Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Categoria: Viagem (Página 1 de 2)

Guia Calle Hispánica: Roteiro de 5 dias na Cidade do México

Dadas as dicas iniciais sobre quanto tempo ficar e onde se hospedar, agora vamos ao roteiro recheado de dicas importantes, porque é isso que a gente quer! 😜

Primeiro Dia

A Plaza de la Constituición ou Zócalo é o centro histórico da Cidade do México. E, sem dúvidas, é um ótimo começo para o roteiro 👣.

Lembra que no post sobre onde se hospedar no DF, eu disse que o Centro era a melhor opção?! Então! Além de museus e construções históricas que estão nos arredores do Zócalo, as mais variadas manifestações culturais que acontecem por lá tornam o local uma atração e tanto. Por isso, pode-se considerar um dia inteiro só para conhecer essa região. E, se você estiver hospedado por perto, já economiza tempo e dinheiro 😉.

➡ Obs.1: Você pode até pensar que é um exagero deixar um dia inteiro, mas vai por mim, não é! rs Inclusive, se sobrar um tempinho no seu roteiro, é lá que você vai querer voltar 😜.

➡ Obs.2: É nesse centrão onde estão aquelas letrinhas lindas e coloridas, onde todo turista curte tirar foto 😎 rs. Mas, tome cuidado, porque eles colocaram esse letreiro bem em frente a uma pista movimentada. Então, é preciso disputar a vez com outros turistas e também aguardar o sinal fechar para os carros 🚦😒.

Ciudad de México / Calle Hispánica

Palácio Nacional

Palácio Nacional / Crédito: Fernanda Rosa

O Palácio Nacional é considerado o edifício mais importante do país. Além de ser o local utilizado pelo presidente para receber representantes de outros países, o espaço também conta com obras de arte e outros elementos relevantes para cultura mexicana.

➡ Obs.3: Recomendo começar, de cara, pelo Palácio Nacional por uma razão bem simples:  O lugar conta com alguns dos painéis de Don Dieguito Rivera. Um desses painéis, o principal, simplesmente resume TODA A HISTÓRIA DO MÉXICO 💚.

Painel Diego Rivera, Palácio Nacional

Então, se você já começar a viagem tendo uma visão geral sobre a formação do país, sem dúvidas vai aproveitar muito mais tudo que virá na sequência 🙂.

A visitação ao Palácio é gratuita, mas vale destacar o seguinte: Para entrar, é preciso apresentar um documento de identificação original com foto. E não adianta levar a cópia do passaporte, porque não aceitam, tá?! Eles recolhem o documento apresentado e a gente só pega de volta na saída.

Eles oferecem, ainda, a visita guiada (também 0800, do jeito que a gente gosta! ❤rs). Se você quiser dar uma propinita ao guia, aí fica ao seu critério.

➡ Obs. 4: Os guias são SEMPRE muito gentis e atenciosos. Então, eu duvido que você não dê uns pesitos 😄 rs.

➡ Obs.5: Dentro do Palácio Nacional há uma Livraria, com muitas obras sobre a história do México e também sobre personagens que foram importantes para a formação do país. Se você curte esse tipo de livro, aviso que essa livraria tem os MELHORES preços! 💙#FicaADica 😉.

Catedral Metropolitana 

Catedral Metropolitana de la Ciudad de México / Crédito: Fernanda Rosa

A Catedral Metropolitana de La Asuncíon de María, além de ser a mais importante do país, também é aquela que SEMPRE aparece nas novelas mexicanas  📺 rs.

Bastante imponente, a Catedral, construída sobre as ruínas do Templo Mayor Azteca (por ordem do espanhol Hernán Cortés) é considerada,  por sua arquitetura, Patrimônio Cultural da Humanidade, desde 1987.

Só não é permitido fotografar em horário de missa. Por isso, vale uma visita num horário alternativo, para fazer alguns registros 📸.

Museu del Templo Mayor

Neste Museu é onde podemos encontrar ruínas (parte delas a céu aberto) dos templos e palácios astecas de Tenotchitlan, a antiga capital.

A entrada custa 70 pesos.

Torre Latinoamericana

Pelo amor do que você acredita, não vá embora do México sem viver essa experiência INCRÍVEL  de ver todo DF do alto 😍.  E quando eu digo “alto” é ALTO mesmo! rs

Torre Latinoamericana / Crédito: Fernanda Rosa

A torre foi inaugurada em 30 de abril de 1956 e resistiu bravamente aos terremotos. Atualmente, é o edifício mais alto da cidade, com 44 andares.

A entrada custa 100 pesos, mas caso você queira ter acesso ao Museu Bicentenário, aí será preciso desembolsar mais 20 pesos. Eles dão uma pulseira para o mirante e outra para o Museu, e permitem que, naquele dia, você saia do prédio e retorne quantas vezes quiser.

Pulseiras de acesso ao Mirante e ao Museu Bicentenário

➡ Obs.6: Prepare-se para deixar mais alguns pesos mexicanos na lojinha que fica estrategicamente no caminho até o 44° andar da Torre 😜.

Recuerdos  😍

Palácio de Bellas Artes

Saindo da Torre Latinoamericana e atravessando a rua, já damos de cara com o Palácio de Bellas Artes (que também é uma figurinha carimbada nas cenas de telenovelas 🙂).

Palácio Belas Artes / Crédito Fernanda Rosa

Belíssimo! 💛 Não há outra palavra que possa definir com exatidão esse palácio, que é de encher os olhos. Lá é possível encontrar algumas exposições (vale conferir a programação no site oficial) e mais alguns painéis de Don Dieguito Rivera.

Mercado de Artesanías de la Ciudadela

Se você ainda tiver energia, vale dar uma caminhada até o Mercado de Artesanías de la Ciudadela. Lá é O LUGAR para comprar lembrancinhas e artesanatos BEM mexicanos 😍.

Artesanías

Segundo Dia 

Museu da Frida 

Chegar ao museu da Frida usando o metrô é bem fácil! Pegamos as coordenadas no Centro de Atendimento ao Turista, que fica no Zócalo, e partimos rumo à nossa primeira viagem de metrô mexicano.

Como era domingo, estava vazio e foi tranquilo. Descemos na estação Coyoacán e lá pegamos um taxi até a residência azul da Diva mexicana 💙. Pagamos 40 pesos pelo trajeto.

Chegando lá…

Museu Frida Kahlo, num dia de “movimento fraco”

Sim, essa fila é, de acordo com o motorista de táxi, a fila de um dia de movimento fraco 😮. Nós não precisamos encará-la porque compramos o “combo”, oferecido pelo próprio museu. Esse combo custa 150 pesos e é formado por 1 ingresso para a casa azul, 1 ingresso para o Museu Diego Rivera e o transporte (ida e volta, de Fridabus) de um museu a outro.

Fridabus

Ah! Se quiser tirar foto, é preciso pagar 30 pesos pela autorização. Eles entregam um adesivo vermelho pra gente colar em local visível da nossa vestimenta e, acreditem: cada segurança, com o seu radinho, faz um controle rigoroso, checando se quem está fotografando, tem o tal adesivo vermelho 😕.

Ingresso para os museus Frida e Diego + autorização para tirar fotos

Museu Anahuacalli (Museu Diego Rivera) 

O espaço, popularmente conhecido como Museu Diego Rivera, além de ser uma construção incrível, abriga mais de 50 mil peças pre-hispânicas, colecionadas pelo próprio Don Dieguito ao longo de sua vida.

Xochimilco 

De volta ao Museu da Frida, o ideal é aproveitar o fato de já estar em Coyoacán e ir até Xochimilco, aquele laguinho LINDO de viver, cheio de traineiras coloridas 😍.

O lugar não fica tão próximo ao museu e, como já era por volta das 15h, pegamos um táxi para ir até lá. Conseguimos fechar com o motorista o preço fixo de 600 pesos, para que ele nos levasse até Xochimilco, nos esperasse lá (o tempo que nós quiséssemos ficar) e nos trouxesse de volta até o lugar onde estávamos hospedadas, no Centro.

E esse foi, sem dúvidas, um dos lugares que mais AMEI! O custo do passeio de traineira varia de acordo com a duração do passeio. Nós pagamos 500 pesos (esse valor é dividido pelo número de passageiros a bordo) por uma hora.

Durante o trajeto, é um desfile sem fim de música, cores, comidas típicas e artesanato. Muitas famílias mexicanas pagam até mais que duas horas de passeio, levam sua própria comida, seu radinho, e passam a toda a tarde lanchando e jogando conversa fora. Resumindo: O lugar é um encanto que só! ❤

➡ Obs.7: Lá mesmo em Xochimilco tem um feirinha, onde é possível encontrar artesanatos e roupas. E já adianto que os preços lá são, em geral, mais em conta que no Mercado de Artesanía. #FicaADica 😉

Terceiro Dia 

O Sítio Arqueológico de Teotihuacán está um pouco afastado do centro, mas também é um dos lugares que não podem faltar de jeito nenhum no nosso roteiro.

Nós optamos por pagar um tour (500 pesos por pessoa) que incluía Plaza de las 3 culturas (ali no Centro mesmo), Pirâmides e Basílica.

Sim, tours compartilhados costumam ter a desvantagem de oferecer um tempo mais curto. Mas, minha amiga e eu não nos arrependemos da escolha! O Hugo, guia que acompanhou nosso grupo durante todo o dia é, sem dúvida, o mais divertido de todxs! 😄

Antes de chegar às Pirâmides, ainda fizemos uma degustação das três bebidas mais populares no México: a tequila, o mezcal e o pulque.

Degustação de tequila, mezcal e pulque

➡ Obs. 8: O dia mais indicado para ir até Teotihuacán é numa segunda feira (anota isso aí porque é importante! 😉). Isso porque às segundas, nenhum museu da cidade está aberto. Então, a programação “zona arqueológica” + “Basílica de Guadalupe” é a melhor opção!

➡ Obs. 9: Pelo amor do que você acredita, confie no que eu vou dizer: Se você for por conta própria, vá às ruínas na parte da manhã. Sério! O lugar é incrível, com uma energia MARA, mas se liga: são duzentos e tantos degraus só na Pirâmide do Sol, e ainda tem a da Lua! 😥. (E eu não vi nenhuma unidade de atendimento por lá 😶).

Então, aproveita para ir na parte da manhã, que o sol estará mais tranquilo.

➡ Obs.10: Leve apenas o indispensável na bolsa e não esqueça o protetor solar e a garrafinha de água, pois a subida é bem íngreme.

Pirâmide do Sol – Subindo!

➡ Obs.11: Ao longo de toda a zona arqueológica há vários vendedores ambulantes e eles são um pouco insistentes. Oferecem desde artesanatos mais simples, de madeira, até jóias e toalhas com bordados incríveis feitos a mão. A orientação que o guia nos passou antes de chegarmos ao local foi a seguinte: Cuidado para não comprar gato por lebre. Isso porque nem sempre é possível assegurar que a “prata” oferecida pelos vendedores é, de fato, prata. Então, fique atento você também 👀.

Basílica de Guadalupe

A Basílica não está tão pertinho da Zona Arqueológica, mas os dois lugares ficam no mesmo lado da cidade. Por isso, vale muito fazer esses dois passeios no mesmo dia.

Sou mega suspeita para falar sobre a experiência de ir à Basílica, mas, posso dizer que é, simplesmente, MÁGICO ✨😍✨.

Manto original de Nossa Senhora de Guadalupe 🙌

O lugar abre de segunda a domingo, das 6h às 21h e, acreditem: está sempre cheio.

Basílica de la Virgen de Guadalupe, minutos antes de iniciar a missa das 14h

Nós fomos duas vezes. Na primeira vez, com o tour, o guia nos explicou toda a história envolvendo la Morenita e a construção do lugar. No entanto, tivemos o horário um pouco mais justo.

Como estávamos com uma boa folga no nosso roteiro, decidimos voltar por conta própria e, dessa vez, com mais calma. Gente, ir até a Basílica de metrô é MUITO tranquilo.

➡ Obs.12: Se você também escolher ir de metrô, a dica de ouro que te dou é a seguinte: Vá no horário da tarde, pois na parte da manhã, a Basílica fica bem mais cheia 😉.

Quarto Dia 

Museo de Antropología

Já começo com uma dica esperta! No dia anterior à sua ida ao Museo de Antropología, tente ir dormir cedo e descansar bastante. Isso porque, o lugar é grande! (e grande, tipo, mais de 20 salas 😯).

Museo Nacional de Antropología

A entrada custa 70 pesos e, para visitar todas as salas, nós passamos quase quatro horas lá dentro 😲.

O Museu oferece um verdadeiro banho de história e cultura das diferentes regiões do México! E o ponto mais concorrido é a sala onde está o famoso Calendário Maia (ou a Pedra do Sol). É preciso um pouco de paciência para conseguir tirar uma foto só sua lá! rs

Calendário Maia

Bosque Chapultepec e Polanco

Bem pertinho ao Museu, também há outras opções interessantes. Se você ainda tiver energia, aí vai a lista de lugares: Castillo de Chapultepec (com uma das mais belas vistas da cidade e onde funciona o Museu Nacional de História), Museu de Arte Moderna (com excelentes peças de Frida Kahlo, Diego Rivera e outros grandes nomes mexicanos) e Museu Tamayo. (Talvez, um dia inteiro ainda seja pouco 🤔).

Quinto dia

Eis que chegamos ao quinto dia. Amigx, se você confia em mim (pode confiar!🙂), guarda essa dica na parte mais bonita do seu coração ❤. Deixe um dia inteirinho livre no seu roteiro. E vou te dar três razões para te convencer de que essa estratégia é válida:

1) A Cidade do México é uma cidade super dinâmica, onde acontecem 200 mil coisas ao mesmo tempo. Então, caso você fique sabendo de algum programa ou passeio interessante quando já estiver por lá, conseguirá encaixá-lo nesse dia;

2) Se não aparecer nada que te interesse o bastante, você poderá retornar a algum lugar, para aproveitá-lo melhor. Por exemplo, o Zócalo, que é enorme e conta com várias atrações;

3) Maaas, caso ainda não tenha te convencido, então “prestenção”: Amigx, qualquer atraso no horário do seu voo de ida, ou qualquer imprevisto que aconteça, você, ainda assim, conseguirá cumprir seu roteiro sem passar aperto no tempo 🙂.

Ufa! Tá aí nosso roteiro lindo de 5 dias na terra da Maria do Bairro. Vale reforçar que, caso você tenha uma disponibilidade maior de tempo e de grana, super vale ficar mais alguns dias. Conforme disse antes, a cidade conta com muitíssimas atrações e, tenho certeza, de que não vai faltar atividade 🙂.

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

Cidade do México: Quanto tempo ficar e qual a melhor região para se hospedar

Assim que comecei a planejar a viagem ao México, li muitos sites e blogs, em busca de informações que me ajudassem a montar meu roteiro dos sonhos ❤. Encontrei muito conteúdo bom e, ahora me toca a mí compartir con ustedes meu roteiro, além de algumas dicas e opiniões sobre o DF 🙂.

Quanto tempo ficar? 

Gente, a Cidade do México está entre as maiores do mundo. Além de GIGANTE, ela conta conta con un chorro de lugares que valem DEMAIS a visita.

Então, com toda segurança, eu diria que o ideal é ter, pelo menos cinco dias (sem contar os dias de chegada e partida) para que se possa desfrutar a cidade como se deve. Menos que isso, você precisará fazer escolhas de partir o coração, amigx 💔 (Pode confiar!).

Onde ficar? 

Minha amiga e eu nos hospedamos no Centro e isso foi, simplesmente, A MELHOR decisão. Cheguei a ler em alguns blogs que, talvez, essa região não seria a melhor para se hospedar, devido aos perigos que, normalmente, todo centro de uma grande cidade oferece. No entanto, particularmente, não tive qualquer tipo de problema e, ao contrário, só vi vantagens 🙂.

Claro que devemos sempre tomar os cuidados básicos, especialmente com relação a bolsas, carteiras e eletrônicos. Mas, vale destacar que a região me pareceu sim muito segura. Os turistas circulam à vontade por lá, com suas câmeras, tablets e celulares e há um forte esquema de policiamento.

Por isso, a dica que dou é a seguinte: Na hora de escolher, dê preferência sim ao centro e dê mais preferência ainda se você for ficar a 5 minutos do Zócalo (que eu chamaria de centro do Centro rsrsrs). Lá é onde está o fervo da cidade e você estará bem próximo a pontos turísticos, museus, linhas de ônibus e, melhor ainda, pertinho do metrô mexicano, que é meu sonho de princesa! 👑 rs (depois explico melhor rs).

Para que vocês tenham um ideia, nós não gastamos um centavo em transporte para passear pelo centro histórico. Estávamos a tan solo 5 minutos do Zócalo ❤. Ou seja, economizamos dinheiro e também tempo, já que o trânsito no DF é bem estilo São Paulo.

Então, para este post, ficam essas duas dicas para quem planeja visitar a Cidade do México:

✔ Pelo menos 5 dias (sem contar os dias do desembarque e embarque);

✔ Hospedagem no Centro 🙂.

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

México após 3 terremotos: Por que não adiei a viagem?

Minha viagem ao México já era algo definido, desde que o espanhol entrou na minha vida. Comecei a planejá-la um ano antes, com todo carinho, cuidado e empenho ❤.

Quem acompanha as postagens aqui na Calle, sabe o quanto eu sou APAIXONADA por esse país e por essa cultura.

Em setembro deste ano, minha amiga (que também AMA o México) e eu já tínhamos praticamente tudo planejado e pronto.

Estava correndo tudo bem até que… 😢

Pois é… TRÊS terremotos no país e dentro de um curtíssimo espaço de tempo. Sim, após o segundo e mais forte tremor, que aconteceu no dia 19/09, nós cogitamos adiar a viagem para 2018. Além da nossa tristeza pelo povo mexicano, também estávamos preocupadas com a situação do país.

E por que não adiei?

Tanto minha amiga Ana quanto eu sonhávamos com essa viagem já há algum tempo e nos planejamos da melhor forma possível para irmos a todos os lugares que queríamos conhecer.

Pensamos muito até decidirmos que, como ainda estávamos a um mês da data do embarque, o melhor seria aguardar e acompanhar a situação.

Gente, todos os dias pela manhã, a PRIMEIRA coisa que fazia antes de tudo era jogar a palavra “México” no Google para ver quais eram as últimas notícias. E, numa dessas, soube que mais um terremoto havia acontecido 😭.

Minha amiga e eu nos mantivemos firmes na decisão de aguardar um pouco mais, já que embarcaríamos só no dia 13. E assim fizemos. Aguardamos, observamos e fomos driblando nossa preocupação e ansiedade.

Já em outubro, graças ao bom Deus, a situação estava mais calma e as coisas pareciam caminhar bem outra vez. O México estava de pé e a viagem também!

Foram 15 dias muito bem aproveitados na terra da Maria do Bairro. Sim, vimos alguns rastros dos tremores (especialmente para os lados de Coyoacán) e precisamos fazer algumas adaptações ao nosso roteiro. Alguns prédios desalojados devido ao risco de desabamento, lojas que, de hecho, vieram abaixo e algumas rachaduras e desnivelamentos no solo.

O passeio pelos bairros Roma e Condesa foram suspensos, seguindo a orientação do Clemente, um taxista muchísima buena onda, que nos levou a Xochimilco. De acordo com o Clemente, aquela região havia sido a mais atingida pelo terremoto do dia 19/09 e o clima por lá era de bastante tristeza.

Mas a região do Zócalo, que fica bem no centrão do DF, estava em perfeito estado. O transporte público (que, sem dúvidas, terá um post a parte aqui!), os museus, pontos turísticos, shoppings, tudo em pleno funcionamento 🙂.

Então, meus amigxs, se vocês também estão planejando conhecer esse país hermoso, cola aqui com a Calle porque nas próximas postagens, vou contar tudinho dessa viagem linda e cheia de cores pra vocês 😉.

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

Vacaciones: Calle no México!

Oi, gente! 🙂

Até o mês de novembro, vamos dar uma pequena pausa nas postagens aqui no blog, por um motivo justo, justíssimo. ¡Estoy de vacaciones! 😍🎉.

Mas, “prestenção”, gente: O blog vai dar uma parada, mas a Calle estará mais hispânica que nunca e, literalmente, por las calles. Isso mesmo! Passarei as férias no meu amadíssimo México (❤) e pretendo trazer un chorro de conteúdo 😃.

Durante essa pausa aqui no blog, convido vocês a virem comigo, pelo Instagram da Calleen ese viaje! 🛫🌎👣📸

E em novembro, voltamos com a nossa programação normal! 😜 rs

E então? Bora conhecer a terra da Maria do Bairro? 😉

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

Uruguai: 5 dias de muita “parrilla”, democracia e direitos sociais – Parte I

Para quem, assim como a jornalista Sílvia Amâncio, tem como meta conhecer a nossa linda América Latina (🛫🌎), os posts de hoje trazem un chorro de dicas sobre o Uruguai (🇺🇾).

A Sílvia esteve lá em agosto e passou por Montevidéu e Punta del Este. Então, se acomode aí e vem conferir esse relato 🙂.

“A ideia continua a mesma: conhecer todos os países da América Latina. E, desta vez, fomos rumo à República Oriental do Uruguai, com um pouco mais de três milhões de habitantes, dos quais quase dois milhões vivem na capital, Montevidéu, que no início do século passado era considerada a “Suíça da América do Sul”. Fomos na última semana de agosto e ainda pegamos o finalzinho do inverno, dias de chuvas, fortes ventos e com temperatura na casa dos 12° graus. Um charme só.

Nos hospedamos bem no Centro de Montevidéu, esquina com a principal avenida da cidade, a 18 de Julio, onde logo na esquina podemos ver a Fuente de Los Candados, com seus milhares de cadeados celebrando o amor eterno.

Fonte dos Cadeados / Crédito: Sílvia Amâncio

Seguindo a avenida, de um lado a outro, prédios históricos da época da colonização espanhola e com influências francesas. Um detalhe nos chama atenção, prédios com placas “Mides”, trata-se de um programa do “Ministerio de Desarrollo Social”, que são casas de acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica, abertas 24h por dia. No Uruguai, saúde e educação são para todas e todos. É um semi-socialismo, em um país que teve 12 anos de ditadura militar e apagou esse passado opressor com democracia e avanços nos direitos sociais.

Ao final do caminho, a Plaza Independência, com o Palácio Salvo, que já foi o mais alto da capital e é aberto para visitação. Nessa região também encontramos o Museu dos Presidentes e o atual prédio da Presidência da República, ocupada hoje por Tabaré Vasquez e Lucía Topolansky (companheira do ex-presidente Pepe Mujica). Mais à frente, dividindo a região central, a única estrutura em pé da antiga muralha que cercava a cidade no período colonial, entramos no bairro de Ciudad Vieja.

Plaza de la Independencia / Crédito: Sílvia Amâncio

Em Ciudad Vieja, a parte mais antiga de Montevidéu, não podemos deixar de conferir o Teatro Solís (Montevidéu tem vários teatros), inaugurado em 1856, o Museu da História da Arte e o Museu Andes 1972, um dos lugares mais interessantes e emocionantes para conhecer, que conta a história da trágica queda de um avião da Força Aérea Uruguaia em 1972 nas Cordilheiras dos Andes, com o time de rugby uruguaio, seus amigos e parentes. Ali na Ciudad Vieja comemos bem demais, com as dezenas de restaurantes que servem o churrasco Uruguai no Mercado del Puerto. Entramos lindas e cheirosas e saímos roliças e defumadas. Quem não gosta de carne vermelha, escolha o “arroz com mariscos”. Ai que saudade!

Teatro Solís

Vale a pena comprar um tour pela cidade (indico a LB Tour), para conhecer as obras de arte, muitas delas homenageando o homem do campo e o gaúcho uruguaio e também o Estádio Centenário (para quem ama futebol e conhece a seleção Celeste) e o Mercado Agrícola, com uma estrutura ótima para passeios e compras.

Para degustar as delícias uruguaias recomendo a empanada capresse do restaurante Del Navio, o chivito (sanduíche de carne) da lanchonete La Pasiva, o suco de frutilla (morango) e a cerveja Patrícia, leve e saborosa, que encontramos em qualquer lugar, garrafas de 1 litro ou 300ml, a Patrícia versão “chica”.

Chivito, Empanada y la Cerveza Patrícia

A capital uruguaia é cercada pelas margens do Rio da Prata, que mais parece um mar e as avenidas costaneiras são conhecidas como Ramblas (20km no total), onde podemos caminhar, tirar fotos no letreiro “Montevideo” e apreciar o pôr-do-sol. O melhor ponto desta longa avenida, é a Rambla Gandhi, que fica perto do Shopping Punta Carretas (antiga prisão de Punta Carretas em que Pepe Mujca ficou preso por 14 anos), um ótimo centro de compras. A dica é comprar no cartão de crédito no Uruguai com isenção de taxas. Por lá não tem nada barato, o que vale a pena mesmo é utilizar aqueles cartões de débito comprados no Brasil e ter isenção de valores.

Rambla República do Chile

Da capital uruguaia, em uma viagem de cerca de 1h30, fomos para o refúgio de verão dos ricos, a cidade de Punta Del Este, com seus casinos suntuosos e casas hollyoodianas de veraneio”.

Punta del Este

*Por Sílvia Amâncio

➡ Confira a segunda parte do relato da Sílvia, em Punta del Este 😉.

Uruguai: 5 dias de muita “parrilla”, democracia e direitos sociais – Parte II

Punta del Este

Em Punta del Este, provamos o pescado mais conhecido da região, o filé de “Brotola”, com a bebida tradicional do Uruguai, o Medio y Medio, uma mistura de vinho branco e espumante servido bem gelado. A dica é almoçar no restaurante Napoléon, que também não é barato, mas é aconchegante, com um atendimento maravilhoso. Esse atendimento teremos em todos os lugares no Uruguai.

Ainda em Punta, é obrigatório a visita ao monumento Los Dedos, na Praia Brava, obra do artista Mario Irarrázabal.

Los Dedos, em Punta del Este

De Punta, fomos para a cidade balneário de Piriápoli, conhecer a Casa Pueblo, a antiga casa de verão do artista plástico e arquiteto uruguaio Carlos Páez Vilaró, inspirada pelas construções da ilha de Santorini na Grécia. Um luxo só, banhado pelo Rio da Prata. Nessa cidade, fazemos uma parada estratégica para ver o encontro das águas do Rio da Prata com as do Oceano Atlântico, um espetáculo sob os olhos de curiosos turistas e os das estátuas de Iemanjá, a rainha dos mares.

Casa Pueblo

No Uruguai, a influência da cultura africana é lembrada pelas obras de arte na orla das ramblas e pelo candombe, uma dança com atabaques e mistura de ritmos africanos muito cultuada no Carnaval de lá.

Nesses cinco dias descobrimos que o Uruguai já foi colônia da Espanha, da Argentina e do Brasil. Que é o país mais laico da América Latina, com 38% da população de ateus. Ele tem também uma considerável população de judeus e armênios. O Uruguai é considerado o país latino mais transparente em relação aos gastos públicos. A atual política é de esquerda, com o a gestão do Partido Socialista. A comercialização da maconha foi legalizada para os uruguaios (e a procura é grande). O cidadão que se aposenta ganha um tablet e aulas gratuitas, parte de um programa de inclusão digital. Um verdadeiro estado de bem-estar social…

Como dica de regalos, o chocolate Mecano (com recheio de doce de leite), o alfajor Bocado (com recheio de doce leite e cobertura de chocolate amargo) e vinhos Tanat (branco, tinto e rosé), dos supermercados Ta-ta, espalhados por toda a capital.

Quem estiver em Montevidéu pode aproveitar para conhecer a cidade de Colonia del Sacramento (não fomos desta vez, pois já conhecíamos), as bodegas de vinhos (vinícolas) nos arredores da capital e as termas (águas quentes) nas cidades de Salto e Paysandú, que ficou para nossa próxima visita aos nossos hermanos uruguaios”.

*Por Sílvia Amâncio

Também já foi a algum país hispânico? Então compartilha com a gente essa experiência, enviando uma foto com seu depoimento para callehispanica@gmail.com 📧

Ah! Não se esqueça de informar seu nome, o crédito da imagem e onde ela foi feita 📸.

➡ Confira também: América Latina: 5 dias no Chile, com Sílvia Amâncio

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

América do Sul: 15 dias no Peru, com Ana Paula Brum – Parte I

Pesquisando informações e dicas para fechar seu roteiro de viagem ao Peru? 🛫🌎

Então, pegue uma caneta e um caderninho de anotações (📝), acomode-se bem aí no seu lugarzinho e confira as dicas (várias! 💛) da jornalista Ana Paula Brum, que esteve no Peru, e também na Bolívia, em abril deste ano.

Como a Ana fez um relato recheado de informações importantes (por exemplo, sobre o clima, o transporte, a altitude e os pontos turísticos), dividi o post em duas partes.

Dito isso, bora começar esse passeio! 😎 👣

Há quase 15 anos, quando estudei espanhol com o professor Richard Hermoza, na extinta Casa Latina, em Belo Horizonte, já despontou minha primeira vontade de conhecer o Peru. Richard nasceu em Arequipa e tinha muito orgulho de contar as lendas da região. Ficava encantada com aquelas histórias lindas, repletas de misticismo e de uma magia que nunca havia escutado antes. Mas foi só neste ano que a vontade se concretizou. Antes de definirmos o roteiro, o Rodrigo, meu marido, e eu pesquisamos bastante sobre as belezas naturais e sobre a culinária local, itens tão destacados pelos turistas que já visitaram o país. Chegando lá, o que mais nos impressionou não foram esses pontos e sim a simplicidade e a gentileza dos peruanos. Que povo mais fofo e mais feliz! A vontade que tinha era sair abraçando todo mundo e guardar todos em uma caixinha!

Ao todo, ficamos 15 dias no país. Chegamos por Lima e lá ficamos quatro dias. De cara já levamos um susto com o trânsito caótico da capital do país. Nunca ouvi tanta buzina em toda minha vida! Parece que é regra dirigir e buzinar ao mesmo tempo, mesmo sem motivo. Ficamos no bairro de Miraflores, um dos mais turísticos, com parques maravilhosos ao longo da costa do oceano Pacífico: o Malecón de Miraflores.

Malecón de Miraflores, em Lima / Imagem: Rodrigo Silva

O Malecón fica na parte de cima da costa, no topo das falésias do bairro, e dá para ir caminhando de uma ponta a outra. São mais de dez parques, um ao lado do outro, e cada um tem um atrativo diferente: Farol da Marina, área de paragliding, Parque del Amor (com a famosa escultura do beijo, de Victor Delfín). Em um dos extremos do Malecón, quase na divisa do bairro Miraflores com o Barranco, está o Shopping Larcomar. Há restaurantes muito bons e o pôr do sol de lá é lindo. Se o dia não estiver nublado, coisa rara em Lima, vale a pena chegar cedo em um dos restaurantes do shopping e acompanhar o sol se pondo no meio do oceano Pacífico. Por ser uma cidade com clima desértico, as chuvas em Lima são bem raras, apesar de o tempo estar sempre nublado. Uma dica é usar muito protetor, pois mesmo coberto por nuvens, o sol queima bastante!

Como meu marido e eu preferimos os passeios a céu aberto, do Malecón seguimos para um outro parque, dessa vez no bairro San Isidro, bem próximo a Miraflores. A principal atração de lá é o Bosque El Olivar, com várias oliveiras bem antigas e casarões ao redor. Um charme! 

Ana e Rodrigo, no Bosque del Olivar, em Lima / Imagem: Rodrigo Silva

Mas de todos os bairros, o mais bacana é o Barranco. É um bairro boêmio, com muitas cores (grafites nas paredes, casinhas coloridas) e muito alegre. Vale a pena ir à tarde, ainda durante o dia, para ver todas essas cores, e ficar até a noite em algum barzinho ou restaurante. A iluminação da noite também é bem bacana.

Para conhecer a parte mais histórica da cidade, um passeio pelo Centro é fundamental.

Centro Histórico / Imagem: Rodrigo Silva

As principais atrações são a Plaza de Armas, a Catedral, os palácios e os conventos que ficam nas redondezas. Estando pelo centro, vale dar um pulinho no Museu Larco, que conta a história dos povos peruanos antes mesmo dos Incas. Em praticamente todos os guias e blogs que eu li, esse museu é citado como muito importante, principalmente para conhecer antes de visitar os sítios arqueológicos do país e entender melhor como eram as civilizações antigas.

Outro ponto turístico mais ou menos próximo do centro histórico é o Circuito Mágico del Agua, que fica no Parque de la Reserva. O espaço possui várias fontes de água, em formatos diferentes, e as pessoas (principalmente as crianças e adultos como o Rodrigo) super se divertiam passando embaixo das fontes ou tentando se esquivar de jatos de água que saem do chão. Eu não me arrisquei, mas pelo tanto que as pessoas riam, parecia ser bem divertido. À noite há um show holográfico em uma dessas fontes. Achei essa parte bem baranga, mas como a gente já estava lá, ficamos para ver.

Circuito das Águas / Imagem: Rodrigo Silva

*Ana Paula Brum

Clique aqui e continue esse passeio com a gente! 👣

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

América do Sul: 15 dias no Peru com Ana Paula Brum – Parte II

Conforme combinado no post anterior, vamos seguir o passeio pelo Peru, com a jornalista Ana Paula Brum 😉.

[SPOILER: Se liga porque é nessa parte que ela fala sobre Machu Picchu 😍]

“De Lima, seguimos para Arequipa, a chamada “Cidade Branca”, pelas casas construídas em silla, um tipo de pedra branca vulcânica porosa.

Biblioteca Mario Vargas Llosa, em Arequipa / Imagem: Rodrigo Silva

A cidade é linda e preserva muito bem os casarões da época colonial. Era maravilhoso entrar em prédios públicos, como bancos e bibliotecas, e ver a arquitetura do período da colonização espanhola tão imponente e bem preservada. De vários pontos da cidade era possível ver os vulcões (El Misti, Chachani e Picchu Picchu), com seus topos cobertos por neve.

Vulcão Misti, em Arequipa / Imagem: Rodrigo Silva

Mas é do alto dos prédios ao redor da Plaza de Armas que se tem a vista mais bonita da cidade, com a Catedral de Arequipa à frente e os vulcões ao fundo. Ah, vale também lembrar que a Plaza de Armas de Arequipa é considerada uma das mais bonitas do Peru! Como gostamos muito de caminhar pelas cidades, da Plaza de Armas fomos até o bairro de Yanahuara, localizado na parte alta da cidade. Fica um pouco distante, então quem não gosta muito de andar, sugiro pegar um taxi. Os taxis no Peru são bem baratos e ainda é possível barganhar um preço menor. Desse bairro, tem-se uma bela vista de Arequipa e, ao fundo, dos três vulcões. O mirante fica em frente a uma praça bem bonitinha também e, ao lado, fica a Igreja de San Juan de Yanahuara. Para complementar a vista, que já é linda, há um conjunto de arcos em que foram gravadas palavras de arequipenhos famosos.

Ana Paula em Arequipa / Imagem: Rodrigo Silva

Outro ponto turístico importante de Arequipa é o Mosteiro de Santa Catalina. Ele foi fundado em 1579 e, até 1970, não era aberto ao público. As freiras da região viviam em um sistema de clausura. Somente depois da visita do Papa, parte das dependências foram abertas à visitação. As cores do Mosteiro são uma atração à parte e, à medida que o sol muda de posição, o jogo entre sombra e luz torna o lugar mais especial. É em Arequipa também que fica a Juanita, uma múmia de uma menina do fim do século XV que foi sacrificada em um ritual aos deuses. A múmia é tida como a mais bem conservada entre todas encontradas em antigos territórios incas.

De Arequipa fomos para Cusco. O primeiro dia na cidade é mais para ambientar com a altitude. Então, nada de passeios longos e caminhadas exageradas. Por mais que tenhamos passado antes por Arequipa, cidade intermediária em termos de altitude entre Lima e Cusco, é bom não forçar e ir se adaptando aos poucos. Chá de coca e balas ajudam bastante! As principais atrações de Cusco ficam no centro histórico mesmo, nos arredores da Plaza de Armas.

Praça das Armas, em Cusco / Imagem: Rodrigo Silva

Além da Catedral, tem também o Convento Santo Domingo (Qoricancha) e o Mercado Central de San Pedro. Um bairro um pouquinho mais distante da Plaza de Armas, mas que dá para ir andando de boa, é o San Blas, que tem uma igreja com o mesmo nome. As ruas são muito bonitinhas (mais estreitas) e como o bairro fica em uma parte íngreme da cidade(tem que subir ladeira mesmo) a vista é bem bacana.

No dia seguinte, fizemos o passeio pelo Vale Sagrado dos Incas, que é o que tem de mais legal nos arredores de Cusco. Super recomendo fazer esse passeio, mas antes de conhecer Machu Picchu. Conheci pessoas que foram antes a Machu Picchu e não viram tanta graça no Vale Sagrado. O roteiro que fizemos foi de um dia, saindo de Cusco cedo e voltando no começo da noite.

Vale Sagrado dos Incas / Imagem: Rodrigo Silva

Passamos por Moray, Chinchero, Salinas de Maras, Ollantaytambo e Pisaq. Compramos o passeio em Cusco mesmo, em uma das muitas agências de turismo ao redor da Plaza de Armas. Foi também nessa mesma agência que compramos o passeio para Machu Picchu, o tão esperado de toda a viagem.

Machu Picchu merece um post à parte, mas para não me alongar muito vou resumir em uma palavra: sensacional!

Machu Picchu / Imagem: Rodrigo Silva

Sabe tudo aquilo que você já leu sobre o Pueblo? Pois então, é tudo isso e muito mais. Nossa chegada a Machu Picchu não foi tão aventureira como os que fazem as trilhas e dormem em barracas durante dias e não tão confortável como os que vão de trem. Nós pegamos uma van em Custo e seguimos até a hidrelétrica. Só o caminho feito pela van já era uma aventura a parte, pois ao lado da estrada de terra, cheia de curvas, havia um precipício bem alto! Depois que chegamos à hidrelétrica, seguimos caminhando pelos trilhos do trem até Aguas Calientes. Essa parte foi relativamente tranquila, apesar de ser um chãozinho bom até a cidade: 11 km. Para quem vai fazer esse caminho, recomendo levar uma mochila bem leve, somente com uma peça de roupa para dormir e outra para usar no dia seguinte. Há tendas vendendo água pelo caminho, então evite levar peso extra, de verdade! Dormimos em Aguas Calientese, no dia seguinte, seguimos cedo até Machu Picchu.

Muitas pessoas relatam que a energia do lugar é incrível e, sinceramente, eu não acreditava que era tudo isso. Mas depois de chegar lá, foi difícil segurar a emoção. Em vários momentos meus olhos se encheram de lágrimas e teve uma hora que a mistura de sentimentos como alegria, cansaço e realização tomaram conta de mim e chorei muito. Naquele momento, só queria agradecer pela oportunidade de estar ali, realizando um sonho. E a magia daquele lugar, cercado por montanhas e uma paisagem sem igual, fizeram daquele momento ainda mais especial. Os incas foram povos muito ligados à natureza e, durante o tempo em que estivemos no Peru, a imersão que fizemos em sua cultura nos permitiu sermos pessoas mais gratas às coisas simples da vida, como ao sol, à lua, à mãe terra e a tantos outros elementos essenciais à nossa sobrevivência.

De volta à Cusco, seguimos viagem para o Lago Titicaca, o maior lago em volume da América do Sul e o mais alto lago navegável do mundo, a 3.800 metros de altitude. Seguimos as dicas de alguns amigos e fomos para o lado boliviano do lago, que muitos dizem ser ainda mais bonito. A cidade escolhida foi Copacabana, na Bolívia, que tem esse nome por causa da Basílica de Copacabana, uma das igrejas mais importantes do país. Foi por causa da Virgem de Copacabana que o bairro no Rio de Janeiro tem esse nome. A cidade em si não tem muitos atrativos, mas o pôr do sol no lago já valeu todo o passeio.

É de Copacabana que seguem os passeios para a Isla del Sol e Isla de la Luna. A Isla del Sol é a maior ilha do Titicaca e com altitude ainda maior que a do lago, chegando a 4.100 metros no ponto mais alto. Haja fôlego e preparo físico para percorrer as trilhas pelos sítios arqueológicos da ilha. Ela se divide entre a parte sul e a parte norte, mas infelizmente quando fomos a parte norte não estava aberta para visitação. Houve uma briga entre os povoados e, como sansão, a parte norte foi bloqueada para turistas. Mesmo assim o passeio valeu muito! As paisagens são deslumbrantes e a sensação é que o lugar parou no tempo. A conexão com a natureza fala mais alto e você não pensa em celular, televisão ou qualquer outra tecnologia.

Isla del Sol, na Bolívia / Imagem: Rodrigo Silva

Uma dica que damos para quem quer fazer esse passeio é voltar por La Paz, que fica bem pertinho de Copacabana. Como nosso voo de volta para o Brasil era por Lima, fizemos todo o caminho de volta. O que não foi de todo mal, pois conseguimos visitar lugares que ficaram para trás na primeira parte da viagem. Ah, e uma última dica: viajar de ônibus pelo Peru é super barato e os ônibus são bem confortáveis. Para quem quer economizar, nós super recomendamos!

Daria para falar muito mais sobre o Peru, como sobre a gastronomia (pratos deliciosos como Lomo Saltado e carne de Alpaca com arroz e quinoa), arquitetura, artesanato, mas o que era para ser um simples relato já virou praticamente um diário de bordo. Então paro por aqui. A viagem foi incrível e conhecer um pouco da cultura desse povo tão simples e ao mesmo tempo tão rico foi uma experiência sem igual.

Rodrigo e Ana em Machu Picchu / Imagem: Rodrigo Silva

*Por Ana Paula Brum

Curtiram o passeio? 😃👣

#Dica: Quem quiser conferir mais imagens dessa viagem MARA da Ana e do Rodrigo, é só seguir o perfil Terapia Fotográfica R, no Instagram 😉.

Também já foi a algum país hispânico? Então compartilha com a gente essa experiência, enviando uma foto com seu depoimento para fernanda05rs@gmail.com 📸

Ah! Não se esqueça de informar seu nome, o crédito da imagem e onde ela foi feita.

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

Bolívia: Um raio-x cultural feito por uma boliviana

A Bolívia está coladinha ao Brasil, mas busca aí, pelas suas gavetas do conhecimento, o quanto você sabe sobre esse nosso vizinho? 🌎🤔

Dando um pulinho ali no Google, é possível encontrar algumas informações básicas sobre o país, como capital federal (La Paz), moeda (boliviano), localização geográfica (região centro-oeste da América do Sul) e por aí vai! Mas, vamos combinar?! É claro que a gente quer mais, né?! 🙂

Por isso, hoje a Calle Hispánica convidou para um bate-papo alguém que vai nos contar mais sobre a cultura desse país. E essa é a Fabiola Wanderley. Filha de pai brasileiro e de mãe coreana, a Fabiola nasceu na Bolívia e morou lá durante 15 anos. Em 2008, mudou-se definitivamente para Brasil, mas nunca perdeu a conexão com seu país e nem com o espanhol.

Fabiola Wanderley

A Fabiola é formada em Secretariado Executivo Trilíngue, licenciada em Letras (Português-Espanhol), Pós-graduada em Tradução e em Interpretação de Conferências e Guia de Turismo Sul-Americana. (Fabíola, você é um arraso! 😎 #SóAcho 😉)

E para sacramentar essa história de amor com o Espanhol, em 2013, ela abriu o FKW – Centro Cultural de idiomas, espaço que oferece, além do ensino de espanhol e inglês, atividades e intercâmbios culturais.

Confira nosso bate papo!

Para começarmos derrubando alguns mitos, conta pra gente o que a Bolívia NÃO é? 

A Bolívia não é só o país da droga como muitos pensam. A Bolívia tem infinidade uma de lugares incríveis e únicos no mundo para serem visitados como o Salar de Uyuni. Eu, também como Guia de Turismo Sul-Americana, levo turistas todos os anos para esse majestoso Deserto de Sal. Vamos?

(Queremos! SIM ou COM CERTEZA?!😍)

E como você definiria o povo boliviano?  

O povo boliviano é pluricultural, orgulhoso por ser quem é e carrega bem dentro dele as raízes dos seus antepassados. E quando o boliviano é amigo de verdade, ele tira a roupa do corpo para te dar. Muitos dos meus grandes amigos são bolivianos.

Fazendo um raio-x da cultura boliviana, destaca pra gente:

Quando falamos de cultura, falamos sobre pessoas, lugares, gastronomia. Então, vamos por partes:

  • uma comida típica: A comida boliviana é diversificada e os pratos típicos são bem diferentes de acordo com cada região. Os mais conhecidos em La Paz (onde morei metade da minha vida) são: sajta, chairo, pique a lo macho, plato paceño y el chicharrón de cerdo;

Chicharrón de cerdo – Zona Latina / Reprodução

  • uma bebida popular: Chicha morada;

Recetas de comida Boliviana / Reprodução

  • uma música representativa do país: Mais do que uma música, Los Karkas é uma banda de folclore andino, talvez a mais representativa do país, a qual não pode faltar no Carnaval de Oruro, declarado como Patrimonio Intangible de la Humanidad;

  • uma dança típica: Los Caporales;

  • um livro ou escritor: A escritora e poetisa Adela Zamudio, pioneira do feminismo na Bolívia;

Adela Zamudio – Wikipedia / Reprodução

  • Um filme: El día que murió el silencio;

Programa Ibermedia / Reprodução

  • Lugares: Ruínas do Império Pré-Incaico, como Tiwanaku; os nevados, tais como: Illimani, Chacaltaya, Huayna Potosí, Mururata… que enfeitam toda a Cordilheira dos Andes; o Lago Titicaca, que é o lago navegável mais alto do mundo; a cidade de La Paz, que é uma cidade cosmopolita, cheia de misticismo e encanto;

Chacaltaya / Lugares Fantásticos – Reprodução

Os bolivianos são pluriculturais, como já comentei por aqui. Existem os tiwanacotas, aymaras, quechuas… E são tantas coisas a serem contadas, que prefiro convidar vocês para participarem do próximo Tour Andino, idealizado por mim, que será em julho de 2019. Dessa forma, poderão ter uma noção bem clara e ampla desse raio-x boliviano 🙂.

Qual expressão do espanhol você diria que é tipicamente boliviana? 

O paceño (gentílico de quem é de La Paz) costuma dizer sempre um “yaaaa” bem prolongado. Seria como dizer o “ialá” daqui. ¡Creo yo!

Mas uma expressão usada pelos paceños pode ser o “nica”, que significa ni cagando, maneira vulgar para dizer “de jeito nenhum”.

E “chupar”? Quando alguém diz: ¿Chuparemos esta noche? significa “Vamos beber hoje à noite?”. Então não se assuste se algum boliviano te perguntar: ¿Te gusta chupar?  Ele ou ela só quer saber se você gosta de beber todas? ahahaha (😂)

E qual particularidade na pronúncia do espanhol falado nesse país você destacaria? 

Os alteños, pessoal que mora en El Alto (cidade em cima de La Paz), falam um pouco diferente e errado em relação ao que conhecemos da língua culta. Posso fazer um vídeo de alguém falando desta forma e enviar para você depois da minha viagem que será em julho do presente.

(Queremos, Fabíola!😍)

Qual lugar (ou lugares), na sua opinião, os brasileiros que vão à Bolívia não podem deixar de visitar? 

Com toda a certeza do mundo, o Deserto de Sal, em Uyuni, o lugar mais lindo que já pisei na Terra!

Há algum elemento ou hábito da cultura boliviana que você mantenha até hoje? 

Sí, chupar (ajajaja 😂). Por mais que muitos não acreditem, “beber” é um hábito do boliviano. Bolívia é conhecida como o país da droga, mas são muito poucos os bolivianos que consomem droga, o boliviano gosta mesmo é de beber!

Morando longe da Bolívia, do que você mais sente falta? 

Do friozinho, amo o frio! Me sinto melhor, mais disposta quando faz frio.

Sabemos que os índios fazem parte da história da Bolívia, assim como acontece aqui no Brasil. Como você enxerga essa cultura atualmente? Na sua opinião, a cultura indígena na Bolívia tem o merecido reconhecimento e valorização? 

Sim. Como disse anteriormente, o boliviano ainda mantém bem enraizado os costumes e tradições de seus ancestrais. Eu aprendi a falar um pouco de ayamara (língua indígena) nos meus 15 anos de La Paz, e até hoje, aonde vou e falo em aymara com os aymaras. Eles gostam muito, até me entendem melhor, pois estou me aproximando mais da realidade deles. Alguns até morrem de rir 😆.

Os bolivianos também são apaixonados por telenovelas, como nós brasileiros? Você conhece alguma que tenha feito sucesso para nos indicar? 

Sim, mais do que tudo as donas de casa. E como sabemos, as melhores novelas do mundo são as brasileiras. Quase todas são dubladas em espanhol e rodam por todos os países hispanofalantes.

Como yo no soy muy novelera, no estoy segura en decirte cuál fue la novela más vista en Bolivia, pero creo que fue la novela brasileña El Clon. De novelas bolivianas yo no sé nada (😄).

Curtiu o passeio de hoje pela cultura boliviana? 👣🙂 Bom, depois desse bate-papo, a gente fica até com gostinho de quero mais! Sim, pessoal, nossa América Latina é incrível e, sim, nós amamos DEMAIS tudo isso! ❤

Gostou da Calle Hispánica? Então, curta a Fan Page no Facebook e não perca nenhuma postagem! 😉

América Latina: 5 dias no Chile, com Sílvia Amâncio

Planejando viajar para o Chile, mas ainda não fechou o roteiro? Então, anote aí as dicas da jornalista Sílvia Amâncio, que esteve por lá em novembro de 2016 🛫🌎

“Vale a pena passar 5 dias no Chile? Vale muito. Com um bom roteiro, disposição para andar e uma boa companhia sempre vale a pena. Em novembro do ano passado, eu e uma amiga embarcamos para Santiago. Nossa ideia é conhecer toda a América Latina e o Chile nos encantou desde a primeira pesquisa.

Cheguei de madrugada em Santiago do Chile, após um voo tranquilo, exceto a parte que sobrevoamos as Cordilheiras do Andes, devido à turbulência, meu ateísmo agnóstico me deixou na mão…

Me hospedei no bairro residencial de Providência e, de imediato, tive uma aula de cidadania. Os funcionários públicos do Chile estavam em greve (paro). Do lixeiro ao médico, do carteiro ao professor, todos nas ruas unidos em prol do coletivo. Nunca pensei que sairia do Brasil para acompanhar uma manifestação em outro país. Mas valeu cada momento, cada cartaz traduzido naquele portunhol safado…

No primeiro dia fomos ao Centro de Santiago, na Plaza de Armas, local da fundação da cidade por espanhóis que vieram do Peru (marco zero), com  muitos artistas de rua, artesanato, haitianos (eles estão por toda América Latina) e os ‘Carabineros de Chile’, os guardas municipais que chamam atenção por sempre andarem com seus escudeiros, cachorros resgatados das ruas, que fazem a festa de crianças e turistas. Não tem como passar por um ‘perro carabinero’ e não se encantar. Os chilenos amam os cachorros e por toda cidade há estátuas deles.

Carabineros y sus perros

Do Centro seguimos para o Mercado Central de Santiago, onde almoçamos a comida mais tradicional chilena: ‘lomo a lo pobre’, o prato feito deles, que consiste num amontoado de batatas fritas com carne cozida e muita cebola roxa.

Lomo a lo pobre

Por toda Santiago temos acesso a várias pontes sobre o Rio Mapocho, que nasce do degelo das Cordilheiras dos Andes e abastece parte das cidades chilenas.

Ainda em Santiago, muitos parques, obras de arte pelas ruas e muitas árvores, muita cobertura vegetal mesmo. A cidade é muito seca e muito poluída, por isso muito verde. Vale a visita ao Parque das Esculturas, Palácio de La Moneda (a residência oficial da presidente Michele Bachellet), o Museu dos Correios, o Museu Histórico Nacional, Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana, o Parque Quinta Norma, fundado em 1842 e aos Cerros Santa Lucia e San Cristóbal, que são morros no meio da cidade que eram fortificações na época colonial espanhola. A visão privilegiada da cidade é de arrepiar.

Outro detalhe de Santiago é que as ruas têm Plátanos do Oriente, uma árvore frondosa com folhas verdes estreladas e, para meu espanto, após um tropeço e queda na rua, me vi em cima de uma moita de Alfazema. Fiquei toda ralada, mas bem perfumada… Depois do tombo fui provar a bebida tradicional chilena, o Pisco Sour, uma mistura de suco de limão, aguardente e clara de ovo…bem doce!

Partimos da capital chilena e fomos para o Vale de Casablanca, onde encontramos as maiores e melhores vinícolas do mundo e simpáticas lhamas que cospem nos turistas que ousam importuná-las.

Vale de Casablanca

Nessa região, é recomendável fazer tour nos vinhedos e degustar sem medo de ser feliz os vinhos, todos eles, Merlot, Cabernet, Sauvignon Blanc… Mas a compra é melhor fazer nos supermercados, é sempre mais em conta. Ainda sobre bebidas, recomenda-se provar a cerveja Austral, produzida com água das Cordilheiras desde 1896. Que saudade!

Depois de um dia de várias taças, de manhã bem cedinho vale ir para a cidade portuária de Valparaíso, conhecida como a ‘Joia do Pacífico’ e patrimônio da humanidade. Por suas ruas, muito grafite, cortiços, feiras livres, trólebus, uma das famosas casas do poeta Pablo Neruda, ‘bastiana’, o Museu Marítimo que tem a cápsula que resgatou os mineiros de um grave acidente em uma mina de cobre (a grande riqueza do Chile), o Hotel Rainha Vitória e a Marinha Chilena, construções imponentes da Plaza Sottomayor. Também em Valparaíso está o Congresso Nacional Chileno, transferido da capital pelo ditador sanguinário Augusto Pinochet, durante a Ditadura Chilena, com a desculpa de “descentralizar o governo”.

Casa de Pablo Neruda, em Valparaíso

Os brasileiros dizem que Valparaíso é uma mistura de Rocinha com Pelourinho, eu achei riquíssima a comparação. Por lá, não deixe de experimentar ‘el completo italiano hot dog chileno’, que leva muito abacate no recheio. Aliás, no Chile, até o Big Mac tem avocado.

Ainda no litoral, visitamos Viña del Mar, cidade à beira do Oceano Pacífico fundada pela elite chilena para manter-se afastada dos pobres. A cidade era uma grande vinícola chamada ‘Hacienda Siete Hemanas’ e hoje é um refúgio dos ricos, com condomínios luxuosos, hotéis cinco estrelas e um casino público (sim, público). A dica é visitar o Museu Fonck que conta com um exemplar verdadeiro de moai de rocha vulcânica retirada da Ilha de Páscoa (que pertence ao Chile). Só três moais estão fora de casa, esse em Viña del Mar, um na França e outro na Inglaterra. Em Viña del Mar vale provar as empanadas e o helado de pistache. Nem pense em tentar dar um mergulho no mar, é gelado demais da conta.

Sílvia em Viña

Também na costa chilena, visitei a cidade de Isla Negra, onde fica mais uma casa do poeta Pablo Neruda. Essa, em forma de barco, abriga um museu e o túmulo do poeta, que era grande amigo de Jorge Amado e, dizem, foi envenenado pela Ditadura Chilena. A vista do Oceano Pacífico é inebriante. Em Isla Negra tive a coragem de provar a cerveja Krenbier com a famosa “Michelada”, que é a borda do copo com sal e pimenta. Sapequei a boca toda!

Da praia com um sol preguiçoso, partimos para o Vale Nevado, que em novembro tem apenas as neves permanentes no topo das montanhas, mas no inverno é a estação de ski mais famosa do Chile. A subida até o topo dura cerca de 40 minutos, com muitas curvas, mas compensa pela paisagem e companhia da trilha do Rio Mapocho. O visual é uma mistura de morros secos, neve e deserto, com um vento frio de 12 graus. O Vale Nevado fica ainda mais encantador com o silêncio das montanhas e o voo solitário do Condor, que de asa a asa chega a medir quase 2 metros de comprimento. Mas um capricho da natureza.

Cordilheira dos Andes

Notei algumas curiosidade por todas as ruas do Chile. Os postes de iluminação pública são sustentados por grossos cabos de aço perfurados no chão. Nós, turistas desavisados estranhamos, mas logo que avistamos as placas ‘Via de Evacuacion Tsunami y Terremoto’, entendemos o recado. O Chile tem tremores de terra todos os dias, alguns imperceptíveis, outros devastadores. Muita gente já morreu com esses tremores em todo o território chileno e vemos várias construções pelas cidades que foram parcialmente destruídas.

Os chilenos são muito educados e exercem de verdade a cidadania. Um dia me perdi pelas calles e pedi ajuda a uma moça. Na mesma hora ela tirou o celular, acessou o Google Maps e me mostrou direitinho onde eu deveria ir. Em outro dia, andando despreocupada por um parque escutei ‘Ladrón, ladrón’. Quando vi, três homens imobilizaram um outro homem, de forma firme, mas sem nenhuma violência, até a chegada dos Carabineiros.

Em Santiago do Chile, cada bairro tem um prefeito, uma espécie de síndico, eleito por voto popular, que integra a gestão pública participativa. O imposto territorial pago pelos cidadãos, o IPTU, é direcionado para os bairros que eles residem, atendendo às demandas próprias de cada região. No bairro que me hospedei, a prioridade do síndico foi contratar uma empresa para tirar diariamente o lixo das ruas durante a greve dos lixeiros.

Santiago tem uma influência inglesa muito forte, várias ruas com nomes britânicos e nas padarias muito tea e muffin. E muita cereja. Roliças e de um vermelho intenso, doce como mel. Eu passeava pela cidade com um saco de cerejas, que custa em torno de R$10,00 o quilo. Lá, a comida é cara. Uma refeição individual simples, ficava em torno de R$ 60,00. A sugestão é entrar em uma galeria e procurar uma lanchonete simples.

O metrô de Santiago tem 5 linhas que chegam até a região metropolitana, com um preço acessível e muito rápido. Em meu último dia de viagem, peguei o metrô na estação Pedro de Valdívia e desci na estação Quinta Normal. Fui conhecer o Museu da Memória e dos Direitos Humanos, inaugurado em 2010 pela presidente Michele Bachellet que destina-se a dar visibilidade às violações de direitos humanos cometidos pela Ditatura Chilena de 1973 a 1990 e também outras violações pelo mundo afora.

É um lugar de sofrimento, de angústia, de revolta, de luta para manter vivo o passado chileno e para que ele não se repita. Com relatos em fotos e vídeos da época, temos acesso às crueldades do regime militar no Chile. Em um canto, a bandeira do Brasil me chama a atenção e me joga na cara que fomos o último país do mundo, com regime militar, a instaurar uma Comissão da Verdade.

Para uma brasileira em tempos de golpe, de perda da democracia, de direitos humanos e de cidadania, se aventurar pelo Chile renovou minha certeza de que é na luta coletiva e na resistência que renovamos a esperança de dias melhores, de igualdade, de justiça social. ‘Chi-Chi-Chi-le-le-le-viva-Chile’!”

*Por Sílvia Amâncio

Também já foi a algum país hispânico? Então compartilha com a gente essa experiência, enviando uma foto com seu depoimento para callehispanica@gmail.com

Ah! Não se esqueça de informar seu nome, o crédito da imagem e onde ela foi feita.

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, curta a Fan Page no Facebook e siga a Calle no Instagram! 😉

Página 1 de 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén