Calle Hispánica

Um passeio pela cultura em espanhol

Tag: Roteiro de viagem

Guia Calle Hispánica: Roteiro de 5 dias na Cidade do México

Dadas as dicas iniciais sobre quanto tempo ficar e onde se hospedar, agora vamos ao roteiro recheado de dicas importantes, porque é isso que a gente quer! 😜

Primeiro Dia

A Plaza de la Constituición ou Zócalo é o centro histórico da Cidade do México. E, sem dúvidas, é um ótimo começo para o roteiro 👣.

Lembra que no post sobre onde se hospedar no DF, eu disse que o Centro era a melhor opção?! Então! Além de museus e construções históricas que estão nos arredores do Zócalo, as mais variadas manifestações culturais que acontecem por lá tornam o local uma atração e tanto. Por isso, pode-se considerar um dia inteiro só para conhecer essa região. E, se você estiver hospedado por perto, já economiza tempo e dinheiro 😉.

➡ Obs.1: Você pode até pensar que é um exagero deixar um dia inteiro, mas vai por mim, não é! rs Inclusive, se sobrar um tempinho no seu roteiro, é lá que você vai querer voltar 😜.

➡ Obs.2: É nesse centrão onde estão aquelas letrinhas lindas e coloridas, onde todo turista curte tirar foto 😎 rs. Mas, tome cuidado, porque eles colocaram esse letreiro bem em frente a uma pista movimentada. Então, é preciso disputar a vez com outros turistas e também aguardar o sinal fechar para os carros 🚦😒.

Ciudad de México / Calle Hispánica

Palácio Nacional

Palácio Nacional / Crédito: Fernanda Rosa

O Palácio Nacional é considerado o edifício mais importante do país. Além de ser o local utilizado pelo presidente para receber representantes de outros países, o espaço também conta com obras de arte e outros elementos relevantes para cultura mexicana.

➡ Obs.3: Recomendo começar, de cara, pelo Palácio Nacional por uma razão bem simples:  O lugar conta com alguns dos painéis de Don Dieguito Rivera. Um desses painéis, o principal, simplesmente resume TODA A HISTÓRIA DO MÉXICO 💚.

Painel Diego Rivera, Palácio Nacional

Então, se você já começar a viagem tendo uma visão geral sobre a formação do país, sem dúvidas vai aproveitar muito mais tudo que virá na sequência 🙂.

A visitação ao Palácio é gratuita, mas vale destacar o seguinte: Para entrar, é preciso apresentar um documento de identificação original com foto. E não adianta levar a cópia do passaporte, porque não aceitam, tá?! Eles recolhem o documento apresentado e a gente só pega de volta na saída.

Eles oferecem, ainda, a visita guiada (também 0800, do jeito que a gente gosta! ❤rs). Se você quiser dar uma propinita ao guia, aí fica ao seu critério.

➡ Obs. 4: Os guias são SEMPRE muito gentis e atenciosos. Então, eu duvido que você não dê uns pesitos 😄 rs.

➡ Obs.5: Dentro do Palácio Nacional há uma Livraria, com muitas obras sobre a história do México e também sobre personagens que foram importantes para a formação do país. Se você curte esse tipo de livro, aviso que essa livraria tem os MELHORES preços! 💙#FicaADica 😉.

Catedral Metropolitana 

Catedral Metropolitana de la Ciudad de México / Crédito: Fernanda Rosa

A Catedral Metropolitana de La Asuncíon de María, além de ser a mais importante do país, também é aquela que SEMPRE aparece nas novelas mexicanas  📺 rs.

Bastante imponente, a Catedral, construída sobre as ruínas do Templo Mayor Azteca (por ordem do espanhol Hernán Cortés) é considerada,  por sua arquitetura, Patrimônio Cultural da Humanidade, desde 1987.

Só não é permitido fotografar em horário de missa. Por isso, vale uma visita num horário alternativo, para fazer alguns registros 📸.

Museu del Templo Mayor

Neste Museu é onde podemos encontrar ruínas (parte delas a céu aberto) dos templos e palácios astecas de Tenotchitlan, a antiga capital.

A entrada custa 70 pesos.

Torre Latinoamericana

Pelo amor do que você acredita, não vá embora do México sem viver essa experiência INCRÍVEL  de ver todo DF do alto 😍.  E quando eu digo “alto” é ALTO mesmo! rs

Torre Latinoamericana / Crédito: Fernanda Rosa

A torre foi inaugurada em 30 de abril de 1956 e resistiu bravamente aos terremotos. Atualmente, é o edifício mais alto da cidade, com 44 andares.

A entrada custa 100 pesos, mas caso você queira ter acesso ao Museu Bicentenário, aí será preciso desembolsar mais 20 pesos. Eles dão uma pulseira para o mirante e outra para o Museu, e permitem que, naquele dia, você saia do prédio e retorne quantas vezes quiser.

Pulseiras de acesso ao Mirante e ao Museu Bicentenário

➡ Obs.6: Prepare-se para deixar mais alguns pesos mexicanos na lojinha que fica estrategicamente no caminho até o 44° andar da Torre 😜.

Recuerdos  😍

Palácio de Bellas Artes

Saindo da Torre Latinoamericana e atravessando a rua, já damos de cara com o Palácio de Bellas Artes (que também é uma figurinha carimbada nas cenas de telenovelas 🙂).

Palácio Belas Artes / Crédito Fernanda Rosa

Belíssimo! 💛 Não há outra palavra que possa definir com exatidão esse palácio, que é de encher os olhos. Lá é possível encontrar algumas exposições (vale conferir a programação no site oficial) e mais alguns painéis de Don Dieguito Rivera.

Mercado de Artesanías de la Ciudadela

Se você ainda tiver energia, vale dar uma caminhada até o Mercado de Artesanías de la Ciudadela. Lá é O LUGAR para comprar lembrancinhas e artesanatos BEM mexicanos 😍.

Artesanías

Segundo Dia 

Museu da Frida 

Chegar ao museu da Frida usando o metrô é bem fácil! Pegamos as coordenadas no Centro de Atendimento ao Turista, que fica no Zócalo, e partimos rumo à nossa primeira viagem de metrô mexicano.

Como era domingo, estava vazio e foi tranquilo. Descemos na estação Coyoacán e lá pegamos um taxi até a residência azul da Diva mexicana 💙. Pagamos 40 pesos pelo trajeto.

Chegando lá…

Museu Frida Kahlo, num dia de “movimento fraco”

Sim, essa fila é, de acordo com o motorista de táxi, a fila de um dia de movimento fraco 😮. Nós não precisamos encará-la porque compramos o “combo”, oferecido pelo próprio museu. Esse combo custa 150 pesos e é formado por 1 ingresso para a casa azul, 1 ingresso para o Museu Diego Rivera e o transporte (ida e volta, de Fridabus) de um museu a outro.

Fridabus

Ah! Se quiser tirar foto, é preciso pagar 30 pesos pela autorização. Eles entregam um adesivo vermelho pra gente colar em local visível da nossa vestimenta e, acreditem: cada segurança, com o seu radinho, faz um controle rigoroso, checando se quem está fotografando, tem o tal adesivo vermelho 😕.

Ingresso para os museus Frida e Diego + autorização para tirar fotos

Museu Anahuacalli (Museu Diego Rivera) 

O espaço, popularmente conhecido como Museu Diego Rivera, além de ser uma construção incrível, abriga mais de 50 mil peças pre-hispânicas, colecionadas pelo próprio Don Dieguito ao longo de sua vida.

Xochimilco 

De volta ao Museu da Frida, o ideal é aproveitar o fato de já estar em Coyoacán e ir até Xochimilco, aquele laguinho LINDO de viver, cheio de traineiras coloridas 😍.

O lugar não fica tão próximo ao museu e, como já era por volta das 15h, pegamos um táxi para ir até lá. Conseguimos fechar com o motorista o preço fixo de 600 pesos, para que ele nos levasse até Xochimilco, nos esperasse lá (o tempo que nós quiséssemos ficar) e nos trouxesse de volta até o lugar onde estávamos hospedadas, no Centro.

E esse foi, sem dúvidas, um dos lugares que mais AMEI! O custo do passeio de traineira varia de acordo com a duração do passeio. Nós pagamos 500 pesos (esse valor é dividido pelo número de passageiros a bordo) por uma hora.

Durante o trajeto, é um desfile sem fim de música, cores, comidas típicas e artesanato. Muitas famílias mexicanas pagam até mais que duas horas de passeio, levam sua própria comida, seu radinho, e passam a toda a tarde lanchando e jogando conversa fora. Resumindo: O lugar é um encanto que só! ❤

➡ Obs.7: Lá mesmo em Xochimilco tem um feirinha, onde é possível encontrar artesanatos e roupas. E já adianto que os preços lá são, em geral, mais em conta que no Mercado de Artesanía. #FicaADica 😉

Terceiro Dia 

O Sítio Arqueológico de Teotihuacán está um pouco afastado do centro, mas também é um dos lugares que não podem faltar de jeito nenhum no nosso roteiro.

Nós optamos por pagar um tour (500 pesos por pessoa) que incluía Plaza de las 3 culturas (ali no Centro mesmo), Pirâmides e Basílica.

Sim, tours compartilhados costumam ter a desvantagem de oferecer um tempo mais curto. Mas, minha amiga e eu não nos arrependemos da escolha! O Hugo, guia que acompanhou nosso grupo durante todo o dia é, sem dúvida, o mais divertido de todxs! 😄

Antes de chegar às Pirâmides, ainda fizemos uma degustação das três bebidas mais populares no México: a tequila, o mezcal e o pulque.

Degustação de tequila, mezcal e pulque

➡ Obs. 8: O dia mais indicado para ir até Teotihuacán é numa segunda feira (anota isso aí porque é importante! 😉). Isso porque às segundas, nenhum museu da cidade está aberto. Então, a programação “zona arqueológica” + “Basílica de Guadalupe” é a melhor opção!

➡ Obs. 9: Pelo amor do que você acredita, confie no que eu vou dizer: Se você for por conta própria, vá às ruínas na parte da manhã. Sério! O lugar é incrível, com uma energia MARA, mas se liga: são duzentos e tantos degraus só na Pirâmide do Sol, e ainda tem a da Lua! 😥. (E eu não vi nenhuma unidade de atendimento por lá 😶).

Então, aproveita para ir na parte da manhã, que o sol estará mais tranquilo.

➡ Obs.10: Leve apenas o indispensável na bolsa e não esqueça o protetor solar e a garrafinha de água, pois a subida é bem íngreme.

Pirâmide do Sol – Subindo!

➡ Obs.11: Ao longo de toda a zona arqueológica há vários vendedores ambulantes e eles são um pouco insistentes. Oferecem desde artesanatos mais simples, de madeira, até jóias e toalhas com bordados incríveis feitos a mão. A orientação que o guia nos passou antes de chegarmos ao local foi a seguinte: Cuidado para não comprar gato por lebre. Isso porque nem sempre é possível assegurar que a “prata” oferecida pelos vendedores é, de fato, prata. Então, fique atento você também 👀.

Basílica de Guadalupe

A Basílica não está tão pertinho da Zona Arqueológica, mas os dois lugares ficam no mesmo lado da cidade. Por isso, vale muito fazer esses dois passeios no mesmo dia.

Sou mega suspeita para falar sobre a experiência de ir à Basílica, mas, posso dizer que é, simplesmente, MÁGICO ✨😍✨.

Manto original de Nossa Senhora de Guadalupe 🙌

O lugar abre de segunda a domingo, das 6h às 21h e, acreditem: está sempre cheio.

Basílica de la Virgen de Guadalupe, minutos antes de iniciar a missa das 14h

Nós fomos duas vezes. Na primeira vez, com o tour, o guia nos explicou toda a história envolvendo la Morenita e a construção do lugar. No entanto, tivemos o horário um pouco mais justo.

Como estávamos com uma boa folga no nosso roteiro, decidimos voltar por conta própria e, dessa vez, com mais calma. Gente, ir até a Basílica de metrô é MUITO tranquilo.

➡ Obs.12: Se você também escolher ir de metrô, a dica de ouro que te dou é a seguinte: Vá no horário da tarde, pois na parte da manhã, a Basílica fica bem mais cheia 😉.

Quarto Dia 

Museo de Antropología

Já começo com uma dica esperta! No dia anterior à sua ida ao Museo de Antropología, tente ir dormir cedo e descansar bastante. Isso porque, o lugar é grande! (e grande, tipo, mais de 20 salas 😯).

Museo Nacional de Antropología

A entrada custa 70 pesos e, para visitar todas as salas, nós passamos quase quatro horas lá dentro 😲.

O Museu oferece um verdadeiro banho de história e cultura das diferentes regiões do México! E o ponto mais concorrido é a sala onde está o famoso Calendário Maia (ou a Pedra do Sol). É preciso um pouco de paciência para conseguir tirar uma foto só sua lá! rs

Calendário Maia

Bosque Chapultepec e Polanco

Bem pertinho ao Museu, também há outras opções interessantes. Se você ainda tiver energia, aí vai a lista de lugares: Castillo de Chapultepec (com uma das mais belas vistas da cidade e onde funciona o Museu Nacional de História), Museu de Arte Moderna (com excelentes peças de Frida Kahlo, Diego Rivera e outros grandes nomes mexicanos) e Museu Tamayo. (Talvez, um dia inteiro ainda seja pouco 🤔).

Quinto dia

Eis que chegamos ao quinto dia. Amigx, se você confia em mim (pode confiar!🙂), guarda essa dica na parte mais bonita do seu coração ❤. Deixe um dia inteirinho livre no seu roteiro. E vou te dar três razões para te convencer de que essa estratégia é válida:

1) A Cidade do México é uma cidade super dinâmica, onde acontecem 200 mil coisas ao mesmo tempo. Então, caso você fique sabendo de algum programa ou passeio interessante quando já estiver por lá, conseguirá encaixá-lo nesse dia;

2) Se não aparecer nada que te interesse o bastante, você poderá retornar a algum lugar, para aproveitá-lo melhor. Por exemplo, o Zócalo, que é enorme e conta com várias atrações;

3) Maaas, caso ainda não tenha te convencido, então “prestenção”: Amigx, qualquer atraso no horário do seu voo de ida, ou qualquer imprevisto que aconteça, você, ainda assim, conseguirá cumprir seu roteiro sem passar aperto no tempo 🙂.

Ufa! Tá aí nosso roteiro lindo de 5 dias na terra da Maria do Bairro. Vale reforçar que, caso você tenha uma disponibilidade maior de tempo e de grana, super vale ficar mais alguns dias. Conforme disse antes, a cidade conta com muitíssimas atrações e, tenho certeza, de que não vai faltar atividade 🙂.

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América Latina: 5 dias no Chile, com Sílvia Amâncio

Planejando viajar para o Chile, mas ainda não fechou o roteiro? Então, anote aí as dicas da jornalista Sílvia Amâncio, que esteve por lá em novembro de 2016 🛫🌎

“Vale a pena passar 5 dias no Chile? Vale muito. Com um bom roteiro, disposição para andar e uma boa companhia sempre vale a pena. Em novembro do ano passado, eu e uma amiga embarcamos para Santiago. Nossa ideia é conhecer toda a América Latina e o Chile nos encantou desde a primeira pesquisa.

Cheguei de madrugada em Santiago do Chile, após um voo tranquilo, exceto a parte que sobrevoamos as Cordilheiras do Andes, devido à turbulência, meu ateísmo agnóstico me deixou na mão…

Me hospedei no bairro residencial de Providência e, de imediato, tive uma aula de cidadania. Os funcionários públicos do Chile estavam em greve (paro). Do lixeiro ao médico, do carteiro ao professor, todos nas ruas unidos em prol do coletivo. Nunca pensei que sairia do Brasil para acompanhar uma manifestação em outro país. Mas valeu cada momento, cada cartaz traduzido naquele portunhol safado…

No primeiro dia fomos ao Centro de Santiago, na Plaza de Armas, local da fundação da cidade por espanhóis que vieram do Peru (marco zero), com  muitos artistas de rua, artesanato, haitianos (eles estão por toda América Latina) e os ‘Carabineros de Chile’, os guardas municipais que chamam atenção por sempre andarem com seus escudeiros, cachorros resgatados das ruas, que fazem a festa de crianças e turistas. Não tem como passar por um ‘perro carabinero’ e não se encantar. Os chilenos amam os cachorros e por toda cidade há estátuas deles.

Carabineros y sus perros

Do Centro seguimos para o Mercado Central de Santiago, onde almoçamos a comida mais tradicional chilena: ‘lomo a lo pobre’, o prato feito deles, que consiste num amontoado de batatas fritas com carne cozida e muita cebola roxa.

Lomo a lo pobre

Por toda Santiago temos acesso a várias pontes sobre o Rio Mapocho, que nasce do degelo das Cordilheiras dos Andes e abastece parte das cidades chilenas.

Ainda em Santiago, muitos parques, obras de arte pelas ruas e muitas árvores, muita cobertura vegetal mesmo. A cidade é muito seca e muito poluída, por isso muito verde. Vale a visita ao Parque das Esculturas, Palácio de La Moneda (a residência oficial da presidente Michele Bachellet), o Museu dos Correios, o Museu Histórico Nacional, Museu Chileno de Arte Pré-Colombiana, o Parque Quinta Norma, fundado em 1842 e aos Cerros Santa Lucia e San Cristóbal, que são morros no meio da cidade que eram fortificações na época colonial espanhola. A visão privilegiada da cidade é de arrepiar.

Outro detalhe de Santiago é que as ruas têm Plátanos do Oriente, uma árvore frondosa com folhas verdes estreladas e, para meu espanto, após um tropeço e queda na rua, me vi em cima de uma moita de Alfazema. Fiquei toda ralada, mas bem perfumada… Depois do tombo fui provar a bebida tradicional chilena, o Pisco Sour, uma mistura de suco de limão, aguardente e clara de ovo…bem doce!

Partimos da capital chilena e fomos para o Vale de Casablanca, onde encontramos as maiores e melhores vinícolas do mundo e simpáticas lhamas que cospem nos turistas que ousam importuná-las.

Vale de Casablanca

Nessa região, é recomendável fazer tour nos vinhedos e degustar sem medo de ser feliz os vinhos, todos eles, Merlot, Cabernet, Sauvignon Blanc… Mas a compra é melhor fazer nos supermercados, é sempre mais em conta. Ainda sobre bebidas, recomenda-se provar a cerveja Austral, produzida com água das Cordilheiras desde 1896. Que saudade!

Depois de um dia de várias taças, de manhã bem cedinho vale ir para a cidade portuária de Valparaíso, conhecida como a ‘Joia do Pacífico’ e patrimônio da humanidade. Por suas ruas, muito grafite, cortiços, feiras livres, trólebus, uma das famosas casas do poeta Pablo Neruda, ‘bastiana’, o Museu Marítimo que tem a cápsula que resgatou os mineiros de um grave acidente em uma mina de cobre (a grande riqueza do Chile), o Hotel Rainha Vitória e a Marinha Chilena, construções imponentes da Plaza Sottomayor. Também em Valparaíso está o Congresso Nacional Chileno, transferido da capital pelo ditador sanguinário Augusto Pinochet, durante a Ditadura Chilena, com a desculpa de “descentralizar o governo”.

Casa de Pablo Neruda, em Valparaíso

Os brasileiros dizem que Valparaíso é uma mistura de Rocinha com Pelourinho, eu achei riquíssima a comparação. Por lá, não deixe de experimentar ‘el completo italiano hot dog chileno’, que leva muito abacate no recheio. Aliás, no Chile, até o Big Mac tem avocado.

Ainda no litoral, visitamos Viña del Mar, cidade à beira do Oceano Pacífico fundada pela elite chilena para manter-se afastada dos pobres. A cidade era uma grande vinícola chamada ‘Hacienda Siete Hemanas’ e hoje é um refúgio dos ricos, com condomínios luxuosos, hotéis cinco estrelas e um casino público (sim, público). A dica é visitar o Museu Fonck que conta com um exemplar verdadeiro de moai de rocha vulcânica retirada da Ilha de Páscoa (que pertence ao Chile). Só três moais estão fora de casa, esse em Viña del Mar, um na França e outro na Inglaterra. Em Viña del Mar vale provar as empanadas e o helado de pistache. Nem pense em tentar dar um mergulho no mar, é gelado demais da conta.

Sílvia em Viña

Também na costa chilena, visitei a cidade de Isla Negra, onde fica mais uma casa do poeta Pablo Neruda. Essa, em forma de barco, abriga um museu e o túmulo do poeta, que era grande amigo de Jorge Amado e, dizem, foi envenenado pela Ditadura Chilena. A vista do Oceano Pacífico é inebriante. Em Isla Negra tive a coragem de provar a cerveja Krenbier com a famosa “Michelada”, que é a borda do copo com sal e pimenta. Sapequei a boca toda!

Da praia com um sol preguiçoso, partimos para o Vale Nevado, que em novembro tem apenas as neves permanentes no topo das montanhas, mas no inverno é a estação de ski mais famosa do Chile. A subida até o topo dura cerca de 40 minutos, com muitas curvas, mas compensa pela paisagem e companhia da trilha do Rio Mapocho. O visual é uma mistura de morros secos, neve e deserto, com um vento frio de 12 graus. O Vale Nevado fica ainda mais encantador com o silêncio das montanhas e o voo solitário do Condor, que de asa a asa chega a medir quase 2 metros de comprimento. Mas um capricho da natureza.

Cordilheira dos Andes

Notei algumas curiosidade por todas as ruas do Chile. Os postes de iluminação pública são sustentados por grossos cabos de aço perfurados no chão. Nós, turistas desavisados estranhamos, mas logo que avistamos as placas ‘Via de Evacuacion Tsunami y Terremoto’, entendemos o recado. O Chile tem tremores de terra todos os dias, alguns imperceptíveis, outros devastadores. Muita gente já morreu com esses tremores em todo o território chileno e vemos várias construções pelas cidades que foram parcialmente destruídas.

Os chilenos são muito educados e exercem de verdade a cidadania. Um dia me perdi pelas calles e pedi ajuda a uma moça. Na mesma hora ela tirou o celular, acessou o Google Maps e me mostrou direitinho onde eu deveria ir. Em outro dia, andando despreocupada por um parque escutei ‘Ladrón, ladrón’. Quando vi, três homens imobilizaram um outro homem, de forma firme, mas sem nenhuma violência, até a chegada dos Carabineiros.

Em Santiago do Chile, cada bairro tem um prefeito, uma espécie de síndico, eleito por voto popular, que integra a gestão pública participativa. O imposto territorial pago pelos cidadãos, o IPTU, é direcionado para os bairros que eles residem, atendendo às demandas próprias de cada região. No bairro que me hospedei, a prioridade do síndico foi contratar uma empresa para tirar diariamente o lixo das ruas durante a greve dos lixeiros.

Santiago tem uma influência inglesa muito forte, várias ruas com nomes britânicos e nas padarias muito tea e muffin. E muita cereja. Roliças e de um vermelho intenso, doce como mel. Eu passeava pela cidade com um saco de cerejas, que custa em torno de R$10,00 o quilo. Lá, a comida é cara. Uma refeição individual simples, ficava em torno de R$ 60,00. A sugestão é entrar em uma galeria e procurar uma lanchonete simples.

O metrô de Santiago tem 5 linhas que chegam até a região metropolitana, com um preço acessível e muito rápido. Em meu último dia de viagem, peguei o metrô na estação Pedro de Valdívia e desci na estação Quinta Normal. Fui conhecer o Museu da Memória e dos Direitos Humanos, inaugurado em 2010 pela presidente Michele Bachellet que destina-se a dar visibilidade às violações de direitos humanos cometidos pela Ditatura Chilena de 1973 a 1990 e também outras violações pelo mundo afora.

É um lugar de sofrimento, de angústia, de revolta, de luta para manter vivo o passado chileno e para que ele não se repita. Com relatos em fotos e vídeos da época, temos acesso às crueldades do regime militar no Chile. Em um canto, a bandeira do Brasil me chama a atenção e me joga na cara que fomos o último país do mundo, com regime militar, a instaurar uma Comissão da Verdade.

Para uma brasileira em tempos de golpe, de perda da democracia, de direitos humanos e de cidadania, se aventurar pelo Chile renovou minha certeza de que é na luta coletiva e na resistência que renovamos a esperança de dias melhores, de igualdade, de justiça social. ‘Chi-Chi-Chi-le-le-le-viva-Chile’!”

*Por Sílvia Amâncio

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