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Netflix traz ao Brasil série mexicana ‘Juana Inés’

Imagem: Ciudad Ocio / Reprodução

A Netflix adicionou ao seu catálogo a série mexicana Juana Inés (muchísimas gracias, Netflix!), produzida pelo canal de tv Once e escrita por Patricia Arriaga, Monika Revilla e Javier Peñaloza.

A produção traz a história da freira, filósofa e escritora Juana Inés de Asbaje (mais conhecida como Sor Juana Inés de la Cruz), figura considerada referência do início da literatura mexicana na língua espanhola.

“Qué es más importante ¿Llenar la cabeza de la gente con conocimientos o salvar su alma?”

O contexto dessa frase é a segunda metade do século XVII. Nesta época, a Espanha tinha como reino a região chamada de Nova Espanha, que ia dos estados de Arizona, Califórnia, Colorado, Novo México e Utah, nos Estados Unidos, até a Costa Rica, na América Central.

Em meio a esse cenário, em 12 de novembro de 1648, nasceu Juana Inés, que na série é interpretada por Arantza Ruiz (em sua fase mais jovem) e por Arcelia Ramírez (na segunda fase).

Interessada pelo universo das letras desde muito cedo, Juana aprendeu a ler e escrever aos três anos. Já entre os seis e sete anos, pedia à mãe que a vestisse de menino para que pudesse frequentar a universidade.

Aos 13 esteve na corte e conquistou a confiança e admiração da Vice-Rainha e Marquesa de Mancera, Leonor Carreto.

Vale destacar que durante a época colonial do México, conhecimento e estudo eram privilégios apenas dos homens, pois as mulheres eram qualificadas como (ok, a frase que vem a seguir é incomoda até mesmo para escrever, mas vamos lá!) ‘pouco ou nada inteligentes’. E vemos a representação desse pensamento já no primeiro capítulo da série, quando Juana é informada que não é permita a entrada de mulheres na biblioteca real (proibição que, obviamente, ela conseguiu driblar. Há!).

!Se queman todos!

Labaredas da Inquisição a todo vapor e obras de pensadores como Maquiavel e Copérnico eram lançadas ao fogo (da ‘santa’ ignorância). Justo nessa época, Juana Inés, usou sua notável inteligência para enfrentar as convenções sociais e abrir um espaço favorável ao seu desenvolvimento intelectual.

No entanto, o brilhantismo e habilidade com as palavras apresentados pela jovem também despertaram a ira e inveja de muitos ao se mostrar como uma mulher a frente de seu tempo.

Num mundo de censura, Juana Inés entrou para o convento aos 17 anos, com o objetivo de seguir os estudos. Ousada, desafiou a igreja ao discordar em público de um jesuíta do Império Português, o Padre Vieira.

A série Juana Inés, além de lançar um olhar para o início da literatura mexicana em espanhol, também retrata essa fase da colonização espanhola, período marcado pela intolerância e pela tentativa de anular qualquer traço original da população nativa, como por exemplo, a língua.

Aliás, esse é um ponto interessante ao qual vale dedicar atenção: Em meio a essa convivência entre colonizadores e colonizados reproduzida pela série, é possível perceber as diferenças e peculiaridades no sotaque de espanhóis e mexicanos (¡me gusta!).

A série Juana Inés está disponível no Netflix com áudio original em espanhol e com legenda em português como opção.

Y Además:

Ve el video promocial de la serie Juana Inés

Hecho en México: A visão de um país segundo seu povo

La coctelera / Reprodução

Já vimos o país da Maria do Bairro, da Paola Bracho, do Chaves e de tantos outros personagens ser retratado bem na tela da nossa TV. No entanto, Hecho en México, dirigido por Duncan Bridgeman, nos traz um outro olhar. Ou melhor, nos traz diversidade de olhares. O documentário pinta com riqueza de nuances (e MUITAS cores!) o atual México e o que é ‘ser mexicano’.

Dividido em 8 capítulos (“¿Qué es ahora?”, “Libertad”, “Fronteras”, “¿Quién lleva los pantalones?”, “Resistencia”, “Me gusta mi medicina”, “¿Alma?” y “¿Quién soy?”), Hecho en México percorre caminhos que vão de norte a sul do país, colocando em foco as representações culturais que se mantém vivas e fortalecem a nacionalidade desse povo.

O que vemos cena após cena é uma multiplicidade de rostos que mostram um país que vai muito além de muros, violência e narcotráfico. Essas dificuldades existem sim, mas não anulam, de forma alguma, todas as peculiaridades culturais que fazem do México a nação vibrante que é (Ay, Caramba!).

A trilha sonora do documentário desfila entre gêneros como rock, norteño, cumbia e música eletrônica. Cada um dos temas apresentados entrelaça-se ao assunto em questão, cumprindo o papel de também contar a história.

Nomes como Gloria Trevi, Alejandro Fernandéz, Natalia LaFourcade, Emmanuel del Real, Los Tucanes de Tijuana e Guadalupe Esparza colocam sua voz em cena para ajudar a cantar a complexidade da identidade mexicana.

Além dos artistas conhecidos pelo grande público, a riqueza musical do país também é representada por artistas anônimos que fazem das ruas, o palco onde apresentam sua arte de cada dia.

Cena do Documentário “Hecho En México”

O culto à Virgem de Guadalupe é apresentado como sendo tão forte quanto a própria consciência do “ser mexicano”. O documentário deixa claro que se trata de uma devoção que vai muito além do ato de ajoelhar-se, juntar as mãos e tecer uma prece. É o elevar de olhos, coração e pensamento em direção aquela que protege, abençoa e ilumina.

Em tempos de tensão e incerteza, em que temas como fronteira, limite e divisão vêm tomando conta do noticiário internacional (especialmente após as eleições da Casa Branca), o documentário é uma carona para quem sabe desfrutar de um mergulho em culturas diversas. Hecho en México é, na verdade, uma ótima oportunidade para conhecer a versão deles, sobre eles mesmos.

Obs.: Hecho en México está disponível no Netflix, com áudio original em espanhol e com legenda em português como opção. Corre lá!

Y además… 

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