Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Tag: Língua espanhola

Língua Espanhola: Uma ponte entre pessoas, países e culturas

A língua espanhola é uma combinação mágica para muito de nós, não é mesmo? Seja pela sonoridade, seja pela engenhosa articulação entre substantivos, verbos, pronomes e artigos ou, ainda, pelo sentimento que nos desperta quando hablamos. Como diria Tiago Iorc, o coração dispara, tropeça quase para! 😆

Desde mi más humilde punto de vista, esse é, sem dúvidas, um idioma que conquista ❤.

(Sim, como normalmente dizemos em português, é muito amor, é amor pra caramba! 😍)

Mas, e quanto à história da língua espanhola, pessoal? Será que conhecemos o contexto de surgimento e o papel desempenhado por esse idioma atualmente? 🤔

Justamente para nos ajudar a refletir sobre essas questões, entrevistei o doutor em Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo, que desenvolve uma pesquisa baseada fundamentalmente na história da língua espanhola na época moderna, tanto na Espanha quanto na América.

Origem

De acordo com José Luis, para analisarmos o nascimento da língua espanhola é preciso levar em conta um processo ainda mais amplo, que foi desaparecimento do latim, ou melhor, a transformação do latim nas diferentes línguas românicas, o que ocorre em algum momento entre os séculos V e IX, depois de Cristo.

“Nesse período produz-se uma transformação radical na cultura dos povos falantes de latim, que faz com que essas pessoas também comecem a perceber sua forma de falar como algo diferente do que antes existia, como algo afastado do latim”, explica José Luis.

O pesquisador também destaca que é preciso levar em conta que, com o passar do tempo, as diferenças entre os diversos dialetos do latim tornaram-se maiores, o que dificultava a comunicação entre os usuários dessa língua.

“Naturalmente, não é fácil saber em que momento os falantes tomam consciência de que estão falando outra língua e, por isso, é tão difícil dizer quando surge o espanhol. No entanto, há um indício que podemos levar em consideração, que é o momento em que aparecem textos em línguas romances. Tendo isso em mente, podemos estabelecer o século IX como o momento em que já existe tal consciência, algo que textualmente  se reflete, por exemplo, nos Juramentos de Estrasburdo (842) para o caso do francês e, um pouco mais tarde, para o espanhol, nas Glosas Emilianenses, do início do século XI”, explica o doutor em Filología Hispánica.

Espanhol ou Castellhano?

É muito comum encontrarmos os termos ‘espanhol’ e ‘castelhano” referindo-se ao mesmo idioma. Diante disso, paira no ar a seguinte questão: Afinal de contas, existe alguma diferença entre um e outro?

José Luis esclarece que partindo da ideia de que os dois conceitos se referem à mesma realidade (a língua compartilhada pela Espanha e pelos vários países da América), a verdade é que o uso de ‘espanhol’ ou ‘castelhano’ tem a ver com preferências nacionais ou, ainda, pessoais.

“Os filólogos, às vezes, utilizam esses termos de forma ligeiramente diferente: quando falamos da situação atual, normalmente empregamos a palavra espanhol para nos referir à língua compartilhada e suas variedades nacionais (espanhol da Argentina, espanhol da Colômbia). Por outro lado, usamos o termo castelhano, para nos referir à variedade dessa língua usada atualmente em Castilla, no centro-norte da Espanha. Ainda, quando falamos desde um ponto de vista histórico, preferimos castelhano, para fazermos referência à língua durante o período medieval”.

Língua espanhola hoje

Quanto ao papel desempenhado atualmente pela língua espanhola no mundo, José Luis destaca que o idioma é, sem dúvidas, a principal herança compartilhada pelos hispanohablantes.

“Isso deve servir para desenvolver certa solidariedade e favorecer a integração de todos os povos que a utilizam, sem que isso suponha desproteger ou atentar contra as línguas minoritárias que, junto ao espanhol, se utilizam em todo o mundo hispânico”, explica José Luis.

O Futuro da língua de Cervantes

Olhamos para o passado para entendermos as bases de surgimento do idioma, estabelecemos um paralelo até o presente, avaliando o papel desempenhado pela língua espanhola atualmente e, seguindo esse caminho, pensar sobre o futuro é inevitável.

Para o pesquisador, do ponto de vista de sua estrutura, o espanhol do futuro parecerá mais às variedades caribenhas que às variedades da Espanha.

“Acredito que o idioma terá uma importância influência do inglês, ainda que não definitiva, e que se verá como uma das línguas eminentemente americanas e, por tanto, cada vez menos europeia, algo parecido ao que acontece com a língua portuguesa. Já do ponto de vista demográfico, acredito que o idioma vai adquirir progressivamente maior transcendência em países como Estados Unidos. Quero pensar que será cada vez mais conhecido e necessário em zonas onde até então, é tido como segundo língua”.

E José Luis segue, destacando, agora, como ele gostaria que fosse o futura da língua de Cervantes. “Que o espanhol seja uma língua mais inclusiva, mais respeitosa com os outros idiomas com os quais convive e uma língua que sirva como ponte para conhecer outras realidades e outras culturas que também utilizam o espanhol como forma de expressão. Que seja, enfim, uma língua mais tolerante por ser o reflexo dos falantes que assim também são. Ainda que eu não saiba se isso está fora da linguística e, na verdade, tenha mais a ver com o que todos sempre esperam do mundo: que ele seja, pouco a pouco, um lugar um pouco melhor.

Y además…

Te dejamos un video en el que el doctor en Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo, habla sobre historia del español 🙂.

Curtiu as reflexões sobre a língua espanhola? Então, aproveite o embalo e confira a entrevista completa e en español, com o doutor em Filología Hispánica, José Luis Ramírez Luengo.

A Espanha pelos olhos da brasileira Karina Wanderley

E vamos falar sobre a Espanha! 🇪🇦

Através do Instagram da Calle, conheci a Karina Wanderley, uma brasileira que anda se aventurando lá na terra do nosso amado Alejandro Sanz 😍.

Karina Wanderley / Crédito da imagem: Ezequiel Quirino

Eu conversei com a Karina para saber mais sobre essas experiência. Confira o resultado desse bate-papo 🙂

Há quanto tempo você está na Espanha?

Já morei aqui com meu filho e marido 2 vezes: em 2006, quando passamos 1 ano e meio em Castelldefels, província de Barcelona e, na segunda vez, em dezembro de 2014, quando fomos morar em Sant Boi de Llobregat, Barcelona, sem intenção de voltar.

Foram dois momentos bem diferentes: O primeiro de difícil adaptação, sem trabalho e a ideia era mais nos aventurar do que qualquer outra coisa. Já o segundo, bem mais tranquilos, com certa estabilidade financeira e com a ideia diferente: Não era mais uma aventura, era a vontade de estabelecer uma nova vida.

Em dezembro de 2017, com a crise política na Catalunya, decidimos sair de Barcelona e nos mudamos para a região da Galícia, na cidade de Vigo, província de Pontevedra.

Você já estudava espanhol? Conta pra gente um pouco da sua história com o idioma.

Não estudava o idioma. Acreditava que pelo fato de estar ali, podia aprender convivendo com os espanhóis.

A verdade é que se aprende praticando, convivendo, ouvindo as musicas, vendo o noticiário da TV, lendo… mas eu convivia mais com minha família. Além do marido e filho, minhas 3 irmãs e os sobrinhos que moram aqui, falando o dia todo o português, ouvia e lia português pela internet… isso não me ajudou muito nessa parte!

Me inscrevi em um curso gratuito na cidade de Viladecans, em Barcelona e fiz dois anos. Foi muito bom e valeu a pena.

Hoje, ainda que tenha que falar o português com a família, procuro interagir com gente daqui, ler, assistir TV local.

Por que você escolheu a Espanha?

Por 4 motivos: Pela minha família que morava aqui, pela segurança (um lugar onde meu filho pudesse ir e vir em paz), pela qualidade de vida e pelo idioma que, por se “parecer” com o nosso, acreditei que pudesse nos facilitar a vida.

Quais aspectos da cultura espanhola você mais gosta? 

Adoro esse país e, como eles dizem, me encanta a riqueza cultural de cada região.

O Flamenco de Andalucía, Los Castellets e La Sardana de Catalunya, os Gaiteiros da Galícia, los San Fermines de Pamplona, la Féria de Málaga, la Feria de Abril de Sevilla, el bocadillo de calamar de Madrid en la Plaza Mayor, as festas locais, a paella. Eu poderia escrever milhões de coisas, pois cada região tem a sua peculiaridade. Há festas diferentes cada mês, como a festa do “vino”, a festa do “Pulpo”, la ruta de tapas. A Espanha é riquíssima culturalmente e as pessoas são muito patriotas.

Você destacaria algo como sendo curioso ou, para nós brasileiros, considerado muito diferente? 

Em Catalunya e em Aragon existe a seguinte tradição natalina: no dia 24/12, uma criança “surra” um pedaço de tronco de madeira, pintado com uma cara de um bonequinho adorável e que leva um gorro vermelho e preto e, ao mesmo tempo, a criança canta uma canção que diz assim (traduzido para o português): “Caga tio, tio de natal, não cague sardinhas que são salgadas, cague torrone que são melhores! Caga tio, Amêndoas e Torrone, se não quiser cagar, vou te dar uma porrada com o pau”.

E o tronco, que está coberto por uma manta vermelha, “caga” presentes para a criança. Essa brincadeira é repetida varias vezes porque os pais compram muitos presentes, algo em torno de uns 10. Para mim é uma curiosidade bem estranha!

As novelas também são forte por aí? 

Não existem novelas, mas séries de TV que estão há muitas temporadas como: Aída, Lo que se Avecina. 

De quais artistas espanhóis você mais gosta? 

David Bisbal, Alejandro Sanz, Henrique Iglesias, Melendi, Fito y Fitipaldi, a atriz Penépole Cruz, o ator Antônio Banderas, os Tenores Josep Carreras, Monserrat Cabalet. O pintor Salvador Dali!

Para os brasileiros que estão planejando conhecer a Espanha, qual ou quais lugares você recomendaria? Por quê? 

Meu Deus, uma infinidade de lugares!! Posso falar da Catalunya onde vivi. Barcelona é uma cidade multicultural, cosmopolita, cheia de história e beleza. Indicaria passeios como a Sagrada Família e todas as outras obras de Gaudí, como “A Pedreira”, “Paque Guell”, “Casa Batlló”. “A Rambla das Flores”, “Mercado da Boqueria”, “Barceloneta”, “Anilla Olímpica”, “Palau de la Música”, “Parque da Ciudadela”, “Monjuic” e claro, conhecer o “Camp Nou”, que é o estádio do Barça! Esses são alguns dos lugares que eu conheci e que eu indicaria, mas a Espanha tem uma infinidade de lugares lindos e incríveis para conhecer.

Curtiu a história da Karina? Pois segura essa dica, então: Ela e as irmãs têm o canal As Kas, no Youtube. Lá, a família compartilha mais dessa experiência de morar fora. Confira! 🙂

Gostou da Calle Hispánica e não quer perder nenhuma postagem? Então, siga a Calle no Instagram! 😉

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén