Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Tag: Espanha

Língua Espanhola: Uma ponte entre pessoas, países e culturas

A língua espanhola é uma combinação mágica para muito de nós, não é mesmo? Seja pela sonoridade, seja pela engenhosa articulação entre substantivos, verbos, pronomes e artigos ou, ainda, pelo sentimento que nos desperta quando hablamos. Como diria Tiago Iorc, o coração dispara, tropeça quase para! 😆

Desde mi más humilde punto de vista, esse é, sem dúvidas, um idioma que conquista ❤.

(Sim, como normalmente dizemos em português, é muito amor, é amor pra caramba! 😍)

Mas, e quanto à história da língua espanhola, pessoal? Será que conhecemos o contexto de surgimento e o papel desempenhado por esse idioma atualmente? 🤔

Justamente para nos ajudar a refletir sobre essas questões, entrevistei o doutor em Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo, que desenvolve uma pesquisa baseada fundamentalmente na história da língua espanhola na época moderna, tanto na Espanha quanto na América.

Origem

De acordo com José Luis, para analisarmos o nascimento da língua espanhola é preciso levar em conta um processo ainda mais amplo, que foi desaparecimento do latim, ou melhor, a transformação do latim nas diferentes línguas românicas, o que ocorre em algum momento entre os séculos V e IX, depois de Cristo.

“Nesse período produz-se uma transformação radical na cultura dos povos falantes de latim, que faz com que essas pessoas também comecem a perceber sua forma de falar como algo diferente do que antes existia, como algo afastado do latim”, explica José Luis.

O pesquisador também destaca que é preciso levar em conta que, com o passar do tempo, as diferenças entre os diversos dialetos do latim tornaram-se maiores, o que dificultava a comunicação entre os usuários dessa língua.

“Naturalmente, não é fácil saber em que momento os falantes tomam consciência de que estão falando outra língua e, por isso, é tão difícil dizer quando surge o espanhol. No entanto, há um indício que podemos levar em consideração, que é o momento em que aparecem textos em línguas romances. Tendo isso em mente, podemos estabelecer o século IX como o momento em que já existe tal consciência, algo que textualmente  se reflete, por exemplo, nos Juramentos de Estrasburdo (842) para o caso do francês e, um pouco mais tarde, para o espanhol, nas Glosas Emilianenses, do início do século XI”, explica o doutor em Filología Hispánica.

Espanhol ou Castellhano?

É muito comum encontrarmos os termos ‘espanhol’ e ‘castelhano” referindo-se ao mesmo idioma. Diante disso, paira no ar a seguinte questão: Afinal de contas, existe alguma diferença entre um e outro?

José Luis esclarece que partindo da ideia de que os dois conceitos se referem à mesma realidade (a língua compartilhada pela Espanha e pelos vários países da América), a verdade é que o uso de ‘espanhol’ ou ‘castelhano’ tem a ver com preferências nacionais ou, ainda, pessoais.

“Os filólogos, às vezes, utilizam esses termos de forma ligeiramente diferente: quando falamos da situação atual, normalmente empregamos a palavra espanhol para nos referir à língua compartilhada e suas variedades nacionais (espanhol da Argentina, espanhol da Colômbia). Por outro lado, usamos o termo castelhano, para nos referir à variedade dessa língua usada atualmente em Castilla, no centro-norte da Espanha. Ainda, quando falamos desde um ponto de vista histórico, preferimos castelhano, para fazermos referência à língua durante o período medieval”.

Língua espanhola hoje

Quanto ao papel desempenhado atualmente pela língua espanhola no mundo, José Luis destaca que o idioma é, sem dúvidas, a principal herança compartilhada pelos hispanohablantes.

“Isso deve servir para desenvolver certa solidariedade e favorecer a integração de todos os povos que a utilizam, sem que isso suponha desproteger ou atentar contra as línguas minoritárias que, junto ao espanhol, se utilizam em todo o mundo hispânico”, explica José Luis.

O Futuro da língua de Cervantes

Olhamos para o passado para entendermos as bases de surgimento do idioma, estabelecemos um paralelo até o presente, avaliando o papel desempenhado pela língua espanhola atualmente e, seguindo esse caminho, pensar sobre o futuro é inevitável.

Para o pesquisador, do ponto de vista de sua estrutura, o espanhol do futuro parecerá mais às variedades caribenhas que às variedades da Espanha.

“Acredito que o idioma terá uma importância influência do inglês, ainda que não definitiva, e que se verá como uma das línguas eminentemente americanas e, por tanto, cada vez menos europeia, algo parecido ao que acontece com a língua portuguesa. Já do ponto de vista demográfico, acredito que o idioma vai adquirir progressivamente maior transcendência em países como Estados Unidos. Quero pensar que será cada vez mais conhecido e necessário em zonas onde até então, é tido como segundo língua”.

E José Luis segue, destacando, agora, como ele gostaria que fosse o futura da língua de Cervantes. “Que o espanhol seja uma língua mais inclusiva, mais respeitosa com os outros idiomas com os quais convive e uma língua que sirva como ponte para conhecer outras realidades e outras culturas que também utilizam o espanhol como forma de expressão. Que seja, enfim, uma língua mais tolerante por ser o reflexo dos falantes que assim também são. Ainda que eu não saiba se isso está fora da linguística e, na verdade, tenha mais a ver com o que todos sempre esperam do mundo: que ele seja, pouco a pouco, um lugar um pouco melhor.

Y además…

Te dejamos un video en el que el doctor en Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo, habla sobre historia del español 🙂.

Curtiu as reflexões sobre a língua espanhola? Então, aproveite o embalo e confira a entrevista completa e en español, com o doutor em Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo.

Diário de uma jornalista inquieta: História da Espanha

Conforme contei lá no Instagram da Calle, escolhi a Espanha para dar início ao projeto Universidade Pessoal. Já que tudo começou nesse país, então, nada mais lógico, não é, gente?! 😄 rs

Quem aí já ouviu falar em #opozulo? Conheci esse termo aqui no Instagram e, de forma geral, podemos dizer que essa palavra é usada para nomear o bom e velho cantinho de #estudos 📚. 📍 Eu, que na fase dos concursos públicos tive um opozulo (só não sabia que podia chamá-lo assim 😁), agora começo a recriar outro!❤ Isso porque neste mês de junho, dei início ao meu projeto “Universidade Pessoal”, com o objetivo de ampliar e refinar meus conhecimentos sobre a #cultura #hispânica. A ideia é estudar aspectos históricos e culturais de todos (TODOS!) os países que falam #espanhol e, de quebra, encontrar novas pautas e trazer novas #entrevistas para o blog (mais detalhes sobre o projeto estão no link da bio 😉). 📍 Eu venho mostrando pelo stories que a #Espanha é o primeiro país da lista! Isso porque eu decidi começar exatamente onde tudo começou (com o perdão da redundância 😅). Até o momento, estou na parte histórica do país e o assunto vem me intrigando absurdamente (é muita treta!) Mas isso já é um papo para um post inteiro no blog, inclusive com direito à entrevista! 📍 Agora me contem o que mais desperta o interesse de vocês com relação à história e/ou à cultura espanhola? Vamos trocar figurinhas! 😁 ✨Obs.: Deslculpem ser tão repetitiva, mas eu não seria eu se deixasse de dizer o seguinte: o que mais desperta meu interesse na cultura espanhola é o @alejandrosanz 😍🙈😁 Desculpa aê, pessoal, mas essa minha verdade, ninguém cala 😂😜 #opositora #opus #callehispánica #meucantodeestudos #universidadepessoal #norastrodoespanhol #espanholdecadadia #espanhol

Uma publicação compartilhada por Por Fernanda Rosa (@callehispanica) em

Material de estudo

Livro

Usei o livro Breve Historia de España, do historiador Henry Kamen. Conforme promete o título, a obra é bem resumida, partindo do Homem de Neanderthal (pois é! 😮) e seguindo até Carlos II, rei da Espanha entre os anos de 1665 e 1700.

Entre todos os períodos narrados, o período de governo dos Reyes Católicos, Isabel de Castilla e Fernando de Aragón, recebe uma atenção especial. E o motivo é simples: o reinado deles (na verdade, o dela especificamente) marcou não só a história da Espanha, mas também da América.

Isso porque Isabel de Castilla bancou a viagem de Cristóvão Colombo às “Índias” que, na verdade, era o nosso continente americano 🌎.

“Las Indias, tal y como fueron denominadas en Castilla las Américas, era propiedad exclusiva de Castilla, puesto que Colón había recibido el encargo solo de Isabel. Todos los aragoneses estaban en teoría excluidos del nuevo mundo. Tanto la lengua como la administración que se introdujeron en América fueron castellanas”.

Série

E o que me ajudou a assimilar melhor todas essas relações de poder, foi a série da TV Espanhola, Isabel. A produção, de 2012, conta com três temporadas, que mostram a chegada de Isabel ao poder, seu casamento com Fernando II e o governo dos Reyes Católicos.

Recomendo demais! 😉

Obs.: O melhor de tudo é que, hoje em dia, a gente estuda vendo série e ainda coloca o espanhol pra jogo! 😜 rs

Impressões

O que chamou minha atenção, foi perceber o seguinte: A Espanha buscou firmar-se enquanto potência mundial, por meio da expansão do seu território (o que se alcançava declarando guerra a outras nações) e da exploração das regiões colonizadas. E isso até funcionou durante algum tempo. Porém, vejam vocês que irônico, toda essa guerra travada para manter o poder já conquistado foi, juntamente, o que o historiador destacou como sendo o motivo de sua ruína.

“… se ejerció un imperialismo español en Europa, casi en un aislamiento virtual. Fue una monarquía universal cuyos enemigos no se limitaban a ser de una sola nación ni de pertenecer a una única religión. La Francia católica, la Inglaterra protestante  y la Turquía musulmana fueron sus más fervientes enemigos. España se vio en la obligación de explotar todos los de ultramar, en una laboriosa batalla para mantener su puesto en Europa”.

Enfim, como amante de história que sou, achei intrigante todas as tretas que os diversos reis e rainhas se meteram, com o objetivo de mantener la corona. Era um tal de casar primo com prima, sobrinha com tio…  Ay, Dios!

Obs.: E, para garantir que o poder permanecesse em família ou, pelo menos, entre os aliados, as mulheres eram “oferecidas” – literalmente – como um simples objeto de troca (tipo: “você se casa com a minha filha e, assim, sacramentamos a união de nossos reinos 😳).

Bom, essas são minhas impressões iniciais sobre a história da Espanha. E digo iniciais, porque sabemos que, quando se trata de história, sempre existem outras abordagens e outros pontos de vista.

Então, bora seguir com os estudos e, na próxima semana, já teremos uma entrevista MARA aqui no blog. Aguardem! 💜

#Viagem: Alimentação vegana em Madrid 💚

Será possível manter uma alimentação vegana em Madrid, a cidade internacionalmente conhecida como a terra das touradas?

Para diversificar os olhares e discursos apresentados aqui na Calle Hispánica, eu conversei com a  Ludmila Lima Alves, que esteve em Madrid a trabalho, e aproveitou para descobrir ótimas opções de alimentação vegana por lá.

Confira! 🙂

A vida vegetariana e vegana em Madrid: um pequeno guia de sobrevivência

Sou a Ludmila Alves do blog Bistroveg e hoje estou aqui na Calle Hispanica para contar como é a vida vegetariana e vegana em Madrid.

Pode parecer inusitado, mas acredito que nunca escolhi ser vegetariana. A causa me escolheu! Não como carne desde criança por motivos que desconheço, o que sempre gerou muita angústia nos adultos. Tentaram me convencer, me levaram em médicos, faziam pratos com carne escondida, mas nada funcionou.

Sigo nesse caminho por respeito aos animais sencientes. Também não consumo leite e derivados e nem cosméticos ou vestuários testados ou criados a partir de matéria-prima animal.

É claro que erro, nem posso me dizer vegana porque consumo ovos de galinhas que conheço de vez em quando, mas faço o melhor que posso e esse é o meu objetivo: inspirar outras pessoas a fazerem o que é praticável pelo bem da natureza.

Estou passando uma temporada em Madrid, capital da Espanha, a trabalho e me comprometendo com uma alimentação 100% vegana, o que tem sido bem difícil.

Veganismo em Madrid

Enquanto capitais como Berlin e Londres são consideradas perfeitas para veganos, Madrid segue uma linha bem conservadora. Não é pra menos: o país ainda cultiva a tradição das touradas, que são legalizadas, que nada mais são do que “shows” para machucar um ser indefeso e causar nele uma morte lenta e muito dolorosa.

Outro ponto da cultura carnista madrilenha é o culto ao jamon (presunto) que fica exposto em toda lanchonete aqui. Como as pessoas conseguem lidar com indeferença a patas penduradas no lugar em que se come? É difícil, porém é impossível não ver isso: está em todo lugar.

Se você perguntar de pratos vegetarianos não se assuste se te oferecerem algo com presunto e considerarem carne somente como a carne de boi, como acontece no Brasil.

Aqui se come carne de vaca, porco, cordeiro e frutos do mar em grande quantidade e sem acompanhamentos, somente com pão, o que dificulta comer fora de forma saudável. Ficar só na salada de alface, vinho e pão, por mais vegan que seja, não supre nossas necessidades de nutrientes, sejamos francos.

Os restaurantes convencionais não trazem opções veganas, talvez porque ainda não se importem com isso ou não enxergam demanda para tal. Fato que só vi uma vez um cardápio com opções veganas e que, ainda por cima, dizia “opciones 100% veganas”. Me explica como é um prato 50% vegano? Rsrs

Mas dá pra vegano ir pra Madrid?

Sim! Se nossos valores são fortes tudo é possível.

Existem sim restaurantes 100% veganos por aqui. Não são baratos, nem sempre com pratos elaborados, mas existem os bons que valem a ida naqueles dias que você merece algo especial.

Na hashtag #BistrovegEmMadrid no instagram indico bons lugares com opções veganas na cidade.

Mas a verdade é que se você é como eu e se importa também com a saúde, vai precisar fazer sua própria comida. Terá que ir ao supermercado comprar frutas, salada, castanhas, hummus, pão e o que for consumir. Esse planejamento e dedicação são essenciais pra você ficar de bom humor!

Para não passar tanto aperto, eu trouxe a minha proteína isolada de arroz, por exemplo. Afinal, infelizmente, aqui não é a terra do arroz e feijão, maravilhosa combinação de aminoácidos.

Outra coisa que ajuda muito é desapegar de comer somente o que é típico. Aqui tem ótimas opções e preços em restaurantes arábes, tailandeses e indianos que naturalmente têm muitas opções veganas!

Pense que viajar é algo além da comida. Tem muitos aspectos culturais para você conhecer, ainda mais em um lugar com tanta história como a Espanha.

Comidas típicas daqui em versão vegana

Se você viaja para provar novos sabores, tem lugar pra você em Madrid! Só vai ter que procurar um pouquinho mais!

Já encontrei paella vegana e opções de tapas veganas. Mas não vai muito longe disso já que tem prato que é composto por nada além de carne.

🥗 Sobre se comprometer com uma alimentação #plant-based fora de casa 🥒 Não acho que tem sido fácil ir atrás de opções de comida saudável em Madrid, terra em que tem jamon (o presunto) e pernas de animais penduradas em todo lugar e muitas padarias com itens nada naturais. . Mas quando queremos, damos um jeito! 💚 O importante é usar nosso direito de escolha em vez de ser refém das opções de mais fácil acesso, que sempre são as mais processadas. . O que fazer pra se nutrir com o máximo de alimentos naturais fora de casa é: 🥦descubra bons supermercados próximos. Entenda “bons” como aqueles que não vendem apenas pacotinhos, mas que contam com uma boa oferta de frutas e verduras! Faça uma pesquisa prévia pra não ficar a mercê de lojas de conveniência onde as coisas são mais caras. . 🥦leve frutas e oleaginosas com você. Elas salvam a gente de quaqluer aperto! Tenho aproveitado para comprar as frutas e castanhas que estão em temporada aqui 😀 . 🥦liste os grupos de alimentos que você vai precisar Eu preciso de leguminosas, folhas verde escuras, bolacha de arroz integral, frutas da estação, cítricos e leite vegetal. Dessa forma, compro esses elementos semanalmente alternando a variedade: hora feijão branco, hora lentilha, hora morango, hora maçã verde, por exemplo. . 🥦defina o que você está disposto a comer na rua Se eu comesse nas padarias e cafeterias das ruas que passo minha alimentação seria bem pobre em nutrientes: pães e bolos. Mas como eu também posso estar sem lanches comigo, me permito comprar sucos verdes e castanhas torradas. E paellas veganas, claro! . 🥦cozinhe coisas práticas se tiver possibilidade Aos finais de semana, eu faço uma leguminosa (feijão, lentilha e grão de bico) com vegetais pra garantir minhas doses diárias de ferro e proteínas. Coloco na geladeira e sempre esquento para comer no almoço ou na janta. . Claro que sinto falta de arroz e feijão, dos sucos com tudo que eu tinha na geladeira e dos meus bolinhos! Mas estou feliz (e me sentindo bem) com o que dá pra fazer! . Tudo que a gente acredita que é bom pode virar ação no nosso dia-a-dia! 🌿 . E como você faz pra manter uma alimentação natural quando viaja? Conta aí 😊

Uma publicação compartilhada por Lud L. Alves (@bistroveg) em

Se é vegetariano, tem as croquetas e as torilla de patatas para provar.

A recomendação é sempre pesquisar antes de ir porque aqui isso não é comum, então não fiquei à mercê da sorte! Outro dia em uma lanchonete vegana, a dona contou como isso ainda é novo em Madrid: as pessoas que chegam lá para comer ainda não sabem o que é uma comida vegana.

Por fim, gosto de reforçar que, apesar de tudo, difícil é não viver como a gente acredita. 

Venha pra Madrid, passeie bastante, inclusive nas cidadezinhas ao redor, mas pesquise bem onde tem opções que se encaixam em suas necessidades. E leve sempre seus lanchinhos!

Sobre a autora

Ludmila é jornalista, sempre trabalhou com marketing digital e usa sua habilidade com as palavras para falar sobre sustentabilidade, veganismo, finanças e trabalho com sentido de uma forma sincera e praticável no blog Bistroveg.

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A Espanha pelos olhos da brasileira Karina Wanderley

E vamos falar sobre a Espanha! 🇪🇦

Através do Instagram da Calle, conheci a Karina Wanderley, uma brasileira que anda se aventurando lá na terra do nosso amado Alejandro Sanz 😍.

Karina Wanderley / Crédito da imagem: Ezequiel Quirino

Eu conversei com a Karina para saber mais sobre essas experiência. Confira o resultado desse bate-papo 🙂

Há quanto tempo você está na Espanha?

Já morei aqui com meu filho e marido 2 vezes: em 2006, quando passamos 1 ano e meio em Castelldefels, província de Barcelona e, na segunda vez, em dezembro de 2014, quando fomos morar em Sant Boi de Llobregat, Barcelona, sem intenção de voltar.

Foram dois momentos bem diferentes: O primeiro de difícil adaptação, sem trabalho e a ideia era mais nos aventurar do que qualquer outra coisa. Já o segundo, bem mais tranquilos, com certa estabilidade financeira e com a ideia diferente: Não era mais uma aventura, era a vontade de estabelecer uma nova vida.

Em dezembro de 2017, com a crise política na Catalunya, decidimos sair de Barcelona e nos mudamos para a região da Galícia, na cidade de Vigo, província de Pontevedra.

Você já estudava espanhol? Conta pra gente um pouco da sua história com o idioma.

Não estudava o idioma. Acreditava que pelo fato de estar ali, podia aprender convivendo com os espanhóis.

A verdade é que se aprende praticando, convivendo, ouvindo as musicas, vendo o noticiário da TV, lendo… mas eu convivia mais com minha família. Além do marido e filho, minhas 3 irmãs e os sobrinhos que moram aqui, falando o dia todo o português, ouvia e lia português pela internet… isso não me ajudou muito nessa parte!

Me inscrevi em um curso gratuito na cidade de Viladecans, em Barcelona e fiz dois anos. Foi muito bom e valeu a pena.

Hoje, ainda que tenha que falar o português com a família, procuro interagir com gente daqui, ler, assistir TV local.

Por que você escolheu a Espanha?

Por 4 motivos: Pela minha família que morava aqui, pela segurança (um lugar onde meu filho pudesse ir e vir em paz), pela qualidade de vida e pelo idioma que, por se “parecer” com o nosso, acreditei que pudesse nos facilitar a vida.

Quais aspectos da cultura espanhola você mais gosta? 

Adoro esse país e, como eles dizem, me encanta a riqueza cultural de cada região.

O Flamenco de Andalucía, Los Castellets e La Sardana de Catalunya, os Gaiteiros da Galícia, los San Fermines de Pamplona, la Féria de Málaga, la Feria de Abril de Sevilla, el bocadillo de calamar de Madrid en la Plaza Mayor, as festas locais, a paella. Eu poderia escrever milhões de coisas, pois cada região tem a sua peculiaridade. Há festas diferentes cada mês, como a festa do “vino”, a festa do “Pulpo”, la ruta de tapas. A Espanha é riquíssima culturalmente e as pessoas são muito patriotas.

Você destacaria algo como sendo curioso ou, para nós brasileiros, considerado muito diferente? 

Em Catalunya e em Aragon existe a seguinte tradição natalina: no dia 24/12, uma criança “surra” um pedaço de tronco de madeira, pintado com uma cara de um bonequinho adorável e que leva um gorro vermelho e preto e, ao mesmo tempo, a criança canta uma canção que diz assim (traduzido para o português): “Caga tio, tio de natal, não cague sardinhas que são salgadas, cague torrone que são melhores! Caga tio, Amêndoas e Torrone, se não quiser cagar, vou te dar uma porrada com o pau”.

E o tronco, que está coberto por uma manta vermelha, “caga” presentes para a criança. Essa brincadeira é repetida varias vezes porque os pais compram muitos presentes, algo em torno de uns 10. Para mim é uma curiosidade bem estranha!

As novelas também são forte por aí? 

Não existem novelas, mas séries de TV que estão há muitas temporadas como: Aída, Lo que se Avecina. 

De quais artistas espanhóis você mais gosta? 

David Bisbal, Alejandro Sanz, Henrique Iglesias, Melendi, Fito y Fitipaldi, a atriz Penépole Cruz, o ator Antônio Banderas, os Tenores Josep Carreras, Monserrat Cabalet. O pintor Salvador Dali!

Para os brasileiros que estão planejando conhecer a Espanha, qual ou quais lugares você recomendaria? Por quê? 

Meu Deus, uma infinidade de lugares!! Posso falar da Catalunya onde vivi. Barcelona é uma cidade multicultural, cosmopolita, cheia de história e beleza. Indicaria passeios como a Sagrada Família e todas as outras obras de Gaudí, como “A Pedreira”, “Paque Guell”, “Casa Batlló”. “A Rambla das Flores”, “Mercado da Boqueria”, “Barceloneta”, “Anilla Olímpica”, “Palau de la Música”, “Parque da Ciudadela”, “Monjuic” e claro, conhecer o “Camp Nou”, que é o estádio do Barça! Esses são alguns dos lugares que eu conheci e que eu indicaria, mas a Espanha tem uma infinidade de lugares lindos e incríveis para conhecer.

Curtiu a história da Karina? Pois segura essa dica, então: Ela e as irmãs têm o canal As Kas, no Youtube. Lá, a família compartilha mais dessa experiência de morar fora. Confira! 🙂

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Ciganos na Espanha: conquistas, reivindicações e cultura à flor da pele

No início do ano nós tivemos aqui no blog um post para celebrar o Día Internaccional Del Pueblo Gitano. A publicação trouxe 5 músicas pra gente curtir o ritmo pulsante dessa cultura.

No entanto, levando-se em consideração a forte presença dos ciganos na Espanha, esse encontro de duas culturas tão vivas (e lindas! ❤) merece mais espaço aqui na nossa Calle. Por isso e também para entendermos as questões culturais e a atual situação do povo cigano na Espanha, eu conversei com o presidente da Unión Romaní (organização não governamental dedicada à defesa da comunidade cigana) Juan de Dios Ramírez-Heredia.

[SPOILER: Vocês sabiam que o Brasil teve um presidente cigano? 🤔 Então, é só seguir aqui que já, já conto pra vocês o nome dele. Ou melhor, o Juan de Dios vai contar 😉]

Os ciganos estão espalhados por quase todas as regiões do mundo. No que se refere à sua origem, há um consenso entre os especialistas de que a Índia seria o local de surgimento desse povo.

De acordo com a Unión Romaní, embora não seja possível definir de forma precisa, estima-se que cerca de 750.000 ciganos vivam na Espanha e, desse total, quase a metade (cerca de 350 mil) encontra-se em Andaluzia.

“A cultura cigana está presente na Espanha desde o século XV e, na região de Andaluzia é possível vive-la e senti-la de forma mais intensa. Os costumes ciganos se transformaram em sinais de identidade de todo o povo andaluz. Está claro, e ninguém deveria colocar isso em questão, que Andaluzia não seria a mesma sem os ciganos. Por outro lado, nossa história e nossa cultura ainda são grandes desconhecidas e não gozam do reconhecimento merecido por parte das instituições. Por isso, as associações ciganas estão reivindicando que a história e a cultura do nosso povo sejam disciplinas que integrem o currículo escolar. Em algumas comunidades, com em Castilla e em León, isso já acontece”, explica Juan de Dios.

O presidente da Unión Romaní destaca que do Primeiro Congresso Mundial cigano, realizado em Londres, em 1971, surgiram acordos importantes que se mantêm até hoje. “Como exemplo, podemos citar a Bandeira Cigana (azul e verde, com a roda vermelha ao centro e o Hino Internacional Cigano (Gelem, Gelem). Decidiu-se também na ocasião exigir da Alemanha uma indenização pelas vítimas do Samudaripen (o Holocausto cigano), para que essa verba fosse investida na educação, formação e capacitação das comunidades ciganas que sofreram com esse extermínio. Também fruto desse Congresso, em 1978, a ONU reconheceu o Povo Cigano como uma Minoria Cultural Não Governamental”, pontua Juan de Dios.

Outro questão destacada por Juan é que para se conseguir políticas e ações mais efetivas no que se refere à educação, à inclusão no mercado de trabalho, ao melhor acesso à saúde e à moradia, é fundamental que a opinião dos ciganos seja levada em consideração.

Segundo o presidente da Unión Rumaní, o desejo de por fim aos preconceitos que a maior parte da sociedade tem em relação aos ciganos também faz parte das reivindicações atuais.

“Atualmente, nós ciganos somos cidadãos de pleno direito, assim como o resto dos cidadãos espanhóis. No entanto, grande parte dos ciganos ainda vive em situação de exclusão social. Os principais problemas concentram-se na educação, emprego e moradia. O abandono escolar por parte dos jovens ciganos chega aos 64%. Além disso, estamos lutando pelo direito de termos uma identidade cultural reconhecida. Por isso, falar de inclusão hoje em dia é uma falácia, pois a igualdade de oportunidades ainda não é real”, explica Juan de Dios.

Cultura cigana

E quando falamos em cultura cigana, de imediato nos vem à mente o vibrante flamenco.

“A música é um dos elementos fundamentais da cultura cigana e o flamenco é, sem dúvidas, uma das mais ricas contribuições da nossa cultura à cultura universal. Por isso, a Unesco o declarou Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2010”.

E quanto aos artistas ciganos que colaboraram para o reconhecimento dessa cultura, Juan destaca Camarón de la Isla, Django Reinhardt, Raimundo Amador, Carmen Amaya, Joaquín Cortés e Los Gipsy Kings.

“Aos já mencionados, devemos incluir também personagens como Juscelino Kubitschek, Soraya Post (membro do parlamento europeu), Rafael de Paula (toureiro) e Eric Cantona (jogador de futebol). Há, ainda, outros ciganos que seguem lutando por sua comunidade e pelo seu reconhecimento, como o jornalista  Joan Oleaque, a advogada Carmen Santiago, a professora  Ana Giménez e a estilista Juana Martín.

Para quem está planejando viajar à Espanha, Juan de Dios deixa a dica: “Não há um lugar específico e concreto na Espanha onde seja possível viver a cultura cigana em sentido amplo, pois cada família vive essa cultura de forma interna. No entanto, há muitos lugares onde é possível desfrutar de uma das expressões mais conhecidas da nossa cultura, o flamenco. Se me perguntam sobre um lugar, eu sugiriria Casa Patas, em Madrid”.

5 músicas para celebrar ‘el Día Internacional del Pueblo Gitano’

Y además…

Entrevista completa con el presidente de la Unión Romaní, Juan de Dios Ramírez-Heredia

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Las Chicas del Cable: Netflix libera trailer de sua primeira série espanhola 🇪🇦

A Netfix (sua linda!❤) lançou o trailer de sua nova série (e agora vem a melhor parte da notícia), produzida na Espanha (🇪🇦💃).

Ambientada na Madrid dos anos 1920, Las Chicas del Cable terá como tema central a história de quatro mulheres que buscam conquistar seu espaço no mercado de trabalho.

“La vida no era fácil para nadie. Y mucho menos si eras mujer”

Na história, Lidia (Blanca Suárez), Carlota (Ana Fernández), Ángeles (Maggie Civantos) y Marga (Nadia de Santiago) trabalham como operadoras de telemarketing na única companhia telefônica que existe no país. E aí, a partir desse gancho, nós já podemos imaginar muitas coisas.

Bom, eu prevejo tretas, romances e mulheres fortes (assim espero!) enfrentando o machismo e reafirmando a (nossa) liberdade.

Las Chicas del Cable, a primeira série original espanhola da Netflix, estreará no dia 28 de abril e nós já estamos no aguardo! 🙂

Confira o trailer

Y además…

Las protagonistas de Las Chicas del Cable hablan un poco más sobre la série

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India Martinez: a melhor dica para os apaixonados por música espanhola

Uma das coisas que mais gosto de fazer enquanto navego pela internet, é abrir o Youtube, dar play no vídeo de algum cantor que eu já conheça e ativar a reprodução automática. Amigx, confie em mim! Você vai se surpreender com as preciosidades que o Youtube seleciona.

E foi num desses passeios virtuais, que ouvi uma voz com muitíssimo de cultura espanhola estampada em cada nota vocal. Eu não conhecia a artista, mas pelo cantar, tive certeza de que era espanhola!

Estamos falando de India Martinez.  Nascida em Córdoba, a cantora tinha apenas 13 anos quando participou do concurso espanhol Veo, Veo, ficando entre os finalistas. De lá pra cá, India já tem sete álbuns em sua carreira: Azulejos de Lunares, Despertar, Trece Verdades, Otras verdades, Camino de la buena suerte, Dual e Te Cuento un Secreto.

Si te quedas, te cuento un secreto

LaHiguera / Reprodução

Atualmente, India Martinez está percorrendo diversas cidades espanholas (e LOTANDO as casas de show), com a tunê Secreto, que apresenta ao público as facetas de ‘Te cuento un Secreto’.

A proposta do álbum (que ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos, na Espanha, já na semana de lançamento) é revelar ao público um pouco mais sobre personalidade da cantora. As faixas fluem no ritmo da batida pop, mas o ponto forte, sem dúvida, é o flamenco  palpável (em timbre, cor e vitalidade) que existe na voz de India.

Então, se você curte o tempero cultural da Espanha (¡Olé!) e se você fica hipnotizado pela intensidade do baile flamenco, aí vai uma dica: apenas ouça India Martinez!

Y además…

Te dejamos una entrevista con la cantante española, India Martinez

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