Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Tag: América Latina

México após 3 terremotos: Por que não adiei a viagem?

Minha viagem ao México já era algo definido, desde que o espanhol entrou na minha vida. Comecei a planejá-la um ano antes, com todo carinho, cuidado e empenho ❤.

Quem acompanha as postagens aqui na Calle, sabe o quanto eu sou APAIXONADA por esse país e por essa cultura.

Em setembro deste ano, minha amiga (que também AMA o México) e eu já tínhamos praticamente tudo planejado e pronto.

Estava correndo tudo bem até que… 😢

Pois é… TRÊS terremotos no país e dentro de um curtíssimo espaço de tempo. Sim, após o segundo e mais forte tremor, que aconteceu no dia 19/09, nós cogitamos adiar a viagem para 2018. Além da nossa tristeza pelo povo mexicano, também estávamos preocupadas com a situação do país.

E por que não adiei?

Tanto minha amiga Ana quanto eu sonhávamos com essa viagem já há algum tempo e nos planejamos da melhor forma possível para irmos a todos os lugares que queríamos conhecer.

Pensamos muito até decidirmos que, como ainda estávamos a um mês da data do embarque, o melhor seria aguardar e acompanhar a situação.

Gente, todos os dias pela manhã, a PRIMEIRA coisa que fazia antes de tudo era jogar a palavra “México” no Google para ver quais eram as últimas notícias. E, numa dessas, soube que mais um terremoto havia acontecido 😭.

Minha amiga e eu nos mantivemos firmes na decisão de aguardar um pouco mais, já que embarcaríamos só no dia 13. E assim fizemos. Aguardamos, observamos e fomos driblando nossa preocupação e ansiedade.

Já em outubro, graças ao bom Deus, a situação estava mais calma e as coisas pareciam caminhar bem outra vez. O México estava de pé e a viagem também!

Foram 15 dias muito bem aproveitados na terra da Maria do Bairro. Sim, vimos alguns rastros dos tremores (especialmente para os lados de Coyoacán) e precisamos fazer algumas adaptações ao nosso roteiro. Alguns prédios desalojados devido ao risco de desabamento, lojas que, de hecho, vieram abaixo e algumas rachaduras e desnivelamentos no solo.

O passeio pelos bairros Roma e Condesa foram suspensos, seguindo a orientação do Clemente, um taxista muchísima buena onda, que nos levou a Xochimilco. De acordo com o Clemente, aquela região havia sido a mais atingida pelo terremoto do dia 19/09 e o clima por lá era de bastante tristeza.

Mas a região do Zócalo, que fica bem no centrão do DF, estava em perfeito estado. O transporte público (que, sem dúvidas, terá um post a parte aqui!), os museus, pontos turísticos, shoppings, tudo em pleno funcionamento 🙂.

Então, meus amigxs, se vocês também estão planejando conhecer esse país hermoso, cola aqui com a Calle porque nas próximas postagens, vou contar tudinho dessa viagem linda e cheia de cores pra vocês 😉.

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Uruguai: 5 dias de muita “parrilla”, democracia e direitos sociais – Parte I

Para quem, assim como a jornalista Sílvia Amâncio, tem como meta conhecer a nossa linda América Latina (🛫🌎), os posts de hoje trazem un chorro de dicas sobre o Uruguai (🇺🇾).

A Sílvia esteve lá em agosto e passou por Montevidéu e Punta del Este. Então, se acomode aí e vem conferir esse relato 🙂.

“A ideia continua a mesma: conhecer todos os países da América Latina. E, desta vez, fomos rumo à República Oriental do Uruguai, com um pouco mais de três milhões de habitantes, dos quais quase dois milhões vivem na capital, Montevidéu, que no início do século passado era considerada a “Suíça da América do Sul”. Fomos na última semana de agosto e ainda pegamos o finalzinho do inverno, dias de chuvas, fortes ventos e com temperatura na casa dos 12° graus. Um charme só.

Nos hospedamos bem no Centro de Montevidéu, esquina com a principal avenida da cidade, a 18 de Julio, onde logo na esquina podemos ver a Fuente de Los Candados, com seus milhares de cadeados celebrando o amor eterno.

Fonte dos Cadeados / Crédito: Sílvia Amâncio

Seguindo a avenida, de um lado a outro, prédios históricos da época da colonização espanhola e com influências francesas. Um detalhe nos chama atenção, prédios com placas “Mides”, trata-se de um programa do “Ministerio de Desarrollo Social”, que são casas de acolhimento para mulheres vítimas de violência doméstica, abertas 24h por dia. No Uruguai, saúde e educação são para todas e todos. É um semi-socialismo, em um país que teve 12 anos de ditadura militar e apagou esse passado opressor com democracia e avanços nos direitos sociais.

Ao final do caminho, a Plaza Independência, com o Palácio Salvo, que já foi o mais alto da capital e é aberto para visitação. Nessa região também encontramos o Museu dos Presidentes e o atual prédio da Presidência da República, ocupada hoje por Tabaré Vasquez e Lucía Topolansky (companheira do ex-presidente Pepe Mujica). Mais à frente, dividindo a região central, a única estrutura em pé da antiga muralha que cercava a cidade no período colonial, entramos no bairro de Ciudad Vieja.

Plaza de la Independencia / Crédito: Sílvia Amâncio

Em Ciudad Vieja, a parte mais antiga de Montevidéu, não podemos deixar de conferir o Teatro Solís (Montevidéu tem vários teatros), inaugurado em 1856, o Museu da História da Arte e o Museu Andes 1972, um dos lugares mais interessantes e emocionantes para conhecer, que conta a história da trágica queda de um avião da Força Aérea Uruguaia em 1972 nas Cordilheiras dos Andes, com o time de rugby uruguaio, seus amigos e parentes. Ali na Ciudad Vieja comemos bem demais, com as dezenas de restaurantes que servem o churrasco Uruguai no Mercado del Puerto. Entramos lindas e cheirosas e saímos roliças e defumadas. Quem não gosta de carne vermelha, escolha o “arroz com mariscos”. Ai que saudade!

Teatro Solís

Vale a pena comprar um tour pela cidade (indico a LB Tour), para conhecer as obras de arte, muitas delas homenageando o homem do campo e o gaúcho uruguaio e também o Estádio Centenário (para quem ama futebol e conhece a seleção Celeste) e o Mercado Agrícola, com uma estrutura ótima para passeios e compras.

Para degustar as delícias uruguaias recomendo a empanada capresse do restaurante Del Navio, o chivito (sanduíche de carne) da lanchonete La Pasiva, o suco de frutilla (morango) e a cerveja Patrícia, leve e saborosa, que encontramos em qualquer lugar, garrafas de 1 litro ou 300ml, a Patrícia versão “chica”.

Chivito, Empanada y la Cerveza Patrícia

A capital uruguaia é cercada pelas margens do Rio da Prata, que mais parece um mar e as avenidas costaneiras são conhecidas como Ramblas (20km no total), onde podemos caminhar, tirar fotos no letreiro “Montevideo” e apreciar o pôr-do-sol. O melhor ponto desta longa avenida, é a Rambla Gandhi, que fica perto do Shopping Punta Carretas (antiga prisão de Punta Carretas em que Pepe Mujca ficou preso por 14 anos), um ótimo centro de compras. A dica é comprar no cartão de crédito no Uruguai com isenção de taxas. Por lá não tem nada barato, o que vale a pena mesmo é utilizar aqueles cartões de débito comprados no Brasil e ter isenção de valores.

Rambla República do Chile

Da capital uruguaia, em uma viagem de cerca de 1h30, fomos para o refúgio de verão dos ricos, a cidade de Punta Del Este, com seus casinos suntuosos e casas hollyoodianas de veraneio”.

Punta del Este

*Por Sílvia Amâncio

➡ Confira a segunda parte do relato da Sílvia, em Punta del Este 😉.

Bolívia: Um raio-x cultural feito por uma boliviana

A Bolívia está coladinha ao Brasil, mas busca aí, pelas suas gavetas do conhecimento, o quanto você sabe sobre esse nosso vizinho? 🌎🤔

Dando um pulinho ali no Google, é possível encontrar algumas informações básicas sobre o país, como capital federal (La Paz), moeda (boliviano), localização geográfica (região centro-oeste da América do Sul) e por aí vai! Mas, vamos combinar?! É claro que a gente quer mais, né?! 🙂

Por isso, hoje a Calle Hispánica convidou para um bate-papo alguém que vai nos contar mais sobre a cultura desse país. E essa é a Fabiola Wanderley. Filha de pai brasileiro e de mãe coreana, a Fabiola nasceu na Bolívia e morou lá durante 15 anos. Em 2008, mudou-se definitivamente para Brasil, mas nunca perdeu a conexão com seu país e nem com o espanhol.

Fabiola Wanderley

A Fabiola é formada em Secretariado Executivo Trilíngue, licenciada em Letras (Português-Espanhol), Pós-graduada em Tradução e em Interpretação de Conferências e Guia de Turismo Sul-Americana. (Fabíola, você é um arraso! 😎 #SóAcho 😉)

E para sacramentar essa história de amor com o Espanhol, em 2013, ela abriu o FKW – Centro Cultural de idiomas, espaço que oferece, além do ensino de espanhol e inglês, atividades e intercâmbios culturais.

Confira nosso bate papo!

Para começarmos derrubando alguns mitos, conta pra gente o que a Bolívia NÃO é? 

A Bolívia não é só o país da droga como muitos pensam. A Bolívia tem infinidade uma de lugares incríveis e únicos no mundo para serem visitados como o Salar de Uyuni. Eu, também como Guia de Turismo Sul-Americana, levo turistas todos os anos para esse majestoso Deserto de Sal. Vamos?

(Queremos! SIM ou COM CERTEZA?!😍)

E como você definiria o povo boliviano?  

O povo boliviano é pluricultural, orgulhoso por ser quem é e carrega bem dentro dele as raízes dos seus antepassados. E quando o boliviano é amigo de verdade, ele tira a roupa do corpo para te dar. Muitos dos meus grandes amigos são bolivianos.

Fazendo um raio-x da cultura boliviana, destaca pra gente:

Quando falamos de cultura, falamos sobre pessoas, lugares, gastronomia. Então, vamos por partes:

  • uma comida típica: A comida boliviana é diversificada e os pratos típicos são bem diferentes de acordo com cada região. Os mais conhecidos em La Paz (onde morei metade da minha vida) são: sajta, chairo, pique a lo macho, plato paceño y el chicharrón de cerdo;

Chicharrón de cerdo – Zona Latina / Reprodução

  • uma bebida popular: Chicha morada;

Recetas de comida Boliviana / Reprodução

  • uma música representativa do país: Mais do que uma música, Los Karkas é uma banda de folclore andino, talvez a mais representativa do país, a qual não pode faltar no Carnaval de Oruro, declarado como Patrimonio Intangible de la Humanidad;

  • uma dança típica: Los Caporales;

  • um livro ou escritor: A escritora e poetisa Adela Zamudio, pioneira do feminismo na Bolívia;

Adela Zamudio – Wikipedia / Reprodução

  • Um filme: El día que murió el silencio;

Programa Ibermedia / Reprodução

  • Lugares: Ruínas do Império Pré-Incaico, como Tiwanaku; os nevados, tais como: Illimani, Chacaltaya, Huayna Potosí, Mururata… que enfeitam toda a Cordilheira dos Andes; o Lago Titicaca, que é o lago navegável mais alto do mundo; a cidade de La Paz, que é uma cidade cosmopolita, cheia de misticismo e encanto;

Chacaltaya / Lugares Fantásticos – Reprodução

Os bolivianos são pluriculturais, como já comentei por aqui. Existem os tiwanacotas, aymaras, quechuas… E são tantas coisas a serem contadas, que prefiro convidar vocês para participarem do próximo Tour Andino, idealizado por mim, que será em julho de 2019. Dessa forma, poderão ter uma noção bem clara e ampla desse raio-x boliviano 🙂.

Qual expressão do espanhol você diria que é tipicamente boliviana? 

O paceño (gentílico de quem é de La Paz) costuma dizer sempre um “yaaaa” bem prolongado. Seria como dizer o “ialá” daqui. ¡Creo yo!

Mas uma expressão usada pelos paceños pode ser o “nica”, que significa ni cagando, maneira vulgar para dizer “de jeito nenhum”.

E “chupar”? Quando alguém diz: ¿Chuparemos esta noche? significa “Vamos beber hoje à noite?”. Então não se assuste se algum boliviano te perguntar: ¿Te gusta chupar?  Ele ou ela só quer saber se você gosta de beber todas? ahahaha (😂)

E qual particularidade na pronúncia do espanhol falado nesse país você destacaria? 

Os alteños, pessoal que mora en El Alto (cidade em cima de La Paz), falam um pouco diferente e errado em relação ao que conhecemos da língua culta. Posso fazer um vídeo de alguém falando desta forma e enviar para você depois da minha viagem que será em julho do presente.

(Queremos, Fabíola!😍)

Qual lugar (ou lugares), na sua opinião, os brasileiros que vão à Bolívia não podem deixar de visitar? 

Com toda a certeza do mundo, o Deserto de Sal, em Uyuni, o lugar mais lindo que já pisei na Terra!

Há algum elemento ou hábito da cultura boliviana que você mantenha até hoje? 

Sí, chupar (ajajaja 😂). Por mais que muitos não acreditem, “beber” é um hábito do boliviano. Bolívia é conhecida como o país da droga, mas são muito poucos os bolivianos que consomem droga, o boliviano gosta mesmo é de beber!

Morando longe da Bolívia, do que você mais sente falta? 

Do friozinho, amo o frio! Me sinto melhor, mais disposta quando faz frio.

Sabemos que os índios fazem parte da história da Bolívia, assim como acontece aqui no Brasil. Como você enxerga essa cultura atualmente? Na sua opinião, a cultura indígena na Bolívia tem o merecido reconhecimento e valorização? 

Sim. Como disse anteriormente, o boliviano ainda mantém bem enraizado os costumes e tradições de seus ancestrais. Eu aprendi a falar um pouco de ayamara (língua indígena) nos meus 15 anos de La Paz, e até hoje, aonde vou e falo em aymara com os aymaras. Eles gostam muito, até me entendem melhor, pois estou me aproximando mais da realidade deles. Alguns até morrem de rir 😆.

Os bolivianos também são apaixonados por telenovelas, como nós brasileiros? Você conhece alguma que tenha feito sucesso para nos indicar? 

Sim, mais do que tudo as donas de casa. E como sabemos, as melhores novelas do mundo são as brasileiras. Quase todas são dubladas em espanhol e rodam por todos os países hispanofalantes.

Como yo no soy muy novelera, no estoy segura en decirte cuál fue la novela más vista en Bolivia, pero creo que fue la novela brasileña El Clon. De novelas bolivianas yo no sé nada (😄).

Curtiu o passeio de hoje pela cultura boliviana? 👣🙂 Bom, depois desse bate-papo, a gente fica até com gostinho de quero mais! Sim, pessoal, nossa América Latina é incrível e, sim, nós amamos DEMAIS tudo isso! ❤

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5 músicas en español para celebrar a nossa latinidade

E quem resiste ao ritmo latino? Começa a tocar alguma música com aquela batida (que a gente AMA!❤) e todo mundo já levanta para bailar! 👇

Então, para celebrar a nossa latinidade, a Calle Hispánica selecionou 5 músicas que traduzem, no mais puro gingado, esse sentimento que faz nosso ❤ pulsar mais forte.

Aumenta o volume aí! 📻😎

La Gozadera – Gente de Zona y Marc Anthony

Si tú eres Latino, saca tu bandera… 🇧🇷

La La La – Shakira y Carlinhos Brown

La pasión que tiene mi gente, quedan las penas en el olvido, bienvenidos a mi continente 💚

A Dios le Pido – Juanes

Que mi pueblo no derrame tanta sangre y se levante mi gente, a Dios le pido… 🙏

Mi Tierra – Gloria Estefan

De mi tierra bella, de mi tierra santa oigo ese grito de los tambores y los timbales al cumbanchar… 🎷

Amor a la Mexicana – Thalia 

Amor a la mexicana, caliente al ritmo del sol… ☀

Confira também: Somos insistência, somos resistência, SOMOS latinos!

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Somos insistência, somos resistência, SOMOS latinos!

[ALERTA: Post para reflexão🤔]

Respira fundo e conta comigo: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. (Ufa!) Eis os países que, oficialmente, compõem a (nossa!) América Latina (🌎). Seja falando português ou espanhol, quem nasce nessa região, latino é.

No entanto, ser latino vai muito além do traçado estampado no mapa (concordam?). Os habitantes desses países têm muitas questões em comum. Pertencemos a um caldeirão cultural e somos sinônimo de cor, energia, calor e ritmo. Mistura nos define! Temos biodiversidade e fartura por todos os lados. Mas dizem por aí que estamos ‘em desenvolvimento’. Desigualdade é um fantasma que ainda estamos longe de exorcizar (😥). Mas somos insistência e resistência, somos luta!💪

E refletindo sobre tudo isso, surgem as seguintes perguntas: Temos a plena consciência de que nós, brasileiros, somos latinos? De fato nos enxergamos como tal? Estamos conscientes de que toda vez que um presidente despeja, sem nenhuma cerimônia, ofensas contra os latinos, ele não está se referindo apenas aos mexicanos? Ora, não se trata de ‘latinos, eles’. Trata-se de ‘latinos, nós!’.

Vivemos um momento importante em que (graças aos que não se cansam e não se calam 🗣) vozes, antes ignoradas, começam a ser ouvidas. Sim, o processo vem acontecendo despacito. Mas o importante é que aconteça!

E qual o nosso papel, enquanto latinos, nessa história toda? De forma resumida, ¡Si tú eres latino, saca tu bandera! 

Vamos trazer o nosso olhar de volta para a nossa própria cultura latino-americana? Vamos resgatar nossa história e valorizar toda essa cultura increíble que está ao nosso redor (e da qual fazemos parte!)?

Já estamos carecas de saber como é Miami, como é a Times Square, como é a Disney. Mas e a nossa latinidade? Queremos clipes que apresentem aos quatro cantos do planeta a cara das ruas cubanas e porto-riquenhas. Queremos sucessos que reflitam essa cultura e que, pasito a pasito, suave, suavecito, façam o mundo dançar ao nosso ritmo. Queremos séries mostrando a cara da Guatemala, a cultura do Equador, o dia a dia no Panamá. Vimos o México estampado em Ingobernable e, simplesmente, amamos!❤ Agora queremos mais!

Somos latinos e queremos conhecer melhor as nações irmãs que nos cercam e compartilham conosco as dores e delícias de viver essa latinidade nossa de cada dia. Queremos nos identificar, queremos sentir que o que vemos e ouvimos faz o nosso coração pulsar, vibrar e bailar!

Confira também:
Falando sobre Música Latina, no programa Caleidoscópio, da TV Horizonte

DES-PA-CITO: 5 motivos que fizeram da música verdadeiro um sucesso

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Documentário ‘Marias’ aborda religião, sincretismo e o poder do feminino na América Latina

Dessa vez, abri o catálogo de filmes da Netflix não necessariamente buscando algo em espanhol. Estava só buscando algo novo, que me despertasse a curiosidade. Eis que encontro o documentário brasileiro Marias: a Fé no Feminino. Comecei a assistir sem muitas expectativas e, por ser uma produção nacional (🇧🇷), não imaginei que renderia um post para a Calle Hispánica.

No entanto, aos 11 minutos de filme, já estava emocionada e com aquele nó na garganta. Além disso, o longa tem o comecinho em português e, depois de mais ou menos 18 minutos, ahí viene nuestro español 😍

Quem é Maria?

O documentário, dirigido por Joana Mariani, faz uma viagem por cinco países da América Latina (Brasil, Cuba, Peru, Nicarágua e México), mostrando as figuras femininas religiosas que se destacam em cada um desses países. E já adianto que o longa vai além da questão religiosa, retratando a força do feminino, a força da fé no feminino.

“Nossa Senhora aparece com as características de cada povo ou de cada época, justamente para falar perto do coração. Porque ela é mãe, e mãe fala todas as línguas. É como Deus. Deus não tem religião, nós é que temos religião”. 

“La madre no cierra sus brazos a nadie”

A viagem tem início no Brasil ( e, por isso, o início do documentário tem o áudio em português). Em cena, vemos um pouco do culto dedicado à Nossa Senhora Aparecida.

Não entanto, não se limitando ao catolicismo, vemos também o culto à Yemanjá (e com direito ao canto sempre lindo de Bethânia! ❤).

Depois, saltamos para Cuba, terra que tem a Virgen de La  Caridad del Cobre como padroeira. No contraponto do sincretismo está Oxum. Para personificar e representa essa mistura, ouvimos a instrumental Ave Maria, ritmada pelo som dos tambores de la santería cubana (palmas para quem teve esse ideia! 👏👏)

Já no Peru, encontramos a Virgen de las Mercedes de Paita.  Como narra uma das entrevistadas, a imagem dessa Nossa Senhora, “tem o poder de funcionar como um espelho. Ou seja; não absorve as demandas, mas sim reflete para as pessoas suas próprias capacidades e energias”.

Com a Virgen de La Concepción Del Trono, padroeira da Nicarágua, o documentário nos mostra a tradição seguida pelo povo no última dia de novena oferecida à Santa, chamado de Día de Gritería. Nessa data, as pessoas colocam seus altares particulares de frente para a rua e distribuem balas, chocolates, brinquedos e outros brindes. Quem vem de fora, se aproxima ao altar e grita “¿Quién causa tanta alegria?” E quem está dentro, responde “¡La Concepción de María!”.  E essa é considerada uma das celebrações mais especiais para as crianças! 👧👦🍬🍭🍩

Já no (meu amadíssimo México ❤) está a Virgen de Guadalupe.

Reconhecida pelos indígenas da região, como Tonanzin, a Deusa dos astecas, a padroeira do México, e também Padroeira da América, com traços indígenas e pele morena, consegue unir diferentes povos e crenças.

Obs.: Aliás, artesão que produzem imagens de la Virgen de Guadalupe, por favor, não a pintem com a pele branca 😟 Afinal, não é a toa que ela é também conhecida como La Morenita #FicaADica

Ponto forte

Há mais de um a ser destacado 🙂

Primeiro. Como já mencionado no início do post, o documentário não se limita a abordar a questão religiosa, indo bem além disso. Marias: a Fé no Feminino reconstrói a força que emana do feminino.

Segundo. Religião é sempre um tema delicado de abordar. No entanto, o documentário o faz de forma muito delicada e respeitosa, abordando questão fundamentais, como o sincretismo religioso. Nesse caldeirão de cultura que se chama América Latina, há muito dos índios e negros e, quando se trata de fé, não poderia ser diferente.

Além disso, o filme traz também o feminismo como fio condutor, mostrando não só histórias de ‘Marias Nossas Senhoras’, mas também de ‘Marias Todas Nós’.

E respondendo à pergunta ‘Quem é Maria?’…

Livre, trabalhadora, forte, autônoma, que sonha e que sabe voar. chegamos ao fim do documentário com a certeza de que Maria somos todas nós ❤

Confira o trailer de Marias: a Fé no Feminino

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América Latina: 5 dias no Chile, com Sílvia Amâncio

Planejando viajar para o Chile, mas ainda não fechou o roteiro? Então, anote aí as dicas da jornalista Sílvia Amâncio, que esteve por lá em novembro de 2016 🛫🌎

“Vale a pena passar 5 dias no Chile? Vale muito. Com um bom roteiro, disposição para andar e uma boa companhia sempre vale a pena. Em novembro do ano passado, eu e uma amiga embarcamos para Santiago. Nossa ideia é conhecer toda a América Latina e o Chile nos encantou desde a primeira pesquisa.

Cheguei de madrugada em Santiago do Chile, após um voo tranquilo, exceto a parte que sobrevoamos as Cordilheiras do Andes, devido à turbulência, meu ateísmo agnóstico me deixou na mão…

Me hospedei no bairro residencial de Providência e, de imediato, tive uma aula de cidadania. Os funcionários públicos do Chile estavam em greve (paro). Do lixeiro ao médico, do carteiro ao professor, todos nas ruas unidos em prol do coletivo. Nunca pensei que sairia do Brasil para acompanhar uma manifestação em outro país. Mas valeu cada momento, cada cartaz traduzido naquele portunhol safado…

No primeiro dia fomos ao Centro de Santiago, na Plaza de Armas, local da fundação da cidade por espanhóis que vieram do Peru (marco zero), com  muitos artistas de rua, artesanato, haitianos (eles estão por toda América Latina) e os ‘Carabineros de Chile’, os guardas municipais que chamam atenção por sempre andarem com seus escudeiros, cachorros resgatados das ruas, que fazem a festa de crianças e turistas. Não tem como passar por um ‘perro carabinero’ e não se encantar. Os chilenos amam os cachorros e por toda cidade há estátuas deles.

Carabineros y sus perros

Do Centro seguimos para o Mercado Central de Santiago, onde almoçamos a comida mais tradicional chilena: ‘lomo a lo pobre’, o prato feito deles, que consiste num amontoado de batatas fritas com carne cozida e muita cebola roxa.

Lomo a lo pobre

Por toda Santiago temos acesso a várias pontes sobre o Rio Mapocho, que nasce do degelo das Cordilheiras dos Andes e abastece parte das cidades chilenas.

Ainda em Santiago, muitos parques, obras de arte pelas ruas e muitas árvores, muita cobertura vegetal mesmo. A cidade é muito seca e muito poluída, por isso muito verde. Vale a visita ao Parque das Esculturas, Palácio de La Moneda (a residência oficial da presidente Michele Bachellet), o Museu dos Correios, o Museu Histórico Nacional, Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana, o Parque Quinta Norma, fundado em 1842 e aos Cerros Santa Lucia e San Cristóbal, que são morros no meio da cidade que eram fortificações na época colonial espanhola. A visão privilegiada da cidade é de arrepiar.

Outro detalhe de Santiago é que as ruas têm Plátanos do Oriente, uma árvore frondosa com folhas verdes estreladas e, para meu espanto, após um tropeço e queda na rua, me vi em cima de uma moita de Alfazema. Fiquei toda ralada, mas bem perfumada… Depois do tombo fui provar a bebida tradicional chilena, o Pisco Sour, uma mistura de suco de limão, aguardente e clara de ovo…bem doce!

Partimos da capital chilena e fomos para o Vale de Casablanca, onde encontramos as maiores e melhores vinícolas do mundo e simpáticas lhamas que cospem nos turistas que ousam importuná-las.

Vale de Casablanca

Nessa região, é recomendável fazer tour nos vinhedos e degustar sem medo de ser feliz os vinhos, todos eles, Merlot, Cabernet, Sauvignon Blanc… Mas a compra é melhor fazer nos supermercados, é sempre mais em conta. Ainda sobre bebidas, recomenda-se provar a cerveja Austral, produzida com água das Cordilheiras desde 1896. Que saudade!

Depois de um dia de várias taças, de manhã bem cedinho vale ir para a cidade portuária de Valparaíso, conhecida como a ‘Joia do Pacífico’ e patrimônio da humanidade. Por suas ruas, muito grafite, cortiços, feiras livres, trólebus, uma das famosas casas do poeta Pablo Neruda, ‘bastiana’, o Museu Marítimo que tem a cápsula que resgatou os mineiros de um grave acidente em uma mina de cobre (a grande riqueza do Chile), o Hotel Rainha Vitória e a Marinha Chilena, construções imponentes da Plaza Sottomayor. Também em Valparaíso está o Congresso Nacional Chileno, transferido da capital pelo ditador sanguinário Augusto Pinochet, durante a Ditadura Chilena, com a desculpa de “descentralizar o governo”.

Casa de Pablo Neruda, em Valparaíso

Os brasileiros dizem que Valparaíso é uma mistura de Rocinha com Pelourinho, eu achei riquíssima a comparação. Por lá, não deixe de experimentar ‘el completo italiano hot dog chileno’, que leva muito abacate no recheio. Aliás, no Chile, até o Big Mac tem avocado.

Ainda no litoral, visitamos Viña del Mar, cidade à beira do Oceano Pacífico fundada pela elite chilena para manter-se afastada dos pobres. A cidade era uma grande vinícola chamada ‘Hacienda Siete Hemanas’ e hoje é um refúgio dos ricos, com condomínios luxuosos, hotéis cinco estrelas e um casino público (sim, público). A dica é visitar o Museu Fonck que conta com um exemplar verdadeiro de moai de rocha vulcânica retirada da Ilha de Páscoa (que pertence ao Chile). Só três moais estão fora de casa, esse em Viña del Mar, um na França e outro na Inglaterra. Em Viña del Mar vale provar as empanadas e o helado de pistache. Nem pense em tentar dar um mergulho no mar, é gelado demais da conta.

Sílvia em Viña

Também na costa chilena, visitei a cidade de Isla Negra, onde fica mais uma casa do poeta Pablo Neruda. Essa, em forma de barco, abriga um museu e o túmulo do poeta, que era grande amigo de Jorge Amado e, dizem, foi envenenado pela Ditadura Chilena. A vista do Oceano Pacífico é inebriante. Em Isla Negra tive a coragem de provar a cerveja Krenbier com a famosa “Michelada”, que é a borda do copo com sal e pimenta. Sapequei a boca toda!

Da praia com um sol preguiçoso, partimos para o Vale Nevado, que em novembro tem apenas as neves permanentes no topo das montanhas, mas no inverno é a estação de ski mais famosa do Chile. A subida até o topo dura cerca de 40 minutos, com muitas curvas, mas compensa pela paisagem e companhia da trilha do Rio Mapocho. O visual é uma mistura de morros secos, neve e deserto, com um vento frio de 12 graus. O Vale Nevado fica ainda mais encantador com o silêncio das montanhas e o voo solitário do Condor, que de asa a asa chega a medir quase 2 metros de comprimento. Mas um capricho da natureza.

Cordilheira dos Andes

Notei algumas curiosidade por todas as ruas do Chile. Os postes de iluminação pública são sustentados por grossos cabos de aço perfurados no chão. Nós, turistas desavisados estranhamos, mas logo que avistamos as placas ‘Via de Evacuacion Tsunami y Terremoto’, entendemos o recado. O Chile tem tremores de terra todos os dias, alguns imperceptíveis, outros devastadores. Muita gente já morreu com esses tremores em todo o território chileno e vemos várias construções pelas cidades que foram parcialmente destruídas.

Os chilenos são muito educados e exercem de verdade a cidadania. Um dia me perdi pelas calles e pedi ajuda a uma moça. Na mesma hora ela tirou o celular, acessou o Google Maps e me mostrou direitinho onde eu deveria ir. Em outro dia, andando despreocupada por um parque escutei ‘Ladrón, ladrón’. Quando vi, três homens imobilizaram um outro homem, de forma firme, mas sem nenhuma violência, até a chegada dos Carabineiros.

Em Santiago do Chile, cada bairro tem um prefeito, uma espécie de síndico, eleito por voto popular, que integra a gestão pública participativa. O imposto territorial pago pelos cidadãos, o IPTU, é direcionado para os bairros que eles residem, atendendo às demandas próprias de cada região. No bairro que me hospedei, a prioridade do síndico foi contratar uma empresa para tirar diariamente o lixo das ruas durante a greve dos lixeiros.

Santiago tem uma influência inglesa muito forte, várias ruas com nomes britânicos e nas padarias muito tea e muffin. E muita cereja. Roliças e de um vermelho intenso, doce como mel. Eu passeava pela cidade com um saco de cerejas, que custa em torno de R$10,00 o quilo. Lá, a comida é cara. Uma refeição individual simples, ficava em torno de R$ 60,00. A sugestão é entrar em uma galeria e procurar uma lanchonete simples.

O metrô de Santiago tem 5 linhas que chegam até a região metropolitana, com um preço acessível e muito rápido. Em meu último dia de viagem, peguei o metrô na estação Pedro de Valdívia e desci na estação Quinta Normal. Fui conhecer o Museu da Memória e dos Direitos Humanos, inaugurado em 2010 pela presidente Michele Bachellet que destina-se a dar visibilidade às violações de direitos humanos cometidos pela Ditatura Chilena de 1973 a 1990 e também outras violações pelo mundo afora.

É um lugar de sofrimento, de angústia, de revolta, de luta para manter vivo o passado chileno e para que ele não se repita. Com relatos em fotos e vídeos da época, temos acesso às crueldades do regime militar no Chile. Em um canto, a bandeira do Brasil me chama a atenção e me joga na cara que fomos o último país do mundo, com regime militar, a instaurar uma Comissão da Verdade.

Para uma brasileira em tempos de golpe, de perda da democracia, de direitos humanos e de cidadania, se aventurar pelo Chile renovou minha certeza de que é na luta coletiva e na resistência que renovamos a esperança de dias melhores, de igualdade, de justiça social. ‘Chi-Chi-Chi-le-le-le-viva-Chile’!”

*Por Sílvia Amâncio

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