Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Tag: Literatura em Espanhol

Desafio Literário: Resenha de “La Mentira”, de Caridad Bravo Adams

Oi, genteee! 😆

As férias foram lindas, mas eu PRECISO dizer que sim, eu estava morrendo de saudades de escrever pro blog ❤.

E antes de começar com as postagens sobre o meu amadíssimo México, vamos colocar em dia o nosso Desafio Lieterário da Calle, com a resenha do livro “La Mentira”, escrito pela Caridad Bravo Adams.

Lembrando que o tema de outubro era Um livro escrito na década de 1950.

Obs.: Essa é a segunda obra que leio da Caridad e estou curtindo demais sua narrativa! Tenho o firme propósito de seguir lendo seus livros 📚🙂.

Enredo

A história de “La Mentira”, escrita em 1952, se desenrola no nosso Brasil, brasileiro.

 “En el fin del mundo, en el corazón de la selva, en el rincón más apartado del Estado de Mato Groso; esto es, en el centro mismo de América, en las selvas de aquel Brasil inexplorado e inmenso, se alza en efecto Porto Nuevo”

Quem desembarca nesse cenário é Demétrio de San Telmo, que retorna ao Brasil para ajudar o irmão, Ricardo Silveira, que passava por um momento difícil após ser enganado e roubado por “una mala mujer”.

No entanto, Demétrio chega à fazenda de Ricardo tarde demais, pois seu irmão já havia cometido suicídio 😨.

– ¿Entonces mi Hermano se ha suicidado? ¡Mi Hermano ha muerto por una mujer! ¿Puedo saber su nombre, Reverendo? ¿Quiere decírmelo ahora mismo?

– Mi pobre amigo… su nombre, el nombre de ella no lo sé. Sospecho que solo Ricardo podría decirlo y se llevó su secreto a la tumba. Su hermano bebía espantosamente, tomaba luego medicinas y calmantes para aplacar sus nervios, píldoras, narcóticos… ¡qué se yo!

Diante dessa verdade, Demétrio jura encontrar essa mulher vingar a morte do irmão. E, partir desse ponto, começam as tretas. Isso porque, todo mundo sabia da existência da tal mulher, mas ninguém sabia o nome dela. A única pista até então, era que seu nome iniciava com a letra “V”.

“una mujer cuyo nombre empieza com ‘V’ (…) Dolo por dolor… miseria por miseria… Lágrima por lágrima tengo que cobrárselo”.

Sabendo que, antes de partir para o Mato Grosso, Ricardo (que era advogado) foi o braço direito da família Castelo Branco, uma das mais ricas e importantes do Rio de Janeiro, Demétrio decide iniciar sua busca justamente lá.   E como diz o ditado, “Quem procura, acha”, o muchacho achou, de cara, duas jovens primas (e sobrinhas de Teodoro Castelo Branco), Virgínia e Verônica (que se apaixona por ele já de cara).

Após algumas investigações e muitas intrigas, Demétrio chega à (equivocada) conclusão de que Verônica é a mulher que enganou seu irmão. E quem o “ajuda” a pensar dessa forma é ninguém menos que Virgínia, a verdadeira culpada.

E mesmo correspondendo ao amor de Verônica, ele decide seduzir a jovem, pedi-la em casamento e levá-la para o coração da selva brasileira, fazendo-a pagar o sofrimento do irmão.

Demétrio empenha-se para mostrar-se frio, indiferente e até grosseiro com ela, que sempre se perguntava a que se devia à mudança do rapaz. Daí até o desenlace dessa treta, a muchacha sofre, viu?!

Vale a leitura?

Gente, sou muito suspeita para falar sobre a narrativa da Caridad Bravo. No caso de La Mentira, descobri que a novela estrelada pelo Guy Ecker e pela diva Kate Del Castillo, é bem fiel ao livro. No entanto, o que achei mais interessante na obra original é a ambientação feita no Brasil. (Vou passar a visão pra vocês: Verônica é carioca, tal como yo! 😎 rsrs)

A história tem pontos altos de drama e intensidade, mas sem deixar de lado o nosso bom, rosa e velho romance. E, assim como na novela, minha parte favorita nessa história é, sem dúvidas, quando toda a verdade vem à tona!  É maravilhoso ver Verônica esfregar sua inocência na cara de Demétrio 😂.

Então, é isso, pessoal! Agora, vamos ao próximo tema que é “Uma biografia” 🙂. Já escolhi qual e conto pra vocês lá no Intagram da Calle. Vem comigo! 😉

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Resenha: A Mulher Habitada, de Gioconda Belli

Como já comentei aqui no Blog, desde que a Calle Hispánica nasceu, me propus a conhecer melhor a literatura produzida nos países que falam espanhol. E para começar, escolhi o livro A Mulher Habitada, da nicaragüense Gioconda Belli.

Já posso adiantar que comecei com o pé direito! 🙂

Enredo

O desenrolar da história tem inicio a partir da índia Itzá, que morre lutando contra os invasores espanhóis. A partir do seu relato (e que relato, amigxs!), constrói-se uma ponte que nos leva do período da colonização até a década de 70, onde encontramos Lavínia, uma jovem arquiteta de 23 anos que, após concluir os estudos na Europa, volta à sua terra natal, a cidade fictícia de Faguas.

O que prendeu minha atenção já nas primeiras páginas, foi a forma bastante original e intrigante que a autora encontrou para contar a história dessas duas mulheres que, apesar de estarem situadas em duas épocas diferentes, são atravessadas e movidas pelos mesmos questionamentos: O que, de fato, significa ser mulher e como se impor num mundo governado por homens. (Não, eu não vou contar que forma foi essa 😜 rsrsrsrs)

Lavínia

Buscando tomar posse de sua independência, Lavínia deixa a casa dos pais e vai morar sozinha. Já em seu primeiro dia de trabalho num escritório de arquitetura, ela conhece Felipe, seu novo colega de trabalho. (Sim, tem romance nesse enredo!)

Apesar de a história se passar em Faguas, um lugar fictício, o paralelo que se estabelece com a Nicarágua é bem perceptível. A cidade do ‘faz de conta’ também passava, assim como a Nicarágua da década de 70, por um período de ditadura em que, adivinhem só: o rico cada vez ficava mais rico e o pobre cada vez ficava mais pobre (pois é, amigx! ‘Chibom bom bom’ é um canto globalizado!🌎).

À frente desse regime militar estava o ‘Grande General’. Do outro lado, lutando por transformações políticas, sociais e, principalmente em defesa da democracia, estava o Movimiento de Liberación Nacional, do qual Lavínia torna-se membro.

Ytzá 

Todos nós já lemos ou ouvimos algo sobre o período da colonização. No entanto, em A Mulher Habitada, Gioconda vai além de narrar fatos desse período. Nos trechos que em Ytzá aparece em cena, a história é narrada em primeira pessoa. Ou seja, a sensação que temos é a de estar cara a cara com ela (para falar a verdade, quase podemos ver, através das letras, a expressão em seu olhar! 👀).

Resumindo: A obra de Gioconda Belli traz duas mulheres que participam de forma ativa dos acontecimentos que transformam a realidade. Aliás, esse é mais um ponto forte da história: mulheres revolucionárias! Ytzá contra os invasores espanhóis e Lavínia contra a ditadura imposta pelo Grande General.

O livro, além de nos apresentar questões relacionadas à história, também nos leva a reflexões sobre a posição da mulher na sociedade.

Gioconda Belli pontua, ao longo da narrativa, dúvidas e questões internas com as quais a maioria de nós, mulheres, nos identificamos (que lugar queremos ocupar? Que lugar ocupamos atualmente? O quanto evoluímos desde os tempos de Ytzá até hoje? O que podemos fazer para garantir nossos direitos? – e por aí vai…).

Eu diria que só por ativar essa luz interna dos questionamentos (💡), já considero a leitura muito válida!

Sobre a Gioconda

A autora de A Mulher Habitada nasceu em Mánagua, Nicarágua. Gioconda viveu a ditadura de Somoza e fez parte da Frente Sandinista de Liberación Nacional.

Suas obras já foram traduzidas em mais de 14 idiomas e o livro A Mulher Habitada (1988), recebeu o Prêmio de la Fundación de Libreros, Bibliotecarios y Editores Alemanes e o Prêmio Anna Seghers, da Academia de Artes de Alemania.

Y Además…

Te dejo una parte del relato de Ytzá sobre la colonización:

“Los españoles decían haber descubierto un nuevo mundo. Pero ese mundo no era nuevo para nosotros. Muchas generaciones habían florecido en estas tierras desde que nuestros antepasados, adoradores de Tamagastad y Cippatoval, se asentaron. Éramos náhuatls, pero hablábamos también chorotega y lengua niquirana. Sabíamos medir el movimiento de los astros, escribir sobre tiras de cuero de venado. Cultivábamos la tierra, vivíamos en grandes asentamientos a la orilla de los lagos, cazábamos, hilábamos, teníamos escuelas y fiestas sagradas.
Nadie puede decir cuál habría sido nuestra historia si tanta tribu no hubiese sido aniquilada. Los españoles decían que debían civilizarnos, hacernos abandonar la barbarie. Pero ellos, con barbarie, nos dominaron, nos despoblaron. En pocos años hicieron más sacrificios humanos que nosotros en el tiempo largo que transcurrió desde las primeras festividades.
Este país era el más poblado. Y, sin embargo, en los veinticinco años que viví, se fue quedando sin hombres; los mandaron en grandes barcos a construir una lejana ciudad que llamaban Lima; los mataron, los perros los despedazaron, los colgaron de los árboles, les cortaron la cabeza, los fusilaron, los bautizaron, prostituyeron a nuestras mujeres.
Nos trajeron un dios extraño que no conocía nuestra historia, nuestros orígenes y quería que los adoráramos como nosotros no sabíamos hacerlo.
¿Y de todo eso, qué de bueno quedó? Me pregunto.
Los hombres siguen huyendo. Hay gobernantes sanguinarios. Las carnes no dejan de ser desgarradas, se continúa guerreando.
Nuestra herencia de tambores batientes ha de continuar latiendo en la sangre de estas generaciones.
Es lo único de nosotros, Yarince, que permaneció: La resistencia”.

Confira também: Dica de leitura: Las Cosas Del Querer, de Flavia Álvarez

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Leitura do mês: A Mulher Habitada, de Gioconda Belli

De Miguel de Cervantes até hoje, sabemos que há uma variedade incrível de escritores que compõem e diversificam a literatura produzida nos países que falam espanhol.

Com o nascimento do Calle Hispánica, me propus a dedicar mais tempo para conhecer melhor as letras que florescem em páginas argentinas, chilenas, espanholas, cubanas… e por aí vai!

E para começar essa viagem literária, aterrissamos na Nicarágua, terra da escritora Gioconda Belli (já premiada com um dos mais importantes prêmios literários latino-americanos, o Casa de Las Americas).

Em sua obra A Mulher Habitada, escrita em 1988, Gioconda narra o romance entre Lavínia e Felipe, fazendo, ao mesmo tempo, um contraponto com o período histórico da chegada dos colonizadores espanhol.

Imagem: Amazon / Reprodução

O que eu espero dessa leitura? Fazer uma viagem pela Nicarágua, conhecendo alguns aspectos históricos, sociais e culturais desse país.

Então por hora é isso. Terminada a leitura, volto para contar minhas impressões sobre A Mulher Habitada.

¡Hasta luego!

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