vapor e obras de pensadores como Maquiavel e Copérnico eram lançadas ao fogo (da ‘santa’ ignorância). Justo nessa época, Juana Inés, usou sua notável inteligência para enfrentar as convenções sociais e abrir um espaço favorável ao seu desenvolvimento intelectual.

No entanto, o brilhantismo e habilidade com as palavras apresentados pela jovem também despertaram a ira e inveja de muitos ao se mostrar como uma mulher a frente de seu tempo.

Num mundo de censura, Juana Inés entrou para o convento aos 17 anos, com o objetivo de seguir os estudos. Ousada, desafiou a igreja ao discordar em público de um jesuíta do Império Português, o Padre Vieira.

A série Juana Inés, além de lançar um olhar para o início da literatura mexicana em espanhol, também retrata essa fase da colonização espanhola, período marcado pela intolerância e pela tentativa de anular qualquer traço original da população nativa, como por exemplo, a língua.

Aliás, esse é um ponto interessante ao qual vale dedicar atenção: Em meio a essa convivência entre colonizadores e colonizados reproduzida pela série, é possível perceber as diferenças e peculiaridades no sotaque de espanhóis e mexicanos (¡me gusta!).

A série Juana Inés está disponível no Netflix com áudio original em espanhol e com legenda em português como opção.

Y Además:

Ve el video promocial de la serie Juana Inés

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