Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Categoria: Netflix

Netflix: Cinebiografia sobre Gloria Trevi traz música, espanhol e muitas tretas

Impactada 😮.

Essa foi a sensação que tive ao terminar de assistir ao filme “Gloria, a Diva Suprema” (tá na Netflix!).

Lançado em 2015, o longa retrata o auge da carreira da cantora Gloria Trevi (interpretada pela atriz Sofía Espinosa), considerada um dos ícones da música pop mexicana.

Confira o Trailer de “Gloria, a Diva Suprema” 🙂

 “¡Pura dinamita esta chava!”

O filme começa a relatar a história de Gloria Trevi, a partir de 1984, ano em que a cantora conhece o produtor musical (e também seu futuro empresário) Sergio Andrade.

Gloria, desde o início da carreira, já aparecia como uma figura polêmica e controvertida, abordando, sem qualquer tipo de pudor, temas bastante sensíveis a um país católico e conservador como o México.

Já em 1989, a cantora alcançou o topo das paradas com a música Dr. Psiquiatra, que ocupou a posição de número 1 na lista Billboard de canções latinas.

Com um estilo muy loco de ser e interpretando de forma muito peculiar as letras escritas por ela mesma, Gloria conquistou o público jovem. No entanto, sua conturbada vida pessoal e sua relação com Sergio Andrade ofuscaram o sucesso da cantora. (Sinceramente, nem sei se podemos usar o termo relação nesse caso).

Em 1997, Gloria Trevi e Sergio Andrade foram acusados de sequestro, abuso sexual e corrupção de menores. E o filme retrata essas questões de forma bem clara.

Então, meu amigx, assista ao filme com o estômago preparado, pois a história é forte. (Confesso que me senti mexida e, em vários momentos, verdadeiramente enojada 🤢).

Música, Espanhol e tretas. Muitas tretas!

No ano de 2000, eu tinha 13 anos e lembro que os telejornais e programas de fofoca da época falavam muito a respeito de uma cantora internacional que havia sido presa aqui no Brasil.

A prisão aconteceu a pedido do governo mexicano. No entanto, o pedido de extradição se arrastou por um bom tempo devido aos vários recursos apresentados pela defesa  dos acusados.

Após passar quase três anos presa no Brasil, Gloria Trevi renunciou às medidas legais adotadas para evitar a extradição e retornou ao México para enfrentar os tribunais.

Detalhe: Tudo isso aconteceu depois que a cantora engravidou no presídio e deu à luz um menino. (Várias versões circulam na mídia a respeito da gestação de Gloria Trevi. Mas, quanto à versão adotada no filme, deixo para que vocês descubram 😜).

Em 21 de setembro de 2004, depois de quatro anos e oito meses de detenção, a justiça mexicana absolveu a cantora.

E então?

Sendo muito sincera, o filme não me deixou com vontade de voltar a vê-lo. Eu já sabia que Gloria Trevi tem uma história com várias tretas, mas não estava por dentro “dos paranauês”.

Como disse antes, o longa me deixou impactada. Meu conselho para quem vai dar play nessa história é o seguinte: Não o assista pensando que a música e o talento de Trevi são o foco. Tem música sim, mas as tretas são o destaque da história.  E, talvez, isso tenha me frustrado.

Afinal de contas, a parte mais interessante da carreira de Gloria Trevi é, justamente, seu recomeço. A reconquista dos palcos e o retorno à mídia, mas dessa vez por seu talento.  E essa parte, o filme não aborda 😕.

De qualquer forma, a produção é uma oportunidade de botar o espanhol pra jogo e de conhecer um pouco mais sobre esse capítulo da música mexicana.

Y además…

Te dejamos una entrevista en la que Gloria Trevi habla sobre su carrera y vida personal 🙂.

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Netflix mandou avisar: Vai ter série sobre a vida do cantor Luis Miguel!

Já havia mencionado aqui na Calle que vêm por aí duas séries sobre Luis Miguel. Uma produzida pela Univision, (emissora de TV americana com a programação em espanhol) e outra pela Netflix.

Eis que na última semana, nossa queridinha (❤) lançou o trailer da série biográfica, que estreará em 2018, na Espanha e América Latina.

Confira o trailer! 📺

Figura polêmica, Luis Miguel sempre buscou manter sua vida privada bem longe dos holofotes midiáticos. Inclusive, dizem por aí que conseguir uma entrevista com El Sol de México é um verdadeiro feito! Quando rola, é tudo muito controlado por sua equipe (tudo mesmo, das perguntas que são feitas até as selfies tiradas com o cantor!😮).

Mas, espera-se que a série bote pra jogo todas as tretas que marcaram a vida de Luis Miguel. O desaparecimento da mãe quando ele ainda era criança, os problemas do pai com o álcool, as festas babadeiras do cantor, seus excessos e caprichos, sua relação com a filha Michelle Salas, os relacionamentos amorosos, os problemas que levaram Luis Miguel a desaparecer dos palcos e, por fim, o reaparecimento, o ‘Eclipse de El Sol’ (☀).

Há mais de dez anos sem lançar um álbum, afastado dos palcos e enfrentando ações judiciais que vêm dando o que falar, essa produção da Netflix é encarada com uma oportunidade de levantar a carreira do cantor e melhorar sua imagem.

Esperamos, de verdade, que a série seja todo un éxito! ✨🍀✨ (afinal, o homem é um Sol de talento, não é meus amigxs?!).

Pelo menos, nós aqui já queremos 2018 (que trará também a 2° temporada de Ingobernable!) 🙂

E enquanto a série não chega, confira as 10 músicas de Luis Miguel que não podem faltar na sua playlist

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Documentário ‘Marias’ aborda religião, sincretismo e o poder do feminino na América Latina

Dessa vez, abri o catálogo de filmes da Netflix não necessariamente buscando algo em espanhol. Estava só buscando algo novo, que me despertasse a curiosidade. Eis que encontro o documentário brasileiro Marias: a Fé no Feminino. Comecei a assistir sem muitas expectativas e, por ser uma produção nacional (🇧🇷), não imaginei que renderia um post para a Calle Hispánica.

No entanto, aos 11 minutos de filme, já estava emocionada e com aquele nó na garganta. Além disso, o longa tem o comecinho em português e, depois de mais ou menos 18 minutos, ahí viene nuestro español 😍

Quem é Maria?

O documentário, dirigido por Joana Mariani, faz uma viagem por cinco países da América Latina (Brasil, Cuba, Peru, Nicarágua e México), mostrando as figuras femininas religiosas que se destacam em cada um desses países. E já adianto que o longa vai além da questão religiosa, retratando a força do feminino, a força da fé no feminino.

“Nossa Senhora aparece com as características de cada povo ou de cada época, justamente para falar perto do coração. Porque ela é mãe, e mãe fala todas as línguas. É como Deus. Deus não tem religião, nós é que temos religião”. 

“La madre no cierra sus brazos a nadie”

A viagem tem início no Brasil ( e, por isso, o início do documentário tem o áudio em português). Em cena, vemos um pouco do culto dedicado à Nossa Senhora Aparecida.

Não entanto, não se limitando ao catolicismo, vemos também o culto à Yemanjá (e com direito ao canto sempre lindo de Bethânia! ❤).

Depois, saltamos para Cuba, terra que tem a Virgen de La  Caridad del Cobre como padroeira. No contraponto do sincretismo está Oxum. Para personificar e representa essa mistura, ouvimos a instrumental Ave Maria, ritmada pelo som dos tambores de la santería cubana (palmas para quem teve esse ideia! 👏👏)

Já no Peru, encontramos a Virgen de las Mercedes de Paita.  Como narra uma das entrevistadas, a imagem dessa Nossa Senhora, “tem o poder de funcionar como um espelho. Ou seja; não absorve as demandas, mas sim reflete para as pessoas suas próprias capacidades e energias”.

Com a Virgen de La Concepción Del Trono, padroeira da Nicarágua, o documentário nos mostra a tradição seguida pelo povo no última dia de novena oferecida à Santa, chamado de Día de Gritería. Nessa data, as pessoas colocam seus altares particulares de frente para a rua e distribuem balas, chocolates, brinquedos e outros brindes. Quem vem de fora, se aproxima ao altar e grita “¿Quién causa tanta alegria?” E quem está dentro, responde “¡La Concepción de María!”.  E essa é considerada uma das celebrações mais especiais para as crianças! 👧👦🍬🍭🍩

Já no (meu amadíssimo México ❤) está a Virgen de Guadalupe.

Reconhecida pelos indígenas da região, como Tonanzin, a Deusa dos astecas, a padroeira do México, e também Padroeira da América, com traços indígenas e pele morena, consegue unir diferentes povos e crenças.

Obs.: Aliás, artesão que produzem imagens de la Virgen de Guadalupe, por favor, não a pintem com a pele branca 😟 Afinal, não é a toa que ela é também conhecida como La Morenita #FicaADica

Ponto forte

Há mais de um a ser destacado 🙂

Primeiro. Como já mencionado no início do post, o documentário não se limita a abordar a questão religiosa, indo bem além disso. Marias: a Fé no Feminino reconstrói a força que emana do feminino.

Segundo. Religião é sempre um tema delicado de abordar. No entanto, o documentário o faz de forma muito delicada e respeitosa, abordando questão fundamentais, como o sincretismo religioso. Nesse caldeirão de cultura que se chama América Latina, há muito dos índios e negros e, quando se trata de fé, não poderia ser diferente.

Além disso, o filme traz também o feminismo como fio condutor, mostrando não só histórias de ‘Marias Nossas Senhoras’, mas também de ‘Marias Todas Nós’.

E respondendo à pergunta ‘Quem é Maria?’…

Livre, trabalhadora, forte, autônoma, que sonha e que sabe voar. chegamos ao fim do documentário com a certeza de que Maria somos todas nós ❤

Confira o trailer de Marias: a Fé no Feminino

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Ingobernable: Nova série da Netflix estreia 24 de março

(A gente lê essas notícias de produções originais em espanhol na Netflix e já fica como? 😍)

Nesta sexta-feira (24/03), estréia Ingobernable, nova série da Netflix, que contará a história da família presidencial mexicana.

A série tem início com a morte do presidente Diego Nava, interpretado por Erik Hayser. A principal suspeita pelo assassinato é Emilia Urquiza, ninguém menos que a primeira dama do país, vivida por Kate Del Castillo (que só aparece em cena se for pra lacrar, não é meus caros?!).

E por que ela se torna a principal suspeita? Emilia havia pedido o divórcio ao marido que, por sua vez, não aceita. Ele, então, vai ao hotel onde ela está hospedada e, após uma discussão, cai da sacada do quarto. A primeira dama foge do local, jurando ser inocente. Daí em diante, suspeito que será pura adrenalina, pessoal!

Adoro Cinema / Reprodução

O quebra-cabeças da história de Ingovernable não virá montado para o público, que precisará, entre um episódio e outro, descobrir que relação tem com Emilia Urquiza, os novos personagens que aparecerão ao longo da trama.

De episódio em episódio, detalhes e ‘pedaços’ de informação estarão espalhados de forma aleatória, instigando a percepção e raciocínio do público (gostou, né?! Eu também!).

Resumindo

O trailer de Ingovernable nos passa a impressão de que esta será uma daquelas histórias em que a personagem vive a intensidade de 30 anos em um dia! Ou seja: queridos maratonista de plantão, prevejo episódios terminando em suspenso, o público sem respirar e noites viradas à base de ‘depois desse eu vou dormir’.

Confira o trailer oficial de Ingobernable

Y además…

Te presentamos la primera dama Emília Urquiza 😀

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Netflix traz ao Brasil série mexicana ‘Juana Inés’

Imagem: Ciudad Ocio / Reprodução

A Netflix adicionou ao seu catálogo a série mexicana Juana Inés (muchísimas gracias, Netflix!), produzida pelo canal de tv Once e escrita por Patricia Arriaga, Monika Revilla e Javier Peñaloza.

A produção traz a história da freira, filósofa e escritora Juana Inés de Asbaje (mais conhecida como Sor Juana Inés de la Cruz), figura considerada referência do início da literatura mexicana na língua espanhola.

“Qué es más importante ¿Llenar la cabeza de la gente con conocimientos o salvar su alma?”

O contexto dessa frase é a segunda metade do século XVII. Nesta época, a Espanha tinha como reino a região chamada de Nova Espanha, que ia dos estados de Arizona, Califórnia, Colorado, Novo México e Utah, nos Estados Unidos, até a Costa Rica, na América Central.

Em meio a esse cenário, em 12 de novembro de 1648, nasceu Juana Inés, que na série é interpretada por Arantza Ruiz (em sua fase mais jovem) e por Arcelia Ramírez (na segunda fase).

Interessada pelo universo das letras desde muito cedo, Juana aprendeu a ler e escrever aos três anos. Já entre os seis e sete anos, pedia à mãe que a vestisse de menino para que pudesse frequentar a universidade.

Aos 13 esteve na corte e conquistou a confiança e admiração da Vice-Rainha e Marquesa de Mancera, Leonor Carreto.

Vale destacar que durante a época colonial do México, conhecimento e estudo eram privilégios apenas dos homens, pois as mulheres eram qualificadas como (ok, a frase que vem a seguir é incomoda até mesmo para escrever, mas vamos lá!) ‘pouco ou nada inteligentes’. E vemos a representação desse pensamento já no primeiro capítulo da série, quando Juana é informada que não é permita a entrada de mulheres na biblioteca real (proibição que, obviamente, ela conseguiu driblar. Há!).

!Se queman todos!

Labaredas da Inquisição a todo vapor e obras de pensadores como Maquiavel e Copérnico eram lançadas ao fogo (da ‘santa’ ignorância). Justo nessa época, Juana Inés, usou sua notável inteligência para enfrentar as convenções sociais e abrir um espaço favorável ao seu desenvolvimento intelectual.

No entanto, o brilhantismo e habilidade com as palavras apresentados pela jovem também despertaram a ira e inveja de muitos ao se mostrar como uma mulher a frente de seu tempo.

Num mundo de censura, Juana Inés entrou para o convento aos 17 anos, com o objetivo de seguir os estudos. Ousada, desafiou a igreja ao discordar em público de um jesuíta do Império Português, o Padre Vieira.

A série Juana Inés, além de lançar um olhar para o início da literatura mexicana em espanhol, também retrata essa fase da colonização espanhola, período marcado pela intolerância e pela tentativa de anular qualquer traço original da população nativa, como por exemplo, a língua.

Aliás, esse é um ponto interessante ao qual vale dedicar atenção: Em meio a essa convivência entre colonizadores e colonizados reproduzida pela série, é possível perceber as diferenças e peculiaridades no sotaque de espanhóis e mexicanos (¡me gusta!).

A série Juana Inés está disponível no Netflix com áudio original em espanhol e com legenda em português como opção.

Y Además:

Ve el video promocial de la serie Juana Inés

Hecho en México: A visão de um país segundo seu povo

La coctelera / Reprodução

Já vimos o país da Maria do Bairro, da Paola Bracho, do Chaves e de tantos outros personagens ser retratado bem na tela da nossa TV. No entanto, Hecho en México, dirigido por Duncan Bridgeman, nos traz um outro olhar. Ou melhor, nos traz diversidade de olhares. O documentário pinta com riqueza de nuances (e MUITAS cores!) o atual México e o que é ‘ser mexicano’.

Dividido em 8 capítulos (“¿Qué es ahora?”, “Libertad”, “Fronteras”, “¿Quién lleva los pantalones?”, “Resistencia”, “Me gusta mi medicina”, “¿Alma?” y “¿Quién soy?”), Hecho en México percorre caminhos que vão de norte a sul do país, colocando em foco as representações culturais que se mantém vivas e fortalecem a nacionalidade desse povo.

O que vemos cena após cena é uma multiplicidade de rostos que mostram um país que vai muito além de muros, violência e narcotráfico. Essas dificuldades existem sim, mas não anulam, de forma alguma, todas as peculiaridades culturais que fazem do México a nação vibrante que é (Ay, Caramba!).

A trilha sonora do documentário desfila entre gêneros como rock, norteño, cumbia e música eletrônica. Cada um dos temas apresentados entrelaça-se ao assunto em questão, cumprindo o papel de também contar a história.

Nomes como Gloria Trevi, Alejandro Fernandéz, Natalia LaFourcade, Emmanuel del Real, Los Tucanes de Tijuana e Guadalupe Esparza colocam sua voz em cena para ajudar a cantar a complexidade da identidade mexicana.

Além dos artistas conhecidos pelo grande público, a riqueza musical do país também é representada por artistas anônimos que fazem das ruas, o palco onde apresentam sua arte de cada dia.

Cena do Documentário “Hecho En México”

O culto à Virgem de Guadalupe é apresentado como sendo tão forte quanto a própria consciência do “ser mexicano”. O documentário deixa claro que se trata de uma devoção que vai muito além do ato de ajoelhar-se, juntar as mãos e tecer uma prece. É o elevar de olhos, coração e pensamento em direção aquela que protege, abençoa e ilumina.

Em tempos de tensão e incerteza, em que temas como fronteira, limite e divisão vêm tomando conta do noticiário internacional (especialmente após as eleições da Casa Branca), o documentário é uma carona para quem sabe desfrutar de um mergulho em culturas diversas. Hecho en México é, na verdade, uma ótima oportunidade para conhecer a versão deles, sobre eles mesmos.

Obs.: Hecho en México está disponível no Netflix, com áudio original em espanhol e com legenda em português como opção. Corre lá!

Y además… 

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